Eleições no Brasil: 2018, o que saiu das urnas?

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Passadas as eleições, avança o debate acadêmico sobre os seus resultados e os fatores que estiveram presentes. Entre eles: o papel das redes sociais, a reduzida importância das coligações e a acirrada polarização ideológica. E é para analisar “Eleições no Brasil: 2018, o que saiu das urnas? que o cientista político Antonio Lavareda participa, nessa quarta, do II Seminário Internacional de Ciências Política, na UFRGS, em Porto Alegre. O evento acontece dessa terça a sexta (20 a 23/11) e conta ainda com convidados de fora do país.

Confira a programação aqui

 

 

 

Programa 20 Minutos: João Campos fala sobre desafios de oposição ao governo de Bolsonaro

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O programa 20 minutos deste sábado (17/11),  apresentado pelo cientista político Antonio Lavareda, trará como entrevistado o recém-eleito deputado federal, João Campos, deputado mais votado em Pernambuco, nas eleições 2018. No programa, ele explica as principais propostas do seu mandato.

Durante a entrevista, Campos também fala sobre as estratégias de oposição que a equipe do PSB fará ao governo Jair Bolsonaro, eleito presidente do Brasil. “Nós não vamos tomar medidas, nem vamos nos posicionar de forma irresponsável, de maneira a atrapalhar a vida do povo brasileiro”, explica.

TV Jornal,  Programa 20 minutos, 14/11/2018.

Maior diagnóstico sobre o Judiciário Brasileiro em estudo

Nessa terça feira (13/11/2018), o cientista político Antonio Lavareda apresentou na FGV, para um público que incluía Carlos Ivan, presidente da Fundação e o Ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, o cronograma da execução do Diagnóstico de Opinião da Sociedade sobre o Judiciário que ele coordena, encomendado pela Associação dos Magistrados Brasileiros. Com métodos qualitativos e quantitativos, incluindo população, advogados e jurisdicionado. “É o maior estudo do gênero realizado no país e será concluído em abril do próximo ano”, ressalta Lavareda.

Poste, pra quê te quero?

Por Rosângela Bittar

 

– Valor Econômico

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferirá votos para o poste que vier a indicar para concorrer em seu lugar. Porém, não será uma transferência integral das intenções nele declaradas. A quantidade que passará adiante deverá ser o suficiente para empurrar o candidato do PT ao segundo turno. Mas isso não se dará por inércia. O nome indicado terá que trabalhar. O temor é que se reduza mais a transferência porque os dois mais cotados, Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, e Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, não são muito de suar a camisa.

 Mas para que se movam é preciso que Lula solte a rédea curta em que mantém o PT. Só será possível iniciar o processo de transferência de votos se Lula se afastar da peleja. Até agora ele deu de ombros a qualquer argumentação que conduza o raciocínio a esta óbvia conclusão: Lula tem que sair para outro entrar, e ele ainda não quer sair.

Há três meses, políticos próximos a Lula já informavam, aqui, que ele só abandonaria a disputa muito perto do prazo final para substituição do candidato, por uma razão simples: quanto mais próximo da eleição conseguir levar sua candidatura "perseguida", mais fresquinha ficará sua imagem para os cada vez mais revoltados eleitores e mais fácil será aceitar sua recomendação de voto no substituto.

A inelegibilidade de Lula deve ser declarada em agosto se o Tribunal Eleitoral correr com os prazos. O pedido de registro da candidatura será feito até o dia 15 e, depois, o TSE tem prazo até 17 de setembro para analisá-lo. Numa distância de apenas três semanas até a votação em primeiro turno. Será pouco tempo para erguer o poste, mas o ex-presidente estica a corda ao máximo. Será pouco tempo também para o eleitor refletir sobre o assunto, perceber que não é Lula o candidato, organizar sua cabeça. Essas situações influenciam a transferência, explicada em uma equação pelo analista de pesquisa e sociólogo Antonio Lavareda.

Há 5 números colocados à reflexão de quem se interessa pelo fenômeno. São dados colhidos em pesquisas Datafolha e XP Investimento.O percentual dos eleitores que dizem que votariam com certeza no candidato do Lula é 30%. Esse é o poste sem nome. Há o poste que se apresenta sozinho, sem o padrinho ao lado, com nome mencionado em pesquisa por ele mesmo. É o caso de Fernando Haddad que, sem atrelar-se a ninguém, com 2%. Mas se for dado nome ao poste e dito que ele é o candidato que tem apoio do Lula, caso do Haddad, ele já sobe para 13%.

Ou seja, o indicado por Lula, claramente seu herdeiro, tem um potencial grande de crescimento com base na transferência de voto, mas, para que isso aconteça, é preciso circular muita informação para o eleitor. Papel que pode ser exercido pela propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio.

 A informação básica a ser passada ao eleitorado é que aquele determinado candidato é o candidato de Lula. E isso tem que ser feito com alguma velocidade, pois a campanha tem prazo curto.

No caso do poste com nome, somam-se a recomendação do Lula, sua transferência de voto, com a percepção que os eleitores passarão a ter do próprio candidato. Será preciso trabalhar para que a mistura das duas condições resulte em aumento da votação do indicado.

Assim, uma coisa é a medição da transferência de Lula para um poste sem nome (30%), outra é a não transferência quando o candidato se apresenta sozinho (2%) e outra ainda é a transferência para um poste com nome, que leva em conta a percepção do eleitor sobre aquele político objeto do apoio de Lula (13%).

Entre os 30 e os 13 há toda a contingência da campanha e a percepção que os eleitores terão desse poste apoiado por Lula. Seu perfil, que tipo de político ele é, qual o seu discurso, como se identifica com Lula, qual sua proximidade anterior. Essa questão, a contingência, é o que torna um candidato melhor que o outro na disputa pela indicação.

 

Por exemplo, o melhor poste de Lula é Jaques Wagner ou Fernando Haddad?

Wagner é menos empolado, é do Nordeste, o que facilita a adesão de maior contingente de eleitores da região que mais apoia Lula, é mais acessível, dá a impressão de ser melhor figura para recepcionar os apoiadores do ex-presidente, sobretudo de áreas mais pobres dos colégios que mais seguem o presidente da honra do PT. Mas Fernando Haddad, também, pode ser um bom candidato a poste exatamente pelo contraste. Por sua inserção em São Paulo, por exemplo, por cair mais ao gosto do mercado, por contar com a universidade.

Em contraponto ao Nordeste de Jaques Wagner, um nome como Fernando Haddad, representante da alta classe média, poderia ser o melhor candidato, dando ao PT um atrativo a mais para a disputa. Para o primeiro turno, sem dúvida, o melhor seria Wagner; para o segundo, Haddad. Mas não é possível mudar o candidato entre o primeiro e o segundo turno, o PT terá que fazer a opção. Até mesmo por um terceiro nome que Lula esteja cevando reservadamente.

Em nenhuma hipótese Lula transferirá os 30% que tem, como seria ideal, ninguém consegue essa proeza, nem mesmo Lula.

Existe, ainda, um quarto número naquela sequência criada por Lavareda na metáfora da transferência de voto: os 19%. Esse é o índice de preferência da população pelo PT, de acordo ainda com a Datafolha. E um quinto: O PT teria que considerar, numa perspectiva otimista, quase ideal, que seu candidato pode chegar a 17%, que foi o que Lula teve no primeiro turno de 1989 e passou ao segundo turno. Este ano, pode ir ao segundo turno ou não com 17%, o quinto índice que importa, a linha de corte que a campanha pulverizada em várias candidaturas criará para a passagem ao segundo turno.

Para o analista, é preciso combinar todos os elementos: 30% dizem que votariam no candidato do Lula sem saber o nome, 19% dizem que o PT é o partido de preferência e 13% dizem que votariam no Fernando Haddad apoiado pelo Lula. É necessário combinar a trajetória desses números com a campanha que associe bem o discurso e a imagem do candidato a poste.

 

Matéria do Metrópole analisa falta de vices

Convenções iniciadas na sexta-feira (20/7) confirmaram dificuldades na formação de alianças.

RENAN MELO XAVIER

A corrida presidencial começou para valer com a abertura da temporada de convenções partidárias na última sexta-feira (20/7). Diante dos primeiros encontros promovidos por PDT, PSL e PSC, uma tendência foi confirmada: a dificuldade para a definição de nomes para concorrerem como vice nas chapas nacionais. Ciro GomesJair Bolsonaro e Paulo Rabello de Castroforam lançados sem candidatos para o Palácio do Jaburu.

Essa dificuldade é reflexo das articulações atravancadas para formação de coligações. Exemplo disso são as negociações promovidas pelo Centrão, bloco formado por PR, PP, DEM, PRB e Solidariedade. Nas últimas semanas, o grupo conversou com Ciro e com o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Na quinta (19), esses partidos sinalizaram que vão apoiar o tucano.

E, no acordo para candidato à suplência presidencial, o Centrão indica o empresário mineiro Josué Alencar, filiado ao PR e filho de José Alencar, o vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alckmin e Josué reuniram-se nesta segunda (23) para acertarem os detalhes do apoio.

Siglas iniciam convenções com expectativa de desenrolar jogo político. Com a negativa do Centrão, Ciro volta agora as atenções para Marcio Lacerda (PSB), ex-prefeito de Belo Horizonte (MG). O PDT está disposto a oferecer a vaga de vice para o PSB. O diretório pessebista trata Lacerda como pré-indicado para concorrer ao Jaburu na chapa de Ciro.

A opção do Centrão por Alckmin também afetou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). O deputado federal sonhava com Magno Malta como seu vice, mas a decisão do PR de indicar Josué Alencar ao tucano enterrou de vez a chapa com o senador do Espírito Santo.

A recusa do PR não foi a única ouvida por Bolsonaro nos últimos dias. Na semana passada, ele chegou a escolher o general Augusto Heleno, do PRP-DF, para ser seu vice. A legenda, no entanto, rejeitou a proposta do deputado. Na convenção nacional do PSL, Bolsonaro posou ao lado da advogada e professora Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A decisão, porém, ainda não foi oficializada pelo partido.

Barreiras
Como uma das justificativas apresentadas a Jair Bolsonaro para não formalizar o general Heleno como candidato a vice, o PRP alegou dificuldades por causa da cláusula de barreira, aprovada em outubro de 2017.

Também chamada de cláusula de desempenho, essa regra restringe a atuação de partidos pequenos no Congresso. Na eleição deste ano, as legendas que não alcançarem 1,5% dos votos válidos para a Câmara (distribuídos em nove estados e com 1% de apoio dos eleitores em cada unidade da Federação) não terão acesso a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral em 2019.

Segundo o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, a cláusula de barreira é apenas uma das preocupações das legendas nanicas. “Os partidos pequenos estão ultraprecavidos, não somente por conta da cláusula de barreira, mas também por conta de orçamento, que está apertado para eles”.

Para Lavareda, as articulações entre as siglas prometem ser emocionantes até o final da campanha, já que o período eleitoral deste ano é menor. “Os partidos aguardam as respectivas alianças. É um ano diferente de todos os outros. Nós temos um calendário atrasado em relação às eleições anteriores”.

O professor Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que as negociações atravancadas fazem parte do roteiro planejado pelos candidatos. “Isso é proposital. Não é ao acaso. Os partidos deixam as vagas para vice abertas de propósito. Eles jogam com uma série de possibilidades para negociarem os postos”.

As demais negociações
O PT negocia com o PCdoB para lançar Manuela D’Ávila como vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na última quinta (19/7), a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e a deputada federal Luciana Santos (PCdoB-PE), presidentes nacionais das suas legendas, reuniram-se para acertar o possível acordo. Manuela, no entanto, mantém sua pré-candidatura diante da falta de união dos partidos de esquerda.

Com dificuldades para fechar alianças, a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva (Rede) também corre para definir um vice. Nas últimas semanas, ela intensificou as conversas com o Pros. O ex-deputado federal petista Maurício Rands é o nome mais cotado caso o apoio seja formalizado. Se o acerto minguar, Marina talvez adote uma solução caseira: o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, pode concorrer ao Palácio do Jaburu.

O Pros também é sondado por Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos. Nessa quinta-feira, o senador paranaense e a presidente da legenda, Renata Abreu, reuniram-se com Eurípedes Junior, presidente nacional do Pros. Dias também quer fechar aliança com o Patriota (ex-PEN).

Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, busca ainda convencer o MDB a confirmá-lo como candidato ao Planalto. Publicamente, nenhum partido mostra-se disposto a formar chapa com o emedebista. A convenção do MDB está marcada para 2 de agosto.

Ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Paulo Rabello de Castro negocia chapa com o PRTB. Levy Fidelix e o general Hamilton Mourão são oferecidos para a chapa presidencial encabeçada pelo PSC.

Até o momento, apenas três pré-candidaturas possuem vices encaminhados, todas nanicas: Guilherme Boulos (PSol), João Amoêdo (Novo) e Vera Lúcia (PSTU).

A líder indígena Sônia Guajajara concorrerá ao lado do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. Já Amoêdo terá como vice o cientista político Christian Lohbauer. O pré-candidato a vice-presidente pelo PSTU é o professor Hertz Dias.