Lavareda discute sobre o Brasil pós eleições

O cientista político Antonio Lavareda e o economista Ricardo Amorim são palestrantes convidados do Grupo CCR, nesta quarta-feira (12), em São Paulo, para falar sobre o cenário econômico e político do nosso país. A plateia será formada por colaboradores da empresa, que é referência internacional em concessão de rodovias, mobilidade urbana, aeroportos e serviços.

Se esperava que rejeição a Bolsonaro caísse após facada, diz Lavareda

O cientista político analisou os números da pesquisa Datafolha onde o candidato Jair Bolsonaro aparece com 24% das intenções de voto. Quatro candidatos estão empatados em segundo lugar, no limite da margem de erro

Apesar de Jair Bolsonaro ter crescido dois pontos e chagado a 24% na última pesquisa de intenções de voto, divulgada pelo Datafolha na noite dessa segunda-feira (10), a rejeição a ele impressiona. Entre os pesquisados, 43% rejeitam o candidato, mesmo após ele ter sido atacado com uma facada na última quinta-feira (6). De acordo com o cientista político Antônio Lavareda, se esperava que a rejeição a ele caísse. "Isso mostra que a rejeição a Bolsonaro está consolidada entre as mulheres e os leitores mais pobres", diz. "Eu esperava que ele crescesse uns 3 pontos percentuais e queda na rejeição, mas a rejeição a ele se mostrou surpreendente", completa.

O cientista político ainda analisou o discurso de Marina Silva e a dificuldade de crescimento da candidata nestas eleições. "Há duas forças que tracionam e começam a subtrair o eleitorado da ex-senadora:  o voto de classe, quando vai perdendo voto para Haddad, e o voto evangélico, onde ele disputa eleitorado com Bolsonaro, basicamente", diz. Ouça a entrevista completa:

A pesquisa, com margem de erro de 2%, apresenta quatro candidatos empatados em segundo lugar, no limite da margem de erro. Para o cientista político, o brasileiro dá muito valor à margem de erro, coisa que não acontece nos Estados Unidos, por exemplo. Lavareda afirma ainda que os crescimentos ou queda de cada candidato precisam ser avaliados em relação ao momento político e comparando instituto por instituto, candidato com candidato.

Pesquisa

O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) atingiu 24% das intenções de voto em pesquisa divulgada hoje (10) pelo Instituto Datafolha. Ciro Gomes (PDT) teve 13% das preferências; Marina Silva (Rede), 11%; Geraldo Alckmin (PSDB), 11% e Fernando Haddad (PT), 9%.

De acordo com a pesquisa, Ciro tem 13%, Marina, 11%; Alckmin, 10%; e Haddad, 9%. Eles estão tecnicamente empatados, conforme margem de erro de dois pontos percentuais que pode oscilar para baixo ou para cima. A margem de pesquisa divulgada pelo Datafolha é de 95%.

Álvaro Dias (Pode) foi indicado por 3% dos eleitores entrevistados, o mesmo percentual de João Amoêdo (Novo) e de Henrique Meirelles (PMDB). Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU) e Cabo Daciolo (Patri) pontuaram com 1%. João Goulart Filho (PPL) e José Maria Eymael (DC) não pontuaram. Os brancos e nulos somaram 15% e não responderam ou não quiseram responder 7%. 

Essa foi a primeira pesquisa do Datafolha após o ataque a faca contra Jair Bolsonaro, ocorrido na última quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG). É o primeiro levantamento que exclui o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR) desde abril. Não foram divulgados resultados de intenção espontânea de voto.

Na comparação com a pesquisa de opinião realizada pelo Datafolha em 20 e 21 de agosto, Bolsonaro cresceu 2 pontos percentuais (p.p); Ciro, 3 p.p; Alckmin, 1 p.p. e Haddad 5 p.p. Marina Silva caiu 5 p.p. As oscilações de Bolsonaro e Alckmin estão dentro da margem de erro.

Entre os dois levantamentos, caiu em 7 p.p o número de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo. Subiu em 1 p.p o número de entrevistarados que não quiseram ou não souberam responder.

A pesquisa atual ouviu nesta segunda-feira 2.804 pessoas em 197 municípios. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e o jornal Folha de S.Paulo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR 02376/2018.

Rejeição

O candidato Jair Bolsonaro tem a maior taxa de rejeição, 43%. Marina Silva tem 29%; Geraldo Alckmin, 24%; Fernando Haddad, 22%; e Ciro, 20%.

Os demais resultados são: Cabo Daciolo, 19%; Vera Lúcia, 19%; Eymael, 18%; Guilherme Boulos, 17%; Henrique Meirelles, 17%; João Goulart Filho, 15%; João Amôedo, 15%; e Alvaro Dias, 14%. 

Cinco por cento dos eleitores entrevistados admitem que não votam em nenhum dos candidatos e dois por cento dizem que não votariam em ninguém. Seis por cento declararam não saber.

2º Turno

O Datafolha fez simulações de 2º turno entre os candidatos.  Nos cenários em que Jair Bolsonaro aparece disputando com outro candidato, Bolsonaro perde em todas as simulações: 39% para Haddad e 38% para Bolsonaro (20% branco e 3% nulo), 43% para Marina e 37% para Bolsonaro (18% branco e 2% nulo), 43% para Alckmin e 34% para Bolsonaro (20% branco e 3% nulo), 45% para Ciro e 35% para Bolsonaro (17% branco e 3% nulo).

O Datafolha ainda testou cenários de 2º turno sem o candidato do PSL. Ciro (39%) venceria Alckmin (35%), tendo 23% branco e 3% nulo; Marina (38%) superaria Alckmin (37%) tendo 23% branco e 2% nulo; Ciro (41%) ganharia de Marina (35%) tendo 22% branco e 2% nulo; Marina (38%) superaria Alckmin (37%); assim como venceria disputa com Haddad, 42% contra 31% (25% branco e 3% nulo). Geraldo Alckmin (42%) venceria disputa com Fernando Haddad (29%), tendo 25% branco e 3% nulo.

 

Ouça a entrevista em: http://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2018/09/11/se-esperava-que-rejeicao-a-bolsonaro-caisse-apos-facada-diz-lavareda-60731

 

Tristeza embala o voto do brasileiro nas eleições 2018


LUCIANA LIMA

Pesquisas e medições nas redes identificam o inédito mau humor dos eleitores. Após o atentado contra Bolsonaro, raiva cresce

 

Voto consciente, racional. Embora a prudência ordene uma decisão pensada à luz da razão, as reações emocionais estão especialmente presentes no voto, não só do brasileiro, mas nas democracias mais consolidadas do mundo. As campanhas sabem disso e, como podem, estimulam e se defendem dos sentimentos que influenciam a definição do voto.

Em especial nestas eleições, a tristeza é um dos sentimentos mais identificados pelas pesquisas qualitativas e nos comentários das redes sociais sobre os candidatos à Presidência da República. Esse é um fato inédito em pleitos desde a redemocratização. Campanhas anteriores, mesmo as que ocorreram em clima de crise econômica, contaram com o entusiasmo do eleitor, que votou com uma boa dose de esperança em seus candidatos.

“Apesar de o brasileiro manter a esperança e a confiança, ele está triste e com medo”, analisou o doutor em comunicação social Sérgio Denicoli, diretor da AP/Exata, empresa especializada em análise de dados nas redes sociais e que, desde maio deste ano, tem acompanhado a evolução dos sentimentos presentes em postagens no Twitter sobre os presidenciáveis.

A empresa acompanhou uma amostra de 58.812 tweets geolocalizados, publicados a partir de 145 cidades, de todos os estados do Brasil. São oito sentimentos básicos monitorados nas performances das hashtags: raiva, previsibilidade, desgosto, medo, alegria, tristeza, surpresa e confiança. O mesmo método foi utilizado nas duas últimas eleições norte-americanas, seguindo a teoria de Robert Plutchik. O estudo baseou a elaboração do algoritmo de medição de emoções nas redes.

Atentado contra Bolsonaro
O termômetro das emoções nas redes sociais reagiu de forma imediata na última quinta-feira (6/9), nas duas horas que sucederam o ataque ao candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). Ele cumpria agenda de campanha na cidade mineira de Juiz de Fora e foi esfaqueado.

Esse foi um raro momento em que o sentimento de raiva superou o sentimento de tristeza, o qual também subiu de forma bastante contundente. Além disso, o medo aumentou bastante em poucas horas.

Confira a evolução das emoções detectadas no gráfico abaixo. O atentado acontece no momento em que o gráfico marca -2:

A confiança – que nas últimas semanas tem sido o sentimento mais predominante já que quem fala sobre o candidato nas redes é, em geral, apoiador de determinado nome – caiu drasticamente, sendo superada pela raiva. “Houve um claro sentimento de revolta”, identificou Denicoli.

Presidenciáveis
Ao longo dos últimos quatro meses, no entanto, as emoções mais presentes nas postagens que falam dos presidenciáveis foram mapeadas. O grosso dessas publicações é de apoiadores. Isso explica, na visão de Denicoli, o alto índice de confiança, identificado pelo levantamento, nos presidenciáveis citados nos posts.

Excluindo o fator confiança, já que os posts são feitos por apoiadores, os sentimentos presentes são bastante negativos. É necessário observar que os sentimentos não se referem aos candidatos citados, mas a qualquer fato ou pessoa.

 

Voto consciente, racional. Embora a prudência ordene uma decisão pensada à luz da razão, as reações emocionais estão especialmente presentes no voto, não só do brasileiro, mas nas democracias mais consolidadas do mundo. As campanhas sabem disso e, como podem, estimulam e se defendem dos sentimentos que influenciam a definição do voto.

Em especial nestas eleições, a tristeza é um dos sentimentos mais identificados pelas pesquisas qualitativas e nos comentários das redes sociais sobre os candidatos à Presidência da República. Esse é um fato inédito em pleitos desde a redemocratização. Campanhas anteriores, mesmo as que ocorreram em clima de crise econômica, contaram com o entusiasmo do eleitor, que votou com uma boa dose de esperança em seus candidatos.

 

“Apesar de o brasileiro manter a esperança e a confiança, ele está triste e com medo”, analisou o doutor em comunicação social Sérgio Denicoli, diretor da AP/Exata, empresa especializada em análise de dados nas redes sociais e que, desde maio deste ano, tem acompanhado a evolução dos sentimentos presentes em postagens no Twitter sobre os presidenciáveis.

A empresa acompanhou uma amostra de 58.812 tweets geolocalizados, publicados a partir de 145 cidades, de todos os estados do Brasil. São oito sentimentos básicos monitorados nas performances das hashtags: raiva, previsibilidade, desgosto, medo, alegria, tristeza, surpresa e confiança. O mesmo método foi utilizado nas duas últimas eleições norte-americanas, seguindo a teoria de Robert Plutchik. O estudo baseou a elaboração do algoritmo de medição de emoções nas redes.

Atentado contra Bolsonaro
O termômetro das emoções nas redes sociais reagiu de forma imediata na última quinta-feira (6/9), nas duas horas que sucederam o ataque ao candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). Ele cumpria agenda de campanha na cidade mineira de Juiz de Fora e foi esfaqueado.

Esse foi um raro momento em que o sentimento de raiva superou o sentimento de tristeza, o qual também subiu de forma bastante contundente. Além disso, o medo aumentou bastante em poucas horas.

Confira a evolução das emoções detectadas no gráfico abaixo. O atentado acontece no momento em que o gráfico marca -2:

Fonte: AP/Exata

 

A confiança – que nas últimas semanas tem sido o sentimento mais predominante já que quem fala sobre o candidato nas redes é, em geral, apoiador de determinado nome – caiu drasticamente, sendo superada pela raiva. “Houve um claro sentimento de revolta”, identificou Denicoli.

Presidenciáveis
Ao longo dos últimos quatro meses, no entanto, as emoções mais presentes nas postagens que falam dos presidenciáveis foram mapeadas. O grosso dessas publicações é de apoiadores. Isso explica, na visão de Denicoli, o alto índice de confiança, identificado pelo levantamento, nos presidenciáveis citados nos posts.

Excluindo o fator confiança, já que os posts são feitos por apoiadores, os sentimentos presentes são bastante negativos. É necessário observar que os sentimentos não se referem aos candidatos citados, mas a qualquer fato ou pessoa.

Nas postagens feitas por apoiadores do presidenciável pelo Podemos, Alvaro Dias, o sentimento predominante é raiva (15,02%). Já em relação a Ciro Gomes, candidato do PDT, a tristeza alcançou 13,63%.

Nos posts referentes ao candidato a vice na chapa petista, Fernando Haddad, o sentimento majoritário é raiva (14,39%) e tristeza (14,31%). No caso do tucano Geraldo Alckmin, a raiva teve o maior índice nas publicações (16,28%).

As postagens que citam o candidato do PSol, Guilherme Boulos, são motivados principalmente por tristeza (16,32%). Já em relação a Henrique Meirelles, o sentimento maior é medo (12,01%).

As interações citando o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, são motivadas principalmente por tristeza (14,99%) e raiva (14,80%). João Amoedo, do partido Novo, suscitou postagens com predominância de tristeza (13,37%) e Marina Silva motivou posts preferencialmente pautados pelo medo (15,52%).

Já as publicações que citam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve sua candidatura negada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada, foram permeadas principalmente pelo medo (16,50%).

Julgamento
Até o atentado a Bolsonaro, outro fator bastante observado foi a questão da previsibilidade. Ou seja, ninguém verdadeiramente se surpreendeu com o fato político relacionado com a campanha, apesar de seu caráter inusitado, com um ex-presidente preso, lutando para disputar as eleições.

Na sexta-feira (31/8), durante o julgamento do TSE que barrou o registro de candidatura de Lula, confiança, tristeza, medo e raiva foram predominantes na rede social. Esses sentimentos estiveram bastante presentes nas postagens associadas às hashtags que mais se destacaram sobre o assunto. São elas: #Lula, #PauNoCudaOnu, #LulaInelegível, #LulaLivre, #LulaNasUrnasTSE, #LulaPresidente e #SemLulaECiro.

Enquanto o sentimento de raiva mobilizou nas redes os adeptos da comunidade formada em torno dos termos #LulaLivre, #LulaNasUrnasTSE e #LulaPresidente, a tristeza esteve bastante presente, por motivos opostos nos posts que utilizaram as hashtags #PauNoCuDaONU e #LulaInelegível. Uma lamentou a intervenção do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) no processo. A outra, o fato de Lula não poder ser candidato seguindo a recomendação expedida pelo órgão internacional.

Já o sentimento de surpresa foi o menos presente no estudo. Os internautas já esperavam o impedimento de Lula. Mesmo entre os defensores do ex-presidente que utilizaram a hashtag #LulaLivre, surpresa esteve presente em apenas 7% dos tweets.

“Arame farpado”
Para o cientista político Antônio Lavareda, especialista em comportamento eleitoral e marketing político, as emoções passaram a ser expressas nas redes sociais de forma bastante explícita, fazendo com que esse ambiente virtual assumisse um papel de “rede de arame farpado”.

“As pessoas deveriam investir em entender o porquê de se comportarem de determinada forma. Saber como reagem a determinado estímulo é fácil. Difícil é entender os motivos”, observou. Lavareda afasta o mito da escolha racional nas eleições. “Isso já foi afastado pela economia e também não funciona para a política”, atestou.

Para o cientista político, o sentimento de tristeza está presente de forma bastante particular nestas eleições. Em estudo realizado em junho pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) para a XP Investimentos, ele identificou dois grupos de sentimentos presentes entre os eleitores.

O primeiro contingente, o maior grupo identificado, é motivado por sentimentos chamados aversivos ou negativos. O método desenvolvido pelo Ipespe inclui nesse grupo emoções como preocupação, indignação ou raiva, e medo. “No segundo grupo, bem menor, estão os esperançosos”, observou Lavareda. Fazem parte do segundo sentimentos positivos a esperança, o orgulho, a alegria e o entusiasmo.

“Se acrescentarmos a tristeza ao primeiro grupo, podemos observar que ele abrange 83% dos entrevistados. Já os sentimentos mais positivos passam a somar 14%”, destacou.

Crises sobrepostas
Segundo Lavareda, esse estado emocional vigente deve-se, principalmente, às sobreposições de crises nos últimos anos. “Estas eleições ocorrem sob um signo de emoções eminentemente negativas. Isso é uma coisa inédita no Brasil.”

Estamos em um período de sucessivas crises, de ordem econômica, fiscal e ética. Tivemos ainda uma crise de instituições, o confronto entre os Poderes do Estado, entre o Judiciário e o Congresso, entre o Congresso e o Executivo, entre o Executivo e o Judiciário. Tivemos o episódio do impeachment. Ou seja, temos todo glossário de crises se sobrepondo nos últimos anos e gerando tristeza, indignação e muita raiva"

Antônio Lavareda, cientista político especializado em marketing digital

O cenário atual, no entanto, é bem diferente do que se desenhou em 1989, quando o país atravessava crise econômica severa e de representação política, mas estava prestes a realizar a primeira eleição após a redemocratização.

“Se observarmos a eleição de 1989, havia um cenário de crise econômica e de representação. No entanto, havia um entusiasmo. Os partidos não fizeram coligações para o primeiro turno. Praticamente todos as legendas lançaram nomes para a disputa ao Palácio do Planalto. Foi um ano de grande alegria, apesar das crises”, enfatizou Lavareda.

Em junho, o estudo ouviu 1,2 mil  eleitores. Na amostragem, 83% dos pesquisados declararam ter emoções negativas; enquanto apenas 14% estariam imbuídos de sentimentos positivos. Outros 3% não quiseram ou não souberam responder.

No grupo de sentimentos negativos, os entrevistados responderam da seguinte forma: preocupação (33%), indignação ou raiva (27%), tristeza (12%) e medo (11%). Já entre as emoções positivas houve a esperança (12%), orgulho (1%) e alegria (1%). Entusiasmo não atingiu 1% das menções.

Emoção nos slogans de campanha
A análise das emoções é instrumento bastante utilizado pelas campanhas na definição de suas estratégias. Não é de forma gratuita que, em 1989, a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu como slogan a frase “Sem Medo de Ser Feliz”. O mote começou a mudar a imagem do operário, que metia medo na classe alta e média por seu passado sindicalista. Foi o início de uma construção que culminou com a chegada de Lula ao poder, em 2003.

Em 2002, o “Lulinha Paz e Amor” conseguiu encarnar a felicidade pretendida pelo eleitorado brasileiro no início da década de 2000, com um tom muito menos agressivo do que a sua imagem comunicava na década de 1980.

Neste ano, as candidaturas apostam em sentimentos negativos. Para Lavareda, o voto no candidato Bolsonaro é bastante motivado pelo sentimento de raiva e indignação. A indignação é ainda bastante explorada por Alvaro Dias.

A campanha de Lula também insiste na indignação diante de um ex-presidente vitimado, enquanto os candidatos Marina Silva e Ciro Gomes apostam em emoções como preocupação e ansiedade.

“É claro que nenhum dos candidatos desperta ou provoca somente um tipo de emoção. Os sentimentos afloram como na gente. Ora estamos indignados, ora preocupados”, ressalvou Lavareda. O pesquisador é defensor do “modelo de inteligência afetiva”, explicitado em seu livro Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais, o qual ele usa como referência campanhas vitoriosas, como a de Barack Obama, nos Estados Unidos, as de Lula, em 2002 e 2006, e de Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998.

 

 

 

 

“Datafolha deve mostrar crescimento de Bolsonaro, mas longe de vitória no 1º turno”, afirma Mônica Bergamo

A pesquisa do Instituto Datafolha vai revelar logo mais o impacto do ataque ao candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro. De acordo com a nossa colunista Mônica Bergamo, a expectativa é muito grande entre os analistas das campanhas dos presidenciáveis.

Segundo o nosso colunista Antônio Lavareda, que analisa as pesquisas aqui para a Band e que costuma acertar 10 em cada 10 previsões, a expectativa é que o levantamento deve mostrar, no mínimo, a consolidação dos votos em Bolsonaro.

O candidato tinha 22% de intenção de votos e é previsível o crescimento de até quatro pontos porcentuais. A previsão é reforçada por sondagens que começaram a circular pela manhã, porém, o crescimento está longe de dar a vitória ao candidato no primeiro turno.

Conforme Mônica Bergamo, o maior medo dos outros candidatos é que o noticiário espontâneo focado em Bolsonaro sufoque os demais presidenciáveis. Outro dilema é como seguir fazendo críticas ao candidato do PSL após o ataque.

 

Lavareda participa da Abrafarma Future Trends

Postado por Magno Martins às 15:00

 

Além de comentar as pesquisas da corrida eleitoral para a Band TV (Índice Band), ancorar os programas ‘Ponto a Ponto’ na Band News, ‘20 minutos’ na TV Jornal, o cientista político Antônio Lavareda vem atendendo também convites para palestras sobre o quadro político nacional país afora.

Lavareda integrará, ao lado de palestrantes nacionais e internacionais, o painel de encerramento do ‘Abrafarma Future Trends’, realizado em São Paulo, amanhã e quarta-feira, sobre Eleições 2018. O tema do evento é ‘A Hora da Verdade e o Futuro do Brasil’.

‘Abrafarma Future Trends’ é o mais importante evento do varejo farmacêutico do país e reunirá os principais executivos da cadeia.

Eleições 2018 na tv: campanha começa hoje

A partir de hoje, os 12 candidatos ao governo de São Paulo começam a exibir seus programas no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, em dois blocos de nove minutos cada. Enquanto alguns têm mais de dois minutos em cada bloco, outros vão aparecer apenas quatro segundos nos programas que vão ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras.

E, mesmo com a importância e engajamento das redes sociais, o cientista político Antônio Lavareda considera o horário eleitoral gratuito um “fator decisivo” nas eleições majoritárias.

Em entrevista à BandNews, Lavareda afirmou que são nesses programas que os candidatos conseguirão detalhar suas propostas. “A corrida eleitoral teve, até aqui, um momento de relações públicas com os candidatos se apresentando.”

Mesmo assim, a tendência é que nesse primeiro programa os concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes façam mais uma apresentação de suas carreiras e realizações. Os conteúdos são guardados a sete chaves. Consultadas, nenhuma das campanhas dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas adiantou ontem nem uma informação sobre a estreia de hoje.

A importância do horário eleitoral também pode ser medida por pesquisa recente da CNT/MDA, que revelou que mais de 75% dos eleitores obtêm informações sobre os candidatos no rádio e na TV, incluindo os comerciais ao longo do dia.

Essas inserções são, na visão de Jairo Pimentel, pesquisador da FGV (Fundação Getulio Vargas), ainda mais importantes. “Ela pega de surpresa, a pessoa vai continuar vendo televisão e quem é menos interessado em política tende a ser mais influenciado por informações novas.” 

Bolsonaro vê rejeição chegar a 61% e risco de “voto útil” contrário crescer, mostra XP/Ipespe

Apesar de liderar corrida presidencial em cenários sem o ex-presidente Lula, deputado é visto como pior presidente para o Brasil por 29% dos eleitores, maior taxa entre os candidatos

Marcos Mortari, 31 ago, 2018 09h31

SÃO PAULO – A poucos dias do início da campanha no rádio e na televisão, onde deverá ser alvo de ataques e terá pouco espaço para se defender, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) mantém a liderança da corrida presidencial nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também vê sua rejeição atingir o maior nível já registrado. É o que mostra pesquisa realizada pelo Ipespe entre 27 e 29 de agosto, a 15° encomendada pela XP Investimentos. O levantamento, registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-07252/2018, ouviu 1.000 pessoas e tem margem máxima de erro de 3,2 pontos para cima ou para baixo.

Segundo a pesquisa, Bolsonaro manteve apoio de uma faixa entre 21% e 23% dos entrevistados, dependendo do cenário considerado. A maior taxa é registrada quando a candidatura de Lula não é considerada. Preso há quase cinco meses após ser condenado por unanimidade em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o petista está potencialmente inelegível em função da Lei da Ficha Limpa. Neste caso, Bolsonaro apresenta vantagem de até 10 pontos percentuais em relação ao adversário mais bem posicionado, no caso Marina Silva (Rede), com 13% das intenções de voto. A ex-senadora está tecnicamente empatada com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com 10%, e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, atual vice na chapa de Lula e cotado como o favorito para substituí-lo ao longo da disputa, aparece com 6% das intenções de voto. O patamar é o mesmo da semana passada e 1 ponto percentual abaixo da máxima registrada em meados de agosto. Nesta simulação, ele está tecnicamente empatado com o ex-senador Álvaro Dias (Podemos) e o empresário João Amoêdo (Novo), nanico considerado a grande surpresa deste momento da corrida eleitoral — só no cenário espontâneo, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, ele conta com o apoio de 3%, mesmo patamar de Alckmin, Ciro e Marina, e atrás apenas de Lula (19%) e Bolsonaro (16%). Haddad sobe para 13% quando seu nome é acompanhado da informação de que ele seria o candidato "apoiado por Lula" na disputa, ocupando, assim, a segunda colocação na corrida — 8 p.p. atrás do líder Bolsonaro. Neste caso, o petista aparece tecnicamente empatado com Ciro Gomes (10%), Marina Silva (10%) e Geraldo Alckmin (8%). Brancos, nulos e indecisos somam 28% nesta simulação. Quando Lula aparece como candidato, a taxa cai para 15%. De acordo com o levantamento, a transferência de votos de Lula a Hadad, nesta simulação, é de apenas 32%, a mesma taxa da semana anterior. Como no momento o PT tem adotado a estratégia da insistência na candidatura de Lula, os esforços na transferência de votos a Haddad ainda não se intensificaram, embora o exprefeito já tenha começado a percorrer o País para difundir as ideias da campanha petista. No partido há controvérsia sobre quando a substituição de candidatura deve ocorrer. Legalmente, o prazo para isso ocorrer é até 17 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno. Apesar de liderar a corrida presidencial nos cenários mais prováveis (sem Lula), Bolsonaro enfrenta uma crescente taxa de rejeição (confira detalhes abaixo), o que pode afetar seu desempenho em eventual disputa de segundo turno. A pesquisa XP/Ipespe também perguntou aos eleitores qual dos candidatos seria o pior presidente para o Brasil. Para 29%, a resposta seria Bolsonaro, ao passo que 23% apontam para Haddad e 9% para Marina Silva. O deputado só não é o mais indicado entre os eleitores de Alckmin e Álvaro Dias. Esta pergunta ajuda a indicar caminhos de um possível "voto útil" no primeiro turno e um efeito de veto a um candidato em eventual disputa de segundo turno.

 

Confira os cenários de primeiro turno testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos

 

Cenário 1: com Lula candidato

 

Cenário 2: com Fernando Haddad candidato pelo PT

 

Cenário 3: com Fernando Haddad, "apoiado por Lula"

 

Migração de votos de Lula: Cenário 1 para Cenário 3

 

Segundo turno

Foram testadas sete situações de segundo turno. Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria por 36% a 24%, com 40% de brancos, nulos e indecisos. A diferença chegou a ser de 16 pontos percentuais a favor do candidato do PSDB em três semanas. Em uma simulação de disputa entre Lula e Bolsonaro, o petista aparece à frente, com 45% das intenções de voto contra 34%, acima do limite máximo de margem de erro de ambos. Brancos, nulos e indecisos somam 21%. Cinco semanas atrás, a vantagem numérica de Lula era de 6 pontos, o que configurava empate técnico. No início da série histórica, o deputado aparecia 2 pontos à frente, também em situação de empate técnico, já que, pela margem de erro (3,2 p.p.), o petista poderia até superá-lo. Caso Bolsonaro e Alckmin se enfrentassem, a situação seria de empate, com ambos registrando 35% das intenções de voto. Brancos, nulos e indecisos somam 30%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio, acima do limite da margem de erro de ambos. Em nenhum momento até aqui o tucano esteve à frente, embora esta seja a segunda vez em que eles aparecem empatados numericamente. Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com a exsenadora numericamente à frente por 37% a 34%. Brancos, nulos e indecisos somam 29%. O deputado esteve numericamente à frente nos dois primeiros levantamentos da série, realizados na terceira e quarta semanas de maio, quando a diferença chegou a ser de 6 pontos percentuais, também dentro do limite da soma das margens de erro. Os dois estão tecnicamente empatados nesta simulação desde a primeira pesquisa realizada, em maio. Empate técnico também é observado na simulação de disputa entre Alckmin e Ciro, com o tucano numericamente à frente por 34% a 29%. A diferença, dentro do limite das margens de erro, é a mesma das últimas três semanas. Brancos, nulos e indecisos agora somam 37%. Na última semana de junho, os dois apareciam com 32% das intenções de voto. Já na primeira semana daquele mês, o pedetista esteve numericamente à frente por diferença de 3 pontos, único momento em que liderou, embora dentro da margem de erro. Se Bolsonaro e Ciro se enfrentassem em uma disputa de segundo turno, o cenário seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente com 34% das intenções de voto, contra 32% do parlamentar. É a primeira vez na série histórica que Ciro pontua mais nesta simulação. Brancos, nulos e indecisos agora somam 34%. Nos dois primeiros levantamentos realizados, em maio e abril, o deputado vencia a disputa com diferença superior à soma das margens de erro dos candidatos. A pesquisa também simulou um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Neste caso, o quadro também é de empate técnico, com o deputado numericamente à frente por placar de 37% a 34%. O grupo dos "não voto" soma 29%. Apesar da vantagem a favor do parlamentar, esta é a menor diferença já registrada entre ambos. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 pontos percentuais. Rejeição aos candidatos A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre os candidatos em que não votariam sob nenhuma hipótese. Pela primeira vez desde que o levantamento começou a ser feito, em maio, Bolsonaro atingiu a marca de 61% e passou a liderar numericamente o ranking, em condição de empate técnico com todos os candidatos testados, exceto Álvaro Dias, ainda desconhecido por 31% dos eleitores. Lula oscilou 2 pontos percentuais para baixo, chegando aos 58% de rejeição, ao passo que Marina Silva manteve-se na taxa de 60%, seu maior patamar. Alckmin e Ciro têm 59%, 3 pontos a mais que Haddad, ainda desconhecido por 24% dos entrevistados. A trajetória dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo: