IPESPE estreou com sucesso em Portugal

Sondagens eleitorais realizadas pelo instituto, para a CNN Portugal/TVI, anteciparam o resultado das urnas.

1. O Tracking-Poll CNN/IPESPE/TVI antecipou de forma exemplar os resultados das eleições Legislativas do país, como mostrado no Gráfico abaixo, apresentado com números arredondados, tal como na divulgação das sondagens. Em um contexto de grande fragmentação (a maior da história eleitoral do país: Fe 0,79) que dificulta sobremodo as medições, conseguiu descrever, com números colhidos 72 horas antes da votação, o desempenho de sete dos oito principais competidores, dentro dos limites das margens de erro previamente anunciadas. A única discrepância (AD) é explicada pelo resultado de um partido relativamente desconhecido (ADN) que subiu de 0,2% para 1,6% dos votos. Somados os percentuais dos dois, tem-se 32%, no limite inferior da margem de erro do estudo. Conforme registado na imprensa portuguesa, muitos eleitores fizeram confusão entre AD e ADN quando receberam o boletim de voto.

2. Independente de ter se aproximado bastante dos números da AD e do CHEGA, indicando que esse mais que dobraria seus votos face à eleição anterior (2022) quando obteve 7%, o IPESPE acredita que o partido de André Ventura cresceu no dia da eleição, mobilizando novos votantes (a abstenção caiu no território nacional de 42% para 34%) e retomando eleitores que haviam migrado para a AD, mas que, tranquilizados pelas sondagens que asseguravam a derrota do PS, seu principal adversário, voltaram à preferência original, contribuindo para esvaziar em parte os números da vitoriosa AD. 

3. O Traking Poll CNN/IPESPE/TVI* antecipou também com grande precisão o tamanho do eleitorado dos campos ideológicos da Direita (56% na última sondagem e 55% nas urnas) e da Esquerda (42% na sondagem e mesmo percentual nas urnas). Sob o aspecto abordado, um número confirma o movimento ocorrido no interior do campo da Direita: na última sondagem, considerados apenas AD+CHEGA (sem incluirmos o Iniciativa Liberal) somavam 50%. Nas urnas, acrescidos do percentual da ADN, eles alcançaram os mesmos 50%. Mas com o CHEGA crescendo três pontos, ascensão quase simétrica ao declínio da AD. 

4. Por fim, como insistiu-se em destacar ao longo de toda a cobertura das sondagens, é importante reiterar que os resultados das mesmas não são prognósticos, já que retratam opiniões e atitudes declaradas e não o comportamento efetivo dos eleitores, que só pode ser captado pelos levantamentos de “boca de urna”. Nos sistemas multipartidários, como o português, com alta taxa de fracionamento do apoio aos partidos, afora a incerteza acerca da abstenção, não captada nas sondagens, adiciona-se a questão do “voto estratégico”, pelo qual alguns eleitores se valem das informações dos números das últimas sondagens, para decidir se na última hora confirmam ou mudam seu voto. 

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(*) O IPESPE é o primeiro instituto brasileiro convidado para fazer as pesquisas eleitorais de uma TV portuguesa. E temos orgulho de ter acompanhado uma eleição histórica.