XP/Ipespe: Datena e Russomanno lideram intenções de voto para a prefeitura de São Paulo

Contudo, vale destacar que, na pesquisa espontânea, a esmagadora maioria dos entrevistados não apontou um candidato.

Lara Rizério Para Infomoney

SÃO PAULO – Faltando um ano para as eleições municipais de 2020, a XP Investimentos, em parceria com a Ipespe, divulgou no último fim de semana pesquisa sobre a disputa eleitoral para a prefeitura de São Paulo.

No cenário de intenção de votos estimulada, o nome do apresentador de TV José Luiz Datena (sem partido) desponta na liderança com 22% das intenções de voto, apesar de tecnicamente empatado com o deputado federal Celso Russomano (Republicanos) (19%).

Em seguida, aparece a ex-prefeita paulistana e ex-senadora Marta Suplicy (sem partido), com 11% das intenções de voto. Já o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB) tem 10% das intenções de voto e a deputada do PSL, Joice Hasselmann tem 7%.

As entrevistas foram realizadas com 1000 eleitores do município de São Paulo entre 30 de setembro e 2 de outubro de 2019. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais, para mais ou pera menos. Confira a pesquisa completa clicando aqui. 

Nesta rodada, também foi avaliado o potencial de voto dos principais pré-candidatos. Somando a quantidade de pessoas que “poderiam votar” no possível candidato, Datena se sai melhor, com 52%, ante 43% de rejeição, enquanto possui baixo desconhecimento (5%). Russomanno tem a segunda melhor marca em potencial de voto (48%), enquanto Márcio França (44%) e Marta Suplicy  (43%) ficam praticamente empatados nesse quesito.

Bruno Covas e Joice Hasselmann aparecem com 36% e 25% de potencial de votos. Os maiores índices de desconhecimento entre os pré candidatos foram registrados para Cláudio Lottenberg (sem partido) (63%), Andrea Matarazzo (PSD) (56%) e Tabata (PDT) (48%).

Contudo, vale destacar que o ambiente eleitoral ainda se aponta como muito incerto. Na pesquisa espontânea, em que não é apontada para os entrevistados uma lista com nomes de possíveis candidatos, 56% não souberam ou não responderam em quem votar, enquanto 33% apontaram branco/nulo ou ninguém. Covas aparece com 3%, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) possui 2% dos votos e “outros” aparecem com 2%. Empatados com 1%, estão Marta, Joice, Russomanno, Datena e Márcio França.

A corrida eleitoral do próximo ano é apontada como uma amostra do embate de forças políticas esperado para o cenário nacional em 2022. Nesta primeira rodada, 67% dos eleitores entrevistados avaliaram como muito importante a escolha do prefeito da
cidade de São Paulo. 16% apontam que a disputa não terá importância, 13% veem alguma importância e 3% não sabe ou não responderam.

Os entrevistados também foram perguntados sobre a importância do apoio de figuras políticas estaduais e nacionais aos candidatos. Para 46% dos eleitores, o apoio do governador de São Paulo João Dória (PSDB) não será relevante na hora de escolher em quem votar para prefeito; já 20% apontam que seu apoio poderá aumentar a vontade de votar no candidato e 32% avaliam que poderá diminuir.

Enquanto isso, 29% afirmam que o endosso do presidente Jair Bolsonaro pode aumentar a vontade de votar no candidato, 32% acreditam que poderá diminuir e 42% avaliam que o apoio não será importante.

Bolsonaro tem 58% dos votos válidos e mantém vantagem de 16 pontos sobre Haddad, mostra XP/Ipespe

Pesquisa reforça favoritismo de Bolsonaro para a eleição presidencial a dois dias do segundo turno; Haddad depende de virada inédita para vencer a disputa

Infomoney

Bolsonaro (PSL) mantém inalterada a vantagem que tinha há uma semana sobre o exprefeito paulistano Fernando Haddad (PT) na eleição presidencial. Segundo pesquisa XP/Ipespe realizada nos dias 23 e 24 de outubro, o militar reformado tem 58% dos votos válidos, contra 42% do petista. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-08283/2018 e tem margem máxima de erro de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo. Os números são os mesmos da pesquisa divulgada pelo instituto na última sexta-feira (19), o que reforça o favoritismo do parlamentar para o próximo domingo (28), já que seu adversário teria que reduzir a distância diariamente em mais de 8 pontos percentuais para virar o jogo, movimento inédito nesta corrida presidencial. Considerando o total de votos válidos no primeiro turno da eleição, Haddad precisaria "converter" mais de 8,5 milhões de eleitores – o equivalente aos votos válidos do Rio de Janeiro no último 7 de outubro – em apenas dois dias e sem horário de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A atual vantagem de Bolsonaro é a mesma de quando essa simulação de segundo turno começou a ser feita pela pesquisa XP/Ipespe, em meados de julho. Naquela época, Haddad era apenas um nome cotado para substituir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso após condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na disputa e era desconhecido por 27% do eleitorado. Hoje 10% dizem não conhecê-lo sucientemente, o que, somado à falta de tempo, diculta ainda mais qualquer poder de reação. O gráco abaixo mostra a evolução do quadro de julho pra cá:

1) Cenário de segundo turno em votos válidos (desconsiderando brancos, nulos e indecisos)

O maior salto de Haddad nesta corrida eleitoral foi vericado uma semana após a conrmação de sua candidatura no lugar de Lula, em meados de setembro. Naquela situação, o ex-prefeito subiu 7,6 pontos percentuais em votos válidos no cenário de primeiro turno em um intervalo de uma semana, e foi alçado à segunda posição na disputa. Na semana seguinte, em 26 de setembro, houve outro salto de 5,2 p.p. em votos válidos. Desta vez, o petista precisa crescer em 48 horas mais do que a soma daquele período, missão ainda mais complexa quando se nota que Haddad conta com índice de rejeição 11 p.p. superior ao de seu adversário (47% a 36%) e, nos dados por segmentação, lidera somente entre os eleitores menos escolarizados, mais pobres e do Nordeste. Em outras regiões, como Sul e Centro-oeste, o ex-prefeito paulistano chega a ter menos da metade do percentual de votos de Bolsonaro. Considerando o quadro geral em votos totais, a última pesquisa XP/Ipespe mostra Bolsonaro com apoio de 51% dos eleitores, ao passo que Haddad conta com 37%. Votos em branco, nulos e eleitores indecisos somam 12%. A atual diferença é apenas 1 ponto percentual menor do que a maior já registrada no levantamento, há duas semanas. Em nenhum momento da disputa o petista liderou por diferença superior à margem de erro.

Neste momento, a contagem por votos totais também traz informações relevantes sobre a disputa eleitoral, já que mostra o contingente de eleitores que não apoiam nenhum dos candidatos e que poderiam fazer a diferença se convencidos a escolher alguém, e permite comparações com as intenções de voto em cada um. No caso de uma disputa tão polarizada, uma das estratégias possíveis ao candidato que aparece atrás nas pesquisas é tentar avançar sobre este grupo. Contudo, os resultados da pesquisa indicam que tal movimento, mesmo se exitoso, teria efeitos limitados, dada a comparação entre o atual patamar desta faixa do eleitorado e o histórico de pleitos anteriores. Ou seja, para reverter o quadro atual Haddad teria que roubar votos do próprio Bolsonaro. O gráco abaixo mostra a evolução da disputa em votos totais: 2) Cenário de segundo turno em votos totais (incluindo brancos, nulos e indecisos)

Apesar da inalteração no quadro geral, a nova pesquisa mostrou uma oscilação positiva no percentual de eleitores que dizem não votar em Bolsonaro de jeito nenhum. Em uma semana, tal grupo foi de 34% para 36% do eleitorado em uma semana. Mesmo assim, ele é 23 p.p. menor do que o percentual registrado três semanas antes. No caso de Haddad, observou-se uma queda de 52% na última pesquisa para atuais 47%. Este é o índice mais baixo do petista na série histórica, mas ainda é 11 p.p. superior ao de seu adversário. Movimentações também foram vistas no quadro por segmentação. Neste caso, chama atenção o fato de Bolsonaro ter alcançado 34% dos votos totais no Nordeste, 18 p.p. atrás de seu adversário. É a melhor pontuação do deputado na região – a única em que ele hoje perde. No Sudeste, sua vantagem é de 23 p.p. O militar reformado também aparece numericamente atrás os eleitores que não concluíram o Ensino Fundamental (45% a 41%). A diferença congura empate técnico neste recorte. Na semana passada, a vantagem de Haddad entre esses eleitores era de 11 p.p. Entre eleitores das classes D e E (com renda familiar mensal inferior a dois salários mínimos), a vantagem também é do petista, mas por diferença dentro da margem de erro: 44% a 41%. Entre os desempregados, os dois aparecem com 44% dos votos válidos. O eleitorado feminino também mostra uma disputa mais apertada, com Bolsonaro numericamente à frente por 46% a 42%, diferença dentro do limite da margem de erro da pesquisa. Nas demais faixas do eleitorado, o deputado leva vantagem. As maiores diferenças são vistas nas regiões Sul (62% a 28%) e Centro-oeste (68% a 26%); entre os homens (57% a 33%); com Ensino Médio (57% a 32%); e de classe C, com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos (61% a 30%). Mais detalhes estão no quadro comparativo abaixo:

 

 

 

Brasileiros veem democracia como melhor forma de governo, mas 73% estão insatisfeitos com modelo do País

Pesquisa XP/Ipespe mostra, contudo, que 23% dos eleitores não se importa com forma de governo e 13% dizem que um governo autoritário pode ser melhor opção sob algumas circunstâncias.

Marcos Mortari, Para Infomoney

SÃO PAULO – Quase três em cada cinco eleitores estão insatisfeitos com a democracia brasileira, mas o regime continua sendo, com folga, o mais apoiado no país. É o que mostra pesquisa XP/Ipespe, realizada entre os dias 15 e 17 de outubro. Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados veem a democracia como melhor do que qualquer outra forma de governo, enquanto 23% dizem não se importar se o regime é democrático ou não e 13% apontam um governo autoritário melhor que uma democracia sob determinadas circunstâncias. Os detalhes das duas respostas estão nos gráficos abaixo:

1) Com qual dessas colocações você mais concorda? (1. Democracia é superior a qualquer outra forma de governo; 2. Para mim, não importa se o regime é democrático ou não democrático; 3. Sob algumas circunstâncias, um governo autoritário pode ser melhor que um democrático; 4. Não sabe/ não respondeu).

2) Considerando a democracia no Brasil, você diria que está… (muito satisfeito; satisfeito; insatisfeito; muito insatisfeito; não sabe/ não respondeu)

As duas perguntas fazem parte da pesquisa XP/Ipespe para a corrida presidencial. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (19), coloca Jair Bolsonaro (PSL) na liderança da disputa com 58% dos votos válidos, contra 42% de Fernando Haddad (PT). A nove dias do segundo turno, para reverter o quadro, o petista precisaria reduzir diariamente a distância em mais de 1,78 p.p., movimento inédito para esta eleição. Nem mesmo no momento em que foi apresentado como substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pleito Haddad conseguiu dar um salto desta magnitude neste intervalo.

Bolsonaro chega a 41% dos votos válidos e vantagem sobre Haddad sobe para 16 pontos

Para liquidar disputa no primeiro turno, Bolsonaro precisaria herdar 64% de todos os chamados "votos azuis" (apoio hoje dado a Alckmin, Amoêdo, Alvaro Dias e Meirelles). No segundo turno contra Haddad, situação é de empate técnico.

SÃO PAULO – A dois dias do primeiro turno, a vantagem do líder Jair Bolsonaro (PSL) sobre o segundo colocado Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial dobrou. Segundo pesquisa XP/Ipespe, o deputado saltou 8 pontos percentuais em uma semana e agora tem 36% das intenções de voto. Já o ex-prefeito paulistano oscilou positivamente de 21% para 22%, patamar duas vezes superior ao do terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), estacionado em 11% há três semanas. Votos em branco, nulos e indecisos agora somam 12% do eleitorado. O levantamento foi feito nos dias 3 e 4 de outubro e foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-06509/2018.

No segundo pelotão da disputa, juntamente com Ciro, aparece Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano oscilou negativamente 1 ponto e está 3 p.p. abaixo de seu maior patamar registrado ao longo da corrida. Os ex-governadores estão em situação de empate técnico, no limite da margem de erro, de 2,2 p.p. para cima ou para baixo. Já Marina Silva (Rede) foi de 5% para 4%, menos de 1/3 do que teve em seu melhor momento na disputa. Logo atrás, aparecem o empresário João Amoêdo (Novo), com 3%; o senador Alvaro Dias (Podemos), com 2% – mesmo patamar do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB); e o deputado Cabo Daciolo (Patriota), excluído do último debate, com 1% das intenções de voto. Outros candidatos não pontuaram.

Quando são contabilizados apenas os votos válidos (desconsiderando votos em branco, nulos e eleitores indecisos), Bolsonaro tem 41% das intenções de voto, o que indica que ainda faltariam 9% para que se configure um quadro de vitória no primeiro turno. Isso significa que até o próximo domingo (7), o parlamentar teria que herdar 64% de todos os chamados "votos azuis" (apoio hoje dado a Alckmin, Amoêdo, Alvaro Dias e Meirelles) ou 50% ta soma do campo azul com as intenções de voto de Marina Silva. Neste caso, Haddad tem apoio de 25% dos que declaram voto em algum candidato, seguido por Ciro, com 13%.

No cenário espontâneo (quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados), Bolsonaro aparece com 33% das intenções de voto, enquanto Haddad tem 16%. Ciro Gomes vem logo atrás, com 9%, seguido de Alckmin, com 4%, Amoêdo e Marina Silva, ambos com 2%. Alvaro Dias, Meirelles e Daciolo têm 1% cada. Neste caso, Bolsonaro tem 48% dos votos válidos e precisaria de 25% dos "votos azuis" ou 20% da soma deste campo com as intenções de voto de Marina Silva. A pesquisa espontânea é útil como ferramenta que mostra o grau de cristalização de apoio dos eleitores a cada candidato.

O levantamento XP/Ipespe também mostrou que, a dois dias do primeiro turno, o nível de interesse pela eleição presidencial chegou a 64% do eleitorado. Agora, 43% dos entrevistados se dizem muito interessados, enquanto 23% afirmam estar mais ou menos interessados no processo. Há um mês, a soma desses grupos representava 52% do eleitorado. A faixa de eleitores que se diz desinteressada com o processo está em 20%, o que pode indicar uma ativação tardia e decisão de voto de parcela relevante durante o sprint final ou até uma tendência de abstenção, o que na prática elevaria as chances de Bolsonaro liquidar a disputa sem necessidade de segundo turno.

Confira os cenários de primeiro turno para a corrida presidencial testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos aos entrevistados

Pesquisa estimulada: com a apresentação dos nomes dos candidatos aos entrevistados

 

Segundo turno

Foram testados cinco cenários de segundo turno nesta pesquisa. Em eventual disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, o quadro ainda é de empate técnico, mas com o deputado numericamente à frente por 43% a 42%. Em relação ao último levantamento, o parlamentar cresceu 4 pontos percentuais, enquanto o petista oscilou 1 p.p. negativamente. O grupo dos "não voto" agora soma 15%. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 p.p., enquanto na semana passada Haddad apareceu pela primeira vez à frente, com vantagem de 4 p.p., no limite da soma das margens de erro dos candidatos.

Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o quadro seria de empate técnico, no limite da margem de erro, com o tucano numericamente à frente com 40% das intenções de voto contra 36% para o petista. Votos em branco, nulos e indecisos agora somam 24%. Em nenhum momento o ex-prefeito paulistano liderou as simulações.

No caso de enfrentamento entre Alckmin e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com o tucano voltando a aparecer mais forte numericamente, com 44% das intenções de voto contra 42% para o deputado. Brancos, nulos e indecisos somam 15% do eleitorado. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio.

Se o segundo turno fosse entre Ciro e Alckmin, o cenário também seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente por 36% a 33%. Brancos, nulos e indecisos somariam 31% do eleitorado. É a quarta vez que Ciro aparece numericamente à frente na disputa. Na semana passada, ele tinha 4 p.p. a mais que o ex-governador paulista. Em nenhum momento um dos candidatos teve vantagem superior ao limite da soma das respectivas margens de erro, mas na maior parte do tempo Alckmin liderou.

Caso Bolsonaro e Ciro se enfrentassem, o pedetista venceria com 44% das intenções de voto, contra 39% do parlamentar. Brancos, nulos e indecisos somariam 18%. Há cinco semanas, o ex-governador contava com vantagem de apenas 2 pontos percentuais. Ciro chegou a ficar 8 pontos à frente na semana passada. Bolsonaro esteve em vantagem numérica na maior parte do tempo, mas em quadro de empate técnico. Apenas nos dois primeiros levantamentos, realizados em maio, ele vencia com diferença superior à soma das margens de erro.

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados em quais candidatos não votariam em hipótese alguma. Marina Silva lidera o ranking da rejeição com taxa de 75%, em um salto de 7 pontos percentuais em comparação com a semana anterior. Em um mês, foi um salto de 13 p.p., a maior elevação em repúdio registrada entre os principais candidatos.

Logo atrás aparece Fernando Haddad, rejeitado por 65% do eleitorado – crescimento de 5 p.p. em relação aos percentuais registrados nas últimas duas semanas. O petista é seguido de perto por Geraldo Alckmin, que viu sua taxa subir de 61% para 64% em uma semana.

Já Bolsonaro viu sua rejeição oscilar negativamente em 1 p.p., ficando em 59%. Antes do ataque a facada sofrido em Juiz de Fora (MG) há um mês, o deputado havia alcançado seu maior nível de repúdio entre o eleitorado: 62%.

Ciro Gomes, por sua vez, é repudiado por 58% dos eleitores, contra 55% de Álvaro Dias. O senador, porém, é desconhecido por 22%, contra 5% registrados do lado do pedetista. A trajetória dos índices de rejeição dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

FONTE: XP/IPESPE

 

 

Haddad salta 6 pontos e deixa Ciro para trás, mas vê rejeição chegar a 60%; Bolsonaro sobe para 28%

Infomoney

 

Com apenas 10 dias como candidato à presidência, petista chega a 16% das intenções de voto, mas sua rejeição já supera numericamente a de Bolsonaro. O deputado, por sua vez, dispara entre eleitorado evangélico e reforça bases.

SÃO PAULO – Duas semanas após ser vítima de um atentado a facada durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), o deputado Jair Bolsonaro (PSL) continua crescendo nas pesquisas para a corrida presidencial. A 16 dias do primeiro turno, o parlamentar chegou a 28% das intenções de voto no cenário estimulado, segundo pesquisa XP/Ipespe realizada entre 17 e 19 de setembro. O desempenho representa uma oscilação positiva de 2 pontos percentuais em comparação com a semana anterior, movimento correspondente à margem de erro máxima da pesquisa.

Só em setembro, o deputado cresceu 5 p.p.. No cenário espontâneo, quando eleitores indicam em quem pretendem votar sem que lhes sejam apresentados nomes de candidatos, o salto de Bolsonaro é de 8 p.p., para 24%, o que indica uma cristalização de apoio entre 1/4 do eleitorado. Nos dados estratificados, observa-se movimento positivo do parlamentar entre quase todas as faixas do eleitorado, mas é entre os domiciliados no Sudeste, evangélicos e renda superior a dois salários mínimos que o salto foi mais expressivo. Somente neste grupo religioso específico, Bolsonaro foi de 26% para 39% em uma semana.

Logo atrás do deputado aparece o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), que agora não mais divide a segunda posição com um adversário. A dez dias como candidato oficial do PT à presidência, em substituição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad viu suas intenções de voto dobrarem para 16% em duas semanas no cenário estimulado, sendo 6 p.p. de alta apenas entre o último levantamento e o atual. Pela primeira vez, não se observa significativa diferença no desempenho do petista quando seu nome é apresentado aos entrevistados acompanhado da informação de que é o nome apoiado por Lula na disputa.

Da semana passada para cá, Haddad saltou de 19% para 25% nas intenções de voto no Nordeste e agora lidera a disputa na região. O petista também apresentou crescimento significativo no Sudeste neste período: de 7% para 12%. O avanço se deu de forma equilibrada entre as faixas etárias, mas foi mais intenso entre eleitores com Ensino Médio (de 5% para 13%) e renda familiar mensal de até dois salários mínimos (de 10% para 17%), segmentos em que o lulismo se faz mais presente. Em paralelo ao avanço na disputa, Haddad também vê seu índice de rejeição crescer (dados completos abaixo dos cenários de segundo turno apresentados).

Com o forte avanço, Haddad conseguiu abrir uma vantagem de 5 pontos sobre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com quem aparecia tecnicamente empatado em levantamentos anteriores. O pedetista oscilou negativamente 1 p.p. e agora tem 11% das intenções de voto. Ele é o candidato mais bem visto pelos eleitores de adversários como segunda opção de voto ao longo deste processo eleitoral, embora também seja um dos que mais corre risco de ser negativamente afetado pelo chamado "voto útil". Segundo o levantamento, 54% dos apoiadores de Ciro admitem a possibilidade de votar em outro candidato para evitar a ida ao segundo turno de um candidato indesejado. A pesquisa também mostrou que Ciro é o único candidato que hoje supera Bolsonaro por diferença acima da margem de erro (veja os detalhes nos cenários de segundo turno).

Dono da maior fatia de tempo no horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) não consegue romper a resistência dos 10% de intenções de voto. Desta vez, o tucano aparece com 7%, em uma oscilação negativa de 2 p.p. em comparação com a última pesquisa, o que o mantém em condição de empate técnico com a ex-senadora Marina Silva (Rede), que tem 6% – menos da metade do que tinha há três semanas. A quase duas semanas do primeiro turno e com a viabilidade de suas candidaturas posta em questionamento, os dois candidatos correm riscos crescentes de sofrerem com os efeitos do 'voto útil'. Segundo o levantamento, 52% dos eleitores da ex-senadora e 42% dos apoiadores do tucano admitem a possibilidade de trocar de candidato para evitar uma disputa de segundo turno com um candidato indesejado.

O nome mais exposto a este efeito negativo do 'voto útil' seria o senador Álvaro Dias (Podemos), com 60% de seus eleitores admitindo essa possibilidade. Por um cruzamento de dados da pesquisa, os apoiadores do parlamentar se dividem entre Alckmin e Bolsonaro como segunda opção de voto. Dias tem 3% das intenções de voto, mesmo percentual do empresário João Amoêdo (Novo). O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) tem 2%, ao passo que o deputado Cabo Daciolo (Patriotas) aparece com 1%. Outros candidatos não pontuaram na pesquisa.

De acordo com o levantamento XP/Ipespe, o grupo dos "não voto" (composto por votos em branco, nulos e eleitores indecisos) soma 23% do eleitorado no cenário estimulado, mesmo patamar registrado na semana anterior. No cenário espontâneo, eles somam 39% dos eleitores – uma queda de 8 p.p. em comparação com a última pesquisa.

O levantamento também mostrou que, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno, o nível de interesse pela eleição presidencial oscilou positivamente de 59% para 60%. Agora, 37% dos eleitores se dizem muito interessados, enquanto 23% afirmam estar mais ou menos interessados no processo. Duas semanas atrás, a soma desses grupos representava 52% do eleitorado. A faixa de eleitores que se diz desinteressada com o processo está em 22%, o que pode indicar uma ativação tardia e decisão de voto de parcela relevante durante o sprint final.

Confira os cenários de primeiro turno para a corrida presidencial testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos:

Cenário 1: pesquisa estimulada

Cenário 2: com Fernando Haddad, 'apoiado por Lula'*

*O cenário busca simular o potencial de transferência de votos de Lula a Haddad. Nesta situação, o nome de Haddad é apresentado pelo entrevistador juntamente com a informação de que é o candidato apoiado por Lula. O ex-presidente teve seu pedido de registro de candidatura indeferido pelo plenário do TSE, por 6 votos a 1, em 1º de setembro, o que fez com que o PT substituísse seu representante na disputa dez dias depois.

Segundo turno

Foram testadas seis situações de segundo turno nesta pesquisa. Vale lembrar que, assim como nas últimas duas semanas, em função do aumento do número de entrevistas (de 1.000 para 2.000), a margem de erro máxima caiu de 3,2 p.p. para 2,2 p.p., o que pode modificar interpretações sobre alguns dos cenários apresentados em relação a levantamentos mais antigos.

Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria com 38% das intenções de voto, contra 31% para o petista, e 31% de brancos, nulos e indecisos. A diferença entre os dois candidatos chegou a ser de 16 pontos percentuais a favor do ex-governador em três pesquisas. Uma semana atrás, era de 10 pontos. Em nenhum momento Haddad esteve à frente.

No caso de enfrentamento entre Alckmin e Bolsonaro, o cenário é de empate, com 39% das intenções de voto para cada. Brancos, nulos e indecisos somam 22%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio. Nas últimas duas semanas, o tucano apareceu numericamente à frente, mas em situação de empate técnico. Na maior parte do tempo, Bolsonaro apresentou níveis de apoio mais elevados, mas a diferença, salvo em dois momentos, ficou dentro do limite da margem máxima de erro.

Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o parlamentar lidera a disputa com 40% das intenções de voto, contra 35% para a ex-senadora. Brancos, nulos e indecisos somam 25%. Com este resultado, o deputado interrompe uma sequência de 14 semanas numericamente atrás e em situação de empate técnico com Marina. Agora, a diferença entre ambos, favorável a Bolsonaro, supera o limite da soma das margens de erro dos candidatos.

Se o segundo turno fosse entre Ciro e Alckmin, o cenário seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente por 37% a 35%. Brancos, nulos e indecisos agora somam 29% do eleitorado. É a segunda vez que Ciro aparece numericamente à frente na disputa. Em nenhum momento um dos candidatos teve vantagem superior ao limite da soma das respectivas margens de erro, mas na maior parte do tempo Alckmin esteve numericamente à frente.

Caso Bolsonaro e Ciro se enfrentassem, o pedetista venceria com 40% das intenções de voto, contra 35% do parlamentar. Brancos, nulos e indecisos somariam 26%. O quadro é exatamente o mesmo do levantamento anterior e representa a quarta vez na série histórica que Ciro lidera a simulação. Há três semanas, o pedetista contava com vantagem de apenas 2 pontos percentuais. Nos dois primeiros levantamentos, realizados em maio, o deputado vencia com diferença superior à soma das margens de erro.

A pesquisa também simulou um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Neste caso, o quadro também é de empate técnico, com o deputado numericamente à frente por placar de 41% a 38%. O grupo dos "não voto" soma 21%. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 pontos percentuais. Na semana passada, a diferença passou para apenas 2 pontos. Em nenhum momento Haddad esteve à frente.

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados em quais candidatos não votariam em hipótese alguma. Marina Silva lidera o ranking da rejeição com taxa de 67%, em um crescimento de 3 pontos percentuais em comparação com a semana anterior e de 7 pontos em um intervalo de um mês. Foi a maior elevação em repúdio registrada entre os principais presidenciáveis.

No sentido oposto, Bolsonaro manteve os 57% apresentados na semana anterior, o que corresponde a um recuo de 5 pontos em relação ao seu maior patamar, registrado no início de setembro, antes do atentado sofrido em Juiz de Fora. O deputado encontra-se em condição de empate técnico neste quesito com Alckmin e Haddad, que hoje são rejeitados por 60% do eleitorado.

Já Ciro Gomes é repudiado por 54% dos eleitores, contra 51% de Álvaro Dias. O senador, porém, é desconhecido por 26%, contra 7% registrados do lado do pedetista. A trajetória dos índices de rejeição dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

CANDIDATO

DE 06 A 08/08

DE 13 A 15/08

DE 20 A 22/08

DE 27 A 29/08

DE 3 A 5/09

DE 10 A 12/09

DE 17 A 19/09

Jair Bolsonaro

57%

58%

59%

61%

62%

57%

57%

Marina Silva

59%

60%

60%

60%

62%

64%

67%

Ciro Gomes

60%

59%

59%

59%

59%

56%

54%

Geraldo Alckmin

57%

59%

60%

59%

59%

60%

60%

Álvaro Dias

46%

48%

48%

48%

48%

49%

51%

Fernando Haddad

56%

54%

54%

56%

57%

57%

60%

Fonte: XP/Ipespe

 

Bolsonaro vê rejeição chegar a 61% e risco de “voto útil” contrário crescer, mostra XP/Ipespe

Apesar de liderar corrida presidencial em cenários sem o ex-presidente Lula, deputado é visto como pior presidente para o Brasil por 29% dos eleitores, maior taxa entre os candidatos

Marcos Mortari, 31 ago, 2018 09h31

SÃO PAULO – A poucos dias do início da campanha no rádio e na televisão, onde deverá ser alvo de ataques e terá pouco espaço para se defender, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) mantém a liderança da corrida presidencial nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também vê sua rejeição atingir o maior nível já registrado. É o que mostra pesquisa realizada pelo Ipespe entre 27 e 29 de agosto, a 15° encomendada pela XP Investimentos. O levantamento, registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-07252/2018, ouviu 1.000 pessoas e tem margem máxima de erro de 3,2 pontos para cima ou para baixo.

Segundo a pesquisa, Bolsonaro manteve apoio de uma faixa entre 21% e 23% dos entrevistados, dependendo do cenário considerado. A maior taxa é registrada quando a candidatura de Lula não é considerada. Preso há quase cinco meses após ser condenado por unanimidade em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o petista está potencialmente inelegível em função da Lei da Ficha Limpa. Neste caso, Bolsonaro apresenta vantagem de até 10 pontos percentuais em relação ao adversário mais bem posicionado, no caso Marina Silva (Rede), com 13% das intenções de voto. A ex-senadora está tecnicamente empatada com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com 10%, e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, atual vice na chapa de Lula e cotado como o favorito para substituí-lo ao longo da disputa, aparece com 6% das intenções de voto. O patamar é o mesmo da semana passada e 1 ponto percentual abaixo da máxima registrada em meados de agosto. Nesta simulação, ele está tecnicamente empatado com o ex-senador Álvaro Dias (Podemos) e o empresário João Amoêdo (Novo), nanico considerado a grande surpresa deste momento da corrida eleitoral — só no cenário espontâneo, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, ele conta com o apoio de 3%, mesmo patamar de Alckmin, Ciro e Marina, e atrás apenas de Lula (19%) e Bolsonaro (16%). Haddad sobe para 13% quando seu nome é acompanhado da informação de que ele seria o candidato "apoiado por Lula" na disputa, ocupando, assim, a segunda colocação na corrida — 8 p.p. atrás do líder Bolsonaro. Neste caso, o petista aparece tecnicamente empatado com Ciro Gomes (10%), Marina Silva (10%) e Geraldo Alckmin (8%). Brancos, nulos e indecisos somam 28% nesta simulação. Quando Lula aparece como candidato, a taxa cai para 15%. De acordo com o levantamento, a transferência de votos de Lula a Hadad, nesta simulação, é de apenas 32%, a mesma taxa da semana anterior. Como no momento o PT tem adotado a estratégia da insistência na candidatura de Lula, os esforços na transferência de votos a Haddad ainda não se intensificaram, embora o exprefeito já tenha começado a percorrer o País para difundir as ideias da campanha petista. No partido há controvérsia sobre quando a substituição de candidatura deve ocorrer. Legalmente, o prazo para isso ocorrer é até 17 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno. Apesar de liderar a corrida presidencial nos cenários mais prováveis (sem Lula), Bolsonaro enfrenta uma crescente taxa de rejeição (confira detalhes abaixo), o que pode afetar seu desempenho em eventual disputa de segundo turno. A pesquisa XP/Ipespe também perguntou aos eleitores qual dos candidatos seria o pior presidente para o Brasil. Para 29%, a resposta seria Bolsonaro, ao passo que 23% apontam para Haddad e 9% para Marina Silva. O deputado só não é o mais indicado entre os eleitores de Alckmin e Álvaro Dias. Esta pergunta ajuda a indicar caminhos de um possível "voto útil" no primeiro turno e um efeito de veto a um candidato em eventual disputa de segundo turno.

 

Confira os cenários de primeiro turno testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos

 

Cenário 1: com Lula candidato

 

Cenário 2: com Fernando Haddad candidato pelo PT

 

Cenário 3: com Fernando Haddad, "apoiado por Lula"

 

Migração de votos de Lula: Cenário 1 para Cenário 3

 

Segundo turno

Foram testadas sete situações de segundo turno. Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria por 36% a 24%, com 40% de brancos, nulos e indecisos. A diferença chegou a ser de 16 pontos percentuais a favor do candidato do PSDB em três semanas. Em uma simulação de disputa entre Lula e Bolsonaro, o petista aparece à frente, com 45% das intenções de voto contra 34%, acima do limite máximo de margem de erro de ambos. Brancos, nulos e indecisos somam 21%. Cinco semanas atrás, a vantagem numérica de Lula era de 6 pontos, o que configurava empate técnico. No início da série histórica, o deputado aparecia 2 pontos à frente, também em situação de empate técnico, já que, pela margem de erro (3,2 p.p.), o petista poderia até superá-lo. Caso Bolsonaro e Alckmin se enfrentassem, a situação seria de empate, com ambos registrando 35% das intenções de voto. Brancos, nulos e indecisos somam 30%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio, acima do limite da margem de erro de ambos. Em nenhum momento até aqui o tucano esteve à frente, embora esta seja a segunda vez em que eles aparecem empatados numericamente. Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com a exsenadora numericamente à frente por 37% a 34%. Brancos, nulos e indecisos somam 29%. O deputado esteve numericamente à frente nos dois primeiros levantamentos da série, realizados na terceira e quarta semanas de maio, quando a diferença chegou a ser de 6 pontos percentuais, também dentro do limite da soma das margens de erro. Os dois estão tecnicamente empatados nesta simulação desde a primeira pesquisa realizada, em maio. Empate técnico também é observado na simulação de disputa entre Alckmin e Ciro, com o tucano numericamente à frente por 34% a 29%. A diferença, dentro do limite das margens de erro, é a mesma das últimas três semanas. Brancos, nulos e indecisos agora somam 37%. Na última semana de junho, os dois apareciam com 32% das intenções de voto. Já na primeira semana daquele mês, o pedetista esteve numericamente à frente por diferença de 3 pontos, único momento em que liderou, embora dentro da margem de erro. Se Bolsonaro e Ciro se enfrentassem em uma disputa de segundo turno, o cenário seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente com 34% das intenções de voto, contra 32% do parlamentar. É a primeira vez na série histórica que Ciro pontua mais nesta simulação. Brancos, nulos e indecisos agora somam 34%. Nos dois primeiros levantamentos realizados, em maio e abril, o deputado vencia a disputa com diferença superior à soma das margens de erro dos candidatos. A pesquisa também simulou um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Neste caso, o quadro também é de empate técnico, com o deputado numericamente à frente por placar de 37% a 34%. O grupo dos "não voto" soma 29%. Apesar da vantagem a favor do parlamentar, esta é a menor diferença já registrada entre ambos. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 pontos percentuais. Rejeição aos candidatos A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre os candidatos em que não votariam sob nenhuma hipótese. Pela primeira vez desde que o levantamento começou a ser feito, em maio, Bolsonaro atingiu a marca de 61% e passou a liderar numericamente o ranking, em condição de empate técnico com todos os candidatos testados, exceto Álvaro Dias, ainda desconhecido por 31% dos eleitores. Lula oscilou 2 pontos percentuais para baixo, chegando aos 58% de rejeição, ao passo que Marina Silva manteve-se na taxa de 60%, seu maior patamar. Alckmin e Ciro têm 59%, 3 pontos a mais que Haddad, ainda desconhecido por 24% dos entrevistados. A trajetória dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

 

 

 

Lula alcança seu maior patamar, mas transferência a Haddad ainda é baixa, mostra XP/Ipespe

A 44 dias do primeiro turno, apenas um em cada três eleitores de Lula indicam migração para "plano B" petista

Marcos Mortari, 24 ago, 2018 10h05

SÃO PAULO – A uma semana do início do horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou seu maior patamar de intenções de voto na disputa pelo Palácio do Planalto. De acordo com pesquisa XP/Ipespe, realizada entre 20 e 22 de agosto, o petista agora tem apoio de 32% na simulação de primeiro turno em que sua candidatura é considerada — 12 pontos percentuais acima do segundo colocado, o deputado Jair Bolsonaro (PSL). O resultado representa uma oscilação positiva de um ponto em relação à semana anterior. Nesta simulação, os votos em branco, nulos e indecisos somam 18%. A pesquisa, registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-07829/2018, ouviu 1.000 pessoas e tem margem máxima de erro de 3,2 pontos para cima ou para baixo. Preso há mais de quatro meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro após ser condenado por unanimidade em segunda instância, Lula está inelegível e tem poucas chances de poder participar da disputa, em função da Lei da Ficha Limpa. A pesquisa mostra que, apesar do bom desempenho, o ex-presidente ainda transfere poucos votos a seu vice, Fernando Haddad, cotado como o favorito para substituí-lo ao longo da disputa. O ex-prefeito paulistano tem 6% das intenções de voto no cenário em que é considerado candidato do PT, situação de empate técnico com outros três candidatos: Marina Silva (Rede), com 12%; Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), ambos com 8%. O líder nesta simulação é Bolsonaro, com 23%, ao passo que o grupo dos "não voto" soma 30%

Assim como nas edições anteriores, a pesquisa testa o comportamento do eleitor quando o nome de Haddad é associado explicitamente a um esperado apoio de Lula. Nesta situação, o ex-prefeito cresce para 13% das intenções de voto. Bolsonaro lidera com 20% de apoio, ao passo que brancos, nulos e indecisos somam 31%. Uma semana atrás, o possível candidato petista tinha 15% das intenções de voto, o que correspondia a uma transferência de 44% do total conquistados por Lula. Agora, a taxa está em 32%, o menor percentual já registrado na série histórica da pesquisa XP/Ipespe, iniciada em maio. O movimento se dá em função da oscilação positiva de Lula e negativa de Haddad no recente levantamento.

Nos dados estratificados, Lula tem 50% das intenções de voto no Nordeste e 37% de apoio dos eleitores com renda familiar mensal abaixo de dois salários mínimos. Já Haddad, mesmo no cenário com apoio explícito de Lula, tem 21% de intenções de voto dos nordestinos e 17% entre os eleitores das classes D e E. Como no momento o PT tem adotado a estratégia da insistência na candidatura de Lula, os esforços na transferência de votos a Haddad ainda não se intensificaram, embora o ex-prefeito já tenha começado a percorrer o País para difundir as ideias da campanha petista. No partido há controvérsia sobre quando a substituição de candidatura deve ocorrer. Legalmente, o prazo para isso ocorrer é até 17 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno.

A pesquisa XP/Ipespe também reforça a percepção de consolidação do apoio a Bolsonaro. No cenário espontâneo, quando não são apresentados nomes de candidatos aos eleitores, o deputado tem 15% das intenções de voto. Este tem sido o patamar do parlamentar nas sondagens desde maio, com flutuações de até 3 pontos percentuais, variação dentro da margem de erro. Por outro lado, este foi o primeiro levantamento da série histórica em que Lula apareceu numericamente à frente do deputado no cenário espontâneo, com 18% de apoio. Isso pode ser explicado com o movimento gerado em função do registro da candidatura do ex-presidente, embora as chances de ele realmente participar da disputa sejam pequenas. Confira os cenários de primeiro turno testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos

 

Cenário 1: com Lula candidato

 

Cenário 2: com Fernando Haddad candidato pelo PT

 

Cenário 3: com Fernando Haddad, "apoiado por Lula"

 

Migração de votos de Lula: Cenário 1 para Cenário 3

Segundo turno Foram testadas sete situações de segundo turno. Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria por 36% a 23%, com 41% de brancos, nulos e indecisos. A diferença chegou a ser de 16 pontos percentuais a favor do candidato do PSDB em três semanas. Em uma simulação de disputa entre Lula e Bolsonaro, o petista aparece à frente, por 45% das intenções de voto a 33%, acima do limite máximo de margem de erro de ambos. Esta é a maior diferença entre os dois já registrada. Brancos, nulos e indecisos somam 22%. Quatro semanas atrás, a vantagem numérica de Lula era de 6 pontos, o que configurava empate técnico. No início da série histórica, o deputado aparecia 2 pontos à frente, também em situação de empate técnico, já que, pela margem de erro (3,2 p.p.), o petista poderia até superá-lo. Caso Bolsonaro e Alckmin se enfrentassem, a situação seria de empate técnico, com o deputado numericamente à frente, com 34% contra 33% do tucano. Brancos, nulos e indecisos somam 33%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio, acima do limite da margem de erro de ambos. Em nenhum momento até aqui o tucano esteve à frente. Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com a ex-senadora numericamente à frente por 37% a 33%. Brancos, nulos e indecisos somam 30%. O deputado esteve numericamente à frente nos dois primeiros levantamentos da série, realizados na terceira e quarta semanas de maio, quando a diferença chegou a ser de 6 pontos percentuais a seu favor, também dentro do limite da soma das margens de erro de ambos os candidatos. Os dois estão tecnicamente empatados nesta simulação desde a primeira pesquisa realizada, em maio. Empate técnico também é observado na simulação de disputa entre Alckmin e Ciro, com o tucano numericamente à frente por 33% a 28%. A diferença, dentro do limite das margens de erro, é a mesma da semana anterior. Brancos, nulos e indecisos agora somam 39%. Na última semana de junho, os dois apareciam com 32% das intenções de voto. Já na primeira semana daquele mês, o pedetista esteve numericamente à frente por diferença de 3 pontos, único momento em que liderou, embora dentro da margem de erro. Se Bolsonaro e Ciro se enfrentassem em uma disputa de segundo turno, o cenário seria de empate, com ambos tendo apoio de 32% do eleitorado. Brancos, nulos e indecisos somam 36%. Nos dois primeiros levantamentos, o deputado vencia a disputa com diferença superior à soma das margens de erro dos candidatos. A pesquisa também simulou disputa de segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Ao contrário das primeiras quatro semanas em que o cenário foi testado, a disputa está em empate técnico, com o parlamentar numericamente à frente por 38% a 32%. O grupo dos "não voto" soma 30%.

 

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre os candidatos em que não votariam sob nenhuma hipótese. Lula, Marina Silva e Geraldo Alckmin lideram a lista com taxa de 60% entre os entrevistados. Tecnicamente empatados com eles aparecem Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, com 1 ponto percentual a menos de rejeição. Fernando Haddad tem taxa de 54%, também tecnicamente empatado com os líderes, dentro do limite da margem de erro. A trajetória dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

Fonte: XP/IPESPE

Metodologia

 A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 20 e 22 de agosto, e ouviu 1.000 entrevistados em todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados "ao vivo" por entrevistadores (com aleatoriedade na leitura dos nomes dos candidatos nas perguntas estimuladas) e submetidos a fiscalização posterior em 20% dos casos para verificação das respostas. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc. O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 3,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-07829/2018 e teve custo de R$ 30.000,00. O Ipespe realiza pesquisas telefônicas desde 1993 e foi o primeiro instituto no Brasil a realizar tracking telefônico em campanhas eleitorais, a partir de 1998. O instituto tem como presidente do conselho científico o sociólogo Antonio Lavareda e na diretoria executiva, Marcela Montenegro