Podcast O Assunto

Renata Lo Prete e eu conversamos sobre os sinais de recuperação de Bolsonaro

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Sempre uma ótima conversa com Renata Lo Prete. Dessa vez conversamos sobre os sinais de recuperação do presidente Bolsonaro no cenário eleitoral, com base nos números das últimas pesquisas eleitorais contextualizado pelos recentes fatos políticos nacionais e internacionais.

Em dado momento da conversa, a Renata nos perguntou de que forma o atual incumbente (presidente Bolsonaro) poderia mudar o quadro eleitoral, argumentamos que “quando falamos em economia, nós estamos falando em condições de vida efetivamente das pessoas, quase tudo das nossas vidas está vinculada a questão econômica. O padrão de vida, o poder aquisitivo, alimentação, escola dos filhos, a possibilidade de pagar ou não plano de saúde, tirar férias enfim, tudo relacionado à condição econômica das pessoas. Obviamente a condição econômica do país, em um movimento vigoroso, na percepção da população Brasileira, sobre o rumo da economia nacional pode alterar substancialmente a atual correlação de forças no cenário político”. 

Ouça aqui a íntegra do podcast no app Spotify. Neste link, você pode ouvir diretamente do G1.

Palavra de mulher

Artigo de Maria Hermínia Tavares – Professora titular aposentada de ciência política da USP e pesquisadora do Cebrap – para a Folha de S. Paulo desta quarta-feira (16/3)

Na semana passada, pelo transcurso do Dia Internacional da Mulher, o Brasil teve de se haver de novo com manifestações patéticas, típicas do clamoroso reacionarismo do presidente, dessa vez secundado pelo procurador-geral da República. Um e outro incapazes de entender o valor da igualdade de direitos entre mulheres e homens numa sociedade civilizada, muito menos os avanços na matéria nas últimas décadas.

Eis por que merece leitura atenta o “Observatório Febraban 2022 – mulheres, preconceito e violência“, que apresenta os resultados de uma sondagem com 3.000 brasileiras, esmiuçando seus pontos de vista sobre diferentes dimensões das iniquidades de gênero no país.

Embora considerem que as coisas melhoraram um pouco, oito em cada dez entrevistadas no estudo se disseram insatisfeitas com o tratamento que recebem da população —as negras mais do que as brancas, as solteiras mais do que as casadas.

Oportunidades semelhantes no mercado de trabalho e na educação; combate à violência de gênero e punição dos agressores; acesso a cargos de liderança; e o compartilhamento efetivo do trabalho doméstico são considerados indicadores de igualdade mais importantes do que a superação de normas conservadoras de conduta, maior liberdade sexual ou o direito ao aborto.

Em consequência, as manifestações mais sentidas de iniquidade são os desníveis de salário e as oportunidades profissionais desiguais; o fardo da faina doméstica; e os papéis sociais de coadjuvantes a que são relegadas as mulheres. Somando-se às manifestações rotineiras de preconceito e discriminação; ao assédio sexual e moral e à violência —vivida sobretudo em casa—, constituem, para as brasileiras, o núcleo das desigualdades de gênero. Dele já não faz parte o acesso à educação, percebido como um caminho aberto às mulheres. Já a sub-representação política, embora reconhecida, parece menos relevante.

As brasileiras reconhecem o papel das feministas para o avanço da igualdade. Uma em cada duas entrevistadas cita a Lei Maria da Penha —que visa punir a violência de gênero—, como o principal marco dessa jornada. Bem à frente do direito ao voto, lembrado por 19% das entrevistadas. Talvez por desconfiança do jogo político, a maioria (55%) se opõe às cotas partidárias, entendendo que a representação feminina deve ser espontânea e fruto do mérito individual.

Nem a agenda dos direitos reprodutivos, nem a da representação política fluem das prioridades captadas pela pesquisa da Febraban. Condições necessárias para uma sociedade mais justa, só podem ser obra de paciente persuasão.

Veja mais: Observatório Febraban 2022 – Mulheres, preconceito e violência

A stalinização da Rússia

Vladimir Putin promove forte repressão caseira à medida que não consolida sua vitória na Ucrânia

Editorial da The Economist – 12 de março de 2022

Abre Página The Economista

Quando Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia, sonhava em restaurar a glória do império russo. Ao que parece ele acabou restaurando o terror de Josef Stalin.

Isso não é apenas porque ele desencadeou o ato mais violento de agressão não provocada na Europa desde 1939, mas também porque, como resultado, está se transformando em um ditador em casa – um Stalin do século 21, recorrendo como nunca antes a mentiras, violência e paranoia.

Para entender a escala das mentiras de Putin, considere como a guerra foi planejada. O presidente da Rússia pensou que a Ucrânia entraria em colapso rapidamente, então ele não preparou seu povo para a invasão ou seus soldados para sua missão – na verdade, ele assegurou às elites que isso não aconteceria.

Depois de duas semanas terríveis no campo de batalha, ele ainda nega estar travando o que pode se tornar a maior guerra da Europa desde 1945. Para sustentar essa mentira abrangente, ele fechou quase toda a mídia independente, ameaçou jornalistas com até 15 anos de na prisão se não repetirem falsidades oficiais, e tiveram manifestantes anti-guerra presos aos milhares. Ao insistir que sua “operação” militar está desnazificando a Ucrânia, a televisão estatal está reestalinizando a Rússia.

Para entender o apetite de Putin pela violência, veja como a guerra está sendo travada. Tendo falhado em obter uma vitória rápida, a Rússia está tentando semear o pânico deixando as cidades ucranianas famintas e atacando-as cegamente. No dia 9 de março atingiu uma maternidade em Mariupol.

Se Putin está cometendo crimes de guerra contra os compatriotas eslavos que ele elogiou em seus escritos, ele está pronto para infligir massacre em seu próprio território russo.

E para avaliar a paranoia de Putin, imagine como a guerra termina. A Rússia tem mais poder de fogo do que a Ucrânia. Ele ainda está fazendo progressos, especialmente no sul. Ainda pode capturar a capital, Kiev. E, no entanto, mesmo que a guerra se prolongue por meses, é difícil ver Putin como o vencedor.

Suponha que a Rússia consiga impor um novo governo. Os ucranianos estão agora unidos contra o invasor. O fantoche de Putin não poderia governar sem uma ocupação, mas a Rússia não tem dinheiro nem tropas para guarnecer nem metade da Ucrânia. A doutrina do exército americano diz que para enfrentar uma insurgência – neste caso, uma apoiada pela Otan – os ocupantes precisam de 20 a 25 soldados por 1.000 pessoas; A Rússia tem pouco mais de quatro.

Se, como o Kremlin pode ter começado a sinalizar, Putin não impor um governo fantoche – porque ele não pode – então terá que se comprometer com a Ucrânia nas negociações de paz. No entanto, lutará para fazer cumprir qualquer acordo desse tipo. Afinal, o que Putin fará se a Ucrânia do pós-guerra retomar seu viés para o oeste: invadir?

A verdade é que, ao atacar a Ucrânia, Putin cometeu um erro catastrófico. Ele destruiu a reputação das forças armadas supostamente formidáveis ​​da Rússia, que se mostraram taticamente ineptas contra um oponente menor, mais mal armado, mas motivado. A Rússia perdeu montanhas de equipamentos e sofreu milhares de baixas, quase tantas em duas semanas quanto os Estados Unidos sofreram no Iraque desde a invasão em 2003.

Putin trouxe sanções ruinosas ao seu país. O banco central não tem acesso à moeda forte de que necessita para sustentar o sistema bancário e estabilizar o rublo. Marcas que defendem a abertura, incluindo Ikea e Coca-Cola, fecharam suas portas. Alguns bens estão sendo racionados. Os exportadores ocidentais estão retendo componentes vitais, levando a paralisações de fábricas. Sanções sobre energia — por enquanto, limitadas — ameaçam reduzir as divisas que a Rússia precisa para pagar por suas importações.

E, como fez Stalin, Putin está destruindo a burguesia, o grande motor da modernização da Rússia. Em vez de serem enviados para o Gulag (sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime na União Soviética), estão fugindo para cidades como Istambul, na Turquia, e Yerevan, na Armênia. Aqueles que optam por ficar estão sendo amordaçados por restrições à liberdade de expressão e livre associação.

Eles serão atingidos pela alta inflação e pela instabilidade econômica. Em apenas duas semanas, eles perderam seu país.

Stalin presidiu uma economia em crescimento. Por mais assassino que seja, ele se baseou em uma ideologia real. Mesmo cometendo ultrajes, ele consolidou o império soviético. Após ser atacado pela Alemanha nazista, ele foi salvo pelo inacreditável sacrifício de seu país, que fez mais do que qualquer outro para vencer a guerra.

Putin não tem nenhuma dessas vantagens. Ele não apenas está falhando em vencer uma guerra de escolha enquanto empobrece seu povo: seu regime carece de um núcleo ideológico. “Putinismo”, tal como é, mistura nacionalismo e religião ortodoxa para uma audiência de televisão. As regiões da Rússia, espalhadas por 11 fusos horários, já estão murmurando sobre esta ser a guerra de Moscou.

À medida que a escalada do fracasso de Putin se tornar clara, a Rússia entrará no momento mais perigoso desse conflito. As facções do regime se voltarão umas contra as outras em uma espiral de culpa. Putin, com medo de um golpe, não confia em ninguém e pode ter que lutar pelo poder. Ele também pode tentar mudar o curso da guerra aterrorizando seus inimigos ucranianos e expulsando seus apoiadores ocidentais com armas químicas ou até mesmo um ataque nuclear.

Enquanto o mundo observa, este deve por sua vez, também limitar o perigo à frente. Deve destacar as mentiras de Putin promovendo a verdade. As empresas de tecnologia ocidentais estão erradas em fechar suas operações na Rússia, porque estão entregando ao regime o controle total sobre o fluxo de informações. Os governos que acolhem os refugiados ucranianos também devem acolher os emigrantes russos.

A Otan pode ajudar a moderar a violência de Putin – na Ucrânia, pelo menos – continuando a armar o governo de Volodymyr Zelensky e apoiando-o se ele decidir que chegou a hora de entrar em negociações sérias. Também pode aumentar a pressão sobre Putin ao avançar mais rápido e mais fundo com sanções energéticas, embora com um custo para a economia mundial.

E o Ocidente pode tentar conter a paranóia de Putin. A Otan deve declarar que não atirará nas forças russas, desde que elas não ataquem primeiro. Não deve dar a Putin uma razão para atrair a Rússia para uma guerra mais ampla declarando uma zona de exclusão aérea que precisaria ser reforçada militarmente. Por mais que o Ocidente queira um novo regime em Moscou, ele deve declarar que não irá engendrar um diretamente. A libertação é uma tarefa para o povo russo.

À medida que a Rússia afunda, o contraste com o presidente ao lado é gritante. Putin está isolado e moralmente morto; O Sr. Zelensky é um homem comum corajoso que reuniu seu povo e o mundo. Ele é a antítese de Putin – e talvez seu inimigo. Pense no que a Rússia pode se tornar uma vez libertada de seu Stalin do século 21.

Texto publicado na The Economist em 12 de março de 2022. Caso tenha interesse no original em inglês acesse por meio do link na expressão The Economist. Texto para assinantes.

Inflação e combustíveis ameaçam retomada eleitoral de Bolsonaro, diz Lavareda para o Estadão

A inflação, turbinada com a alta recente do preço dos combustíveis, é a maior ameaça para o desempenho do presidente Jair Bolsonaro nas eleições e pode reverter sua recente recuperação nas pesquisas de intenção de voto. A avaliação é do o cientista político e presidente do Conselho Científico do Ipespe, Antonio Lavareda, ao Broadcast Político. Na entrevista, Lavareda avaliou também que candidatos da chamada terceira via só vão ter chance se concentrarem artilharia em Bolsonaro, e não se contrapondo ao presidente e a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao mesmo tempo.

Pesquisa IPESPE em SP divulgada 18/02/2022 – Íntegra e comentário da XP- Política

Comentário da XP/Política –

XP Política – Pesquisa Ipespe em SP mostra que Haddad vai a 38% quando apoiado por Lula e Alckmin e Tarcisio a 25% quando apoiado por Bolsonaro

Pesquisa Ipespe para o governo de São Paulo mostra o ex-prefeito da capital Fernando Haddad como líder em todos os cenários em que é testado. Na simulação em que concorre também contra Geraldo Alckmin, ambos atingem 20% das intenções de voto. Eles são seguidos por Márcio França, com 12%, Guilherme Boulos, 10% e Tarcísio de Freitas, 7%. Na sequência, aparecem o vice-governador, Rodrigo Garcia, com 3%, Abraham Weintraub, 2%, e Vinicius Poit, 1%.

No cenário sem a presença do ex-governador, Haddad lidera isolado, com 28%, 10 pontos à frente de França, que registra 18%. Em cenários mais enxutos, em que há um único candidato do campo de esquerda, Haddad chega a 33% contra 16% de Tarcísio e 7% de Garcia. Como substituto de Haddad neste cenário, França teria 31%, contra 15% de Tarcísio e 6% de Garcia.

Foram realizadas 1.000 entrevistas, representativas do eleitorado do estado de São Paulo, nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

A pesquisa também testou a força de padrinhos políticos de duas maneiras distintas. Na primeira, os nomes dos principais candidatos foram apresentados ao lado de seus promotores. “Apoiado por Lula e Alckmin”, Haddad alcança 38%. Com apoio de Jair Bolsonaro, Tarcísio vai a 25%; e Garcia, apoiado pelo governador João Doria, chega a 10%.

Na segunda maneira, Lula e Alckmin aparecem como os principais influenciadores de voto: 33% dizem que o apoio do ex-presidente aumenta a chance de votar no candidato escolhido. Para Alckmin, esse percentual é de 25%. Em seguida, aparecem Sergio Moro e Jair Bolsonaro, cujo apoio aumenta a chance de voto para 20% do eleitorado.

A pesquisa também mostra oportunidade para o atual vice-governador Rodrigo Garcia e para o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas: os dois tem taxas de desconhecimento que se aproximam da metade do eleitorado – 44% para Garcia e 45% para Tarcísio.

O governo João Doria é considerado ótimo ou bom por 24%, enquanto 36% o veem como ruim ou péssimo. A avaliação é melhor que a registrada pelo governo Jair Bolsonaro, visto como ótimo ou bom por percentual semelhante, de 24%, mas avaliado como ruim ou péssimo por 56%.

Presidente
A pesquisa mostra também que, entre os eleitores do estado de São Paulo, o ex-presidente Lula atinge 34% das intenções de voto para presidente em São Paulo, contra 26% de Jair Bolsonaro. João Doria, que governa o estado, chega a 5%. Entre eles estão Sergio Moro (11%) e Ciro Gomes (7%).