Brasil sem Lula em 2018: quem ganharia e quem perderia no xadrez político

Por Gil Alessi – El País (17/07/2017)

Especialistas analisam a situação dos potenciais candidatos após a sentença de Sérgio Moro

Lula, a maior potencia eleitoral para as eleições de 2018, está a uma decisão judicial de virar pó. Caso o Tribunal Regional da 4ª Região confirme a decisão de Sérgio Moro, que condenou o ex-presidente Lula a 9 anos e meio de prisão, será o fim do sonho do petista de subir novamente – pela terceira vez – a rampa do palácio do Planalto. A condenação pela Corte faria dele ficha suja, e o tornaria inelegível. E de quebra o ex-mandatário ainda pode ser mandado para uma prisão, onde cumpriria pena em regime fechado. Atualmente ele lidera todos os cenários da última pesquisa eleitoral do Datafolha, com 30% das intenções de voto, seguido à distância por Jair Bolsonaro (PSC) e Marina Silva (Rede). Agora o mundo político começa a analisar dois cenários possíveis para as próximas eleições: um com o ex-presidente e líder petista, outro sem ele.

Eleições 2018 Lula candidato
O ex-presidente Lula, na semana passada, ao comentar a condenação pelo juiz Sergio Moro. SEBASTIÃO MOREIRA EFE

 

Sem o ex-presidente na disputa, o PT teria que articular um plano B. Os nomes do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner são os mais cotados para a vaga. Nenhum deles, no entanto, tem o carisma e a força política de Lula. Mesmo fora do pleito, a avaliação de especialistas é que o petista ainda é “o maior eleitor do Brasil”, e poderia emprestar sua imagem e prestígio entre os eleitores simpáticos ao PT para alavancar um de seus colegas de partido. “O fenômeno da transferência de votos é algo difícil de se verificar de antemão, mas provavelmente se Lula ficar de fora por algum impedimento jurídico, ele seria um forte cabo eleitoral”, afirma Leonardo Avritzer, cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais. De qualquer forma, em um cenário sem o ex-presidente, crescem as chances da legenda abrir mão da cabeça da chapa para compor com alguma outra legenda.

“Se o julgamento dele ocorrer ainda este ano e ele se tornar inelegível, isso pode fomentar uma candidatura de aliança do PT com partidos do campo da esquerda, mais especificamente com o PDT de Ciro Gomes”, afirma o cientista político Antônio Lavareda da Universidade Federal do Pernambuco. Caso o TRF4 não tire Lula do páreo “até julho ou agosto de 2018”, o professor acredita que o ex-presidente não apenas irá disputar, como usará a campanha como “estratégia de defesa”.

Gomes, que é ex-governador do Ceará e ex-ministro, já sinalizou que não irá disputar caso Lula seja candidato. Em junho deste ano ele chegou a afirmar que uma candidatura do petista seria “um desserviço ao país”, uma vez que “justa ou injustamente, ele [Lula] divide a sociedade brasileira em ódios, passionalismos e até violência”. Isso, de acordo com o pedetista, tiraria o foco das questões econômicas e sociais que devem ser pauta na campanha. Uma estratégia possível de Gomes seria entrar na campanha contando com o cenário em que o ex-presidente seja condenado. “Ele quer se tornar herdeiro dos votos do Lula, então seria plausível o Ciro entre na disputa. No campo da esquerda e centro-esquerda ele seria a melhor opção para o eleitor petista, tendo em vista que a Marina Silva apoiou o Aécio Neves em 2014”, diz Lavareda.

Após a condenação de Lula por Moro, Gomes divulgou nota criticando a sentença por não trazer "um prova cabal e simples", mas também dispara contra o ex-presidente: "Considero Lula o grande responsável político pelo momento terrível pelo qual passa o País. Foi traído, mas a ele, e somente ele, devemos a imposição de um corrupto notório na linha de sucessão do Brasil, o senhor Michel Temer". 

O professor Lavareda não acredita que a condenação em primeira instância vá afastar os eleitores petistas do partido, agora que os críticos do ex-presidente pretendem colar em definitivo o selo de corrupto em Lula. “Grande parte dos eleitores do PT não enxergam esse estigma, e votam no Lula por motivos ideológicos. Eles tendem a ser complacentes com o ex-presidente”, afirma Lavareda. Ele aponta ainda que “o PT convive com essas acusações de corrupção desde 2005, com o mensalão, então o partido tem uma maior resiliência a este tipo de escândalo”. Mesmo imerso nas denúncias desencadeadas pelo ex-deputado Roberto Jefferson, a legenda conseguiu reeleger Lula e eleger Dilma duas vezes, o que corroboraria a tese de Lavareda.

Mas o PT não seria o único partido com problemas pela frente caso Lula fique de fora das eleições. Outros partidos teriam desafios pela frente. Com a ausência de um candidato petista competitivo “o campo tucano terá, pela primeira vez em muitos anos, que aprender a fazer uma campanha sem o elemento de polarização contra o ex-presidente Lula”, afirma Lavareda. Até o momento o candidato tucano é uma incógnita. O senador Aécio Neves, derrotado em 2014 por Dilma Rousseff, responde a processos no âmbito da Operação Lava Jato – o que pode comprometer suas chances nas urnas. Ele chegou a ser afastado do cargo pelo STF, mas foi reconduzido no início de julho. Sua irmã, Andrea, está em prisão domiciliar. Poucos analistas apostam que ele chegará a 2018 com força política suficiente para disputar. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seria outro postulante à vaga do PSDB, mas correndo por fora aparece o prefeito paulista, João Doria.

O professor Avritzer acredita que independentemente de quem sejam os candidatos em 2018, a pauta “já está colocada”. “A campanha irá girar em torno de quem é a favor ou contra as reformas econômicas e da Previdência”, afirma. O Governo Temer e seus aliados do PSDB têm defendido esta agenda pró-mercado e liberal no Congresso, e devem continuar a fazê-lo no ano eleitoral, caso não consigam aprovar tudo neste ano.

“Por parte do PSDB e do PMDB há pressa para aprovar tudo agora para não ter que tocar nesse assunto ano que vem, tendo em vista que são reformas impopulares”, afirma Claudio Couto, professor de Ciências Políticas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Já o campo oposicionista vai querer “desgastar os partidos da base do Governo trazendo para o pleito estes ‘assuntos desagradáveis”. Couto afirma que é difícil prever a reação do mercado a uma candidatura de Lula: “Eu não vejo espaço hoje para uma esquerda mais dura, mais intervencionista, por falta de uma liderança forte”.

Dentre os candidatos do campo oposicionista, Couto aponta que Marina Silva seria a que mais agradaria o mercado. “Ela é menos avessa a interesses do mundo financeiro do que Ciro Gomes, que, pelo menos em teoria, tem um perfil mais desenvolvimentista”, afirma o professor.

O ex-presidente Lula não é o único pré-candidato bem colocado nas pesquisas que pode ficar de fora das eleições. O deputado Jair Bolsonaro (PSV-RJ), que tem a segunda maior intenção de votos de acordo com o último levantamento Datafolha, é réu no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de incitação ao estupro. Em dezembro de 2014 ele disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que não a “estupraria” porque ela “não merecia”. Caso os ministros condenem o parlamentar, ele se tornaria inelegível. A pesquisa do DataPoder360 divulgada no sábado mostra Bolsonaro com uma tendência de alta, encostando em Lula.

 

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A democracia ameaçada?

Por Gustavo Krause (Blog do Noblat – O Globo) – 02/07/2017

O grande pensador Norberto Bobbio publicou, em Torino, “alguns escritos dos últimos anos sobre as chamadas ‘transformações’ da democracia (…) Prefiro falar em transformação, e não de crise, porque ‘crise’ nos faz pensar num colapso iminente. A democracia não goza no mundo de ótima saúde, como de resto jamais gozou no passado, mas não está à beira do túmulo” (O futuro da democracia; uma defesa das regras do jogo; Ed, Paz e Terra, 1986).

No livro Sobre a Tirania, (2017, Companhia das Letras), o historiador Timothy Snyder, pesquisador profundo das atrocidades cometidas pela Alemanha Nazista, a União Soviética e, sob o impacto da eleição de Trump, alerta: “É preciso se preparar agora para a possibilidade de um colapso quanto o ocorrido nos anos 1920, 1930 e 1940”.

Na mesma linha de preocupaçāo com os riscos que correm as democracias, estão Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (Harvard), co-autores do livro “Como morrem as democracias”, a ser lançado no próximo ano.

Somente o tempo insondável do futuro dará razão a tão notáveis intérpretes da cena política. A prudência aconselha a não submeter as singularidades locais à uniformidade de “ondas” globais. Preventivamente, o ponto de partida é admitir que a democracia é uma ideia antiga, mas uma experiência recente que, segundo Huntington, sobreviveu às “ondas reversas”.

Por sua vez, Snyder registra que o avanço totalitário se dá pelo voto e obedece à lógica de que “na política, todos passaram a ser vistos como suspeitos” e, em sociedades assim, não percebemos o perigo de que “quem tem o melhor controle do palco tende a alcançar o poder”. Fatos, verdades e tolerância dialética não contam.

Transpondo para o caso brasileiro estes marcos analíticos, é fundamental atentar para a precisa constatação feita pelo cientista político Antonio Lavareda sobre o tamanho do mercado “supostamente não democrático no Brasil de hoje”. Ele toma como indicativo a pesquisa do instituto Latinobarômetro (2016), na qual, apenas, 32% dos brasileiros preferem a democracia como forma de governo, à frente da Guatemala e abaixo da média continental em que 54% dos povos preferem a democracia.

Considerando que o radicalismo à direita, interpretado por Bolsonaro, tem um potencial de cerca de 20% do eleitorado e o lulopetismo, um piso cativo em torno de 30%, cabe indagar: onde fica o centro democrático ocupado por uma esquerda contemporânea e liberais esclarecidos? Submersos na crise de representatividade e salpicados de lama?

Nada de previsão. No Brasil de hoje, o futuro foi ontem. Não custa, porém, ler as 20 vacinas ao autoritarismo, propostas por Snyder.

 Democracia abalada (Foto: Arquivo Google)

Foto: Arquivo/ Google

 

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Assista ao Ponto a Ponto sobre reforma tributária

Ponto a Ponto debate o futuro da União Europeia pós-brexit

As incertezas provocadas pelo início da saída do Reino Unido da União Europeia, formalizada no último 29 de março, marcou a história do bloco. O país foi o primeiro dos 27 integrantes a começar o processo de retirada da UE, que completou 60 anos. Para discutir esse e outros assuntos correlacionados, como o fenômeno Macron, presidente eleito da França – que divide o socialismo francês – o convidado do Ponto a Ponto deste sábado (1º) é o historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro. A entrevista, com a jornalista Mônica Bergamo e o sociólogo Antonio Lavareda, vai ao ar à meia-noite, na BandNewsTV.

O programa gira em torno da força que o projeto da União Europeia ganhou ao longo do tempo, a Política de Imigração do bloco, a crise econômica e o desemprego, além das prioridades dos cidadãos para os próximos anos.

A discussão sobre o plano da primeira-ministra Theresa May para os 3,2 milhões de europeus que vivem em solo britânico e quase 1,2 milhão de britânicos em território da comunidade gera um nível de insatisfação crescente dos próprios europeus. De acordo com pesquisa realizada pela Ipsos, do dia 17 de fevereiro a 3 de março de 2017, ouvindo 18.021 pessoas de 25 países, 57% responderam que ” o rumo da UE está indo na direção errada”, enquanto 21% responderam “direção certa”. O número de pessoas que não souberam responder a pergunta foi em torno de 22%. No domingo, o Ponto a Ponto ganha reprise às 17h30.

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Confira a entrevista de Antonio Lavareda ao Canal Livre da Band

Ponto a Ponto debate saneamento básico e os reflexos na saúde

“A crise em movimento” é o tema do Ponto a Ponto

O cientista político Fernando Schüler, entrevistado do Ponto a Ponto do último sábado (24), na BandNewsTV, debateu sobre o governo Temer e o cenário político no programa “A crise em movimento”. O semanal é apresentado pela jornalista Mônica Bergamo e pelo cientista político Antonio Lavareda.

Fernando Schüler – titular da Cátedra Insper e Palavra Aberta  (voltada à reflexão sobre a liberdade de expressão e de imprensa), Doutor em Filosofia e Mestre em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com Pós-Doutorado pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque. É Professor em tempo integral e pesquisador no Insper. É Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e Especialista em Gestão Cultural e Cooperação Ibero-americana pela Universidade de Barcelona (UB). Foi Secretário de Estado da Justiça e do Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul e Diretor da Fundação Iberê Camargo. Foi bolsista do Faculty Research Program, do International Council for Canadian Studies, em Toronto, no Canadá. E criador e curador do Projeto Fronteiras do Pensamento.  Possui experiência na área de análise política, com ênfase nas áreas de políticas públicas, história e filosofia política.

Veja na íntegra:

 

 

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Jovens empreendedores são o tema do Ponto a Ponto

Com mais de 14 milhões de desempregados no País, muitos brasileiros veem no empreendedorismo uma forma de sobreviver a grave crise econômica atualmente vivida. No Ponto a Ponto de amanhã, a jornalista Monica Bergamo e o cientista político Antônio Lavareda recebem o diretor do Comitê de Jovens Empreendedores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Luiz Hoffmann para discutir sobre os jovens empreendedores e a visão que eles têm do Brasil. O programa é exibido à meia-noite pela BandNewsTV e no domingo ganha reprise às 17h30.

Para 76,4% dos brasileiros empreender num negócio próprio é visto como sonho ou realização pessoal. É o que mostra a pesquisa feita pela Firjan em dezembro de 2016. Outros pontos analisados foram que 49,7% das pessoas acreditam que os principais desafios para um empreendedor, em primeiro lugar, são os impostos e taxas muito altos, que se tornam uma barreira para abertura de novos negócios.

O segundo diz respeito à burocracia para abrir e manter o próprio empreendimento (46,79%), que é tido como algo desafiador para obter sucesso.

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Médico Jorge Pinho debate sobre câncer de tireoide no Ponto a Ponto

Roda Viva discute “O Julgamento” e leva Antonio Lavareda à bancada; assista

Veja, na íntegra, a participação do sociólogo Antonio Lavareda no Roda Viva, da TV Cultura, que foi ao ar na última segunda (12), ao vivo. O programa trouxe as questões levantadas pelo julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dentre os assuntos discutidos, os novos cenários da crise política.

 

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Antonio Lavareda é destaque na Folha de São Paulo

Antonio Lavareda analisa cenário político brasileiro no Canal Livre

O Canal Livre, da Band, fez uma análise do momento político no Brasil, com comentários dos cientistas políticos Claudio Couto, José Alvaro Moisés, Antonio Lavareda e ancoragem de Fernando Mitre e Fábio Pannunzio. Aqui, no blog, você confere o programa na íntegra. Veja abaixo a primeira parte.

Confira a segunda parte:

Veja a terceira parte da entrevista ao Canal Livre:

Canal Livre (Band) – 1º/05/17

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Antonio Lavareda é destaque no Valor Econômico

Reforma política

Antonio Lavareda será um dos debatedores, junto com a jornalista Renata Lo Prete e o ministro do TSE Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, no seminário Reforma Política e Eleitoral no Brasil, que o TSE e a Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político realiza dia 24, em Brasília.

João Alberto (Diario de Pernambuco) – 16/03/2017

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Antonio Lavareda no Valor Econômico

Antonio Lavareda e a crise no sistema prisional

Antonio Lavareda revela que a crise no sistema prisional nunca esteve no topo de preocupações da opinião pública brasileira. Cabeças rolando nas cadeias transmitem a sensação de perigo e fazem crescer o apelo por soluções simples. A ordem será a busca por segurança, objetivo em relação ao qual a discussão sobre desencarceramento causa ruído, e que se sobrepõe a todos os outros em um momento de medo.

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“O câncer vai ultrapassar as doenças cardiovasculares”

Antonio Lavareda é destaque no Valor Econômico

João Alberto – (Diario de Pernambuco) 01/02/2017

Neuropropaganda de A a Z recomendado pela Revista Mente e Cérebro

Neuropropaganda de A a Z

Neurociência aplicada

Tomada de decisão e marketing

Processos decisórios são permeados pelas emoções. Aspectos percebidos de forma não consciente, como determinar cores, músicas e expressões faciais, podem evocar associações que despertam desejos ou repulsa. É possível mapear, por exemplo, fatores envolvidos na percepção de uma pessoa ou de um produto como atraente ou não? Em Neuropropaganda de A a Z, o sociólogo Antonio Lavareda e o jornalista João Paulo Castro discutem como conhecimentos da neurociência e da psicologia, mais especificamente sobre tomada de decisão, estão sendo usados por grandes companhias para elaborar ações publicitárias com maior apelo de consumo. Os capítulos são ilustrados com fotografias de cases e imagens do cérebro que destacam as regiões e os circuitos descritos pelos autores.

Mente e Cérebro (Scientific American), Ano XII, N° 285

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