IPESPE debate Eleições 2018 no Recife

                            

A um ano das Eleições 2018, o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas promove a terceira edição do “Seminários IPESPE” no dia 31 de outubro, das 14h30 às 16h, no auditório do Empresarial Cervantes (Praça Dr. Fernando Figueira, 30, Ilha do Leite – Recife/PE). O tema do debate, que será aberto ao público, é “Eleições 2018: Um Ano à frente”.

O palestrante será o presidente do conselho científico do Ipespe e do Neurolab Brasil, Antonio Lavareda. Doutor em Ciência Política (IUPERJ), Lavareda é professor colaborador da Pós-Graduação em Ciência Política da UFPE. É autor, entre outros, de Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais e Democracia nas Urnas.

O debate ficará a cargo de Juliano Domingues, doutor em Ciência Política (UFPE), professor da Unicap, foi visiting scholar no Ray C. Bliss Institute of Applied Politics (Universidade de Akron, Ohio, EUA). Atualmente, desenvolve pesquisa de pós-doutorado vinculado ao Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Já a moderação ficará com o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPE, Ernani Carvalho.

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“Neuropropaganda de A a Z”, de Antonio Lavareda, é indicado ao Prêmio Jabuti

“Neuropropaganda de A a Z", de Antonio Lavareda e João Paulo Castro, é finalista da 59º edição do Prêmio Jabuti na categoria Comunicação. Lançada pela Editora Record ano passado, a obra já esgotou sua primeira edição, fazendo sucesso entre profissionais e estudantes de Comunicação. O resultado final sairá dia 30 de novembro, em cerimônia no auditório do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

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Leia, na íntegra, a entrevista de Antonio Lavareda à IstoÉ

Por Germano Oliveira – IstoÉ

O cientista político Antonio Lavareda, de 66 anos, já foi consultor de 91 campanhas eleitorais. Presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), do Recife, Lavareda escreveu também dezenas de livros sobre marketing eleitoral. Em entrevista à ISTOÉ, ele diz que, faltando um ano para as eleições, ainda é prematuro definir o quadro, mas de uma coisa tem certeza: Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto, nem deverá ser candidato. “A probabilidade disso acontecer é próxima de zero”. Sem o ex-presidente no páreo, a esquerda se dividirá entre vários candidatos, como o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT). Marina Silva (Rede) pode crescer, enquanto que o deputado Jair Bolsonaro, atualmente em segundo nas pesquisas,“vai se desidratar”. Resta, então, saber se os partidos de centro, como PSDB, PMDB e DEM, vão se unir ou se seguirão divididos. Unidos, podem chegar ao segundo turno e ganhar. O problema é que o prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin travam uma luta fraticida pela vaga do PSDB. Lavareda acha que a melhor solução seria a realização de prévias entre os dois.


Como o senhor vê o grande descrédito da população em relação aos políticos? É tudo por conta da Lava Jato?

A Lava Jato, na verdade, é apenas o acelerador moral específico no nosso processo de crise de representação. Além de afetar os partidos, agora fatores como a globalização e a tecnologia produzem, a cada dia, maior distanciamento entre os cidadãos e as instituições em todos os níveis, enfraquecendo a arquitetura democrática no seu pilar básico que é a confiança.

Pesquisa feita recentemente pelo Instituto Ipsos mostra que a desaprovação às autoridades atinge indiscriminadamente os políticos que estão no poder, como o presidente Michel Temer, mas também os principais candidatos a presidente. Isso mostra que falta esperança também em relação ao futuro?

Nós, brasileiros, queremos identificar uma lanterna na proa e um timoneiro seguro e confiável para nos levar adiante, ao menos para além da zona do redemoinho. Predominam na sociedade sentimentos de ansiedade, incerteza e até desânimo. Descrédito e desesperança elevados, alimentando um certo rancor amplamente disseminado. E algumas benquerenças da bagagem afetiva dos entrevistados, adquiridas pelo filtro da mídia. Nada nos diz sobre o futuro, nem poderia dizer com uma única questão. A cartomancia das pesquisas está longe de poder ser tão resumida.

Além dos políticos, também os membros do Poder Judiciário são rejeitados pela população, como o ministro Gilmar Mendes. Isso se deve ao fato dele ter mandado soltar empresários corruptos do Rio de Janeiro?

Que o Judiciário e seus atores também façam parte da linha de tiro do rancor da sociedade é bastante positivo. Porque convoca a todos a construir escadas que permitam aos membros dos três poderes saírem do poço do descrédito. Decisões polêmicas, seja no âmbito da Lava Jato e congêneres, seja do juiz que libera o estuprador, funcionam apenas como estopim do processo. Como afirmei antes, a crise é de confiança. Sem restaurarmos esse vínculo psicológico coletivo entre Estado e sociedade, e uma harmonia razoável entre os três poderes – que no Brasil são quatro por conta da autonomia absoluta do Mininstério Público – , não iremos muito longe. Uma revisão da Constituição de 1988 nos seus capítulos sobre a organização e os poderes do Estado poderia ser um bom caminho.

Lula hoje é o político com o maior número de intenções de votos, mas com uma rejeição muito grande. O senhor acha que ele acabará nem sendo candidato?


Ao refletirmos sobre eleições, devemos trabalhar com cenários plausíveis. Sem fazernenhuma avaliação sobre a pertinência das decisões judiciais, acredito que a probabilidade de Lula vir a ser candidato é próxima de zero. Terá com certeza a sentença condenatória do tríplex confirmada na segunda instância antes do prazo de inscrição das chapas e, talvez, já uma próxima condenação em primeira instância no
processo relativo ao sítio.

Se ele não puder ser candidato por uma condenação em segunda instância, o senhor acha que o PT terá fôlego eleitoral para lançar um outro nome, como o ex-prefeito Haddad?

Com certeza. O PT segue sendo o partido com maior enraizamento social no País. Na última avaliação publicada, o partido surgiu com 17% de preferências, o dobro do segundo e terceiro colocados. Mas está às voltas com uma grave crise de identidade, associada até mais ao malogro do governo Dilma do que à Lava Jato, que tem se revelado isonômica na distribuição dos prejuízos de imagem. Sofreu um recuo de 60% nas prefeituras no ano passado. Foi empurrado para fora das capitais e dos grandes centros. Deverá recuar algo parecido nas eleições parlamentares do próximo ano. Não ganhará a eleição presidencial, mas poderá continuar a ser a principal força de esquerda no Congresso.

O PSDB sempre surge como uma via importante, que tem polarizado as últimas seis eleições presidenciais com o PT. O senhor acha que em 2018 teremos novo embate entre PT e PSDB?


Tudo vai depender do grau de fragmentação na oferta de candidatos. Esses dois partidos continuam a ser os principais polos da política nacional. Porém, já se pode antever a esquerda, sem Lula, fracionada entre Haddad, Ciro Gomes, uma candidatura do PSOL, o que poderá aumentar o peso no primeiro turno de Marina, no centro esquerda, em especial se ela atrair, como tem tentado, um nome da magistratura para sua chapa. Do outro lado, já há candidaturas postas como de Álvaro Dias, que começará nas pesquisas com um bom registro na região Sul e, na extrema direita, a candidatura de Bolsonaro, que deve desidratar. Resta aberto então o que farão as forças do centro (PSDB, PMDB, DEM, PSD, PP e outros). Vão se unir em torno de um candidato que terá amplas chances de ir ao segundo turno e ganhar a eleição, ou se dividirão? É bom que pensem nisso.

Pelo PSDB, está se desenhando uma luta fraticida pela candidatura a presidente. O senhor acha que Alckmin e Doria não abrirão mão de suas candidaturas? Como deve ser a disputa entre os dois?

Temos um problema cultural, porém em algum momento iremos constatar que a existência de diferentes posições dentro de um mesmo partido é algo positivo, porque ajuda a vitalizá-lo e amplifica seu alcance na sociedade. E não o contrário. Imagina o que diria a imprensa se uma das nossas legendas estivesse em algum momento “dividida” entre 17 pré-candidatos? Pois bem, foi o que ocorreu nas primárias republicanas em 2015. Em 2016, os americanos elegeram Trump presidente. Qualquer partido que se pretenda moderno não tem caminho melhor do que prévias ou primárias para definição de seus candidatos.


Hoje, Doria está melhor posicionado nas pesquisas do que Alckmin. O senhor acha que os caciques tucanos levarão índices de pesquisa em consideração ou prevalecerá o critério de que Alckmin está há mais tempo na fila?


Nenhuma das duas. Definição de candidaturas presidenciais é algo muito estratégico e de grande responsabilidade. No cálculo do comando partidário ou das bases ouvidas em prévias, um elemento central é a compreensão dos desafios a serem enfrentados pelo próximo presidente, porque isso rebaterá no perfil do candidato ideal. Quanto a adotar intenções de voto a um ano da eleição como critério, seria demasiada ingenuidade. Recordemos as recentes disputas em eleições presidenciais abertas. A esta altura, todos os prognósticos fracassariam: Lula seria o eleito de 1994; Roseana a vitoriosa de 2002; e Serra o presidente em 2010. E antes da campanha de 2016, em São Paulo, João Doria aparecia em quarto lugar na mesma questão.


Doria tem se lançado como o anti-Lula. O senhor acha que Doria só poderia ser candidato se for para enfrentar Lula?


Ao que parece, o posicionamento da grande maioria de suas declarações e discursos vai nessa direção, antagonizando de forma sempre contundente com o ex-presidente, e, dessa forma, cultivando o reconhecimento daqueles que o rejeitam. O problema é exatamente esse. Sem Lula no ringue, esse pugilato pode perder o sentido. Mas o prefeito não é tolo, e, agora, dá sinais visíveis de correção desse rumo.

Se Lula for candidato e se vier a ser eleito, será um retrocesso para o País?

Dificilmente assistiremos esse retorno de Lula em 2018. Dois fatores me permitem ser categórico nesse ponto. O primeiro deles foi o desastre representado pelo último governo petista, do qual um componente importante foi o estelionato eleitoral. Até hoje, vemos algumas manifestações pregando o “Fora Temer”, mas quantas faixas foram levantadas bradando pelo “Volta Dilma”? Nenhuma. O desastre daquele governo é consenso até entre os petistas. Em segundo lugar, já vinha ocorrendo um realinhamento do eleitorado que iria fatalmente desalojar o PT do governo. Embora
vitoriosos, a cada eleição o partido minguava sua vantagem e deixava de ser majoritário em um estrato social. Ganhou em todos em 2002. Na eleição seguinte, já perdeu no segundo turno entre os de renda mais alta. Em 2010, só ganhou entre os eleitores de até cinco salários mínimos e na reeleição de Dilma só ganhou na base da sociedade, até dois salários, o que se traduziu na sua votação do Nordeste. Esse realinhamento, por si só, já derrotaria o partido na eleição seguinte.

Temer já mostrou grande capacidade de articulação no Congresso, livrando-se da primeira acusação feita pela PGR por corrupção. O senhor acha que ele vai conseguir derrubar também a nova denúncia que o procurador Rodrigo Janot encaminhará contra ele?


Quanto mais nos aproximamos do ano eleitoral, menos sentido assume para a sociedade repetir uma experiência traumática de substituição do governo. Parece sem propósito. O presidente conta com um estado maior que tem grande intimidade com a sua base parlamentar e ele próprio, duas vezes presidente da Câmara, conhece como ninguém os caminhos que lhe possibilitarão superar mais essa denúncia. O que só não ocorreria se nela houvesse um fato extraordinário e desestabilizador.


O senhor acha que a reviravolta na delação de Joesley põe em risco todo o processo de delações?


Decerto o instituto de colaboração premiada sofreu um abalo. Mas não acredito que todas serão invalidadas. Contudo, vai ganhar corpo na Justiça a tese de que não é possível pronunciar um a acusado com base exclusivamente na declaração do delator.

 

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A “corrupção no governo” é uma das notícias mais lembradas pela população sobre o governo Temer

O Ponto a Ponto do último sábado (2) discutiu o tema “O que vai acontecer ano que vem?”, com a presença do jornalista, professor titular da USP e consultor político Gaudêncio Torquato.

A pesquisa CNI-Ibope, realizada pelo Instituto Ipsos, concluiu que 16% dos 2.002 entrevistados disseram que a “corrupção” é a notícia mais lembrada do noticiário sobre o governo Temer. Enquanto 10% responderam reforma trabalhista; 9%, “Operação Lava Jato”; 8%, “Rodrigo Janot denuncia Temer por crime de corrupção passiva” e, por último, 4% disseram “reforma previdenciária”.

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Distritão e financiamento público dominam seminário no Ipespe

Formadores de opinião estiveram presentes na segunda edição do “Seminários IPESPE”, que aconteceu na manhã desta segunda (28), na sede do instituto, na Ilha do Leite. O cientista político Marcus André Melo, professor titular da UFPE, palestrou sobre reforma política. O tema também contou com o advogado Carlos Neves Filho e o sociólogo Antonio Lavareda como debatedores.

De acordo com Marcus André, a reforma eleitoral acontece devido a uma “resposta a choques", pois o principal fato foi que, desde setembro de 2015, o STF proibiu a contribuição das empresas às campanhas eleitorais. 

O advogado Carlos Neves Filho acredita que, com a limitação do valor advindo do financiamento público de campanha, “o processo ficará dependente da ilegalidade”.

Já segundo o sociólogo Antonio Lavareda, seria um “feito da nossa democracia” se conseguisse atender os anseios das campanhas com R$ 3,6 bilhões. “Esse valor é pouco e razoável”. Para se ter ideia, a última eleição americana custou mais de US$ 2,6 bilhões (Centro de Políticas Responsáveis – CPR). Lavareda disse que mais de 90% do dinheiro usado em campanha no Brasil já é público. “Obtido por meio de obras públicas e ‘doações empresariais’”. Sobre o distritão, Lavareda disse que “se o país tiver que pagar um preço, esse seria um bom preço”.

 

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IPESPE promove seminário sobre Reforma Política

O pacto paulista

Por Maria Cristina Fernandes (Valor Econômico)

Michel Temer ainda exercia seu primeiro mandato como vice-presidente quando acumulou créditos na balança de suas relações com o prefeito de São Paulo, João Doria. No terceiro ano do mandato, em viagem de volta da China, parou em Abu Dhabi. Resistiu ao roteiro, por cansativo, mas foi convencido à escala por um amigo comum. Temer era o principal convidado da cerimônia de pedra fundamental da fábrica de derivados de carne da BR Foods.

A promoção era da empresa de eventos de Doria em benefício da fabricante de alimentos que tem como conselheiro o substituto do prefeito de São Paulo nos seus negócios, Luiz Fernando Furlan. Doria já havia deixado claro seu interesse em estreitar relações políticas com o grupo do presidente ao procurar dois de seus amigos naquele ano para comunicar seu interesse em se candidatar a prefeito de São Paulo dali a três anos.

O anúncio, por pretensioso, foi recebido com reservas, o que não o impediu de ser convidado a se filiar ao PMDB. Ao preferir se manter no PSDB, Doria reproduziu, com sinais trocados, a trajetória de Temer. Na revoada tucana de 1988, o atual presidente foi aconselhado por Franco Montoro a permanecer para fazer a ponte entre os ex-pemedebistas e o ane o antigo partido.

Esses vínculos se provariam determinantes para o pacto de não agressão firmado na disputa de 2016. Numa reunião em Brasília da qual participou toda a cúpula de comunicação pemedebista, Antonio Lavareda fez um frio diagnóstico da campanha. Se a candidata do PMDB, Marta Suplicy, e Doria continuassem a se estapear acabariam por eleger Celso Russomano prefeito.

As pretensões presidenciais de Doria cresceram na mesma medida em que decaíram as chances de Temer ser reeleito. O presidente, na definição de um integrante de seu próprio grupo político, corre o risco de sair da Presidência menor do que entrou. A ascensão de Doria passou a ser o atalho para aquele que se tornou o plano A do grupo de Temer: a eleição do presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaf, ao governo estadual.

Por isso o presidente da República está disposto a se empenhar por uma aliança que reúna PMDB, PSDB e DEM em torno de Doria. Está mais bem posicionado do que ninguém para recompor, por exemplo, as relações entre o prefeito e o senador tucano Aécio Neves, cujo afastamento definitivo da direção do PSDB foi abertamente pedido por Doria. Outros tucanos aproximaram-se do prefeito nos últimos tempos (Beto Richa, Cássio Cunha Lima e Marconi Perillo), mas Aécio é o único em condições de obstruir a pretensão de Alckmin de antecipar as prévias do partido para dezembro, data que inviabilizaria a participação de um prefeito que nem sequer teria completado um ano no cargo.

A chegada de Doria ao Palácio do Planalto seria a maneira mais segura de o atual presidente evitar uma caça às bruxas. Mas este não é o principal cimento da aliança Temer-Doria. O presidente pode se convencer da necessidade de se candidatar pelo menos a deputado para manter o foro.

O prefeito é visto como um político mais maleável a demandas empresariais, do que o governador de São Paulo. Um pemedebista enumera as empreiteiras paulistas que estão à míngua porque Geraldo Alckmin, na sua definição, governa São Paulo como se fosse um banco – "Ele deixa sangrar até a morte, não ajuda ninguém".

No grupo de Temer, a percepção é de que Alckmin é aquele vendedor de carro usado com quem se pode negociar sem nem mesmo virar a chave. E desde que o cunhado não aja como atravessador. O prefeito de São Paulo, por outro lado, é mais bem visto por cultivar o "sentimento de reciprocidade" do qual o governador é desprovido.

A percepção é referendada pelas últimas licitações feitas pelo Palácio dos Bandeirantes, abertas a empreiteiras estrangeiras e amarradas a financiamentos e garantias que inibem aditivos. A frieza do governador é atestada também por investidores que, na disputa interna do PSDB, já se colocaram a seu lado.

Num encontro recente com meia dúzia de dirigentes do mercado financeiro, Alckmin não fez rodeios na avaliação de que a política de juros "só beneficia banqueiros". Contestado, seguiu adiante: "Vocês teriam quebrado o país em 2002 se Lula não tivesse nomeado Meirelles".

Convergem na avaliação de que sua franqueza desabrida se acentuou com a morte precoce do caçula. Alckmin perseguiria suas metas como quem já não tem muito a perder. É o que explica declarações inimagináveis tempos atrás ("Meu pai sempre me disse que política é dedicação, coragem moral e vida pessoal modesta. Ficou rico é ladrão") ou reações cotidianas como aquela que teve diante de especialista que tentava lhe convencer da viabilidade eleitoral de seus planos: "Você me explica o projeto, de voto entendo eu".

Esses investidores engolem Alckmin a seco porque aprovam sua política fiscal e também pelo desencanto com Doria, atribuído a dois traços que descobriram no prefeito: é apegado a firulas e não ouve. Não faltariam exemplos, como exigências em relação a vestimentas, de garis a secretários, que são convidados a retirar a gravata em reuniões que o prefeito não as usa.

A esta fixação se contrapõe um comportamento definido como superficial. Há secretários que passaram a se guiar pelo que Doria diz na imprensa para conduzir suas pastas dada a dificuldade de falar – e ser ouvido – com o prefeito que não para de viajar pelo país. "Não são as doações de empresários que vão resolver os problemas do Brasil", resume um investidor.

A fatia bandeirante do pacto em gestação é outro ponto de insatisfação. Skaf é identificado ao mar de subsídios, isenções e refis que inunda o governo Temer. Ao presidente da Fiesp contrapõem nomes como Luiz Felipe D'Ávila, dirigente do Centro de Liderança Pública, celeiro de liberais simpáticos à abertura de oligopólios, como o da infraestrutura.

Este é apenas um dos mercados pelos quais guerreiam. A disputa só chegou a esse ponto porque não há ameaças à esquerda no Estado. A corda ainda vai ficar muito mais esticada antes de se prestar à costura. Se Doria não se viabilizar como presidenciável, o grupo de Temer trabalhará por um acordo com Alckmin. Não se espera que o PSDB abra mão de lançar um candidato em São Paulo, mas é um pacto de não agressão que se busca – uma conquista, para o padrão bandeirante.

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O Canal Livre deste domingo (6) recebeu o cientista político Antonio Lavareda e o professor do Departamento de Ciências Políticas da USP José Álvaro Moisés. Em pauta: o atual cenário político do Brasil, cheio de incertezas.

Assista ao programa abaixo.

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

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IPESPE promove seminário sobre Reforma Política

Por Blog do Jamildo – 07/08/2017

Com previsão de ser votada pelo Congresso até setembro e dar tempo de entrar em vigor já nas Eleições de 2018, a Reforma Política gera debates em todas as esferas da sociedade. Além do financiamento de campanha política, três pontos ganham destaque na Reforma Política negociada entre a Câmara e o Senado: as novas regras para a escolha de vereadores e deputados, fim das coligações nas eleições proporcionais e cláusula de desempenho para o funcionamento dos partidos. No Recife, o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas realiza os Seminários IPESPE, que ganha debate sobre o tema "Reforma Política”, dia 28 de agosto próximo, a partir das 9h, no Auditório do Empresarial Cervantes, que fica na Praça Antônio Figueira, 30, Ilha do Leite.

Realizado em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco e o Instituto Egídio Ferreira Lima, o evento é aberto ao público. O palestrante convidado é Marcus André Melo, professor titular de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, PhD pela Sussex University – Inglaterra), com pós-doutorado no Massachusets Institute of Technology. Foi professor visitante na Universidade de Yale e no MIT. É autor/coautor entre outros livros: “Brazil in transition: beliefs, leadership, and institutional change”.

O seminário terá Carlos Neves como debatedor, que é mestre pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com o tema: “O Político e o Partido: em defesa de uma representação político-partidária brasileira”. Membro-fundador e coordenador de Relações Institucionais da ABRADEP – Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político. Diretor da ESA-PE (Escola Superior da Advocacia – OAB/PE). Publicou o livro “Propaganda eleitoral e o princípio da liberdade da propaganda política”.

Além de Antonio Lavareda, que é doutor em Ciência Política (IUPERJ). Preside os conselhos científicos do Ipespe e do Neurolab Brasil. Ė professor colaborador em Ciência Política da UFPE e autor de livros como Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais (Ed. Objetiva, 2009) e Democracia nas Urnas (Ed. Revan, 1999). 

O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), fundado em 1986, é uma das instituições mais respeitadas do Brasil no setor de pesquisas de mercado e opinião pública e tem promovido uma série de debates para comemorar os 30 anos de mercado. Tem sede no Recife e conta com equipes operacionais e consultores em todos os estados do País, com atuação em âmbito nacional e internacional. 

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Combate ao crack é assunto do Ponto a Ponto

“Comida não pode deixar de ser prazerosa”, afirma nutricionista no Ponto a Ponto

Os modismos das dietas e as buscas "mágicas" para a vida saudável foram assuntos do Ponto a Ponto do último sábado (5) na BandNewsTV. O sociólogo Antonio Lavareda e a jornalista Mônica Bergamo conversam com a nutricionista Roberta Cassani, doutora em Investigação Biomédica (USP) e colunista do G1. Aos sábados, o programa vai ao ar à 0h e, aos domingos, reprisado às 17h30.

Nos últimos 10 anos, vários tipos de dietas ganharam fama, como a do jejum intermitente, a dieta da maçã, da papinha, dukan, entre outras. Segundo a nutricionista Roberta Cassani, a Nutrição é uma ciência como qualquer outra e assim deve ser encarada. "É um problema sério. Temos que, cada vez mais, buscarmos trabalhar com a individualidade. Comida não pode deixar de ser prazerosa", disse. 

Em pesquisa divulgada ano passado (Vigitel), o Ministério da Saúde identificou que mais da metade dos brasileiros têm excesso de peso (57,7% dos homens e 50,5% das mulheres). "Um dos pontos que nos preocupa é a barriguinha, que é, nada mais, nada menos do que a quantidade de gordura visceral envolvendo os órgãos principais: pâncreas, intestino etc", argumentou. Outro dado alarmante é que, em 10 anos, a obesidade aumentou quase 10% (em 2006, era de 11,8%; em 2016, 18,9%). "O sobrepeso é quando tudo começa", afirmou.

A nutricionista Roberta Cassani é doutora em Investigação Biomédica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) e pesquisadora-colaboradora do Laboratório de Genômica Nutricional na Faculdade de Ciências Aplicadas (UNICAMP). Ela também é especialista em Nutrição em Cardiologia pela Sociedade de Cardiologia de SP e membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN).

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Por Gilberto Amendola, Marianna Holanda e Felipe Frazão; O Estado de S. Paulo – 05/08/2017

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