Você sabe como fazer negócios na era digital?

Reprodução/TV Jornal

O programa do 20 minutos deste sábado (11) traz como entrevistado o executivo-chefe de negócios do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Eduardo Peixoto, que fala sobre os “negócios da era digital”.

Durante a conversa com o cientista político Antonio Lavareda, o profissional afirma sobre os impactos da tecnologia da informação na economia e no mercado de trabalho. “É preciso trabalhar para criar políticas públicas e preparar a sociedade para essa mudança”, explica.

Segundo ele, no Cesar é trabalhado o que se chama a “terceira onda da internet”, ou seja, quando começa-se a ter sensores e poder computacional em vários objetos. “É esperado que a Internet das Coisas acrescente, até 2025, US$ 11 trilhões na economia.”

Sara ele, a tecnologia é o produto para a inovação, onde o foco tem sido mais os setores de saúde, transporte e mobilidade. “As oportunidades com tecnologia podem trazer um resultado maior e mais rápido”, explica.

 

Durante o programa, o executivo ainda fala de como as pessoas que perderam o emprego podem voltar ao auge para o mercado através dessa tecnologia.

Confira o programa:

Programação

O programa 20 Minutos vai ao ar neste sábado (11) às 19h20. Também é possível acompanhar a entrevista no site da TV Jornal e nas redes sociais do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC). Na Rádio Jornal, o 20 Minutos é transmitido aos domingos, às 11h40.

A 100 dias da eleição, 41% não têm candidato

Por Julia Lindner e Gustavo Porto / BRASÍLIA Marcelo Godoy – O Estado de São Paulo (29/06/2018)

Pesquisa CNI/Ibope mostra Bolsonaro e Marina em empate técnico no primeiro lugar

O deputado Jair Bolsonaro (PSL) está tecnicamente empatado com a ex-ministra Marina Silva (Rede) na corrida ao Palácio do Planalto em um cenário sem a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa. É o que mostra pesquisa Ibope realizada em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada ontem. Bolsonaro continua na liderança, com 17% das intenções de voto, e Marina vem a seguir, com 13%. Mas, como a margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, ocorre no limite um empate técnico entre os dois pré-candidatos à Presidência.

Nesse mesmo cenário, de pesquisa estimulada e sem o nome de Lula – que foi condenado na Lava Jato, está preso e pode ser impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa –, Ciro Gomes (PDT) fica com 8% das preferências, empatado tecnicamente com o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, que pontua 6%. Alvaro Dias (Podemos) aparece com 3%. A chamada taxa de alienação, que considera a soma de abstenções com votos brancos e nulos, alcançou 41%. Segundo o cientista político Antonio Lavareda, essa indefinição é inédita a cem dias das eleições desde a redemocratização do País. Como comparação, em pesquisa feita entre os dias 1º e 2 de julho de 1989, o candidato Fernando Collor de Mello, então no PRN, tinha 40% das intenção de voto, segundo o Datafolha. Leonel Brizola (PDT) aparecia em segundo lugar, com 12% em uma eleição caracterizada pela fragmentação de candidatos – foram 22 ao todo. Quando o nome de Lula foi apresentado aos entrevistados pelo Ibope, essa taxa caiu para 28%, mesmo número da eleição presidencial de 2014 – quando o petista estava entre os nomes pesquisados.

Rumo. Para Lavareda, isso indica que o voto desses eleitores indefinidos vai se distribuir entre todos os pré-candidatos, ainda que a tendência é a maioria migrar para um presidenciável da esquerda. Esse cenário dificulta o cálculo político das elites partidárias, que esperam encontrar nas pesquisas um rumo para definir alianças e candidaturas.

“No centro, não há um candidato que possa claramente atrair as demais candidaturas. O pobre do eleitor não é estrategista político. É uma grande ingenuidade pensar que ele vai substituir o papel dos políticos profissionais. Cabe a estes a tarefa de escolher as candidaturas. Sem isso, a chance de o centro ir para o segundo turno fica reduzida”, afirmou o cientista político. Essa indefinição, de acordo com Lavareda, deve permanecer até o eleitorado ter um nível de informação mais razoável sobre os candidatos, o que deve ocorrer só no fim da primeira quinzena da campanha eleitoral, em agosto. “O que modifica intenção de voto é a campanha eleitoral, não a pré-campanha, o que mostra os limites das ações em redes sociais”, afirmou.

Ainda para Lavareda, outra questão importante é saber qual o destino dos votos dos eleitores que, hoje, ainda declaram apoio ao ex-presidente do PT. “Ele não será candidato. Mas não é qualquer ‘poste’ que vai receber esse voto. Um king maker faz pesquisa para saber qual candidato pode ter um potencial maior de aderência.” Lula. O Ibope também avaliou cenário com Lula pré-candidato à Presidência. Neste caso, ele continua na frente dos demais concorrentes, com 33% das intenções de voto. Na sequência, aparecem Bolsonaro (15%) e Marina (7%). Ciro e Alckmin vêm em seguida, em situação de empate técnico, com 4% das preferências. Já Alvaro Dias aparece com 2%. Mesmo preso, Lula também lidera a pesquisa de intenção voto espontânea, com 22%. O levantamento pesquisou, ainda, um cenário com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) no lugar de Lula. Neste caso, Haddad obtém 2%. O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), Flávio Rocha (PRB), Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB) estão empatados com 1%. Com Lula na disputa, porém, Meirelles, Boulos e Aldo Rebelo (SD) nem sequer são citados nominalmente no gráfico da pesquisa.

A rejeição aos políticos continua muito grande. Aproximadamente um terço dos entrevistados disse que não votaria de jeito nenhum no senador Fernando Collor, do PTC, nem em Bolsonaro (mais informações nesta página). Temer. A avaliação negativa do governo Michel Temer subiu de 72% para 79%, em comparação com a pesquisa anterior, feita em março. Com esse resultado, Temer continua sendo o mais mal avaliado entre os presidentes desde José Sarney.

Segundo o Ibope, o crescimento da avaliação negativa é resultado da redução do porcentual dos que avaliam o governo como regular, que foi de 21% para 16% entre março e junho. A pesquisa indicou que 63% consideram a gestão Temer pior do que a de Dilma Rousseff. Apenas 4% disseram que o governo é ótimo ou bom. No levantamento passado, foram 5%.

Empatados tecnicamente, Bolsonaro e Marina lideram (Por Constança Rezende e Katna Baran)

Sem o ex-presidente Lula na corrida presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) está tecnicamente empatado com Marina Silva (Rede), com 17% e 13% das intenções de voto, respectivamente, segundo pesquisa Ibope. Soma de abstenções, brancos e nulos chega a 41%. Também objeto da pesquisa, avaliação do governo Temer é negativa para 79%.

• Segundo a pesquisa CNI/Ibope, o pré-candidato do PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro, e o expresidente Fernando Collor, do PTC (que desistiu da disputa), registraram os maiores índices de rejeição entre os nomes apresentados aos entrevistados – 32%. O ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva vem a seguir, com 31%, seguido por Geraldo Alckmin, do PSDB, com 22%.

Bolsonaro minimizou o resultado do levantamento. “Minha pesquisa é o povo na rua”, afirmou. O presidenciável também disse não acreditar ter maior índice de rejeição do que Lula. “Quer dizer que eu sou mais bandido que o Lula? Não dá para acreditar nisso. Minha pesquisa é o aeroporto, o povo com que falei hoje (ontem) na praça pública (em Fortaleza, Ceará, onde fez agenda de campanha). O que vale é a rua”, disse o deputado federal.

Ele comentou ainda o fato de ter menos votos no Nordeste do que a ex-ministra Marina Silva, pré-candidata da Rede. “Manda ela anunciar uma agenda no Nordeste para ver. A minha resposta aqui nas ruas é muito maior”, disse o presidenciável do PSL. Alckmin também minimizou a pesquisa. “No nosso caso, caiu a rejeição, uma coisa boa, ninguém praticamente saiu do lugar e a campanha só começa depois do horário do rádio e da televisão.”

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Cristian Klein

Valor: Com Lula preso, qual é a melhor saída para o PT? – Valor: Com Lula preso, qual é a melhor saída para o PT?

Antonio Lavareda: A melhor jogada, no médio prazo, seria apoiar um candidato de outro partido, como o Ciro Gomes (PDT), se encapsular numa vaga de vice, e investir fortemente na eleição da maior bancada federal, que é o que dá tempo de propaganda em rádio e TV e recursos do fundo eleitoral. É se dedicar à formação de coligações estaduais e sair do foco da eleição presidencial e das forças do antipetismo, que são majoritárias hoje na sociedade. Seria uma estratégia para atravessar o deserto. Ele se organizaria, faria um “aggiornamento”, diante das severas dificuldades que encontra.

Valor: Mas o PT sempre priorizou a eleição presidencial.

Lavareda: Não é uma ideia estapafúrdia. A vice já foi conjecturada por Lula em 2014, quando ele fez um apelo para que Eduardo Campos (PSB) não se lançasse candidato e apoiasse Dilma. Em contrapartida, Lula garantia a ele que seria o candidato apoiado pelo PT numa frente de esquerda agora em 2018. Em 1950, o PTB tinha feito um presidente da República com quase a maioria absoluta dos votos. Getúlio Vargas teve quase 49% e o partido cresceu, como geralmente acontece com quem está no governo. Mas, em 1955, depois da morte de Getúlio, ia fazer o quê? Lançar João Goulart, que era a figura de maior visibilidade? Não. Aceitou fazer uma aliança com o PSD de Juscelino Kubitschek. Essa aliança foi fundamental para a eleição de Juscelino. O PTB voltou a crescer e num belo dia as circunstâncias ajudaram [João Goulart assumiu quando Jânio Quadros renunciou, em 1961] e chegou à Presidência de novo. Ao final da Quarta República, já era a segunda maior força política no Congresso.

Valor: O PT não parece ser o PTB.

Lavareda: Não parece porque não é, e os tempos são outros. O que a gente tem de comparável nessas épocas tão distantes é que a gente pode dizer que Getúlio, ao seu modo, por seu carisma e peso na classe trabalhadora, era o que o Lula devia ser na Nova República. E Lula foi e é na Nova República o que Getúlio foi lá atrás. Se a gente imaginasse o Getúlio transplantado para esse tempo, mas com o mesmo espírito da época, que era mais chegado a tragédias, numa situação dessa do Lula ele provavelmente se suicidaria. Aliás, Getúlio se suicidou porque se viu deposto e ficou com medo de ser preso.

Valor: Não é difícil para o PT abrir mão da cabeça de chapa sendo o maior partido de esquerda?

Lavareda: Mas não pode postular, porque quem tem voto não são seus candidatos. Quem tem voto vai estar preso, que é o Lula. Eu prevejo que o potencial de transferência de votos de Lula – segundo pesquisas 27% votariam num candidato indicado por ele – se reduzirá para uns 15%, sem o Lula participar ativamente da campanha. Ele não poderá realizar todo o potencial de transferência de votos que ele tem. Se Lula pegasse isso e somasse à intenções de voto do Ciro, que está entre 9% e 10%, já estaria o Ciro no segundo turno, com uns 25%. Com um candidato do PT fraco, a esquerda vai avançar na fragmentação, já tem Boulos, Manuela, Ciro, a Marina Silva também pesca nesse rio da esquerda. Está todo mundo falando em fragmentação do centro, mas você tem duas áreas especialmente fragmentadas: o centro e a esquerda também. E com a saída do Lula agora essa fragmentação vai aparecer forte.

“Está todo mundo falando em fragmentação do centro, mas na esquerda ela vai aparecer forte agora”

Valor: A união da esquerda, ou parte dela, não deveria ser feita logo para ter resultado?

Lavareda: Mas o PT tem essa dificuldade. Vai ficar no choque, na emoção, na dificuldade de reorganizar o processo decisório. Você não pode imaginar nenhuma grande decisão do PT nas próximas semanas, em abril. O partido não tem condições emocionais ou políticas. O que pode haver são os aliados tentando se solidarizar, para formar uma frente, o PDT se aproximar. Mas não vai haver nenhuma guinada por enquanto.

Valor: Decisões do PT ainda poderão passar por Lula, na prisão?

Lavareda: É complicado. Antes, o Lula era ouvido para tudo. Agora, fisicamente não vai poder. A suprema ironia do Sergio Moro foi chamar o local onde Lula ficará de uma “sala de Estado Maior”. Não vão deixar ter reunião política ali. É uma sala do “Estado menor possível”, um alojamento tosco de 5 por 3 metros, onde só cabe uma estreita cama de solteiro e tem um banheirozinho. É uma ironia totalmente desnecessária, que o Moro incluiu na decisão. As visitas ficarão restritas aos advogados e à família. A vida dele vai ficar difícil, apertada, limitada. Lula vai ter dificuldade de se articular com o partido. E esse processo decisório do PT vai ficar afetado. Era um partido lulocêntrico que, de repente, perde o centro, como é que faz?

Valor: O partido não se preparou para isso?

Lavareda: Acho difícil ter se preparado. Significa emprestar protagonismo para outros atores, outros personagens. Você vê que no ato no sindicato dos metalúrgicos do ABC, na sexta-feira, não tinha ninguém, nem a presidente do partido, que fosse a figura central, que mais aparecia, que se percebia comandando o processo do grande evento convocado antes da prisão. É muito difícil dado o peso, a dimensão dele. Esqueça que boa parte da preferência pelo PT se dá porque as pessoas preferem o partido do Lula, compare apenas os 35% de intenção de voto com os 17% de preferência partidária. Você pode dizer que Lula é o dobro do PT.

Valor: Caso opte por um plano B, quando anunciá-lo?

Lavareda: O PT sabe que dificilmente seu plano B chegará ao segundo turno. Sem Lula, isso fica distante. Mas se esse for o caminho, o desafio é achar o momento em que ele vai emergir. Se demorar, talvez seja muito tarde. A transferência de votos leva tempo, especialmente para o eleitorado menos escolarizado do PT. É um processo racional e emocional. São necessárias repetidas aparições na TV, em eventos públicos, com cenas de proximidade, intimidade entre apoiador e apoiado, para que se faça a associação.

Valor: Uma vez preso e vitimizado, a indicação de voto de Lula não pode ganhar mais força?

Lavareda: Se fosse em setembro, talvez. Mas até lá a prisão já foi processada, reprocessada e ultrapassada por outros fatos políticos. Quando Getúlio se suicidou, por exemplo, em agosto de 1954, o PTB não teve um crescimento expressivo nas eleições parlamentares de outubro no mesmo ano.

 

Valor Online – SP 09/04/2018 – 05:00

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Por Edla Lula

A oito meses da escolha do novo presidente, ninguém ousa prever qual será o resultado da eleição. O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda reconhece que é difícil fazer prognósticos, mas aponta alguns cenários. E afirma que, hoje, as curvas de intenção de voto apontam para quatro nomes: Marina Silva, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro  e Ciro Gomes. “Devendo-se acrescentar a eles o candidato do PT, qualquer que seja, pela capacidade de transferência de Lula e pela força do PT”, ressalta. Lavareda prevê que, caso Lula seja preso, Bolsonaro ganhará mais espaço entre os eleitores. “Bolsonaro está longe de ser um fenômeno meramente circunstancial”, alerta.

– Como o senhor vê o atual cenário político-eleitoral no Brasil? 

Temos hoje um cenário bastante complexo, de grande perplexidade. Foi assim com a primeira eleição após o fim do Estado Novo, quando o país assistiu o ditador deposto, Getúlio Vargas, apoiando o general Eurico Dutra, que o havia defenestrado pouco mais de um mês antes e que se sagraria vitorioso. Ou na primeira eleição presidencial da Nova República, quando os candidatos dos partidos que viabilizaram a superação do regime autoritário instaurado em 1964 e deram ao país a “ Constituição cidadã “ de 1988 foram massacrados nas urnas com pífias votações. Porém, agora o número de variáveis que se entrecruzam opera um desenho quase impossível de ser decifrado a poucos meses do pleito.

– A oito meses da eleição, ainda é muito grande a indefinição. A que o senhor atribui o clima de incerteza que atinge a política brasileira? 

Por todas essas variáveis: o país ainda está emergindo de uma brutal recessão, com massa recorde de desempregados. A Lava Jato, que dizimou reputações e candidaturas de forma transversal no universo partidário, inviabiliza a participação do líder das pesquisas; um governo de transição que obtém sucessos significativos numa agenda de mudanças estruturais mas que amarga elevada impopularidade; e uma crise de representação aguda, abrindo uma fenda tectônica entre o Estado e a sociedade. A partir desse quebra-cabeça, projeções têm o mesmo status de quiromancias.

Segundo Lavareda, cenário hoje é “complexo, de grande perplexidade, como em 1989”

– O que dizer de um país em que o político com maior aceitação popular é alguém condenado e que pode ser preso em breve?

Dentre os pré-candidatos, o único que já foi presidente é Lula, que o foi por duas vezes. O fato de que ele terminou o segundo mandato com 85% de aprovação contribui para seu desempenho atual, assim como é beneficiado também por ser o principal ícone da oposição ao governo Temer, que no momento enfrenta uma elevada desaprovação. Entendo que, apesar de sempre ser lastimável a condenação de um ex-presidente pela repercussão negativa que acarreta, ela faz parte da normalidade democrática e já ocorreu em diversos países. Fujimori, Menem, Sócrates, Berlusconi, Sarcozy, entre outros, são exemplos disso.

– O PT tem usado a estratégia de politizar a condenação de Lula e vai solicitar o registro da sua candidatura junto ao TSE. Até onde acha que Lula e o PT vão nesse jogo? 

Essa questão precisa ser vista na perspectiva do que seria racionalmente o melhor interesse do partido. Três aspectos chamam atenção: primeiro, esse jogo pode perdurar mais algum tempo, para explorar todo o potencial de vitimização do ex-presidente, porém não deve se prolongar em demasia para o partido não correr o risco de inviabilizar pelo esgotamento do calendário as alianças necessárias no nível nacional e nos estados; segundo, o  PT precisará evitar que, sem uma candidatura efetiva, haja consolidação em montante significativo da migração de votos lulistas para concorrentes do campo da esquerda; Por último, que por essas razões apontadas haja um prejuízo às candidaturas proporcionais do partido que independente disso já aguardavam  um difícil cenário este ano.

– Quais seriam as opções para o PT? 

Com o ex-governador baiano Jaques Wagner fragilizado por uma operação de busca e apreensão no seu domicílio, as apostas se voltam para o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Este último é frequentemente referido na mídia como o mais “tucano” dos petistas. Essa característica o teria ajudado na eleição da capital paulista que ganhou em 2012, mas talvez não ajude o partido numa eleição presidencial a manter sua força no Nordeste, sobretudo em um momento mais radicalizado como o que vivemos.

– Que nomes de centro podem ascender na disputa eleitoral? 

O relatório da última pesquisa CNT/ MDA apresentou um quadro resumo do potencial positivo e do potencial negativo de diversos nomes. Assim, pôde-se ter uma ideia do potencial de crescimento futuro das candidaturas e dos limites postos pelos respectivos graus de rejeição. Após Lula, que não deve ser candidato, só quatro nomes aparecem com mais de 20% de potencial positivo:  Marina Silva (40,2%), Geraldo Alckmin (38,0%), Jair Bolsonaro (35,4%) e Ciro Gomes (25,2%). Na outra ponta, a rejeição anotada de cada um deles também em ordem decrescente foi: Marina (53,9%, Geraldo Alckmin (50,7%), Jair Bolsonaro (50,4%) e Ciro Gomes (47,8%). A pesquisa sugere que os movimentos mais significativos das curvas de intenção de voto durante a campanha tenderão a ocorrer com algum ou alguns desses nomes. Devendo-se acrescentar a eles o candidato do PT, qualquer que seja, pela capacidade de transferência de Lula e pela preferência elevada que o PT ainda mantém.

– Existe possibilidade de o presidente Temer ser o candidato do MDB? 

Esta é uma possibilidade. Temer será naturalmente o candidato do MDB se a avaliação dele vier a ter uma melhora substancial. Como a perspectiva é de que isso só ocorra no semestre, o mais provável é que o candidato seja Meirelles. O mais importante, para o MDB, é valorizar os feitos desse governo.

– O senhor acredita que Bolsonaro se sustentará como candidato? Ele tem chances reais de chegar ao segundo turno? 

Inviabilizada a candidatura de Lula, Bolsonaro já ocupa o primeiro lugar nas pesquisas. Ele está longe de ser um fenômeno meramente circunstancial. A tese corrente de sua “desidratação”, pelo pouco tempo de TV e no rádio, não me parece razoável. O entusiasmo que desperta numa porção significativa do eleitorado aponta identificação na sua candidatura de opiniões e anseios que provavelmente estiveram represados em outras disputas e agora encontraram legitimidade para emergir. Um espaço na ultradireita do espectro eleitoral. É imperioso reconhecer que o ex-capitão encarna uma nostalgia indisfarçada do regime militar.

 

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