Pesquisa RADAR FEBRABAN

Acesse o Radar Febraban – Abril 2024 por meio deste link.

Brasileiro mantém otimismo e acredita que o país e sua vida pessoal vão melhorar em 2024, mas inflação ainda preocupa

Sete em cada dez entrevistados esperam que sua vida pessoal irá melhorar em 2024 e 56% apostam em melhora da situação do país. Para 70% dos entrevistados, os preços aumentaram ou aumentaram muito

A maioria dos brasileiros permanece com olhar positivo para a situação do país e de sua vida pessoal, mantendo as expectativas favoráveis registradas no início do ano. A segunda edição da pesquisa RADAR FEBRABAN, feita no segundo bimestre de 2024, mostra que continua sendo maioria (56%) o percentual da população que tem esperança de que o país vai melhorar em 2024. O dado sinaliza que esse sentimento permanece estável e acima dos 53% verificados em fevereiro de 2023.

Da mesma forma, permanece em patamar elevado (70%) o percentual de brasileiros que esperam que sua vida pessoal e familiar irá melhorar até o final de 2024. Esse percentual é ainda maior entre os jovens de 18 a 24 anos (83%) e os nordestinos (77%). Esses números estão próximos do recorde histórico (75%) de otimismo registrado na pesquisa anterior.

Realizada entre os dias 17 e 22 de abril, com 2 mil pessoas nas cinco regiões do País, pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), esta edição do RADAR FEBRABAN mapeia a percepção e expectativa da sociedade sobre a vidaaspectos da economiagestão do governo federalprioridades para o país.

Além disso, mensura como a população percebe o endividamento, o uso do Pix, o Programa Desenrola, o Celular Seguro, Saque Aniversário do INSS e o Crédito Consignado A pesquisa também apura as opiniões de cada uma das cinco regiões brasileiras.

A inflação continua sendo preocupação dos brasileiros em 2024. Sete em cada dez (70%) brasileiros avaliam que os preços dos produtos aumentaram ou aumentaram muito em comparação com os últimos seis meses. Essa percepção

está em elevação, mas permanece ainda abaixo do sentimento de dezembro de 2022, que chegou a 79%.

Também se mantém estável, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, a percepção de que a situação no Brasil está melhor agora que estava em 2023. 46% dos brasileiros se mantêm otimistas, sendo que, em fevereiro, esse índice era de 48%. Já o nível de pessimismo variou de 22% para 23%, assim como a parcela que considera a situação atual igual à de 2023, que passou de 29% para 30%.

“Nos primeiros meses do ano o humor e as expectativas dos brasileiros pouco se alteraram, mas registraram leve sinalização para baixo. Esse resultado é natural e reflete o sentimento de que os preços de algumas categorias de produtos e de serviços, continuam impactando no seu bolso, o que, uma vez revertido e mantida a evolução do quadro econômico, deve resgatar o padrão de otimismo anterior”, aponta o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.

INFLAÇÃO

Seguem mais resultados do levantamento:

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ECONOMIA

Os cinco itens que mais impactaram a inflação são os seguintes:

  • ✓  Preço dos alimentos e outros produtos de abastecimento doméstico, citado por 73% dos entrevistados;
  • ✓  O custo com os serviços de saúde privada e remédios com 33% das citações;
  • ✓  Preços dos combustíveis (27%)
  • ✓  Juros do cartão de crédito e dos financiamentos e empréstimos teve 13%das menções;
  • ✓  Serviços de educação (7%)PROJEÇÕES
  • Impostos: 57% acreditam que haverá aumento;
  • Taxa de juros: 48% acreditam que vai aumentar;
  • Inflação e custo de vida: 57% apostam em aumento;
  • Endividamento das pessoas e famílias: 56% acreditam em aumentodas dívidas;
  • Acesso ao crédito das pessoas e empresas: para 37% dos brasileiros,haverá aumento do acesso;
  • Poder de compra das pessoas: 33% dos brasileiros confiavam noaumento do poder de compra;
  • Desemprego: a falta de vagas no mercado de trabalho deve aumentar, na opinião de 37% dos entrevistados;
  • Salários: 52% dos entrevistados afirmam não acreditar em aumento ou redução salarial.PRIORIDADES DA POPULAÇÃO
  • ▪  Saúde retoma o primeiro lugar (32%) como área prioritária para ações do Governo, na visão dos brasileiros;
  • ▪  Emprego e renda, inquietação central de 28% dos brasileiros;
  • ▪  Educação: 10% no ranking de prioridade;
  • ▪  Inflação e custo de vida também cravaram 10%;
  • ▪  Segurança permanece na quinta colocação, com 7% das citações;
  • ▪  Fome e pobreza com 5% das menções.DESEJOS DA POPULAÇÃOMais da metade dos brasileiros (52%) investiria em moradia (comprar: 31%; reformar:21%) caso tivesse recursos para isso. Em seguida, se houvesse sobras no orçamento, 47% aplicariam o dinheiro no banco (poupança: 21%; outros: 26%)Investimentos em educação pessoal ou da família vêm na sequência, com 17%.➢ A vontade de viajar manteve-se em 13%;
    ➢ O desejo de comprar carro: 9%;
    ➢ Fazer ou melhorar o plano de saúde9%,
    ➢ Comprar eletrodomésticos e/ou eletrônicos6% das menções; ➢ Comprar moto: 3%;➢ Fazer seguro de carro, casa, vida e/ou outros2%. ENDIVIDAMENTOA edição de abril mostra que é menor em relação a fevereiro (de 43% para 40%) a parcela de pessoas que acreditam que estarão menos endividadas esse ano do que estavam em 2023. Uma segunda parcela (36%) não vê perspectiva de alteração no endividamento, seja para mais ou para menos. Em fevereiro, eram 34%. Por outro lado, o número dos que apostam que estarão mais endividados no final do ano que no mesmo período do ano passado mantém relativa estabilidade, oscilando 1 ponto para cima (de 20% para 21%).Cerca de um terço (31%) dos brasileiros declara já ter aderido ou ter pretensão de aderir a algum programa de refinanciamento de dívidas, contra 63% que não o fizeram.Quase um quinto (17%) tem a pretensão de fazer empréstimos nos próximos meses. A maciça maioria (80%) não expressa esse interesse.

CELULAR SEGURO

O programa tem elevada avaliação positiva, sendo conhecido por mais da metade da população (58%) e avaliado como ótimo ou bom por 73%.

PIX

A aprovação do PIX pelos brasileiros já é praticamente uma unanimidade. Em abril de 2023, essa forma de pagamento contava com a aprovação de 89% da população; em abril deste ano, 95% têm opinião favorável.

Há um ano 77% da população declaravam utilizar o sistema, enquanto no momento são 92%, o que representa um avanço de 15 pontos percentuais. Atualmente, apenas 8% dos brasileiros dizem não ter adotado o Pix, enquanto em abril de 2023 eram 22%.

SAQUE ANIVERSÀRIO DO FGTS

Em funcionamento desde 2020, o saque-aniversário do FGTS já se tornou um velho conhecido dos brasileiros: 88% dos entrevistados afirmam conhecer esse instrumento, que permite ao trabalhador retirar todo ano uma determinada parcela do seu Fundo de Garantia. Apenas 12% das pessoas consultadas disseram não ter ciência do assunto.

Quando questionados se já fizeram uso do Saque-Aniversário do FGTS, 27% dos entrevistados responderam positivamente. Outros 11% declararam que ainda não lançaram mão do benefício, mas que pretendem fazê-lo. Uma fatia de 25% da população, porém, assegura que não pretende usufruir do Saque- Aniversário. Outros 34% dos consultados disseram não possuir FGTS.

Na opinião de 63% dos entrevistados, o saque-aniversário do FGTS é ótimo ou bom para o trabalhador brasileiro.

Sobre a possibilidade de extinção do Saque-Aniversário do FGTS e o retorno para o regime anterior onde o saque do FGTS só é permitido em situações específicas, como demissão, compra de casa própria e doenças graves, entre outras, os brasileiros mostram-se divididos: 45% são a favor, e 45% são contrários.

CRÉDITO CONSIGNADO

Atualmente, no Brasil, 52% da população considera o Crédito Consignado como uma alternativa ótima ou boa e 88% conhecem a existência do recurso. Quando questionados se já tiveram necessidade de buscar algum tipo de crédito ou empréstimo, 58% dos entrevistados no presente levantamento declararam que sim, enquanto outros 40% disseram não ter recorrido a esse recurso.

Cerca de um quarto (24%) dos brasileiros declararam que pretendem recorrer ao crédito ou empréstimo nos próximos seis meses e 71% não pretendem.

Ao menos 22% dos brasileiros já fizeram uso do crédito consignado (número que chega a 32% na faixa de 60 anos e mais); enquanto outros 15% não utilizaram, mas pretendem fazê-lo.

Transcrição do Índice CNN de 03 de abril de 2024

[Iuri Pitta] Hoje o Índice CNN faz uma primeira análise dos perfis dos pré-candidatos nestas eleições municipais, sejam eles prefeitos e prefeitas que já disputam o novo mandato ou sejam desafiantes aos atuais gestores. Por isso eu chamo Antonio Lavareda, já junto comigo, aqui na tela para gente trazer nossa primeira arte a fim de quantificar, começar a entender por que o favoritismo médio dos candidatos à reeleição é tão visível na comparação com os opositores e esta é a pergunta que eu te jogo, já dando as boas-vindas, Lavareda. Por que é tão difícil enfrentar os chamados incumbentes quem já está no cargo? 

[Antonio Lavareda] Olá Iuri, e como você comentava já nesse momento da campanha, ou seja, nós estamos a bastante tempo da eleição, como sempre lembramos, você tem uma diferença de 12 pontos dos incumbentes, na média, sobre aqueles principais desafiantes. Por que é tão difícil a tarefa do desafiante? Sobretudo por três motivos, três fatores que ajudam o nosso espectador a entender esse favoritismo do prefeito ou da prefeita que sentado ou sentada na cadeira, disputa a eleição. O primeiro deles é uma questão do timing.

A campanha só vai começar mais adiante, há toda uma fiscalização dos tribunais regionais eleitorais com relação ao cumprimento dos  prazos legais estabelecidos, mas de fato a campanha do incumbente começou há muito tempo, em alguns casos desde o início do seu mandato. O incumbente se expõe diariamente, ele desfruta então de uma taxa de conhecimento bem maior do que dos seus competidores, está nas ruas o tempo todo. Então, o primeiro fator é o timing, o tempo. A campanha de incumbente começa bem antes dos adversários. O segundo fator, também relacionado obviamente a incumbência, é o volume de recursos, no sentido mais amplo, que o incumbente tem ao seu dispor. O Prefeito tem o controle da caneta, como se diz popularmente, assim as políticas públicas, o anúncio dessas políticas, a propaganda das ações administrativas, tudo isso o leva   em última instância a avançar em popularidade, mais popularidade,  mais intenção de voto. O incumbente com as coligações de apoio nas câmaras municipais consegue, também, maiores coligações para a campanha eleitoral, ou seja, através disso mais tempo de televisão e rádio.

Aí nós chegamos no último fator, que vai ser bastante importante no decorrer das campanhas, grandes coligações geram  grande fatia de tempo de televisão de rádio, nos municípios em que há horário eleitoral gratuito. Na campanha municipal, para se ter uma ideia, um candidato a prefeito com a mesma coligação de um candidato presidencial, por exemplo, terá duas vezes e meia pelo menos  mais tempo do que o candidato a presidente. E por que? O espectador vai se perguntar. Porque temos a mesma fatia de tempo reservada à propaganda nas eleições gerais e nas eleições municipais, sendo que nas municipais competem apenas duas categorias de candidatos – prefeitos e vereadores, ao passo que nas eleições gerais são  cinco categorias para dividir o mesmo espaço:  presidente, senadores, governadores, deputados federais e deputados estaduais. 

O que foi dito de forma sintética nos ajuda a entender a chamada vantagem do incumbente nessas eleições municipais 

[Iuri Pitta] Além de destacar e conseguirmos medir, mensurar esse favoritismo dos prefeitos que devem disputar um novo mandato, como o Antonio Lavareda estava nos explicando, o IPESPE Analítica também fez um mergulho profundo em outros dados que a gente têm à disposição para a gente estudar e entender o perfil dos principais nomes das disputas nas capitais  até esse momento.   Separamos aqui três pontos na nossa tela. Três recortes bastante importantes: a questão de idade, de educação e de gênero. Em geral os candidatos à reeleição são pouco mais experientes e com mais anos de estudo que os desafiantes, embora a diferença seja pequena, queria jogar esse olhar. Primeiro, Lavareda, na questão de idade e de tempo de estudo para depois nos debruçarmos sobre a terceira parte da nossa arte, mas queria te ouvir primeiro sobre essa comparação dos incumbentes  com os desafiantes. São um pouco mais velhos e uma fatia um pouquinho maior deles  completou  o ensino superior, em comparação com os desafiantes. 

[Antonio Lavareda] Isso significa, a olho nu, no que concerne a idade dos que disputam a eleição, que o prefeito ou a prefeita, que está no cargo, tem um pouquinho mais de quilometragem de estrada. Pelo menos quatro anos a mais, o que na política significa a possibilidade de ter arrecadado maior experiência e com essa experiência maior relacionamento que vai ser importante na articulação política, sobretudo. No que diz respeito à formação educacional, você vê que esses candidatos à reeleição tem aí, 93% deles, uma formação de terceiro grau, então também no total, no conjunto, eles têm mais escolaridade que os desafiantes, o que não deixa de ser, embora não seja fundamental, obviamente, mas não deixa um recurso, que os diferencia positivamente, a seu favor nesse caso. 

[Iuri Pitta] Ainda estamos com essa arte porque agora eu quero me debruçar num ponto ali do perfil demográfico, nesse terceiro ponto para chamar atenção. A questão de gênero mais uma vez, Lavareda. Mais um indicador mostrando o predomínio dos homens em relação às mulheres. Aqui a gente não fez a divisão entre candidatos à reeleição e desafiantes porque o cenário é mais ou menos o mesmo. Menos de 2 mulheres a cada 10 nomes que disputam aparecem nas pesquisas monitoradas pelo índice CNN Lavareda.

[Antonio Lavareda] Como já temos tratado, digamos, a vergonha brasileira, ou seja, essa desigualdade de gênero brutal do que diz respeito à representaçãopolítica. Novamente, para se ter uma ideia, isso aí, vamos chamar, a eleição “a preço de hoje” a competição “a preço de hoje”, ainda estaria melhor do que o resultado da eleição de 2020, quando tivemos somente  uma mulher nas 26 capitais. Esse número também não é diferente do número de vereadores eleitos, quer dizer: o número de homens e mulheres vereadores eleitos em 2020. Naquela eleição, houve 33% de candidatas mulheres à vereança, porque é um requisito legal então os partidos vão lá e inscrevem essas candidatas, mas se elegeram 83% de homens vereadores e apenas 17% de mulheres. Mais uma vez fica estampado que esse modelo de voto proporcional, de lista aberta, é um modelo praticamente intransponível para termos uma maior presença de mulheres nos parlamentos. Para se chegar a uma representação de 1/3 pelo menos de mulheres, será um caminho extremamente difícil.

[Iuri Pitta] Ainda é uma jornada com muito tempo e que não vai se mudar sozinha por vontade própria, necessário também se rever os critérios e as regras do jogo. Por fim, vou chamar a nossa última tela de hoje. Quero mostrar o perfil político profissional dos candidatos entre os líderes e vice-líderes nas principais disputas, ou seja, que cargo que essas pessoas ocupam. Sempre houve esse predomínio de deputados federais e prefeitos Lavareda? Ou é possível perceber alguma diferença hoje em relação a disputas passadas?

[Antonio Lavareda] É interessante, Iúri, quando você observa esses dados e quando eu me deparei com o primeiro levantamento que IPESPE analítica fez da biografia dos candidatos, dos pré-candidatos, na verdade, porque as candidaturas só vão estar definidas com as convenções obviamente. Mas eu dizia, afora os prefeitos ou ex-prefeitos que são candidatos, esses  percentuais  de deputados federais que arredondamente são  27%, e   de deputados estaduais, de forma arredondada, 17%, são  extremamente parecidos com os números  que apresentei num livro publicado lá atrás, em 2009, Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais. Nele, levantei o perfil de prefeitos eleitos de meados dos anos 90 até 2010. E o que é que a gente tinha ali como carreira ,  natural,  dos prefeitos  das capitais? 28% eram deputados federais ou ex-deputados federais. Número que quase coincide com os atuais  27%,  e 20% eram deputados estaduais, bem próximo aos atuais 17% em termos de candidatos. Ou seja, na velha margem de erro é quase a mesma coisa. Mudou muito pouco, mudou quase nada.

[Iuri Pitta] E o que quanto isso reforça também essa conexão das eleições municipais com as eleições gerais, de dois anos antes ou dois anos depois, mas principalmente esse vínculo de prefeitos com os deputados não só federais, mas também estaduais. Este é Antonio Lavareda, sociólogo e cientista político que traz semanalmente comigo uma série de dados e análises aprofundadas nestas eleições municipais. As mais aguardadas e disputadas desde a redemocratização. Você pode rever no canal da CNN, no YouTube, todas as edições do Índice CNN. Com isso, terão o mais completo panorama das disputas nas capitais e maiores cidades do país. Lavareda muito obrigado, sempre um prazer dividir tela contigo aqui. Até a próxima semana!

[Antonio Lavareda] Até a próxima semana, Iuri!

Veja a íntegra do Índice CNN desta quarta-feira (3/4).

Janela partidária: Os grandes partidos em busca dos prefeitos

Quais as armas que os partidos usam, tentando atrair os prefeitos para suas fileiras?

Hoje no Índice CNN, junto com o Iuri Pitta, comentei sobre o momento atual de nossos trabalhos, quando estamos finalizando no calendário eleitoral das eleições municipais deste ano. Essa janela partidária, digamos assim, é uma coisa muito curiosa. Mais uma jabuticaba brasileira. É o momento em que a infidelidade é permitida, o divórcio é realizado e imediatamente se estabelece um novo casamento. 

Enquanto você lê esse conteúdo, com certeza, está havendo em todo o Brasil uma autêntica guerra, como a expressão popular diz: “uma guerra de foice”. Embora silenciosa é abaixo da linha de visibilidade, inclusive, em muitos casos, da imprensa, para conquistar prefeitos. Por quê? Porque já se viu que nada aumenta tanto a probabilidade de um partido eleger muitos prefeitos do que já ter prefeitos concorrendo à eleição, o fator reeleição. Os partidos estão atrás de filiar prefeitos, ou seja, “roubar” prefeitos dos outros partidos. Ou ainda, atrair prefeitos dos outros partidos. 

E quais são as armas mais utilizadas, as disponíveis? 

Aí os maiores levam vantagem. São basicamente cinco armas. Em 1º) Os grandes partidos têm maior tempo de televisão e rádio, o que é uma variável super importante. 2º Os grandes partidos têm um volume maior de recursos do fundo eleitoral e isso é um oferecimento que faz muita diferença para um prefeito que teria dificuldade de custear sua campanha. 3º) É preciso lembrar que entre os grandes partidos, muitos ocupam ministérios, os quais podem ajudar os municípios efetivamente. 4º) Os partidos têm participação frequente nas prefeituras e nas secretarias, nos governos estaduais, então podem oferecer cargos importantes em departamento, ou seja, usam o fatiamento da máquina para atrair novos prefeitos. 5º) É muito importante e pouco percebido na maioria dos casos, pela capacidade dos grandes partidos de estruturar chapas de vereadores. 

Enquanto isso, os pequenos partidos sofrem para estruturar essa chapa de vereadores e os grandes partidos têm melhores condições de fazer isso, o que se tornou um problema dramático para todas as legendas a partir do final das coligações nas eleições proporcionais. Essas cinco são as principais moedas de troca utilizadas pelos partidos para “roubar” prefeitos dos concorrentes.

Assista a íntegra do programa no Canal de Antonio Lavareda no YouTube

IPESPE estreou com sucesso em Portugal

Sondagens eleitorais realizadas pelo instituto, para a CNN Portugal/TVI, anteciparam o resultado das urnas.

1. O Tracking-Poll CNN/IPESPE/TVI antecipou de forma exemplar os resultados das eleições Legislativas do país, como mostrado no Gráfico abaixo, apresentado com números arredondados, tal como na divulgação das sondagens. Em um contexto de grande fragmentação (a maior da história eleitoral do país: Fe 0,79) que dificulta sobremodo as medições, conseguiu descrever, com números colhidos 72 horas antes da votação, o desempenho de sete dos oito principais competidores, dentro dos limites das margens de erro previamente anunciadas. A única discrepância (AD) é explicada pelo resultado de um partido relativamente desconhecido (ADN) que subiu de 0,2% para 1,6% dos votos. Somados os percentuais dos dois, tem-se 32%, no limite inferior da margem de erro do estudo. Conforme registado na imprensa portuguesa, muitos eleitores fizeram confusão entre AD e ADN quando receberam o boletim de voto.

2. Independente de ter se aproximado bastante dos números da AD e do CHEGA, indicando que esse mais que dobraria seus votos face à eleição anterior (2022) quando obteve 7%, o IPESPE acredita que o partido de André Ventura cresceu no dia da eleição, mobilizando novos votantes (a abstenção caiu no território nacional de 42% para 34%) e retomando eleitores que haviam migrado para a AD, mas que, tranquilizados pelas sondagens que asseguravam a derrota do PS, seu principal adversário, voltaram à preferência original, contribuindo para esvaziar em parte os números da vitoriosa AD. 

3. O Traking Poll CNN/IPESPE/TVI* antecipou também com grande precisão o tamanho do eleitorado dos campos ideológicos da Direita (56% na última sondagem e 55% nas urnas) e da Esquerda (42% na sondagem e mesmo percentual nas urnas). Sob o aspecto abordado, um número confirma o movimento ocorrido no interior do campo da Direita: na última sondagem, considerados apenas AD+CHEGA (sem incluirmos o Iniciativa Liberal) somavam 50%. Nas urnas, acrescidos do percentual da ADN, eles alcançaram os mesmos 50%. Mas com o CHEGA crescendo três pontos, ascensão quase simétrica ao declínio da AD. 

4. Por fim, como insistiu-se em destacar ao longo de toda a cobertura das sondagens, é importante reiterar que os resultados das mesmas não são prognósticos, já que retratam opiniões e atitudes declaradas e não o comportamento efetivo dos eleitores, que só pode ser captado pelos levantamentos de “boca de urna”. Nos sistemas multipartidários, como o português, com alta taxa de fracionamento do apoio aos partidos, afora a incerteza acerca da abstenção, não captada nas sondagens, adiciona-se a questão do “voto estratégico”, pelo qual alguns eleitores se valem das informações dos números das últimas sondagens, para decidir se na última hora confirmam ou mudam seu voto. 

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(*) O IPESPE é o primeiro instituto brasileiro convidado para fazer as pesquisas eleitorais de uma TV portuguesa. E temos orgulho de ter acompanhado uma eleição histórica.

Radar Febraban (fev/2024): Brasileiro começa o ano otimista, mas preocupado com a inflação

Para 67% dos entrevistados, os preços aumentaram ou aumentaram muito, 13 pontos a mais que na pesquisa anterior. Expectativa positiva quanto à vida pessoal atinge maior patamar da série histórica, com 75%

O brasileiro começa o ano de 2024 otimista com relação ao país, mas preocupado com a inflação e a alta dos preços. A primeira edição da pesquisa RADAR FEBRABAN de 2024 mostra que quase 7 em cada 10 entrevistados (67%) avaliam que os preços dos produtos aumentaram ou aumentaram muito, 13 pontos a mais que em dezembro de 2023 (54%). O número dos que observam diminuição dos preços recuou de 24% em dezembro para 11% em fevereiro, enquanto a parcela que enxerga estabilidade quase não sofreu alteração, oscilando de 20% para 21% no mesmo período.

Os dados refletem a pressão da alta dos alimentos sobre o IPCA, que mesmo com a desaceleração da inflação ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro em janeiro, segundo o IBGE. Soma-se a isso o impacto das contas de começo de ano, como material escolar, IPTU e IPVA, sobre o orçamento doméstico, além de eventuais resquícios dos gastos de final de ano.

A pesquisa também mostra que mais da metade dos brasileiros (57%) acredita que o Brasil vai melhorar em 2024 – um recuo de dois pontos em relação a dezembro (59%). Entretanto, com relação à vida pessoal, para 75% dos brasileiros a sua vida estará melhor num horizonte de 12 meses – maior percentual da série histórica e oscilação de um ponto percentual em relação a dezembro (74%).

Realizada entre os dias 14 e 20 de fevereiro, com 2 mil pessoas nas 5 regiões do País, pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), esta edição do RADAR FEBRABAN mapeia a percepção e expectativa da sociedade sobre a vida, aspectos da economia, gestão do governo e prioridades para o país e mensura como a população percebe o endividamento, o uso do Pix, o Programa Desenrola, o Celular Seguro e os Golpes e Tentativas de Golpes bancários. A pesquisa também apura as opiniões de cada uma das cinco regiões brasileiras.

Para 48% dos entrevistados, o Brasil está melhor na comparação com o ano anterior, número que vem se mantendo desde setembro de 2023, com discreta variação positiva em dezembro (49%). O otimismo em relação ao país é acompanhado da aprovação ao governo Lula, que oscilou de 51% em dezembro de 2023 para 50% agora, ao passo que a desaprovação se manteve estável, com 42%.

Muito embora a expectativa da população sobre o país em 2024 seja um pouco menos favorável do que era ao final de 2023, o otimismo ainda dá o tom, com mais da metade dos brasileiros (57%) acreditando que o Brasil vai melhorar e já está melhor na comparação com o ano anterior (48%), e também com a perspectiva de diminuição do endividamento pessoal (43%). “Passado o período de festas de fim de ano quando, via de regra, o humor e as expectativas da opinião pública melhoram, os resultados desta edição de fevereiro refletem, em certa medida, as preocupações dos brasileiros com a inflação, sob impacto das contas de começo de ano, como material escolar, IPTU e IPVA, no orçamento doméstico”, aponta o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.

INFLAÇÃO

Seguem mais resultados do levantamento:

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ECONOMIA

“Alimentos e outros produtos domésticos”, que haviam recuado em dezembro de 2023 (66%), voltaram a crescer em fevereiro de 2024 (72%) como os itens que, na opinião dos brasileiros, mais pesaram na alta dos preços.

As menções a “combustíveis” “serviços de saúde e remédios” como os mais afetados pela inflação mostraram-se estáveis entre dezembro e fevereiro (30%), enquanto “pagamento da escola, faculdade ou outros serviços de educação” aumentou – de 7% para 10% no período –, um possível efeito das despesas relacionadas a matrículas e material escolar no mês de janeiro.

Sofreram oscilações para baixo os itens “planos de compra de veículos e imóveis” (de 6% para 5%) e “planos de viagem” (de 4% para 3%). Os demais mantiveram-se estáveis.

PROJEÇÕES

As projeções da população sobre os indicadores acompanhados pelo RADAR FEBRABAN evidenciam receio em relação à economia nos próximos seis meses, sobretudo no que se refere ao custo de vida, poder de compra e acesso ao crédito.

• Impostos: 57% acreditam que haverá aumento, 2 pontos percentuais a mais que em dezembro (55%).

• Taxa de juros: 48% acreditam que vai aumentar, 2 pontos percentuais a mais que em dezembro (46%).

• Inflação e custo de vida: 55% apostam em aumento, 9 pontos percentuais a mais que em dezembro (46%).

• Acesso ao crédito: caiu de 43% para 39% a parcela que acha que o acesso ao crédito vai aumentar, e de 29% para 34% o contingente que acha que ficará igual. Outros 21% acham que vai diminuir, 2 pontos percentuais a menos que em dezembro (23%).

• Poder de compra: recuo de 39% para 35% no contingente que acredita que haverá aumento; e incremento de 34% para 38% dos que apostam em queda.

• Desemprego: mantêm-se em 34% o porcentual que acredita que o desemprego vai aumentar; passou de 23% para 31% o contingente dos que opinam que ficará estável; e recuo de 39% para 32% o montante que acha que o desemprego vai diminuir.

• Salários: pela primeira vez no RADAR, 51% creem que esse item não sofrerá alterações. Os que acreditam em aumento somam 34%, ao passo que 13% apostam que haverá diminuição.

• Bolsa Família: também pela primeira vez no Radar, 55% acreditam que o Bolsa Família não sofrerá alterações. Esse número sobe para 60% entre os que têm nível superior.

PRIORIDADES DA POPULAÇÃO

Disputam o primeiro lugar como áreas prioritárias para receber mais atenção do Governo:

✓ Emprego e Renda: menções recuaram de 32% para 29% no período da pesquisa;

✓ Saúde: menções saltaram de 26% para 29% entre dezembro e fevereiro, alcançando “Emprego e Renda”;

✓ Educação: manteve 12% das menções;
✓ Fome e Pobreza: citações sofreram recuo de 2 pontos percentuais, saindo de 6% para 4% em fevereiro;
✓ Segurança: citações subiram de 6% para 8%, um provável efeito das

notícias sobre fuga de presos, especialmente no público de maior renda;

  • ✓  Inflação e Custo de Vida: subiu de 6% em dezembro para 9% em fevereiro;
  • ✓  Meio ambiente: caiu de 4% para 3% em fevereiro;
  • ✓  Corrupção: manteve o mesmo percentual de dezembro (3%);
  • ✓  Reforma Tributária, Infraestrutura e Políticas de Incentivo ao crédito:seguem nos últimos lugares do ranking de prioridades, com 2% ou menos das menções.DESEJOS DA POPULAÇÃOQuase metade dos brasileiros (48%) investiria em moradia (comprar: 30%; reformar:18%) caso tivesse recursos para isso. Em seguida, se houvesse sobras no orçamento, 47% aplicariam o dinheiro no banco (poupança: 20%; outros: 27%)Investimentos em educação pessoal ou da família vêm na sequência, com 18%.
  • ➢  A vontade de viajar manteve-se em 15%, marcando a 5a posição no ranking;
  • ➢  O desejo de comprar carro teve oscilação de 11% em dezembro para 9% em fevereiro, sem grandes variações por estratos sociodemográficos;
  • ➢  Fazer ou melhorar o plano de saúde: oscilou de 8% para 10%, comdiferenças pouco expressivas por segmentos sociodemográficos;
  • ➢  Comprar eletrodomésticos e/ou eletrônicos: oscilação negativa de umponto, indo de 8% para 7% das menções;
  • ➢  Comprar moto e fazer seguro de carro, casa, vida e/ou outros: essesdois itens mantiveram-se empatados com 2%, sem diferenças significativas por segmentos.ENDIVIDAMENTO E O DESENROLAA perspectiva de diminuição do endividamento pessoal cresce de forma discreta, mas regular, desde outubro de 2023, quando registrava 41%, oscilando para 42% em dezembro e 43% nesta rodada do RADAR.Cerca de um ano após o lançamento do Desenrola, quase 8 em cada dez brasileiros (79%) conhecem o Programa, o que representa um avanço de 4 pontos percentuais em relação a dezembro (75%) e de 26 pontos percentuais comparativamente a fevereiro de 2023. O conhecimento do Desenrola fica abaixo de 70% apenas entre os jovens de 18 a 24 anos (64%).A pesquisa também levantou que 66% dos brasileiros expressam interesse em participar do Programa ou já aderiram, recuo de 7 pontos percentuais em relação a dezembro (73%).

CELULAR SEGURO

O programa tem elevada avaliação positiva, sendo conhecido por mais da metade da população (57%) e avaliado como ótimo ou bom por 72%. Quarenta por centro ainda desconhece quais são as instituições parceiras do Celular Seguro.

PIX E FIM DO DOC

Cerca de 9 em cada 10 entrevistados (92%) utilizaram o PIX como meio de pagamento, o que representa um avanço de 15 pontos percentuais comparativamente a abril de 2023. A opinião favorável sobre o serviço ultrapassa 90% em todos os públicos e regiões. Já o fim do DOC é desconhecido de 56% dos entrevistados. Dentre os que conhecem o fim do serviço, 75% afirmam que já não o utilizava, razão pela qual a aprovação pelo fim do DOC tem ampla aprovação (55%).

GOLPES E TENTATIVAS DE GOLPES

O percentual de brasileiros que dizem ter sido vítimas de golpes ou tentativas de golpes (36%) recuou 2 pontos percentuais em relação a dezembro (38%). Lideram o ranking de golpes mais recorrentes:

  • Clonagem ou troca de cartão (44%);
  • Golpe da central falsa (32%);
  • Pedido de dinheiro por suposto conhecido por meio de WhatsApp(31%).O reconhecimento pela população da importância da ação dos bancos na divulgação e orientação sobre golpes cresceu, segundo a mais recente PESQUISA RADAR: 92% consideram as ações de conscientização importante + muito importantes, oscilação de um ponto percentual em relação a dezembro (91%).Também subiu de 67% para 69% (maior percentual da série histórica) o contingente que lembra ter recebido materiais de instituições bancárias e outras entidades sobre o tema.***

A íntegra do levantamento de dezembro do Febraban – Federação Brasileira de Bancos

RADAR FEBRABAN, pesquisa. FEBRABAN News-IPESPE pode ser acessada neste link

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Barômetro do poder: Reoneração deve cair projetam analistas

Dos principais pontos tratados na medida provisória, especialistas consultados pelo InfoMoney acreditam que a limitação para o uso da compensação para créditos tributários é o mais fácil de ser aprovado

Primeiro foco de atrito entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso Nacional em 2024, a medida provisória que trata da reoneração da folha de pagamentos (MPV 1202/2023) não deve ser devolvida ao Poder Executivo, mas a mudança nas regras para a contribuição previdenciária patronal corre riscos de ficar pelo caminho durante sua tramitação.

É o que esperam analistas políticos consultados pela 52ª edição do Barômetro do Poder, levantamento feito mensalmente pelo InfoMoney com consultorias e analistas independentes sobre alguns dos principais temas em discussão na política nacional.

O estudo, realizado entre os dias 17 e 22 de janeiro, mostra que 82% dos especialistas consultados avaliam como pouco provável a devolução sumária da medida provisória pelo presidente do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Outros 18% consideram moderada a chance para o texto retornar ao Palácio do Planalto.

Por outro lado, utilizando o mesmo instrumento de medida, a probabilidade apontada pelos especialistas de o Congresso Nacional aprovar a reoneração gradual da folha de pagamentos a setores específicos da economia, revogando lei promulgada pelo Legislativo no fim do ano passado, é de 2,55. Apenas 18% consideram boas as chances de êxito para o governo neste embate, enquanto 54% pensam o contrário.

Em 2023, o Legislativo aprovou um projeto de lei que prorrogou até dezembro de 2027 um benefício fiscal sobre a contribuição patronal de empresas de 17 setores específicos da economia e ainda reduziu a alíquota da contribuição previdenciária paga por municípios de até 142 mil habitantes. O texto foi vetado por Lula, que alegou inconstitucionalidade da matéria por não prever mecanismos de compensação para a frustração de receitas, mas o dispositivo acabou derrubado pelos parlamentares.

Poucas semanas depois da derrota, o Poder Executivo editou uma medida provisória (MPV 1202/2023) revogando a lei aprovada e criando uma nova regra para a cota patronal paga por empresas de determinados setores − em um movimento de reoneração gradual da folha de pagamentos. A matéria também revogava o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado no contexto da pandemia de Covid-19, e impunha uma limitação para a compensação anual de créditos decorrentes de decisões judiciais.

Tal movimento foi interpretado por parlamentares como uma afronta à decisão tomada por duas vezes pelas casas legislativas. Por outro lado, o governo federal alega que a MPV representa uma alternativa à judicialização (a avaliação no Palácio do Planalto é que, caso a questão seja levada para o Poder Judiciário, são altas as chances de vitória, apesar dos esperados efeitos colaterais sobre a relação com o parlamento).

Dos principais pontos abordados pela medida provisória, os analistas políticos consultados pelo Barômetro do Poder consideram a limitação para o uso da compensação para créditos tributários o mais fácil de ser aprovado (média 3,45 na escala de 1 a 5). Neste caso, 45% dos entrevistados veem boas perspectivas de aprovação, enquanto 55%, cenário moderado.

Já no caso da revogação do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), com a aplicação gradual dos impostos (CSLL, PIS/Pasep e Cofins a partir de abril de 2024, e do IRPJ em 2025), 55% consideram elevadas as chances de aprovação no Congresso, contra 18% que veem dificuldades. Naquela escala de 1 a 5, a probabilidade média atribuída para a aprovação deste ponto do texto ficou em 3,36.

Vale ressaltar que o levantamento, por ter sido realizado entre os dias 17 e 22 de janeiro, não capturou os efeitos das críticas feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sobre o assunto.

Esta edição do Barômetro do Poder ouviu 7 consultorias políticas – Ágora Assuntos Políticos; Control Risks; Eurasia Group; Medley Global Advisors; Prospectiva Consultoria; Tendências Consultoria Integrada; e Warren Rena – e 4 analistas independentes – Antonio Lavareda (Ipespe); Carlos Melo (Insper); Rogério Schmitt (Espaço Democrático) e Thomas Traumann (Traumann Consultoria).

Conforme combinado previamente com os participantes, os resultados são divulgados apenas de forma agregada, sendo mantido o anonimato das respostas.

Pequeno, mas crescente

Os Estados Unidos têm sido abençoados há muito tempo com uma relação civil-militar que é um modelo de estabilidade democrática e cívica. Contudo, o extremismo nas fileiras parece crescer – e é perigoso.

Por Tom Nichols no The Atlantic (Boston-USA) em 4 de janeiro de 2024 – Foto: Pexels

No mês passado, o Departamento de Defesa dos EUA finalmente divulgou um relatório sobre o extremismo nas forças armadas americanas, após um longo atraso. O secretário da Defesa, Lloyd Austin, encomendou o estudo no início de 2021, quatro meses após a insurreição de 6 de janeiro no Capitólio, e o Instituto de Análises de Defesa (IDA), concluiu o seu trabalho na primavera de 2022 – mas o relatório ficou sem publicação por mais de um ano.

O estudo não teve exatamente o efeito de uma bomba. Confirmou o que muitos observadores militares – incluindo eu, com base em décadas de ensino de oficiais militares – já sabiam: que o extremismo político nas forças armadas dos EUA é raro, mas está crescendo. Esta é a boa notícia, mas como observa o relatório, o problema não tem de ser grande para ser letal: “A participação em atividades extremistas violentas, mesmo de um pequeno número de indivíduos com ligações militares e treino militar… pode representar um risco para os militares e para o país como um todo”. 

Os analistas do IDA tiveram como base os dados existentes para tirar uma ideia do atual estado de extremismo nas forças armadas. Eles tentaram rastrear indicadores como militares que defendem a derrubada do governo dos EUA, expressando interesse na violência política e até apoiando o terrorismo. A advertência aplicada pelo IDA às suas conclusões provavelmente pretendiam ser tranquilizadoras, mas na verdade é profundamente preocupante: O estudo não encontrou provas de que o número de extremistas violentos nas forças armadas seja desproporcional ao número de extremistas violentos nos Estados Unidos como um todo, embora haja alguma indicação de que a taxa de participação de antigos militares seja ligeiramente mais elevada e possa ser crescente.

O IDA acrescentou então esta nota de rodapé cuidadosa, mas extremamente importante: “Não parece ser possível comparar as taxas de participação militar e civil para formas não violentas de atividades extremistas que são proibidas aos militares, porque estas formas de conduta não são proibidas à população civil”.

Em outras palavras: as evidências sugerem que os militares não têm maior probabilidade de serem extremistas do que outros cidadãos, mas não temos uma boa base para comparar os dois grupos porque os civis podem aderir abertamente a organizações extremistas de direita e expressar sentimentos racistas. E pontos de vista extremistas, enquanto os militares sabem que há coisas que não podem fazer ou dizer em público.

Esta advertência mina necessariamente a confiança na conclusão de que os militares não são mais propensos ao extremismo do que o público em geral. Mas não deveria ser nenhum conforto pensar que as taxas de extremismo entre civis e militares são as mesmas, porque uma parte considerável da população está a tornar-se mais extremista. As forças armadas não deveriam ser um espelho exato da sociedade; como portadores das armas da nação, os seus membros devem ser melhores do que os seus homólogos civis, pelo menos em termos de autodisciplina e consciência do requisito supremo de lealdade à Constituição.

Da mesma forma, embora os militares sejam provenientes da população em geral, a verificação e a formação iniciais devem excluir as pessoas que não pertencem às forças armadas por várias razões. Os militares impõem padrões físicos e mentais e, em teoria, também examinam as pessoas quanto a compromissos ideológicos perigosos. Se houver extremistas nas forças armadas na mesma proporção que na população, o sistema falha nesta tarefa básica.

Os militares também não parecem capazes de detectar o extremismo que está a fermentar entre o seu pessoal. Um estudo da Rand (a Rand Corporation oferece pesquisa e análise às Forças Armadas dos Estados Unidos) observou que os grupos extremistas têm como alvo o recrutamento de veteranos, a fim de obterem a sua formação e experiência, o que significa que mesmo um número pequeno pode representar perigos descomunais. Bob Pape, professor da Universidade de Chicago, estudou os antecedentes dos rebeldes de 6 de janeiro e apontou que os veteranos estavam sobrerrepresentados entre os manifestantes “mesmo quando se levam em conta as diferenças de gênero e idade entre os veteranos e a população em geral”.

O Pentágono está preocupado com tudo isto, mas também com o que poderá acontecer se os líderes militares fizerem esforços para investigar o problema mais profundamente. Por um lado, os americanos precisam saber quantos extremistas estão abrigados nas fileiras militares. Por outro lado, os esforços para encontrá-los e expulsá-los podem causar profunda divisão. O relatório do IDA alertou explicitamente que tais perigos, especialmente se alguns militares acreditam que serão injustamente “visados pelas suas opiniões”, poderiam criar uma situação em que “o risco para os militares da polarização generalizada e da divisão nas fileiras pode ser maior do que a radicalização de alguns militares.”

Embora seja verdade que uma varredura macarthista ao estilo dos anos 1950 – desta vez em busca de extremistas de direita em vez dos de esquerda – através dos militares provavelmente seria contraproducente, não está claro, pelo menos para mim, o que o IDA quer dizer com “risco” (O instituto não emitiu até agora qualquer declaração adicional sobre o seu relatório).

Teria ofendido ou “dividido” as pessoas, por exemplo, se alguém tivesse falado antes sobre Jack Teixeira, o membro da Guarda Aérea Nacional de Massachusetts cuja alegada disseminação de material classificado parece ter sido precedida por todo o tipo de comportamento de alerta? A atividade de Teixeira nas redes sociais supostamente incluía comentários racistas e extremistas e um fascínio por sangue e violência, desde o ensino médio. Verificar os antecedentes de homens e mulheres jovens para eliminar tais recrutas seria “polarizador”?

Pouco depois da insurreição de 6 de Janeiro, os militares fizeram um esforço tímido para enfrentar o extremismo com uma “retirada”, na qual foi pedido às unidades que suspendessem o trabalho por um dia para que o pessoal do Departamento de Defesa pudesse assistir a palestras e apresentações, todas elas que equivalia a: o extremismo é mau. A própria retirada foi um sinal de ansiedade; o currículo do Departamento de Defesa dado aos treinadores para o evento observou “um aumento no comportamento preocupante”, bem como “um aumento na denúncia de comportamento suspeito”.

Os legisladores conservadores consideraram o exercício ainda mais “despertador” nas forças armadas, mas tais afirmações são absurdas. Eu ainda era funcionário do Departamento de Defesa na época e, como participante da suspensão, posso dizer que não houve nada de errado com isso. Na verdade, lembro-me de pouca substância. A coisa toda, como um soldado que disse mais tarde ao Military Times, foi “um e pronto”, um exercício de verificação de caixa que quase não deixou impressão na instituição.

Tais respostas não são suficientes. Por enquanto ninguém no Pentágono sabe realmente como medir o extremismo, ou o que fazer a respeito, em parte porque (como admitiram os analistas do IDA) muitos relatos de comportamento extremista, como a atividade da supremacia branca, são encobertos pelos militares antes que eles possam chegar às cortes marciais ou a outros locais públicos. Os militares tendem a lidar com essas questões nos níveis mais baixos possíveis antes de se tornarem casos importantes, o que significa que estamos a olhar para a ponta de um iceberg. Quanto perigo aguarda abaixo da linha d’água ainda não está claro.

O sistema militar americano tem de mudar. Os procedimentos de triagem e segurança ainda estão enraizados numa mentalidade da Guerra Fria sobre lealdades estrangeiras e chantagem – que são ameaças reais – mas o sistema é lamentavelmente inadequado na identificação de extremistas de direita, impedindo a sua entrada nas forças armadas, negando-lhes autorizações que não deveriam segurar e expulsá-los quando descobertos.Felizmente, o problema do extremismo nas forças armadas ainda é pequeno. O Departamento de Defesa está determinado e é capaz o suficiente para manter as coisas assim?

Texto original no The Atlantic, mas é necessário fazer a assinatura do veículo