Antonio Lavareda e Antônio Delfim Netto debatem economia e política em São Paulo

Por Mônica Bergamo – Folha de São Paulo

O cientista político Antonio Lavareda e o ex-ministro Antônio Delfim Netto debaterão sobre economia e política com 300 diretores jurídicos e financeiros de empresas brasileiras. O evento será na terça-feira (19) no hotel Maksoud Plaza e marca o lançamento da edição 2018 do anuário Análise Executivos Jurídicos e Financeiros.

Leia mais:

Pela primeira na TV, Elsinho Mouco avalia os dois anos de governo  

Antonio Lavareda sobre ex-presidente Lula: “Potencial de transferência de votos irá se reduzir”

Campanha eleitoral deve começar com Bolsonaro líder e empate quádruplo entre candidatos, diz Antonio Lavareda

Para cientista político, mais importante que o jogo de adivinhação em torno da candidatura do PT, as atenções deveriam se voltar ao poder de transferência de votos de Lula ao possível herdeiro

É plausível imaginar que a possível candidatura que venha a substituir o ex-presidente Lula na disputa presidencial pelo PT mantenha patamar de apenas 3% das intenções de voto ao longo do pleito. A leitura é do sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do Ipespe, que acredita que o cenário que deverá se sobrepor no início do período de campanha será o de um empate quádruplo na segunda posição, com o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) largando na pole position. O especialista acredita que, mais importante que o jogo de adivinhação em torno do nome do candidato petista (se Fernando Haddad, Jaques Wagner ou qualquer outra opção) à medida em que Lula caminha para ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, as atenções deveriam se voltar ao poder de transferência de votos do ex-presidente a seu possível herdeiro.

Foi o que começou a testar, desde a semana passada, o Ipespe em pesquisas encomendadas pela XP Investimentos. Segundo o levantamento, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad pode saltar do patamar de 3% das intenções de voto para 11% somente com a informação de que ele seria o candidato apoiado por Lula (veja o gráfico abaixo). Com isso, o petista ficaria em condição de empate técnico com Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Corrida presidencial. Com apoio explícito de Lula a Haddad

xpcenário3

"Uma vez definida a candidatura de Fernando Haddad ou de qualquer outro [nome pelo PT], é esse cenário que deve se impor nos primeiros dias da campanha de TV e rádio: com a liderança de Bolsonaro ainda e um empate quadruplo no segundo lugar", observou Lavareda em entrevista ao InfoMoney (assista a íntegra pelo vídeo ao final desta matéria).

"Outras pesquisas já haviam apontado que Fernando Haddad e Jaques Wagner têm praticamente apoio equivalente. O diferencial é o apoio de Lula. Então, fomos direto ao ponto: 'Fernando Haddad, com apoio de Lula'. E, como se viu, desarruma um pouco o quadro de intenções de voto estabelecido em cenários que não adicionam essa informação. São cenários que terminam produzindo fotografias totalmente destituídas de plausibilidade. Fazer apenas uma fotografia do momento sem esse ajuste termina desinformando a sociedade", pontuou.

Para o cientista político, à medida que o candidato do petista for apresentado e o partido começar a trabalhar na transferência de capital político de Lula, o nome escolhido poderá superar os 11% atribuídos a Haddad no cenário destacado. Tudo depende da competência da campanha, da imagem construída pelo herdeiro político, além da condição de o ex-presidente fazer campanha mesmo preso há dois meses no âmbito da Lava Jato.

Quem observa as movimentações e discursos de dirigentes e lideranças do PT pode ter a impressão de que Lula terá sua foto nas urnas em outubro. Como muitos têm sustentado, se depender do partido, não haverá alternativa: a sigla irá às últimas consequências com o nome escolhido para representá-lo na corrida presidencial. Por trás da retórica, há uma estratégia política. Já que nenhum nome do partido hoje se aproxima do desempenho de Lula nas pesquisas, pode fazer sentido assumir o risco e manter a candidatura do ex-presidente até as últimas consequências.

Por outro lado, Lavareda acredita que o partido corre riscos ao protelar a indicação de um substituto para Lula. Isso porque eleitores tradicionalmente ligados ao PT poderiam começar a buscar alternativas e se entusiasmar com outros candidatos, o que poderia dificultar a retomada de apoio.

O sociólogo chamou atenção para a eleva rejeição ao governo do presidente Michel Temer como outro fator a potencializar o desempenho de Lula nas pesquisas eleitorais, o que também pode trazer dificuldades para candidaturas da centro-direita, como se observa atualmente.

"Uma das dificuldades naturalmente colocadas para os candidatos do que se chama de centro hoje é exatamente o posicionamento em relação ao governo Temer. Praticamente todas essas forças políticas se posicionaram favoráveis ao afastamento da ex-presidente Dilma", lembrou. "Naturalmente, quando há governos mal avaliados, isso beneficia inexoravelmente candidaturas de oposição".

"Antes do impeachment de Dilma, Lula perdia, nas projeções de intenções de voto em todos os institutos de pesquisa, para vários candidatos disso que se convencionou chamar centro-direita. É óbvio que essa retomada do ímpeto e da força eleitoral do ex-presidente está bastante associada à sorte do governo Temer. À medida que aumentou a insatisfação, ele, que é o principal ícone, líder, da oposição ao governo, se beneficia", explicou.

Quando questionado sobre a possibilidade de um segundo turno polarizado, Lavareda apontou dois possíveis cenários: um alinhado com a tradição de disputa entre PT e PSDB dos últimos seis pleitos presidenciais; outro mais parecido com 1989, quando a multiplicidade de candidaturas viáveis trouxe um ambiente de profunda incerteza ao quadro.

"O Datafolha fez um cenário com 19 candidaturas. Quando você olha toda essa fragmentação e agrega os candidatos deste campo do centro até a direita, excluindo Bolsonaro, eles reuniram a mesma pontuação que Bolsonaro apresentou nesta situação liderada pelo ex-presidente Lula. É a melhor evidência para entendermos o quanto essa fragmentação afeta e poderá vir a afetar a sorte do representante deste campo que podemos chamar de centro ou centro-direita", diagnosticou.

Veja o vídeo:

 

Leia mais:

Ponto a Ponto discute os desafios dos presidenciáveis na Educação 

Antonio Lavareda sobre ex-presidente Lula: “Potencial de transferência de votos irá se reduzir”

Educação, segurança e crise econômica em pauta no Ponto a Ponto

Diretora do Centro de Estudos da Metrópole e professora de Ciência Política da USP, Marta Arretche, é a convidada do Ponto a Ponto, que traz o tema "Brasil, injusto e desigual". A entrevista foi ao ar no último sábado (9), na BandNewsTV. A Antonio Lavareda e Mônica Bergamo, apresentadores da atração, Marta Arretche conta que o aumento da taxa de violência está diretamente ligado à extrema pobreza. "No País, o mundo do crime organizado, que tem altas taxas de violência, oferece oportunidades mais rentáveis e rápidas do que o mundo do trabalho. Combate o desemprego com mais eficácia."

Assista na íntegra:

Leia mais:

Pela primeira na TV, Elsinho Mouco avalia os dois anos de governo  

“Brasil: Pobreza e Desigualdade” é tema do Ponto a Ponto

Déficit educacional deixa eleitor brasileiro mais vulnerável às fake news

Bianka Vieira (Folha de São Paulo) – 30/05/2018

A força da internet não será o fator decisivo para as eleições de 2018, mas um diferencial num pleito indefinido onde candidatos disputarão ponto a ponto. No âmbito das fake news, o déficit educacional brasileiro se revela como o principal entrave para evitá-las. 

A avaliação é de Antonio Lavareda, professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente do conselho científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), e de Manoel Fernandes, diretor da Bites, empresa que atua em prevenção e estratégia no ambiente digital.

Os especialistas participaram de debate da série Diálogos nesta segunda-feira (28) no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), realizado pela instituição em parceria com a Folha. A mediação foi de Uirá Machado, editor da Ilustríssima.

Para Lavareda, o combate às fake news no Brasil esbarra na estrutura educacional da população.

Segundo estatística do eleitorado divulgada em abril deste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 4,4% dos eleitores se declaram analfabetos e 25,9% possuem o ensino fundamental incompleto.

“A capacidade de discernimento para conseguir perceber os detalhes, incoerências e contradições de uma notícia falsa é pequena”, afirmou Lavareda.

 

Antonio Lavareda, professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente do conselho científico do Ipespe, e Manoel Fernandes, diretor da Bites, em debate da série Diálogos, promovida pela Folha em parceria com o Cebrap

Antonio Lavareda, professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente do conselho científico do Ipespe, e Manoel Fernandes, diretor da Bites, em debate da série Diálogos, promovida pela Folha em parceria com o Cebrap PODER/Folhapress

Fernandes citou estudo feito por sua empresa entre as classes A e B, nas quais 60% já tinham ouvido falar em fake news, e C e D, nas quais a lógica se inverteu e a maioria das pessoas desconhecia o termo. “Esse é o dado mais problemático. É gente com celular na mão recebendo informações e distribuindo”, disse Fernandes ao mencionar que existem, no país, mais de 200 milhões de aparelhos smartphones. 

Os debatedores também convergiram ao afirmarem que a internet é apenas uma parte do problema num cenário onde a maior parte da população tem a televisão como principal meio de informação. Para Lavareda, isso faz com que a agenda do Brasil seja pautada pela TV.

“[Para os brasileiros] Corrupção é um problema dez vezes maior que distribuição de renda e desigualdade. Isso não tem nada a ver com internet ou com fake news, isso tem a ver com televisão”, comentou Antonio Lavareda ao analisar levantamento do último Datafolha. 

Na pesquisa, a corrupção liderava como principal problema do país representando 21% das respostas, enquanto distribuição de renda e desigualdade foram ranqueadas com 2%. “O Brasil tem problemas sérios que são do século 21, mas os enfrenta acumulando problemas do século 20”, finalizou o sociólogo.

QUESTÃO DE ALGORITMO 

Para o jornalista e sócio da Bites, não há, entre os governantes brasileiros, o hábito de utilizar dados na formulação de estratégias. Além disso, falta compreensão da classe política em relação ao potencial do digital.

Como exemplo, citou levantamento de sua empresa que aponta o nome do ex-governador Geraldo Alckmin citado em 22 mil buscas no Google, ao passo que a expressão “Jair Bolsonaro” foi pesquisada 450 mil vezes. Segundo Fernandes, o Nordeste é uma das áreas que demonstram menor interesse pela candidatura do presidenciável tucano.

“Há um padrão de comportamento que a gente persegue para entender o que está acontecendo. Na hora em que o Alckmin montar uma estratégia no Nordeste com mais assertividade, veremos como esse número vai impactar o Google”, disse.

Fernandes destaca que a radicalização é uma consequência dos algoritmos. “A polarização é natural do algoritmo, porque ele agrupa as pessoas de acordo com o que elas querem.”

Para Lavareda, as redes sociais contribuem positivamente para a democracia. No entanto, ressalva que são nelas que políticos radicais encontram um caldo de cultura para suas ideias e angariam adeptos. “O eleitor pode votar por entusiasmo ou por rejeição, ou seja, por raiva. E a internet dá injeções na veia de entusiasmo e de raiva.” 

Leia mais:

Pela primeira na TV, Elsinho Mouco avalia os dois anos de governo  

Antonio Lavareda entrevista a cientista política Nara Pavão no “20 minutos”; veja no JC do domingo

Pela primeira na TV, Elsinho Mouco avalia os dois anos de governo  

Em meio à greve dos caminhoneiros, o publicitário de Temer e do MDB, Elsinho Mouco, foi sabatinado pela primeira vez na TV por Mônica Bergamo e Antonio Lavareda. O tema do Ponto a Ponto é "A propaganda de Temer" e foi ao ar no último sábado (26), à 0h, no Ponto a Ponto/BandNewsTV.

Entre os assuntos abordados, a dificuldade de marquetear um governo impopular (71% dos brasileiros reprovam o governo Temer, segundo a última pesquisa da CNT/MDA); as reações dentro do Planalto no 17 de maio do ano passado, dia em que Joesley Batista delatou o governo; o peso das redes sociais nas Eleições 2018; o potencial do pré-candidato Henrique Meirelles e as chances de Jair Bolsonaro chegar à Presidência.

Veja aqui:

Leia mais:

96% dos brasileiros sentem orgulho da vocação do Brasil para o agronegócio

Antonio Lavareda sobre ex-presidente Lula: “Potencial de transferência de votos irá se reduzir”

96% dos brasileiros sentem orgulho da vocação do Brasil para o agronegócio

O ex-ministro da Agricultura do governo Lula (entre 2002 e 2006), Roberto Rodrigues, foi o convidado do Ponto a Ponto do último sábado (5), com entrevista comandada pela jornalista Mônica Bergamo e pelo sociólogo Antonio Lavareda. O tema é “Brasil: celeiro do mundo?”.

De acordo com pesquisa realizada pela Plant Project-JH em parceria com a B2F-Briedge Research, em outubro do ano passado, em todas as regiões do País, 96% dos brasileiros disseram que sentem orgulho caso o País assumisse internacionalmente sua vocação para o Agronegócio e apenas 4% responderam que seria vergonhoso esse título para o Brasil.

Segundo o Governo Federal, em 2017, foi registrado um superávit, que é o resultado positivo a partir da diferença entre a receita e a despesa, de US$ 81,86 bilhões no setor do Agronegócio. O resultado foi o segundo maior da história, ficando atrás apenas do ano de 2013, quando foi anotado um superávit de US$ 82,91 bilhões.

Assista aqui:

Leia mais:

Folha e Cebrap promovem debate sobre internet e eleições

Futuro econômico do Brasil em pauta no Ponto a Ponto

“Brasil: Pobreza e Desigualdade” é tema do Ponto a Ponto

Mudanças sociais, com melhoria da saúde, educação, segurança e desigualdade social. São essas as expectativas de 44% dos entrevistados em pesquisa divulgada este ano pela CNI-Ibope, quando perguntados sobre o foco do futuro presidente do Brasil. O convidado da jornalista Mônica Bergamo e do sociólogo Antonio Lavareda foi o professor do Insper, o economista Sérgio Pinheiro Firpo, para falar do assunto no sábado (19).

Em outra pesquisa do Datafolha, divulgada mês passado, 21% dos entrevistados responderam que a corrupção é o principal problema do País. Logo atrás, vem a saúde (19%); desemprego, violência e segurança (13%); educação (10%); desigualdade social (2%).

Veja:

Leia mais:

“20 minutos” é destaque no Jornal do Commercio

Antonio Lavareda entrevista a cientista política Nara Pavão no “20 minutos”; veja no JC do domingo