Programa 20 minutos: Bivar diz que governo Bolsonaro vai ‘focar tudo’ na reforma da Previdência

 

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O deputado federal eleito Luciano Bivar (PE), presidente nacional do PSL,partido de Jair Bolsonaro, afirmou que a sigla vai “focar tudo” na reforma daPrevidência. O pernambucano foi entrevistado pelo cientista político Antonio Lavareda no programa 20 Minutos, exibido na TV Jornal neste sábado (22).

Segundo Bivar, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, está “muito imbuído desse propósito”. “Agente vai focar tudo nessa reforma da Previdência”, disse. “Não pode ter mais dinheiro saindo do que entrando, é preciso inverter essa lógica previdenciária”.

Questionado se a votação da reforma será apresentada à Câmara dosDeputados para ser votada por completo ou em partes, afirmou: “se tivermosnessa lua de mel boa, a certeza e garantia do apoio do parlamento, a gente vota de uma vez só. Se não, vamos fazer por etapa. Há essas duas opçõesque ainda não foram definidas”.

Presidência da Câmara

Bivar não desconsiderou a possibilidade de o PSL lançar um nome para a presidência da Câmara, mas afirmou que serão analisados os projetos doscandidatos já postos. “Se algum desses candidatos à presidência tiver musculatura suficiente, nós iremos apoiar. Há uma corrente que afirma que o PSL deve ter seu candidato, estamos aguardando para saber se algumdesses candidatos percorre esse caminho”, disse.

O PSL é hoje o segundo maior partido da Casa, com 52 deputados. Apesar disso, considera-se que o ideal é que o presidente da Câmara não seja do partido para viabilizar mais espaço para aliados e conseguir mais apoio no Legislativo.

Hoje, a disputa pela Câmara tem cinco nomes postos, além do atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ): João Campos (PRB-GO), JHC (PSB- AL), Alceu Moreira (MDB-RS), Capitão Augusto (PR-SP) e Fábio Ramalho (MDB-MG).

João Campos seria o candidato preferido do grupo de Bolsonaro.

Evento reúne profissionais do marketing politico  em Brasília – Antonio Lavareda é um dos palestrantes

O Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político organiza  um grande evento para os  dias 12 e 13 próximo: O 1º Seminário de Estratégia, Comunicação e Democracia, no Hotel Kubitschek Plaza ,   em Brasília. A iniciativa conta  com  experientes  nomes do mercado  para dialogar sobre as eleições (e lições) de 2018 . Os temas a serem debatidos abordam também a importância das instituições e dos profissionais de marketing político no fortalecimento da Democracia brasileira.

O cientista político e presidente do Conselho do Ipespe, Antonio Lavareda, um dos palestrantes convidados, falará no encontro, dia 12,  das 9h30 às 11h, em painel que tratará das Eleições 2018: uma análise de conjuntura de país, candidatos e eleitorado”, .

Outros temas movimentarão o seminário como A Importância Popular no Processo Democrático; Fake News e a Onda das Campanhas Negativas no Brasil; A Campanha Eleitoral para presidente da República de 2018.

CAMP 27/11/2018

 

 

Antonio Lavareda: A campanha eleitoral em 2018 teve basicamente cunho emocional, com a preocupação e a indignação/raiva como os sentimentos mais populares

 

A proposta do encontro foi mobilizar os especialistas a fazerem uma análise dos resultados das eleições de 2018 e delinearem o cenário político para os próximos anos. Neste contexto, o presidente da ABC salientou a importância de se “pensar os aspectos sociais do desenvolvimento científico”. Outro argumento muito reforçado durante as palestras foi a peculiaridade do processo eleitoral de 2018, o qual os palestrantes chamaram de “eleição crítica”.

O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Antonio Lavareda explicou que as eleições críticas são caracterizadas por uma grave crise econômica, forte polarização ideológica e emergência de terceiras forças. No caso brasileiro, ele observou ainda os impactos da Operação Lava Jato, do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e do insucesso do governo de Michel Temer.

Diretor do Conselho Científico doInstituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), Lavareda relatou que, segundo pesquisa realizada pelo instituto, a campanha eleitoral em 2018 teve basicamente cunho emocional, com a preocupação e a indignação/raiva como os sentimentos mais populares entre os eleitores brasileiros.

 

ATUAÇÃO DA ABC | 26 de novembro de 2018

 

 

“Nossas crianças não aprendem”, diz Mozart Ramos em entrevista exclusiva a Antonio Lavareda

O educador Mozart Neves Ramos foi cotado para ser ministro da Educação de Jair Bolsonaro

A bancada evangélica não reagiu bem ao nome de Mozart Neves para a Educação / Foto: Leo Motta / JC Imagem

O educador Mozart Neves Ramos foi cotado para ser ministro da Educação de Jair Bolsonaro

Ex-secretário de educação do Estado, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e atualmente Diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, o pernambucano Mozart Neves teve o nome cotado para assumir o Ministério da Educação no governo de Jair Bolsonaro (PSL), antes do veto da bancada evangélica da Câmara. Em entrevista ao cientista político Antônio Lavareda, ao programa 20 Minutos – no último dia 9, antes das notícias sobre o ministério – o professor analisou o panorama da educação básica, a reforma do ensino médio, o déficit da aprendizagem e temas polêmicos, como o Escola Sem Partido.

ENTREVISTA COM MOZART

ANTÔNIO LAVAREDA – Levantamento da Varkey Foundation com 35 países mostra o Brasil na última posição em relação ao prestígio do professor com o aluno. Por que isso ocorre e qual é o caminho para superarmos essa situação?

MOZART NEVES – É resultado da baixa atratividade pela carreira do magistério no Brasil. Mostra o quanto ela encontra-se desvalorizada. Para se ter uma ideia, no último exemplar do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), foi feita uma pesquisa com os adolescentes, e os brasileiros foram os únicos que não desejaram seguir a carreira de magistério. Quando você olha países como Finlândia, Singapura, Coreia do Sul, a larga maioria dos jovens deseja o magistério.

LAVAREDA – Nesse estudo, 49% dos professores entrevistados dizem que não recomendariam a ninguém seguir a sua profissão.

MOZART – No início da carreira, o salário do professor é 11% menor do que a média de outros profissionais com a mesma titulação. Quando se chega lá pela metade da carreira, esses 11% vão para 43%. Isso demonstra a baixa atratividade do ponto de vista salarial. Mas há outros dois fatores que são muito importantes para que isso aconteça. Um deles está ligado à própria formação. Infelizmente, as nossas universidades não preparam os nossos professores para a prática do ambiente escolar, é uma formação muito teórica. Esse jovem sai da universidade, começa a enfrentar a realidade de uma sala de aula, vê que não está preparado para aquele ambiente e começa a migrar para outro caminho que não o do magistério. O outro ponto tem muito a ver com a questão da violência. Muitos professores, principalmente aqueles que começam a dar aula nas periferias das grandes cidades, não suportam mais do que um ou dois anos, porque realmente sentem o medo de dar aula.

LAVAREDA – Há a questão do retorno de renda em relação aos anos de estudo. No Chile, por exemplo, o retorno agregado por ano de estudo é de US$ 3 mil. No Brasil, esse número fica em torno de US$ 200. Qual é a mensagem que isso passa?

MOZART – No Brasil, a gente tem sete, oito anos de escolaridade como média da população. No Chile, isso chega a quase nove. O que se observa nessa relação entre produtividade e anos de escolaridade é que o impacto maior começa a partir dos oito anos de escolaridade. O Brasil ainda não chegou aos oito anos, mas só chegar também não assegura essa mudança de impacto na produtividade se a educação oferecida não for uma educação plena. Eu diria que o grande desafio da educação brasileira é a aprendizagem escolar. As nossas crianças não aprendem, os nossos jovens chegam ao final do ensino médio com um nível de aprendizagem muito baixo. O fator controlado pela educação que mais impacta na qualidade da aprendizagem – porque há outros fatores externos, como o problema de tráfico de drogas – é a qualidade do professor.

LAVAREDA – Você já foi secretário de Educação e reitor da UFPE. É muito comentado o investimento que o Brasil faz no ensino universitário. Em contrapartida, o nível de investimento no primeiro grau ainda é muito baixo. Como o próximo governo poderia enfrentar essa questão?

MOZART – Tenho lido que a prioridade maior vai ser na educação básica, tanto o ensino fundamental como o ensino médio, para tangibilizar isso. No Brasil, o custo do aluno/ano na universidade pública é R$ 23 mil. No ensino básico, é R$ 6 mil. Na minha opinião, as universidades vão ter que repensar uma cobrança. Eu tenho uma proposta que eu diria que talvez será importante para levar mais jovens de baixa renda às universidades particulares. Todo pai cujo filho estuda em uma universidade pública e que pagava antes do ensino médio uma escola particular deveria pagar a um fundo social que seria destinado a um jovem de baixa renda para estudar em uma universidade particular. O Fies realmente virou uma bola de neve. A lógica do governo do PT quando começou em 2011 era de R$ 1 bilhão para o fundo, mas em quatro anos passou para R$ 32 bilhões. A perspectiva era de que, quando o jovem estivesse saindo da universidade empregado, ele poderia pagar o Fies. Acontece que a gente está em uma crise econômica, são 13 milhões de desempregados, boa parte de jovens egressos das universidades. O programa não se sustentou por isso.

LAVAREDA – Os críticos chamam atenção para o fato da baixa empregabilidade de muitos jovens em função das deficiências desses cursos.

MOZART – Esse jovem chega com muitos déficits de aprendizagem. A maioria vem das escolas públicas, e isso ele carrega. Consequentemente, a própria instituição de ensino superior fica entre a cruz e a espada. Não pode apertar tanto, porque o aluno pode sair. Você tem que criar uma situação de equilíbrio entre promover a aprovação desse aluno e fazer com que ele aprenda o máximo. O Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) é feito para obter um parâmetro que tenta mostrar a evolução desse aluno, mas o que a gente vem observando é que esse é um desafio. No Brasil, somente 19% dos jovens de 18 a 24 anos estão no ensino superior. Quando a gente olha o Chile, a Argentina, isso é o dobro. Então, o Brasil precisa fazer um esforço muito grande do ponto de vista de ampliar essa escolaridade. Mas, para que isso seja sustável, a gente tem que melhorar a aprendizagem na educação básica.

LAVAREDA – 41% dos nossos jovens até os 19 anos não completam o ensino médio. O que pode ser feito para resgatar esse contingente?

MOZART – O jovem tem que ter uma escola que dialogue com o seu mundo. Infelizmente, ele hoje não consegue ter essa escola. É uma escola que precisaria desenvolver essas habilidades tão importantes para os dias atuais e futuros, como a criatividade, colaboração, pensamento crítico, trabalho em equipe. Esse novo ambiente do mundo do trabalho exige das pessoas que elas desenvolvam tais habilidades, e a escola está muito distante dessa chamada educação integral, que desenvolve o projeto de vida do jovem. A gente tem hoje acesso a escola, portanto não há um problema de vaga. Mesmo assim, a gente tem um milhão de jovens de 15 a 17 anos, que é a faixa etária correta para estar no ensino médio, fora da escola e fora do mundo do trabalho.

LAVAREDA – A reforma do ensino médio vai completar dois anos. Você imagina que a partir de que momento nós vamos começar a ver os efeitos concretos dessa reforma?

MOZART – Essa lei precisava de alguma regulamentação adicional. Aconteceu na reunião do mês de novembro do Conselho Nacional de Educação a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio. A outra parte da reforma vem pela Base Nacional Comum Curricular, que ainda não foi aprovada. Ela deve entrar em pauta na reunião de dezembro. A nossa expectativa é de que, com as diretrizes e a base aprovadas também esse ano, a gente comece a implementação da lei efetivamente a partir de 2019. Ela é muito importante porque traz duas coisas fundamentais. Uma é o que se chama de itinerários informativos, que dá mais flexibilidade ao ensino médio com foco em tentar buscar esse jovem para a escola na perspectiva do seu projeto de vida. E tem também um caminho para aquele jovem que queira ir para o mundo do trabalho através dos cursos profissionalizantes e técnicos. No Brasil, dos que terminam o ensino médio, só 22% vão para o ensino superior. A gente precisa preparar também essa juventude para ir para o mundo do trabalho.

LAVAREDA – Qual é a sua expectativa para a questão polêmica do projeto Escola sem Partido?

MOZART – A gente precisa ter uma escola apartidária, onde qualquer que seja a ideologia, ela seja posta fora do ambiente escolar. A escola é o lugar da aprendizagem para a vida. Eu posso ter a minha visão particular, partidária, política, mas eu não tenho que colocar a minha ideologia para os meus alunos. Defendo que a escola procure se focar naquilo que é essencial, a aprendizagem das crianças e dos jovens, que dê uma educação plena, integral, que desenvolva essas habilidades que são tão importantes para a vida atual e futura, tanto no campo social como no campo pessoal.

LAVAREDA – Você acha o projeto da Escola sem Partido positivo?

MOZART – Há uma pressão muito grande nesse sentido. Mas eu acho que dispositivos legais já estão postos para dar esse sentido laico para a escola. Acho que é mais um instrumento legal que, na minha opinião, só vai aumentar a tensão entre aluno e professor. Temo que essa tensão tenda ainda mais a distanciar essa baixa atratividade pela carreira do magistério. Acho que a gente precisa criar esse ambiente que promova uma integração aluno e professor, trabalhar ensino e aprendizagem em equipe. É muito mais importante buscar um ambiente escolar com uma boa gestão para que de fato a gente tenha uma escola harmoniosa, motivadora e que integre a vida do professor com a vida dos alunos.

LAVAREDA – Pernambuco tem obtido bons resultados no ensino médio por causa do ensino integral. Você foi secretário de Educação, e o Ginásio Pernambucano foi a escola precursora da utilização dessa metodologia de ensino.

MOZART – A gente mostrou a importância do ensino integral. É a escola de melhor atratividade, os alunos abandonam menos. Hoje, Pernambuco tem 50% da rede com esse modelo. A expectativa que tenho é de uma nova lei do ensino médio e que, com essa metodologia, a gente possa virar o jogo.

Foto: Leo Motta / JC Imagem
JC Online  25/11/2018

Eleições no Brasil: 2018, o que saiu das urnas?

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Passadas as eleições, avança o debate acadêmico sobre os seus resultados e os fatores que estiveram presentes. Entre eles: o papel das redes sociais, a reduzida importância das coligações e a acirrada polarização ideológica. E é para analisar “Eleições no Brasil: 2018, o que saiu das urnas? que o cientista político Antonio Lavareda participa, nessa quarta, do II Seminário Internacional de Ciências Política, na UFRGS, em Porto Alegre. O evento acontece dessa terça a sexta (20 a 23/11) e conta ainda com convidados de fora do país.

Confira a programação aqui

 

 

 

Programa 20 Minutos: João Campos fala sobre desafios de oposição ao governo de Bolsonaro

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O programa 20 minutos deste sábado (17/11),  apresentado pelo cientista político Antonio Lavareda, trará como entrevistado o recém-eleito deputado federal, João Campos, deputado mais votado em Pernambuco, nas eleições 2018. No programa, ele explica as principais propostas do seu mandato.

Durante a entrevista, Campos também fala sobre as estratégias de oposição que a equipe do PSB fará ao governo Jair Bolsonaro, eleito presidente do Brasil. “Nós não vamos tomar medidas, nem vamos nos posicionar de forma irresponsável, de maneira a atrapalhar a vida do povo brasileiro”, explica.

TV Jornal,  Programa 20 minutos, 14/11/2018.

Maior diagnóstico sobre o Judiciário Brasileiro em estudo

Nessa terça feira (13/11/2018), o cientista político Antonio Lavareda apresentou na FGV, para um público que incluía Carlos Ivan, presidente da Fundação e o Ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, o cronograma da execução do Diagnóstico de Opinião da Sociedade sobre o Judiciário que ele coordena, encomendado pela Associação dos Magistrados Brasileiros. Com métodos qualitativos e quantitativos, incluindo população, advogados e jurisdicionado. “É o maior estudo do gênero realizado no país e será concluído em abril do próximo ano”, ressalta Lavareda.

Poste, pra quê te quero?

Por Rosângela Bittar

 

– Valor Econômico

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferirá votos para o poste que vier a indicar para concorrer em seu lugar. Porém, não será uma transferência integral das intenções nele declaradas. A quantidade que passará adiante deverá ser o suficiente para empurrar o candidato do PT ao segundo turno. Mas isso não se dará por inércia. O nome indicado terá que trabalhar. O temor é que se reduza mais a transferência porque os dois mais cotados, Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, e Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, não são muito de suar a camisa.

 Mas para que se movam é preciso que Lula solte a rédea curta em que mantém o PT. Só será possível iniciar o processo de transferência de votos se Lula se afastar da peleja. Até agora ele deu de ombros a qualquer argumentação que conduza o raciocínio a esta óbvia conclusão: Lula tem que sair para outro entrar, e ele ainda não quer sair.

Há três meses, políticos próximos a Lula já informavam, aqui, que ele só abandonaria a disputa muito perto do prazo final para substituição do candidato, por uma razão simples: quanto mais próximo da eleição conseguir levar sua candidatura "perseguida", mais fresquinha ficará sua imagem para os cada vez mais revoltados eleitores e mais fácil será aceitar sua recomendação de voto no substituto.

A inelegibilidade de Lula deve ser declarada em agosto se o Tribunal Eleitoral correr com os prazos. O pedido de registro da candidatura será feito até o dia 15 e, depois, o TSE tem prazo até 17 de setembro para analisá-lo. Numa distância de apenas três semanas até a votação em primeiro turno. Será pouco tempo para erguer o poste, mas o ex-presidente estica a corda ao máximo. Será pouco tempo também para o eleitor refletir sobre o assunto, perceber que não é Lula o candidato, organizar sua cabeça. Essas situações influenciam a transferência, explicada em uma equação pelo analista de pesquisa e sociólogo Antonio Lavareda.

Há 5 números colocados à reflexão de quem se interessa pelo fenômeno. São dados colhidos em pesquisas Datafolha e XP Investimento.O percentual dos eleitores que dizem que votariam com certeza no candidato do Lula é 30%. Esse é o poste sem nome. Há o poste que se apresenta sozinho, sem o padrinho ao lado, com nome mencionado em pesquisa por ele mesmo. É o caso de Fernando Haddad que, sem atrelar-se a ninguém, com 2%. Mas se for dado nome ao poste e dito que ele é o candidato que tem apoio do Lula, caso do Haddad, ele já sobe para 13%.

Ou seja, o indicado por Lula, claramente seu herdeiro, tem um potencial grande de crescimento com base na transferência de voto, mas, para que isso aconteça, é preciso circular muita informação para o eleitor. Papel que pode ser exercido pela propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio.

 A informação básica a ser passada ao eleitorado é que aquele determinado candidato é o candidato de Lula. E isso tem que ser feito com alguma velocidade, pois a campanha tem prazo curto.

No caso do poste com nome, somam-se a recomendação do Lula, sua transferência de voto, com a percepção que os eleitores passarão a ter do próprio candidato. Será preciso trabalhar para que a mistura das duas condições resulte em aumento da votação do indicado.

Assim, uma coisa é a medição da transferência de Lula para um poste sem nome (30%), outra é a não transferência quando o candidato se apresenta sozinho (2%) e outra ainda é a transferência para um poste com nome, que leva em conta a percepção do eleitor sobre aquele político objeto do apoio de Lula (13%).

Entre os 30 e os 13 há toda a contingência da campanha e a percepção que os eleitores terão desse poste apoiado por Lula. Seu perfil, que tipo de político ele é, qual o seu discurso, como se identifica com Lula, qual sua proximidade anterior. Essa questão, a contingência, é o que torna um candidato melhor que o outro na disputa pela indicação.

 

Por exemplo, o melhor poste de Lula é Jaques Wagner ou Fernando Haddad?

Wagner é menos empolado, é do Nordeste, o que facilita a adesão de maior contingente de eleitores da região que mais apoia Lula, é mais acessível, dá a impressão de ser melhor figura para recepcionar os apoiadores do ex-presidente, sobretudo de áreas mais pobres dos colégios que mais seguem o presidente da honra do PT. Mas Fernando Haddad, também, pode ser um bom candidato a poste exatamente pelo contraste. Por sua inserção em São Paulo, por exemplo, por cair mais ao gosto do mercado, por contar com a universidade.

Em contraponto ao Nordeste de Jaques Wagner, um nome como Fernando Haddad, representante da alta classe média, poderia ser o melhor candidato, dando ao PT um atrativo a mais para a disputa. Para o primeiro turno, sem dúvida, o melhor seria Wagner; para o segundo, Haddad. Mas não é possível mudar o candidato entre o primeiro e o segundo turno, o PT terá que fazer a opção. Até mesmo por um terceiro nome que Lula esteja cevando reservadamente.

Em nenhuma hipótese Lula transferirá os 30% que tem, como seria ideal, ninguém consegue essa proeza, nem mesmo Lula.

Existe, ainda, um quarto número naquela sequência criada por Lavareda na metáfora da transferência de voto: os 19%. Esse é o índice de preferência da população pelo PT, de acordo ainda com a Datafolha. E um quinto: O PT teria que considerar, numa perspectiva otimista, quase ideal, que seu candidato pode chegar a 17%, que foi o que Lula teve no primeiro turno de 1989 e passou ao segundo turno. Este ano, pode ir ao segundo turno ou não com 17%, o quinto índice que importa, a linha de corte que a campanha pulverizada em várias candidaturas criará para a passagem ao segundo turno.

Para o analista, é preciso combinar todos os elementos: 30% dizem que votariam no candidato do Lula sem saber o nome, 19% dizem que o PT é o partido de preferência e 13% dizem que votariam no Fernando Haddad apoiado pelo Lula. É necessário combinar a trajetória desses números com a campanha que associe bem o discurso e a imagem do candidato a poste.