Com fim da hegemonia da TV, internet pode ser decisiva nestas eleições.

Publicado em 16/08/2018 – 06:30

Por Gilberto Costa – Repórter da Agência Brasil  Brasília

Especialistas avaliam que as redes terão mais peso que nunca no pleito

As próximas eleições podem ficar para história e registrar o fim da era da televisão aberta como o principal meio de informação dos brasileiros para acompanhar a disputa de votos por cargos públicos. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil têm como hipótese a possibilidade de a internet ter mais peso do que nunca na decisão, e mudar em definitivo, a maneira de se fazer campanha eleitoral no país.

Pesquisadores de comunicação e consultores eleitorais assinalam que os 147,3 milhões de eleitores brasileiros escolherão seus representantes sob influência inédita de conteúdos compartilhados nas redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, em especial no Facebook e no WhatsApp.

“Tem se especulado que esse pleito possa vir a ser a primeira eleição onde a internet assuma papel protagonista”, resume o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, que já trabalhou em mais de 90 eleições majoritárias (campanhas para presidente, governador e senador).

Nas plataformas da internet, diferente da televisão e do rádio, que veiculam o horário eleitoral gratuito, a comunicação é individualizada e interativa. Os conteúdos são mediados pelos usuários, em lugar de vídeos e peças sonoras veiculados para grandes audiências – sem possibilidade de resposta ou de reencaminhamento.

“A mensagem encaminhada, que consegue penetrar em grupos, é mais influente do que aquela que vem pela televisão”, afirma o estatístico e doutor em psicologia social, Marcos Ruben.

Fábio Gouveia, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), assinala que “a atenção não está mais concentrada na televisão” e, nesta campanha, os usuários “assumem papel de filtros disseminadores”, repassando ou retendo mensagens às pessoas com quem estão conectadas.

Christian Dunker, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), aponta que a internet “viabiliza informação para uma quantidade grande da população que estava excluída do debate político”. Segundo ele, “isso ajuda a entender as formas de tratamento, usos de imagem, estratégias de retórica intimidativa e bipolarizante [hoje verificados] que eram menos acessíveis quando tínhamos a campanha baseada na televisão”.

Riscos

Os especialistas não desconsideram os riscos da próxima campanha eleitoral como a circulação de notícias falsas, deformação de mensagens, difamações generalizadas e manifestações de ódio e intolerância.

Para o jornalista Mário Rosa, especialista em gestão de crises de imagem, há forte possibilidade que, em paralelo à campanha positiva e com propostas no horário eleitoral, haja forte campanha negativa na troca de mensagens. “O disparo do WhatsApp não pode ser monitorado e nem auditado. Podem atacar e não vai se saber qual a origem dos ataques”, alerta Mário Rosa ao lembrar que “o objetivo da campanha eleitoral não é informar, mas convencer”.

Na mesma linha, Christian Dunker não afasta a possibilidade, especialmente ao fim da campanha, de serem disseminados “fatos políticos que possam vampirizar candidaturas e interferir nos resultados”.

Números

O Facebook chegou a 127 milhões de usuários neste ano no Brasil e o WhatsApp tinha cerca de 120 milhões de pessoas ligadas no ano passado (20 milhões a mais do que em 2016). Facebook e WhatsApp não informaram o crescimento de usuários que tiveram entre a eleição de 2014 e até o momento.

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (SinditeleBrasil), nos últimos quatro anos, o número de usuários de aparelhos celulares 3G e 4G (que permitem acesso a redes sociais) passou de 143 milhões para 188 milhões – diferença de 45 milhões, superior à população da Argentina.

Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar do IBGE contabiliza que “entre os usuários da internet com 10 anos ou mais de idade, 94,6% se conectaram via celular”.

Candidatos devem ter estratégias para evitar boatos

RIO DE JANEIRO Rayssa Motta, do R7*

Tribunais buscam soluções para inibir veiculação das chamadas fake news durante período eleitoral, que começa no dia 16 de agosto.

Faltando menos de dois meses para as eleições gerais, o volume de informações falsas associadas a seus nomes já infla a partir do anúncio de suas pré-candidaturas — a permissão para começarem a propaganda eleitoral só é dada a partir do próximo dia 16.

A mudança que acompanha a prática de boatos para a internet é que ela passou a proporcionar lucro. No ambiente online, inventar fake news (notícias falsas) virou um negócio lucrativo para os portais que vivem dos cliques de leitores atraídos pelos títulos sensacionalistas.

Durante as eleições norte-americanas, por exemplo, a imprensa do país noticiou que dois adolescentes teriam faturado 60 mil dólares em seis meses criando notícias falsas relacionadas a Donald Trump, então candidato à Presidência dos Estados Unidos.

Os bots (robôs) se tornaram novas ferramentas de campanha a serviço dos candidatos. Esses sistemas autônomos replicam ações básicas, como seguir pessoas, postar e direcionar mensagens, inserir links ou hashtags. Por vezes, eles servem para multiplicar as informações distribuídas na rede, se passando por contas de pessoas reais. Tomando contato com a onda de informações disparadas por esses robôs, usuários reais acabam contribuindo de forma não intencional para aumentar a divulgação e conferir maior credibilidade ao conteúdo falso. Uma pesquisa divulgada

pela BBC Brasil identificou que grupos de família são os principais vetores de notícias falsas no WhatsApp.

O cenário polarizado favorece o compartilhamento indiscriminado das fake news. Com o aumento das rivalidades na arena política, o comportamento do eleitorado se torna cada vez mais emocional, como afirma o cientista politico Antonio Lavareda. Por consequência, os eleitores se munem de informações que reforcem seu ponto de vista sem se preocupar com a veracidade do conteúdo que estão compartilhando. Segundo um estudo realizado por cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), dos Estados Unidos, as notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais gente.

"A melhor estratégia para combater as fake news é aproximar o candidato da realidade do seu público alvo ou eleitor e trabalhar o marketing político de modo segmentado e inteligente. Disparar informações indiscriminadamente, além de custoso e ineficaz, abre brecha para os boatos. Quando o candidato é conciso em seu discurso e tem estratégia para lidar com os diferentes segmentos e pessoas, ele cria uma identidade e firma sua posição naquela comunidade ou sobre determinado assunto. Deste modo, fica mais difícil de inventar boatos a seu respeito", afirma o consultor politico Flávio Leandro.

A preocupação com a interferência das fake news sobre o processo eleitoral chegou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O secretário-geral do tribunal, Carlos Frazão, declarou que a lei de inelegibilidade pode ser aplicada para cassar mandatos de políticos que divulgarem informações falsas. O presidente da Corte, ministro Luiz Fux, afirmou que o Código Eleitoral brasileiro prevê a anulação de uma eleição caso seu resultado tenha sido massivamente influenciado por boatos. O tribunal, que elegeu o tema como uma de suas prioridades, está fazendo o controle da circulação de notícias falsas desde que firmou um acordo com o Google e o Facebook.

A lei brasileira não possui definições específicas sobre as fake news, embora existam mais de 15 projetos de lei que procuram criminalizar a conduta em tramitação no Congresso Nacional. Alguns buscam estabelecer penas mais rigorosas para quem cria boatos na internet. Outros buscam responsabilizar as plataformas pelo conteúdo falso compartilhado.

Apesar dos esforços em nome da institucionalização de sanções às plataformas que sirvam de meio para a propagação das fake news, a legislação brasileira já conta com um dispositivo sobre responsabilidade de

redes sociais: o artigo 19 do Marco Civil da Internet (lei 12.965/2014). Essa lei determina que as plataformas e provedores sejam responsabilizados caso deixem de cumprir ordens judiciais que determinem a remoção de conteúdo.

"Se você tem um conteúdo denunciado que você acha que é suspeito, você não precisa removê-lo. Você só é obrigado a fazê-lo por uma ordem judicial. Essa lei visa, justamente, preservar o Poder Judiciário como a instância legítima para dizer o que é certo e o que é errado, o que é lícito e o que é ilícito; para evitar que você terceirize isso para as plataformas", diz o diretor do ITS Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro) e professor de direito da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Carlos Affonso Souza.

A resolução não impede que as próprias plataformas decidam remover conteúdos que violem suas políticas de autencidade. No último dia 25, o Facebook retirou do ar uma rede de páginas e contas usadas para divulgação de notícias falsas por membros do grupo ativista de extrema- direita MBL (Movimento Brasil Livre) como parte dos esforços para reprimir perfis enganosos antes das eleições de outubro. Segundo a rede social, eles possuem ferramentas próprias para combater a disseminação de notícias falsas, com a ajuda de empresas externas de checagem de fatos.

Além da regulação específica para a internet, o artigo 323 do Código Eleitoral Brasileiro já prevê multa e até detenção em caso de difusão de conteúdos “sabidamente inverídicos” que possam influenciar a opinião do eleitorado sobre um candidato ou partido.

"O Brasil não precisa tratar esse problema pelo espectro legislativo. Você precisa de outros esforços para identificar conteúdos que venham a ser reconhecidos como notícias falsas, como fazem as agências de fact- checking[checagem de fatos]. Por outro lado, tem uma questão social, que é as pessoas saberem o que elas estão lendo na internet. Muitas notícias falsas são espalhadas pelo fato das pessoas não saberem diferenciar o que é uma notícia confiável. Antes de compartilhar, as pessoas precisam ver se a notícia é assinada, ver de qual veículo veio essa notícia, se ela não é sensacionalista, porque a notícia falsa faz tudo para chamar sua atenção e fazer com que você clique, gerando receita para o site" completa Carlos.

Segundo o pesquisador, os debates sobre a cadeia reprodutiva das notícias falsas ainda são embrionários. Pouco se sabe sobre quem ganha dinheiro com as fake news ou sobre como é possível cortar os incentivos

econômicos dos produtores de boatos. Para o especialista, as leis devem se inserir nessa tríade que envolve economia, sociedade e tecnologia.

No Rio de Janeiro, o TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) formou um núcleo de inteligência para minimizar o impacto dos boatos difundidos online sobre o processo eleitoral. A equipe é gerenciada pelos juízes Daniel Vargas, responsável pela fiscalização da propaganda virtual no Estado, e Mauro Nicolau Júnior, coordenador da fiscalização da propaganda no Rio de Janeiro.

A atuação tem sido pautada em ações estratégicas e compartilhamento de informações com órgãos públicos, com foco na prevenção e otimização de recursos, além de protocolos de cooperação com as redes sociais, como Facebook, Google e WhatsApp.

No ambiente virtual, a fiscalização tem atuado com eficiência. Uma vez constatada a irregularidade e proferida a decisão judicial cabível, a determinação de exclusão da postagem tem sido rapidamente cumprida pelas redes sociais, que têm demonstrado espírito de cooperação”, afirmou em nota o TRE-RJ.

Além disso, canais de denúncia de irregularidades foram disponibilizados à população pelo site do tribunal, por WhatsApp, redes sociais, central de atendimento telefônico e por um disque-denúncia.

*Estagiária do R7, sob supervisão de PH Rosa

Poste, pra quê te quero?

Por Rosângela Bittar

 

– Valor Econômico

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferirá votos para o poste que vier a indicar para concorrer em seu lugar. Porém, não será uma transferência integral das intenções nele declaradas. A quantidade que passará adiante deverá ser o suficiente para empurrar o candidato do PT ao segundo turno. Mas isso não se dará por inércia. O nome indicado terá que trabalhar. O temor é que se reduza mais a transferência porque os dois mais cotados, Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, e Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, não são muito de suar a camisa.

 Mas para que se movam é preciso que Lula solte a rédea curta em que mantém o PT. Só será possível iniciar o processo de transferência de votos se Lula se afastar da peleja. Até agora ele deu de ombros a qualquer argumentação que conduza o raciocínio a esta óbvia conclusão: Lula tem que sair para outro entrar, e ele ainda não quer sair.

Há três meses, políticos próximos a Lula já informavam, aqui, que ele só abandonaria a disputa muito perto do prazo final para substituição do candidato, por uma razão simples: quanto mais próximo da eleição conseguir levar sua candidatura "perseguida", mais fresquinha ficará sua imagem para os cada vez mais revoltados eleitores e mais fácil será aceitar sua recomendação de voto no substituto.

A inelegibilidade de Lula deve ser declarada em agosto se o Tribunal Eleitoral correr com os prazos. O pedido de registro da candidatura será feito até o dia 15 e, depois, o TSE tem prazo até 17 de setembro para analisá-lo. Numa distância de apenas três semanas até a votação em primeiro turno. Será pouco tempo para erguer o poste, mas o ex-presidente estica a corda ao máximo. Será pouco tempo também para o eleitor refletir sobre o assunto, perceber que não é Lula o candidato, organizar sua cabeça. Essas situações influenciam a transferência, explicada em uma equação pelo analista de pesquisa e sociólogo Antonio Lavareda.

Há 5 números colocados à reflexão de quem se interessa pelo fenômeno. São dados colhidos em pesquisas Datafolha e XP Investimento.O percentual dos eleitores que dizem que votariam com certeza no candidato do Lula é 30%. Esse é o poste sem nome. Há o poste que se apresenta sozinho, sem o padrinho ao lado, com nome mencionado em pesquisa por ele mesmo. É o caso de Fernando Haddad que, sem atrelar-se a ninguém, com 2%. Mas se for dado nome ao poste e dito que ele é o candidato que tem apoio do Lula, caso do Haddad, ele já sobe para 13%.

Ou seja, o indicado por Lula, claramente seu herdeiro, tem um potencial grande de crescimento com base na transferência de voto, mas, para que isso aconteça, é preciso circular muita informação para o eleitor. Papel que pode ser exercido pela propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio.

 A informação básica a ser passada ao eleitorado é que aquele determinado candidato é o candidato de Lula. E isso tem que ser feito com alguma velocidade, pois a campanha tem prazo curto.

No caso do poste com nome, somam-se a recomendação do Lula, sua transferência de voto, com a percepção que os eleitores passarão a ter do próprio candidato. Será preciso trabalhar para que a mistura das duas condições resulte em aumento da votação do indicado.

Assim, uma coisa é a medição da transferência de Lula para um poste sem nome (30%), outra é a não transferência quando o candidato se apresenta sozinho (2%) e outra ainda é a transferência para um poste com nome, que leva em conta a percepção do eleitor sobre aquele político objeto do apoio de Lula (13%).

Entre os 30 e os 13 há toda a contingência da campanha e a percepção que os eleitores terão desse poste apoiado por Lula. Seu perfil, que tipo de político ele é, qual o seu discurso, como se identifica com Lula, qual sua proximidade anterior. Essa questão, a contingência, é o que torna um candidato melhor que o outro na disputa pela indicação.

 

Por exemplo, o melhor poste de Lula é Jaques Wagner ou Fernando Haddad?

Wagner é menos empolado, é do Nordeste, o que facilita a adesão de maior contingente de eleitores da região que mais apoia Lula, é mais acessível, dá a impressão de ser melhor figura para recepcionar os apoiadores do ex-presidente, sobretudo de áreas mais pobres dos colégios que mais seguem o presidente da honra do PT. Mas Fernando Haddad, também, pode ser um bom candidato a poste exatamente pelo contraste. Por sua inserção em São Paulo, por exemplo, por cair mais ao gosto do mercado, por contar com a universidade.

Em contraponto ao Nordeste de Jaques Wagner, um nome como Fernando Haddad, representante da alta classe média, poderia ser o melhor candidato, dando ao PT um atrativo a mais para a disputa. Para o primeiro turno, sem dúvida, o melhor seria Wagner; para o segundo, Haddad. Mas não é possível mudar o candidato entre o primeiro e o segundo turno, o PT terá que fazer a opção. Até mesmo por um terceiro nome que Lula esteja cevando reservadamente.

Em nenhuma hipótese Lula transferirá os 30% que tem, como seria ideal, ninguém consegue essa proeza, nem mesmo Lula.

Existe, ainda, um quarto número naquela sequência criada por Lavareda na metáfora da transferência de voto: os 19%. Esse é o índice de preferência da população pelo PT, de acordo ainda com a Datafolha. E um quinto: O PT teria que considerar, numa perspectiva otimista, quase ideal, que seu candidato pode chegar a 17%, que foi o que Lula teve no primeiro turno de 1989 e passou ao segundo turno. Este ano, pode ir ao segundo turno ou não com 17%, o quinto índice que importa, a linha de corte que a campanha pulverizada em várias candidaturas criará para a passagem ao segundo turno.

Para o analista, é preciso combinar todos os elementos: 30% dizem que votariam no candidato do Lula sem saber o nome, 19% dizem que o PT é o partido de preferência e 13% dizem que votariam no Fernando Haddad apoiado pelo Lula. É necessário combinar a trajetória desses números com a campanha que associe bem o discurso e a imagem do candidato a poste.

 

Matéria do Metrópole analisa falta de vices

Convenções iniciadas na sexta-feira (20/7) confirmaram dificuldades na formação de alianças.

RENAN MELO XAVIER

A corrida presidencial começou para valer com a abertura da temporada de convenções partidárias na última sexta-feira (20/7). Diante dos primeiros encontros promovidos por PDT, PSL e PSC, uma tendência foi confirmada: a dificuldade para a definição de nomes para concorrerem como vice nas chapas nacionais. Ciro GomesJair Bolsonaro e Paulo Rabello de Castroforam lançados sem candidatos para o Palácio do Jaburu.

Essa dificuldade é reflexo das articulações atravancadas para formação de coligações. Exemplo disso são as negociações promovidas pelo Centrão, bloco formado por PR, PP, DEM, PRB e Solidariedade. Nas últimas semanas, o grupo conversou com Ciro e com o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Na quinta (19), esses partidos sinalizaram que vão apoiar o tucano.

E, no acordo para candidato à suplência presidencial, o Centrão indica o empresário mineiro Josué Alencar, filiado ao PR e filho de José Alencar, o vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alckmin e Josué reuniram-se nesta segunda (23) para acertarem os detalhes do apoio.

Siglas iniciam convenções com expectativa de desenrolar jogo político. Com a negativa do Centrão, Ciro volta agora as atenções para Marcio Lacerda (PSB), ex-prefeito de Belo Horizonte (MG). O PDT está disposto a oferecer a vaga de vice para o PSB. O diretório pessebista trata Lacerda como pré-indicado para concorrer ao Jaburu na chapa de Ciro.

A opção do Centrão por Alckmin também afetou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). O deputado federal sonhava com Magno Malta como seu vice, mas a decisão do PR de indicar Josué Alencar ao tucano enterrou de vez a chapa com o senador do Espírito Santo.

A recusa do PR não foi a única ouvida por Bolsonaro nos últimos dias. Na semana passada, ele chegou a escolher o general Augusto Heleno, do PRP-DF, para ser seu vice. A legenda, no entanto, rejeitou a proposta do deputado. Na convenção nacional do PSL, Bolsonaro posou ao lado da advogada e professora Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A decisão, porém, ainda não foi oficializada pelo partido.

Barreiras
Como uma das justificativas apresentadas a Jair Bolsonaro para não formalizar o general Heleno como candidato a vice, o PRP alegou dificuldades por causa da cláusula de barreira, aprovada em outubro de 2017.

Também chamada de cláusula de desempenho, essa regra restringe a atuação de partidos pequenos no Congresso. Na eleição deste ano, as legendas que não alcançarem 1,5% dos votos válidos para a Câmara (distribuídos em nove estados e com 1% de apoio dos eleitores em cada unidade da Federação) não terão acesso a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral em 2019.

Segundo o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, a cláusula de barreira é apenas uma das preocupações das legendas nanicas. “Os partidos pequenos estão ultraprecavidos, não somente por conta da cláusula de barreira, mas também por conta de orçamento, que está apertado para eles”.

Para Lavareda, as articulações entre as siglas prometem ser emocionantes até o final da campanha, já que o período eleitoral deste ano é menor. “Os partidos aguardam as respectivas alianças. É um ano diferente de todos os outros. Nós temos um calendário atrasado em relação às eleições anteriores”.

O professor Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que as negociações atravancadas fazem parte do roteiro planejado pelos candidatos. “Isso é proposital. Não é ao acaso. Os partidos deixam as vagas para vice abertas de propósito. Eles jogam com uma série de possibilidades para negociarem os postos”.

As demais negociações
O PT negocia com o PCdoB para lançar Manuela D’Ávila como vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na última quinta (19/7), a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e a deputada federal Luciana Santos (PCdoB-PE), presidentes nacionais das suas legendas, reuniram-se para acertar o possível acordo. Manuela, no entanto, mantém sua pré-candidatura diante da falta de união dos partidos de esquerda.

Com dificuldades para fechar alianças, a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva (Rede) também corre para definir um vice. Nas últimas semanas, ela intensificou as conversas com o Pros. O ex-deputado federal petista Maurício Rands é o nome mais cotado caso o apoio seja formalizado. Se o acerto minguar, Marina talvez adote uma solução caseira: o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, pode concorrer ao Palácio do Jaburu.

O Pros também é sondado por Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos. Nessa quinta-feira, o senador paranaense e a presidente da legenda, Renata Abreu, reuniram-se com Eurípedes Junior, presidente nacional do Pros. Dias também quer fechar aliança com o Patriota (ex-PEN).

Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, busca ainda convencer o MDB a confirmá-lo como candidato ao Planalto. Publicamente, nenhum partido mostra-se disposto a formar chapa com o emedebista. A convenção do MDB está marcada para 2 de agosto.

Ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Paulo Rabello de Castro negocia chapa com o PRTB. Levy Fidelix e o general Hamilton Mourão são oferecidos para a chapa presidencial encabeçada pelo PSC.

Até o momento, apenas três pré-candidaturas possuem vices encaminhados, todas nanicas: Guilherme Boulos (PSol), João Amoêdo (Novo) e Vera Lúcia (PSTU).

A líder indígena Sônia Guajajara concorrerá ao lado do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. Já Amoêdo terá como vice o cientista político Christian Lohbauer. O pré-candidato a vice-presidente pelo PSTU é o professor Hertz Dias.

Revista Exame dá dica de livros

Em publicação em seu site a revista elenca publicações para ler antes das eleições.

 

São Paulo — Faltam apenas quatro meses para a eleição, e os eleitores começam a enfrentar o dilema de escolher entre os projetos de governo, partidos e candidatos que serão os melhores representantes das suas próprias ideias.

Para ajudar nesse processo, EXAME separou uma lista com sete sugestões de livros que abordam o processo eleitoral brasileiro, o propósito da política e análises sobre o contexto político-partidário desde a redemocratização.

A boa política: ensaios sobre a democracia na era da internet, de Renato Janine Ribeiro

A boa política, de Renato Janine Ribeiro

(Companhia das Letras, 336 páginas, R$ 49,90)

Nesta reunião de artigos, escritos ao longo de vinte anos, Janine Ribeiro debate o valor ético e político da internet e as transformações que ela trouxe para o ambiente de debate intelectual. Ao longo dos ensaios, ele debate temas como representação, voto obrigatório, corrupção, impeachment e protestos. Assim, busca trazer uma receita para que a reflexão política, aquela que é levada a cabo no espaço universitário, ajude a corrigir os rumos da política real. O autor é ex-ministro da Educação e professor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O lulismo em crise, de André Singer

O lulismo em crise, de André Singer

(Companhia das Letras, 392 páginas, R$ 54,90)

Depois de marcar época com “Os sentidos do Lulismo”, Andre Singer dá prosseguimento às suas reflexões sobre os 13 anos de governo do PT com “O fim do lulismo”, no qual aborda a era Dilma até o impeachment, em 2016. Para isso, oferece uma abordagem original sobre a interpretação do sistema político-partidário brasileiro, que ajudam a explicar o que “deu errado” entre o presidente com a maior aprovação popular da história, Lula, e o impeachment de sua sucessora. O livro apareceu entre os mais vendidos da Amazon na categoria de política.

Os limites da política: uma divergência, de José Arthur Giannotti e Luiz Damon Santos Moutinho

Os limites da política, de José Arthur Gianotti

(Companhia das Letras, 168 páginas, R$ 44,90)

Em 2014, Gianotti publicou um ensaio no qual refletia sobre o lugar da política nas modernas sociedades capitalistas. Em seu texto, o filósofo tecia hipóteses sobre o lugar da democracia, que tem por base a condição de igualdade entre os homens, e o sistema capitalista, que gera desigualdades. Luiz Damon Santos Moutinho, também filósofo, aceitou a provocação e escreveu um artigo questionando as bases do ensaio de Gianotti. A resposta gerou uma tréplica; e o resultado do debate é este livro, que reúne o diálogo entre os dois pensadores, ajudando a refletir sobre o papel da política e seus efeitos em nossas vidas.

Eleições no Brasil: Do Império aos Dias Atuais, de Jairo Nicolau

Eleições no Brasil, de Jairo Nicolau

(Zahar, 183 páginas, R$ 39,90)

Um amplo registro histórico contando a trajetória da democracia brasileira, desde o Império. O cientista social e uma das maiores autoridades brasileiras sobre o assunto responde, para cada período histórico brasileiro, a questões essenciais, como “quem podia votar?”, “que cargos eram disputados?” e “havia fraudes?”. Dessa forma, o leitor adquire um panorama histórico sobre a história política do Brasil, e ganha mais subsídios para contextualizar o momento contemporâneo.

Coronelismo, Enxada e Voto: O Município e o Regime Representativo na Brasil, de Victor Nunes Leal

Coronelismo enxada e voto, de Victor Nunes Leal

(Companhia das Letras, 368 páginas, R$ 57,90)

Este livro foi escrito na década de 1930, quando o Brasil ainda era um país majoritariamente agrário. Mesmo assim, ainda explica muito sobre nossa formação política, usando dados estatísticos (uma novidade nas pesquisas da época), registros históricos e documentação legal. Nunes Leal, que foi ministro do STF durante a ditadura, desvenda nesta obra as origens do coronelismo e do fenômeno do “voto de cabresto”, que, apesar de não ser mais  uma prática majoritária, deixou marcas sobre a forma de condução da política brasileira até hoje.

Imobilismo em movimento: da abertura democrática ao governo Dilma, de Marcos Nobre

Imobilismo em movimento, de Marcos Nobre

(Companhia das Letras, 208 páginas, R$ 44,90)

Neste livro, que já é um clássico da ciência política, Marcos Nobre analisa o “peemedebismo” brasileiro desde a redemocratização. O cientista político expõe a forma pela qual o fisiologismo do PMDB (ou MDB, como na época da ditadura e atualmente) moldou o nosso processo político desde o fim da ditadura e a redemocratização. Para o autor, a prevalência da forma de governo representada pelo partido, de se aliar com quem oferece mais vantagens, representa uma trava para o avanço e a transformação da política brasileira.

Emoções ocultas e estratégias eleitorais, de Antonio Lavareda

Emoções ocultas e estratégias eleitorais, de Antonio Lavareda

(Objetiva, 333 páginas, R$ 37,90)

O autor deste livro participou de 76 campanhas eleitorais antes de escrevê-lo, três delas presidenciais. E, nessa obra, analisa as estratégias dos candidatos bem-sucedidos, apresentando as técnicas de marketing utilizadas, os mecanismos das pesquisas de opinião e se debruçando sobre as alianças políticas. A ideia é democratizar o conhecimento sobre os processos eleitorais, mostrando o caminho das pedras para quem trabalha com o marketing político mas também conscientizando o eleitor sobre as estratégias que estão sendo usadas para a obtenção do seu voto.

Infectologista analisa a ‘onda antivacinação’ no Ponto a Ponto

Com a onda de fake news relacionada à antivacinação circulando no Brasil, a jornalista Mônica Bergamo e o sociólogo Antonio Lavareda conversaram com o infectologista Jean Groinchteyn no Ponto a Ponto. 

O Ministério da Saúde atualizou, na última terça (17), o número de casos de sarampo no País. Foram confirmados 677 casos em seis estados: Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas e Roraima, esses dois últimos lideram com maior número de infecções. No Brasil, a vacina é obrigatória segundo o decreto federal 78.231 de 12 de agosto de 1976.

De acordo com pesquisa da Ipsos em 38 países, com mais de 29 mil amostras, mostrou que, no Brasil, 54% do público entrevistado acha que é falsa a afirmação de que algumas vacinas causam autismo em crianças saudáveis; No Chile, Nova Zelândia e Espanha, o número é de 53% e, na Argentina, 62% acham que é boato.

Veja:

Leia mais:

Rejeição recorde de presidenciáveis abre caminho para vale-tudo na campanha

Eleição entra julho com incerteza alta

Rejeição recorde de presidenciáveis abre caminho para vale-tudo na campanha

Por Rodolfo Borges – El País (17/07/2018)

Alto índice de repúdio aos presidenciáveis deixa pouco espaço para atrair novos eleitores. Para analista, horário eleitoral gratuito deve ser palco para desconstrução de adversários

Apenas 2,2% dos brasileiros confiam no Governo Federal. Quando se trata do Congresso Nacional e dos partidos políticos, o percentual é ainda menor: 0,6% e 0,2%, respectivamente, segundo a última pesquisa CNT/MDA, divulgada em maio. Essa desconfiança com o mundo político se manifesta também nas pesquisas de intenção de voto para a presidência da República, que alcança índices recordes nos levantamentos de todos os institutos. Segundo o Datafolha, por exemplo, os votos brancos e nulos lideram a corrida presidencial e 33% do eleitorado não tem candidato nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o pré-candidato com mais intenções de voto (30%) — e também a maior rejeição (46%) —, mas cuja candidatura mal pode ser vista no horizonte, por conta de sua condenação à prisão em segunda instância. Nesse contexto, em que os principais candidatos partem de uma rejeição de pelo menos 40%, o espaço para ampliar o eleitorado se torna mais restrito. E fica mais fácil machucar as candidaturas dos adversários.


Para o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, a impressão é de que os eleitores mais convictos são aqueles que não querem votar em ninguém. A esta altura, a persistência de um terço do eleitorado sem candidato nas pesquisas estimuladas é inédita, o que pode ser explicado em parte pela ausência de uma candidatura governista forte. "Quem não tem candidato está buscando algo que passe pela conciliação, pela clareza na definição e na exposição das propostas, e está cansado dos embates mais virulentos e que não levam à solução dos problemas urgentes", opina o pesquisador. Segundo os levantamentos do DataPoder360, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que lidera as pesquisas presidenciais nos cenários sem Lula, também se destaca entre os concorrentes pela convicção de seu eleitorado: 77% de seus eleitores dizem que não trocam mais de candidato.

Assim como o ex-presidente petista, contudo, Bolsonaro também se destaca nos números de rejeição (19% no Datafolha). Enquanto favorito no primeiro turno, o capitão da reserva deve virar alvo de concorrentes diretos, como o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-ministro Henrique Meirelles (MDB), caso este último de fato siga na campanha. "Campanha de TV serve para três coisas: preservar a própria imagem, mudar essa imagem ou derrubar um adversário", resume Marcello Faulhaber, estrategista da vitoriosa campanha de Marcelo Crivella à prefeitura do Rio de Janeiro em 2016. Ele lembra que, em 2002, o marqueteiro de José Serra, Nizan Guanaes, conseguiu tirar o ex-governador Ciro Gomes (PDT) do segundo turno com uma campanha negativa. Em 2014, foi a vez de João Santana, marqueteiro de Dilma Rousseff, tirar a ex-ministra Marina Silva (Rede) do páreo.


"Acho que Alckmin e Meirelles — se permanecer candidato — vão bater muito em Bolsonaro, achando que, ao bater, vão ficar com os votos que ele perder", diz o estrategista. Faulhaber imagina que os atuais 19% de intenção de voto de Bolsonaro possam cair para 12% ou 13% por conta dos ataques adversários, mas isso não quer dizer que seriam Alckmin ou Meirelles a colher os votos. Marina Silva, um candidato indicado pelo PT para representar Lula, Ciro Gomes ou o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) poderiam acabar beneficiados. No caso específico do PT, a ausência de Lula claramente prejudicaria o partido no primeiro turno, por conta de sua alta intenção de votos, mas poderia ajudar o partido em um segundo turno, já que o ex-presidente tem a maior rejeição (46% além dos 28% que hoje não votariam em ninguém, segundo o Datafolha) e precisaria de mais da metade dos votos para vencer.


Os partidários de Lula podem buscar esperança em outra pesquisa, do instituto Ipsos. O levantamento não afere exatamente intenção de votos, mas a avaliação da conduta dos presidenciáveis. Na última pesquisa, Lula era desaprovado por 54% dos brasileiros. É muito, mas é menos do que os 70% que desaprovavam Alckmin ou os que não aprovavam as condutas de Ciro Gomes (65%), Bolsonaro (64%), Marina Silva (63%) e Henrique Meirelles (59%). Nessa aferição, é difícil encontrar um nome que vá bem. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa é desaprovado por 47%, e o juiz Sérgio Moro, que decide sobre a Lava Jato na primeira instância em Curitiba, por 55%.

Antipolítica


O cientista político Antônio Lavareda destaca que o repúdio à política não é um fenômeno brasileiro — na última eleição norte-americana, tanto Hillary Clinton quanto Donald Trump tinham rejeições superiores a 50%. "Cresceu o escrutínio, o exame e a análise dos candidatos pelo eleitorado", avalia. Mas, segundo Lavareda, à medida que a campanha ocorrer no Brasil, a rejeição deve ceder. "Quando a campanha começa, a vida pregressa dos candidatos, suas realizações, o que fizeram de bom ou de mau, tudo passa a ser indicador de caráter dos candidatos mais importantes, mais que do que sua própria retórica".


O discurso do outsider, de alguém que não participa do jogo político, parece desfrutar de uma adesão maior na sociedade, diz Lavareda, que ressalva: isso não foi o bastante para sustentar na corrida presidencial nomes como o apresentador Luciano Huck e Joaquim Barbosa. Bolsonaro se vale do discurso, mas tem décadas de Congresso Nacional. "Em uma eleição geral como a brasileira, com 20.000 candidatos, fica difícil a emergência de nomes realmente novos", diz o cientista político, para quem as análises anteriores à campanha oficial têm sido bem mais dinâmicas do que as variações dos cenários eleitorais. "Essa articulação política não tem repercussão propriamente eleitoral. É a propaganda que sistematiza os programas dos candidatos. É a propaganda que atinge o eleitor".

Leia mais:

TV será meio com maior influência sobre decisão de voto nas eleições, mostra XP/Ipespe

Eleição entra julho com incerteza alta

TV será meio com maior influência sobre decisão de voto nas eleições, mostra XP/Ipespe

Por Marcos Mortari/ InfoMoney – (06/07/2018)

Segundo levantamento, 35% dos eleitores reconhecem que a televisão será fundamental na escolha dos candidatos; internet e redes sociais vêm logo atrás, com 20% das indicações

SÃO PAULO – A três meses do primeiro turno e com a corrida presidencial ainda marcada por incertezas, a televisão deve continuar sendo o canal com maior poder de influência sobre a escolha dos brasileiros. Segundo pesquisa realizada pelo Ipespe entre 2 e 4 de julho, a sétima da série encomendada pela XP Investimentos, 35% dos eleitores dizem que esta mídia tradicional terá papel fundamental no processo decisório do voto. A internet e as redes sociais, por outro lado, foram apontados como principais influenciadores na escolha dos candidatos por 20% dos entrevistados, contra 10% representados por familiares e amigos. Apenas 2% mencionaram os jornais, mesmo percentual indicado para o rádio. A margem máxima de erro do levantamento é de 3,2 pontos percentuais. O levantamento também mostrou que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) mantém a liderança na corrida presidencial, mas empata tecnicamente em todos os cenários que seu nome é considerado nas simulações de segundo turno.


Em um cruzamento com as declarações de intenção de voto dos eleitores para a corrida presidencial deste ano, nota-se uma influência maior da TV sobre a decisão dos eleitores da ex-senadora Marina Silva (Rede) e o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT). Pelas atuais estruturas, os dois não estão entre os candidatos com o maior tempo de exposição em cadeia nacional, salvo se conseguirem firmar alianças com outros partidos. O início do período de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV está marcado para 31 de agosto. Do outro lado, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) é o candidato mais exposto ao eleitorado que admite influência majoritária das redes sociais. Apesar disso, a maior faixa de eleitores que hoje declaram voto no parlamentar diz que a televisão terá papel fundamental no processo decisório.

O levantamento também mostrou que, quatro anos atrás, 49% dos entrevistados decidiram seus votos depois do início do período de campanha, sendo 18% após o último debate realizado entre os candidatos e 13% no próprio dia da eleição. Outros 41% disseram ter decidido em quem votar antes do início da campanha eleitoral. Caso este comportamento se mantenha, este será outro fator a ampliar a influência da TV no processo de escolha dos candidatos. Cruzando as respostas com as intenções de voto atuais, nota-se que os eleitores que mais retardaram a escolha do candidato na eleição anterior encontram-se no grupo que declara voto em Marina Silva. Do outro lado, entre os entrevistados que, em 2014, escolheram candidato antes do início período de campanha ou em seus primeiros dias, os nomes hoje mais apoiados hoje são Álvaro Dias, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

A pesquisa também questionou quais seriam os principais fatores a influenciar na escolha dos candidatos. As propostas apresentadas lideram a lista, com apontamento de 35% dos entrevistados. Na sequência, aparecem experiência (26%), posições políticas (13%) e desempenho nos debates (11%). Em um cruzamento destes dados com as intenções de voto dos entrevistados, observa-se que os eleitores mais preocupados com propostas e posições políticas têm uma participação maior sobre os votos de Bolsonaro. Já do lado da experiência, é Geraldo Alckmin quem se destaca, seguido por Ciro Gomes, que também se destaca no campo das posições políticas.

Metodologia

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 2 e 4 de julho, e ouviu 1.000 entrevistados em todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados "ao vivo" por entrevistadores (com aleatoriedade na leitura dos nomes dos candidatos nas perguntas estimuladas) e submetidos a fiscalização posterior em 20% dos casos para verificação das respostas. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc. O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 3,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-04338/2018 e teve custo de R$ 30.000,00.


O Ipespe realiza pesquisas telefônicas desde 1993 e foi o primeiro instituto no Brasil a realizar tracking telefônico em campanhas eleitorais. O instituto tem como presidente do conselho científico o sociólogo Antonio Lavareda e na diretoria executiva, Marcela Montenegro. Em entrevista concedida ao InfoMoney em 12 de junho, Lavareda explicou as diferenças de metodologias adotadas pelos institutos de pesquisa e defendeu a validade de levantamentos feitos tanto presencialmente quanto por telefone, desde que em ambos os casos procedimentos metodológicos sejam seguidos rigorosamente, com amostras bem construídas e ponderações bem feitas.

Leia mais:

Eleição entra julho com incerteza alta

A 100 dias da eleição, 41% não têm candidato