Bolsonaro, Lula e as mudanças nas previsões para a eleição presidencial

Época
Resiliência de deputado e transferência imediata de votos de ex-presidente foram subestimadas

Um dos livros mais corajosos lançados em 2018 foi O voto do brasileiro, escrito pelo cientista político Alberto Carlos Almeida. Uso a palavra corajoso da mesma forma que o economista Samuel Pessoa o faz no prefácio da obra. Ele enaltece o autor por tentar acertar em maio quem iria para o segundo turno da corrida presidencial quatro meses depois.

Em 140 páginas, Almeida deixa claro que projetava um round final entre PT e PSDB nas urnas. Segundo a sua tese, o Nordeste despejaria votos em um candidato indicado por Lula e São Paulo priorizaria um tucano, seguindo a lógica das disputas ao Planalto desde 2006.

Nos últimos doze anos, aponta Almeida, o Brasil seguiu a tendência de democracias ocidentais como Espanha, Alemanha e França, onde as regiões mais pobres votam regularmente em partidos estruturados de centro-esquerda e as menos pobres nos de centro-direita.

Os resultados das últimas pesquisas eleitorais de Ibope e Datafolha fizeram Almeida rever parte dos seus palpites. Enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) segue patinando com índices abaixo dos dois dígitos, Jair Bolsonaro (PSL) se consolidou em primeiro nas pesquisas com 28% e Fernando Haddad (PT) isolou-se na vice-liderança, variando entre 18% e 16% dependendo do levantamento.

"Modifico minha previsão de segundo turno de PT x PSDB para PT x Bolsonaro. Mantida a disputa de vermelhos versus azuis. A distribuição de votos social e regional seguirá o padrão dos mapas de meu último livro", escreveu Almeida em seu Twitter na última quarta-feira. Para o cientista político, vermelho seria o PT (de forte penetração popular) e azul Bolsonaro (com entrada na classe média) – esta, uma posição ocupada pelos tucanos nas últimas eleições.

Almeida, ressalte-se, não foi o único a admitir que errou ao não detectar o silencioso crescimento de Bolsonaro em dois anos. Lembremos: em dezembro de 2016, o Datafolha apontava o deputado com apenas 9% das intenções de votos, atrás de Lula (25%), Marina Silva (15%) e Aécio Neves (11%). Durante o ano passado, Bolsonaro foi crescendo nas pesquisas, mas a verdade é que sempre foi subestimado de alguma forma.

Em 16 de outubro de 2017, o cientista político Antonio Lavareda cravou o seguinte em uma palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP): "Bolsonaro não tem condição de ganhar uma eleição de segundo turno", disse. Esse ano, em julho, Carlos Augusto Montenegro fez apostas semelhantes para o colunista de O GLOBO, Bernardo Mello Franco: “Ele (Bolsonaro) perde para qualquer um no segundo turno. O voto do Bolsonaro não é ideológico de direita. É como o voto nulo, no Enéas ou no Tiririca”, sentenciou.

No mesmo mês, também foi possível ler no jornal Valor Econômico uma entrevista do estatístico Paulo Guimarães, espécie de guru do DEM, com um papo de que Bolsonaro estava perdendo e ao mesmo tempo ganhando 20% de votos a cada mês (ou seja, estaria estagnado nas pesquisas).

A reta final do primeiro turno chegou e pelo menos Lavareda e Montenegro já voltaram atrás nos seus prognósticos. Ambos passaram a cogitar até uma vitória de Bolsonaro já no próximo dia 7. Ao jornalista Guilherme Amado, de O GLOBO, Lavareda disse considerar "concreta" a possibilidade: "Numa eleição com taxa de abstenção tão alta como esta, candidatos que têm 30, 32, 33% têm chances de ganhar no primeiro turno. Seja de direita, seja de esquerda, quem alcança esse patamar num pleito em que a alienação (abstenção) deve chegar a 30%, pode ter mais do que 50% dos votos válidos".

Também ao GLOBO, Montenegro ajustou seu discurso sobre o fim da eleição ocorrer já no próximo dia 7: “Vai depender do voto útil. Do jeito que a população está chateada, pode haver um movimento para decidir logo”. Não existe nenhuma notícia até o momento sobre revisões de conceitos de Paulo Guimarães.

A subida meteórica de Haddad nas pesquisas também não estava nos cálculos do mundo político. Lembro aqui de duas conversas de meados de agosto que tive com Carlos Lupi, presidente do PDT, e Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados.

Lupi era da tese de que a transferência de votos para Haddad não seria tão efetiva no Nordeste, região do seu candidato a presidente, Ciro Gomes. Pelo seu raciocínio, o nordestino não aceitaria tão automaticamente um 'dedaço' de Lula para um paulista com cara de tucano. Por ora, o palpite está errado: segundo o Ibope, Haddad já bateu 31% de intenções de votos em menos de duas semanas no Nordeste e a tendência é que cresça ainda mais na região.

Já Rodrigo Maia apostava que Lula erraria o timing para a transferência de votos se insistisse na sua candidatura de dentro da prisão mesmo com o início do programa eleitoral na TV, em 31 de agosto. O filho de Cesar Maia errou também. O petista só foi anunciado candidato dez dias depois e, rapidamente, passou a crescer um ponto percentual por dia.

Restam ainda duas semanas para o dia D da votação e as campanhas, especialmente a de Geraldo Alckmin, estão de olho em uma última cartada contra Bolsonaro: a tal confusão criada a partir da proposta do economista Paulo Guedes sobre a criação de um imposto nos moldes da antiga e impopular CPMF, além da unificação das alíquotas do Imposto de Renda.

Teriam estas ideias o poder de ser um tiro no pé que faria Bolsonaro despencar? Em 2012, por exemplo, Celso Russomano, candidato à prefeitura de São Paulo, deixou de ir para o segundo turno após defender que o passageiro de ônibus paulistano pagaria, em seu governo, uma tarifa proporcional ao trecho percorrido.

Outra dúvida para a reta final do primeiro turno: terá Ciro Gomes fôlego para resistir a Haddad ou as próximas pesquisas já trarão um quadro irreversível?

A rodada de novos palpites de analistas e integrantes do mundo político já começou.


 

 

Com a liderança de Bolsonaro e o crescimento de Haddad, pleito caminha para a polarização

Katia Guimarães para Jornal do Brasil

Com o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL, à frente das pesquisas de intenção de votos, e a alta do movimento #ELENÃO, que se manifesta contra o ex-capitão abertamente, as eleições de 2018 podem ganhar características de um plebiscito, que é a consulta popular em que o eleitor vota sim ou não sobre um determinado assunto. O cenário político também ganha outra dimensão quando o pleito se afunila e se dirige para a polarização com o rápido crescimento do candidato do PT, Fernando Haddad, apenas dois anos depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff. “A eleição esta caminhando para um plebiscito, uma eleição plebiscitária, o sim ou não, o nós ou eles”, diz o cientista político, André César, da Hold Assessoria Legislativa.

O “risco Bolsonaro é real” e há a chance de ele ganhar por uma margem apertada. O atentado sofrido pelo candidato que o tirou da campanha nas ruas teve impacto sobre o eleitor. O discurso pró-Bolsonaro e o tom raivoso antipetista nas redes sociais aumentaram. Mas o temor em vê-lo no comando do Brasil chegou à imprensa internacional e levou a influente revista britânica ‘The Economist’ a estampar o presidenciável em sua capa com a manchete “Jair Bolsonaro, a última ameaça da América Latina”.

Graças à transferência de votos do ex-presidente Lula, principalmente no Nordeste, Haddad tornou-se o principal adversário de Bolsonaro (Foto: Pedro de Paula/AE) Diante de um cenário eleitoral tão inusitado, as próximas pesquisas serão decisivas para apontar se o eleitor brasileiro lançará mão do chamado voto útil já no primeiro turno. Esse tipo de voto acontece quando os eleitores que não querem jogar seu voto fora votando em um candidato que não tem chances de vencer. Ou, como agora se desenha, para evitar que um certo candidato ganhe, o eleitor deixa de apoiar seu candidato para votar em quem tem mais chances de derrotar quem não quer ver eleito. Tanto no eleitorado de esquerda quanto na direita, há a discussão de fazer uso do voto útil para Haddad e Bolsonaro.

Segundo o cientista político, Antônio Lavareda, há uma expectativa com base teórica e vivenciada em outras eleições de que o voto útil será exercido. Guardadas as devidas proporções, as eleições deste ano fazem lembrar os pleitos de 1989, quando Fernando Collor se colocava como o outsider e ganhou do petista Luiz Inácio Lula da Silva, e de 2014, quando Dilma Rousseff venceu o senador Aécio Neves, do PSDB, por menos de 4% dos votos válidos. Naquele ano, a candidatura de Marina Silva desidratou quando havia uma perspectiva de vitória do PT. Segundo Lavareda, “vaticinar” que o voto útil vai acontecer é difícil pois, assim como nas eleições de 89, hoje há uma fragmentação de candidaturas, enquanto que no pleito passado a disputa foi basicamente entre três nomes.

No primeiro turno você vai com a sua convicção e no segundo turno vai no menos pior. Polarizou tanto que os dois lados estão olhando um por outro. ‘Então vamos fazer um hedge, uma proteção já de cara pensando no menos pior para evitar que o outro lado

Vença’”, diz o cientista político André César ao comentar o comportamento do eleitor. “Não está comprovado porque tem o fator Ciro, mas está caminhando para isso, vamos ver as próximas pesquisas”, completa referindo-se ao candidato do PDT, Ciro Gomes, que na pesquisa Datafolha, foi o único a crescer e chegar mais perto de Fernando Haddad, enquanto Marina e o candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, viram seus votos caírem.

O desfecho das eleições depende ainda de alguns fatores para saber se o voto útil se dará entre Bolsonaro e Haddad. Um deles é se a trajetória de crescimento do petista vai continuar. Olhando para as pesquisas, segundo Lavareda, o teto de alta do ex-prefeito é ainda de cerca de 45%. Haddad tem que “fechar” o eleitorado do Norte e Nordeste e conquistar o eleitorado feminino, refratário a Bolsonaro e receoso em relação a Ciro, além de buscar o eleitor de baixa renda. O ex-prefeito conseguiu conquistar espaço na esquerda, principalmente no eleitorado de Ciro e da candidata Marina.

Candidatos aumentam tom de ataques no rádio e na internet

Géssica Brandino Gonçalves Paulo Passos para Folha de São Paulo

Até agora, campanha à Presidência teve 34 pedidos de direitos de resposta.

Seja nos blocos do horário eleitoral, veiculados de manhã e à tarde, ou nos comerciais que entram na programação, as campanhas aumentam o tom dos ataques em propagandas no rádio. O mesmo acontece nas publicações na internet. Na comparação com a televisão, que tem o maior alcance e audiência entre o eleitorado, há mais citações aos rivais, críticas e até ironia.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), houve até sexta-feira (21) 34 pedidos de direito de resposta na campanha presidencial. A maior parte —o número exato não é divulgado pelo tribunal —é para peças que foram veiculadas exclusivamente no rádio.  

Com maior tempo nas propagandas, 44% do espaço, Geraldo Alckmin é quem mais cita e critica adversários. Sua campanha já teve 21 pedidos de direitos de resposta. O TSE aceitou um até agora.

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Alckmin teve que ceder 1 minuto de seu tempo de programa na terça-feira (18) para a resposta concedida pela Justiça eleitoral a Jair Bolsonaro (PSL). O direito veio após o tucano usar os primeiros programas para fazer referência ao trecho da entrevista de Bolsonaro ao Jornal Nacional em que ele diz que votou contra a PEC das Domésticas em dois turnos.

Ei, Bolsonaro: o que você tem contra pobre?”, questiona o locutor do programa fictício de Alckmin no rádio.

Na resposta, a campanha justifica o voto do deputado, critica a velha política e diz que é hora de virar o jogo elegendo “um presidente patriota e que tem Deus no coração”.

Bolsonaro votou contra a PEC dos empregados domésticos por entender que tal medida geraria desemprego, informalidade e redução de salários a uma classe de mais de sete milhões de pessoas, o que de fato ocorreu. Muitos perderam o emprego por conta da PEC”, afirma o capitão reformado, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

A decisão não fez Alckmin baixar o tom. No rádio, aposta em jingles curtos e cita outros candidatos como Marina, Álvaro Dias e, principalmente, Fernando Haddad.  

Na internet, o tucano estreou a onda de ataques mais duros e diretos ao líder das pesquisas. A primeira vez que comparou Bolsonaro a Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela, foi em uma propaganda veiculada apenas na página oficial do PSDB no Youtube, na primeira semana da campanha. Foi também em vídeo exclusivo para a web que, pela primeira vez, acusou o candidato do PSL de agredir mulheres verbalmente.

Sem ataques ou citações nos programas de televisão, PT e PDT rompem o pacto de não agressão nas redes sociais. Vice na chapa de Ciro Gomes, Kátia Abreu provocou o petista Fernando Haddad em postagem na sua conta do Twitter, na última semana.

Numa imagem que reproduz o livro “Onde está o Wally?” está escrito “procura-se o Haddad no impeachment da Dilma”. “Tenho que rir. Não resisto. Turma é criativa”, escreve a ex-ministra de Dilma Rousseff.

Tem pessoas que criticam ataques, apontado como algo ruim. Eu encaro como algo importante para a democracia. É democrático falar sobre algo que o rival não queira falar ou expor” afirma o cientista político Antonio Lavareda. “Não é qualquer comercial crítico que consegue resultados. Tem o efeito bumerangue [quando o efeito do ataque se volta para que o fez]”, completa.

Na disputa pelo governo de São Paulo, a propaganda no rádio tem sido ainda mais bélica.

 

Haddad salta 6 pontos e deixa Ciro para trás, mas vê rejeição chegar a 60%; Bolsonaro sobe para 28%

Infomoney

 

Com apenas 10 dias como candidato à presidência, petista chega a 16% das intenções de voto, mas sua rejeição já supera numericamente a de Bolsonaro. O deputado, por sua vez, dispara entre eleitorado evangélico e reforça bases.

SÃO PAULO – Duas semanas após ser vítima de um atentado a facada durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), o deputado Jair Bolsonaro (PSL) continua crescendo nas pesquisas para a corrida presidencial. A 16 dias do primeiro turno, o parlamentar chegou a 28% das intenções de voto no cenário estimulado, segundo pesquisa XP/Ipespe realizada entre 17 e 19 de setembro. O desempenho representa uma oscilação positiva de 2 pontos percentuais em comparação com a semana anterior, movimento correspondente à margem de erro máxima da pesquisa.

Só em setembro, o deputado cresceu 5 p.p.. No cenário espontâneo, quando eleitores indicam em quem pretendem votar sem que lhes sejam apresentados nomes de candidatos, o salto de Bolsonaro é de 8 p.p., para 24%, o que indica uma cristalização de apoio entre 1/4 do eleitorado. Nos dados estratificados, observa-se movimento positivo do parlamentar entre quase todas as faixas do eleitorado, mas é entre os domiciliados no Sudeste, evangélicos e renda superior a dois salários mínimos que o salto foi mais expressivo. Somente neste grupo religioso específico, Bolsonaro foi de 26% para 39% em uma semana.

Logo atrás do deputado aparece o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), que agora não mais divide a segunda posição com um adversário. A dez dias como candidato oficial do PT à presidência, em substituição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad viu suas intenções de voto dobrarem para 16% em duas semanas no cenário estimulado, sendo 6 p.p. de alta apenas entre o último levantamento e o atual. Pela primeira vez, não se observa significativa diferença no desempenho do petista quando seu nome é apresentado aos entrevistados acompanhado da informação de que é o nome apoiado por Lula na disputa.

Da semana passada para cá, Haddad saltou de 19% para 25% nas intenções de voto no Nordeste e agora lidera a disputa na região. O petista também apresentou crescimento significativo no Sudeste neste período: de 7% para 12%. O avanço se deu de forma equilibrada entre as faixas etárias, mas foi mais intenso entre eleitores com Ensino Médio (de 5% para 13%) e renda familiar mensal de até dois salários mínimos (de 10% para 17%), segmentos em que o lulismo se faz mais presente. Em paralelo ao avanço na disputa, Haddad também vê seu índice de rejeição crescer (dados completos abaixo dos cenários de segundo turno apresentados).

Com o forte avanço, Haddad conseguiu abrir uma vantagem de 5 pontos sobre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com quem aparecia tecnicamente empatado em levantamentos anteriores. O pedetista oscilou negativamente 1 p.p. e agora tem 11% das intenções de voto. Ele é o candidato mais bem visto pelos eleitores de adversários como segunda opção de voto ao longo deste processo eleitoral, embora também seja um dos que mais corre risco de ser negativamente afetado pelo chamado "voto útil". Segundo o levantamento, 54% dos apoiadores de Ciro admitem a possibilidade de votar em outro candidato para evitar a ida ao segundo turno de um candidato indesejado. A pesquisa também mostrou que Ciro é o único candidato que hoje supera Bolsonaro por diferença acima da margem de erro (veja os detalhes nos cenários de segundo turno).

Dono da maior fatia de tempo no horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) não consegue romper a resistência dos 10% de intenções de voto. Desta vez, o tucano aparece com 7%, em uma oscilação negativa de 2 p.p. em comparação com a última pesquisa, o que o mantém em condição de empate técnico com a ex-senadora Marina Silva (Rede), que tem 6% – menos da metade do que tinha há três semanas. A quase duas semanas do primeiro turno e com a viabilidade de suas candidaturas posta em questionamento, os dois candidatos correm riscos crescentes de sofrerem com os efeitos do 'voto útil'. Segundo o levantamento, 52% dos eleitores da ex-senadora e 42% dos apoiadores do tucano admitem a possibilidade de trocar de candidato para evitar uma disputa de segundo turno com um candidato indesejado.

O nome mais exposto a este efeito negativo do 'voto útil' seria o senador Álvaro Dias (Podemos), com 60% de seus eleitores admitindo essa possibilidade. Por um cruzamento de dados da pesquisa, os apoiadores do parlamentar se dividem entre Alckmin e Bolsonaro como segunda opção de voto. Dias tem 3% das intenções de voto, mesmo percentual do empresário João Amoêdo (Novo). O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) tem 2%, ao passo que o deputado Cabo Daciolo (Patriotas) aparece com 1%. Outros candidatos não pontuaram na pesquisa.

De acordo com o levantamento XP/Ipespe, o grupo dos "não voto" (composto por votos em branco, nulos e eleitores indecisos) soma 23% do eleitorado no cenário estimulado, mesmo patamar registrado na semana anterior. No cenário espontâneo, eles somam 39% dos eleitores – uma queda de 8 p.p. em comparação com a última pesquisa.

O levantamento também mostrou que, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno, o nível de interesse pela eleição presidencial oscilou positivamente de 59% para 60%. Agora, 37% dos eleitores se dizem muito interessados, enquanto 23% afirmam estar mais ou menos interessados no processo. Duas semanas atrás, a soma desses grupos representava 52% do eleitorado. A faixa de eleitores que se diz desinteressada com o processo está em 22%, o que pode indicar uma ativação tardia e decisão de voto de parcela relevante durante o sprint final.

Confira os cenários de primeiro turno para a corrida presidencial testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos:

Cenário 1: pesquisa estimulada

Cenário 2: com Fernando Haddad, 'apoiado por Lula'*

*O cenário busca simular o potencial de transferência de votos de Lula a Haddad. Nesta situação, o nome de Haddad é apresentado pelo entrevistador juntamente com a informação de que é o candidato apoiado por Lula. O ex-presidente teve seu pedido de registro de candidatura indeferido pelo plenário do TSE, por 6 votos a 1, em 1º de setembro, o que fez com que o PT substituísse seu representante na disputa dez dias depois.

Segundo turno

Foram testadas seis situações de segundo turno nesta pesquisa. Vale lembrar que, assim como nas últimas duas semanas, em função do aumento do número de entrevistas (de 1.000 para 2.000), a margem de erro máxima caiu de 3,2 p.p. para 2,2 p.p., o que pode modificar interpretações sobre alguns dos cenários apresentados em relação a levantamentos mais antigos.

Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria com 38% das intenções de voto, contra 31% para o petista, e 31% de brancos, nulos e indecisos. A diferença entre os dois candidatos chegou a ser de 16 pontos percentuais a favor do ex-governador em três pesquisas. Uma semana atrás, era de 10 pontos. Em nenhum momento Haddad esteve à frente.

No caso de enfrentamento entre Alckmin e Bolsonaro, o cenário é de empate, com 39% das intenções de voto para cada. Brancos, nulos e indecisos somam 22%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio. Nas últimas duas semanas, o tucano apareceu numericamente à frente, mas em situação de empate técnico. Na maior parte do tempo, Bolsonaro apresentou níveis de apoio mais elevados, mas a diferença, salvo em dois momentos, ficou dentro do limite da margem máxima de erro.

Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o parlamentar lidera a disputa com 40% das intenções de voto, contra 35% para a ex-senadora. Brancos, nulos e indecisos somam 25%. Com este resultado, o deputado interrompe uma sequência de 14 semanas numericamente atrás e em situação de empate técnico com Marina. Agora, a diferença entre ambos, favorável a Bolsonaro, supera o limite da soma das margens de erro dos candidatos.

Se o segundo turno fosse entre Ciro e Alckmin, o cenário seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente por 37% a 35%. Brancos, nulos e indecisos agora somam 29% do eleitorado. É a segunda vez que Ciro aparece numericamente à frente na disputa. Em nenhum momento um dos candidatos teve vantagem superior ao limite da soma das respectivas margens de erro, mas na maior parte do tempo Alckmin esteve numericamente à frente.

Caso Bolsonaro e Ciro se enfrentassem, o pedetista venceria com 40% das intenções de voto, contra 35% do parlamentar. Brancos, nulos e indecisos somariam 26%. O quadro é exatamente o mesmo do levantamento anterior e representa a quarta vez na série histórica que Ciro lidera a simulação. Há três semanas, o pedetista contava com vantagem de apenas 2 pontos percentuais. Nos dois primeiros levantamentos, realizados em maio, o deputado vencia com diferença superior à soma das margens de erro.

A pesquisa também simulou um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Neste caso, o quadro também é de empate técnico, com o deputado numericamente à frente por placar de 41% a 38%. O grupo dos "não voto" soma 21%. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 pontos percentuais. Na semana passada, a diferença passou para apenas 2 pontos. Em nenhum momento Haddad esteve à frente.

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados em quais candidatos não votariam em hipótese alguma. Marina Silva lidera o ranking da rejeição com taxa de 67%, em um crescimento de 3 pontos percentuais em comparação com a semana anterior e de 7 pontos em um intervalo de um mês. Foi a maior elevação em repúdio registrada entre os principais presidenciáveis.

No sentido oposto, Bolsonaro manteve os 57% apresentados na semana anterior, o que corresponde a um recuo de 5 pontos em relação ao seu maior patamar, registrado no início de setembro, antes do atentado sofrido em Juiz de Fora. O deputado encontra-se em condição de empate técnico neste quesito com Alckmin e Haddad, que hoje são rejeitados por 60% do eleitorado.

Já Ciro Gomes é repudiado por 54% dos eleitores, contra 51% de Álvaro Dias. O senador, porém, é desconhecido por 26%, contra 7% registrados do lado do pedetista. A trajetória dos índices de rejeição dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

CANDIDATO

DE 06 A 08/08

DE 13 A 15/08

DE 20 A 22/08

DE 27 A 29/08

DE 3 A 5/09

DE 10 A 12/09

DE 17 A 19/09

Jair Bolsonaro

57%

58%

59%

61%

62%

57%

57%

Marina Silva

59%

60%

60%

60%

62%

64%

67%

Ciro Gomes

60%

59%

59%

59%

59%

56%

54%

Geraldo Alckmin

57%

59%

60%

59%

59%

60%

60%

Álvaro Dias

46%

48%

48%

48%

48%

49%

51%

Fernando Haddad

56%

54%

54%

56%

57%

57%

60%

Fonte: XP/Ipespe

 

Voto útil está de olho no segundo turno

 

 Por João Batista Natali para o Diário do Comércio
O fatalismo Bolsonaro x Haddad pode cair com o roteiro de 2014, quando Aécio ultrapassou Marina, porque ela não conseguiria derrotar Dilma Rousseff.

O cenário eleitoral mais provável aponta para uma disputa da Presidência da República, no segundo turno, entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Mas há uma segunda alternativa no horizonte.

Ela leva em conta o voto útil antes do primeiro turno, mas já de olho no resultado do turno final. Foi o que aconteceu em 2014, quando Marina Silva (na época candidata do PSB), em segundo lugar nas pesquisas, foi esvaziada nos 12 últimos dias da campanha, por não ser naquela época capaz de derrotar, no segundo turno, a petista Dilma Rousseff.

Foi esse o fator preponderante para a ascensão de Aécio Neves (PSDB), que aparecia nas pesquisas em terceiro lugar. Os ataques que Marina sofreu na propaganda petista e tucana apenas aceleraram essa tendência.

O raciocínio foi exposto nesta segunda-feira (17/9), na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) por Antônio Lavareda, cientista político e especialista em pesquisas eleitorais.

Ele fez palestra a convite do Conselho Político e Social (Cops) e do Conselho de Economia (COE). Os dois colegiados da associação são coordenados, respectivamente, pelo ex-senador Jorge Bornhausen e pelo economista Roberto Macedo.

Os trabalhos, presididos por Bornhausen, foram abertos por Roberto Mateus Ordine, presidente em exercício da ACSP.

Lavareda, em sua exposição, foi bastante cauteloso para não afirmar em nenhum momento que esse cenário –voto útil no primeiro turno, com vistas ao resultado projetado para o segundo –seria hoje favorável a Geraldo Alckmin (PSDB).

Mas quebrou um pouco o fatalismo segundo o qual a disputa estaria hoje restrita a dois campos antagônicos, com Bolsonaro à direita e Haddad e Ciro Gomes (PDT) à esquerda.

UMA REALIDADE PREOCUPANTE

O cientista político lembrou que, em julho de 2016, todos os cenários apontavam para uma confortável vitória de Alckmin sobre o ex-presidente Lula, que se acreditava, na época, poder ser candidato.

O impeachment da petista Dilma Rousseff enfraqueceu politicamente seu padrinho e criador. Naquele ano, nas eleições municipais de outubro, o PT perdeu 60% das prefeituras detinha.

A realidade, no entanto, tornou-se agora “mais surpreendente e preocupante”, diz Lavareda.

Com o impeachment, a máquina petista foi empurrada para a oposição, de onde teria apenas a ganhar ao se opor radicalmente ao governo de Michel Temer. Foi esse o contexto dentro do qual o nome de Lula passou a crescer, num processo que hoje beneficia seu substituto como candidato presidencial.

A mudança entre os dois momentos se deve a fatores sobretudo internacionais. De um lado, a internet e as redes sociais fragmentaram as candidaturas presidenciais, favorecendo a emergência de forças bastante minoritárias, como o PSL pelo qual se apresenta hoje Jair Bolsonaro.

Na França, por exemplo, a eleição que levou em 2017 Emmanuel Macron ao poder teve, no primeiro turno, quatro candidatos com 20% dos votos. Na Argentina, em dezembro de 2015, a mesma percentagem era alcançada por três concorrentes no primeiro turno. O mesmo ocorreu na última presidencial chilena, com três candidatos com no mínimo a mesma porcentagem.

Um segundo grupo de fatores está no avanço mundial do espírito autoritário. É algo mais sutil que a votação de partidos extremistas.

É uma questão de mentalidade, captada em pesquisa internacional como a do Pew Research. Por ela, 17% disseram acreditar que a democracia representativa não é o regime mais desejável, com quase a metade dos entrevistados afirmando que não seria ruim um governo de especialistas – e não de eleitos com legitimidade política.

No Brasil, o Datafolha constata que 17% preferem a ditadura à democracia, enquanto 21% – que pensam no mesmo sentido – responderam que “tanto faz”.

Diante dessa decepção com o sistema representativo, tem-se uma crise da democracia liberal, com as redes sociais engajadas na mobilização que abalam a reputação dos partidos tradicionais.

A internet, prosseguiu Lavareda, produziu também a fragmentação das fontes de informação. Os jornais, as emissoras de rádio e de TV perderam um monopólio, num processo em que o cidadão passa a privilegiar bandeiras identitárias, com a etnia e as questões de gênero assumindo um papel cada vez mais preponderante.

OS “FATORES INTERVENENTES”

Nesse quadro, e especificando as eleições presidenciais brasileiras, torna-se secundário o antigo modelo pelo qual o sucesso eleitoral estava vinculado à economia e à avaliação do governo federal.

“Não estamos diante de uma eleição tecnicamente normal”, disse Lavareda. Seriam normais se a preferência política determinasse a decisão dos eleitores, desta vez avessos aos alinhamentos habituais.

Entre os fatores dessa pouca normalidade há, por exemplo, o peso da imagem que o Judiciário passou a ter na avaliação dos candidatos. O cientista político acredita que, se não tivesse se envolvido em operações suspeitas, Aécio Neves poderia hoje ganhar no primeiro turno.

E os eleitores se informam sobre os candidatos. Mesmo aqueles com baixa escolaridade, mas que têm um celular, relataram em agosto último (25%) que já haviam pesquisado algum candidato ou pretendiam fazê-lo (29%).

Esses novos canais explicam, por exemplo, o fato de Bolsonaro ter apenas 1,2% do tempo de rádio e TV, mas ter se distanciado na dianteira das pesquisas.

No passado, havia uma correlação muito forte entre tempo de TV e a votação no primeiro turno. Nas sete últimas campanhas presidenciais, e levando-se em conta os três candidatos que tiveram mais tempo em cada uma, apenas dois políticos – Orestes Quércia, em 1994, e Ulysses Guimarães, em 1989 – naufragaram pateticamente no primeiro turno.

Na atual campanha, disse Lavareda, caso o terreno da centro-direita não estivesse tão fragmentado, os 9% das intenções de voto de Amoêdo, Meirelles e Álvaro Dias, somados, permitiriam que Geraldo Alckmin estivesse num patamar bem mais confortável.

Com o quadro agora indefinido o cientista político acredita que Haddad poderá fazer um “arrastão final” no espólio lulista, capitalizando parte do apoio que nas últimas semanas migraram para Ciro Gomes e Marina Silva.

Por fim, Antônio Lavareda disse que o sentimento predominante do eleitorado é hoje emocional, contrariamente ao do entusiasmo que prevalecia na primeira eleição direta para presidente, em 1989.

Pesquisa da XP indica que 29% votarão movidos pela preocupação, e 11%, pelo medo.

A eles se soma um outro contingente de 27% dos eleitores que votarão com a indignação. “É a pura raiva, que gera a mobilização do eleitor que não para para refletir.”

Nesse nicho estão basicamente os eleitores de Jair Bolsonaro. É por isso “que essas eleições de 2018 estarão divididas entre aqueles que têm medo e os que sentem raiva”, concluiu o cientista político.

 

 

Evangelicals, Growing Force in Brazil, to Impact Elections

New York Times

RIO DE JANEIRO — In a Brazilian presidential election marked by uncertainties, there is little doubt about one thing: Evangelical voters will have a major impact.

They could tip the balance thanks to their growing numbers, presence in remote areas and poor neighborhoods and organizational muscle, especially since corporations have been banned from making contributions directly to candidates in the wake of a the country's huge corruption scandal.

Attempts to woo evangelicals are apparent on the campaign trail ahead of the Oct. 7 election. In recent weeks, one leading candidate wept while receiving prayers during a service at an evangelical church. Another promised no legislative changes to Brazil's abortion ban. A third held meetings with several of the most influential pastors in Sao Paulo, Brazil's richest and most populist state.

"The evangelical vote is very organic in that pastors and bishops have a relationship with followers that influences how they vote," said Antonio Lavareda, who has written several books on Brazilian politics. "It's the opposite in the Catholic Church, where, despite having more congregants, priests have less direct influence."

Their votes were instrumental in the 2016 impeachment and ouster of President Dilma Rousseff for illegally managing the federal budget. Joao Campos, a congressman and pastor who helped lead the bloc, said then that opposing Rousseff was a way to defend the poor who had lost jobs in the wake of scandals over kickbacks from construction companies to politicians.

Evangelical voters in Rio de Janeiro also helped propel Marcelo Crivella, a bishop in the Universal Church of the Kingdom of God, to mayor of Brazil's most famous city in 2016.

Brazil, a deeply religious country slightly larger than the continental U.S., is home to the world's largest number of Catholics — some 123 million, according to the latest census in 2010. But evangelicals are growing and now number 42 million, or about 20 percent of the total population.

And there is little comparison when it comes to political activism. While the Vatican frowns on clergy running for office, many evangelical leaders plunge into politics.

Silas Malafaia, one of the most influential pastors in Brazil, makes no apologies for trying to influence the votes of parishioners from his more than 50 churches.

During a recent interview with The Associated Press, he said proudly he had helped elect 25 representatives and five senators. His own brother is a state representative for Rio de Janeiro.

"I help candidates get elected by lending them my image and words," said Malafaia, who from the pulpit and on social media argues that left-leaning candidates promote "moral garbage" with liberal stances on gay marriage and abortion.

Malafaia has been outspoken in his support for Jair Bolsonaro, a far-right congressman and former army captain who has promised to crack down on crime and root out corruption in politics.

"In Brazil, we need a macho like him," Malafaia said, adding that Bolsonaro will "defend all the values and principals of the Christian family."

Last weekend, Malafaia visited Bolsonaro in the hospital, where the candidate was recovering after being stabbed during a campaign event Sept. 6.

Ten percent of evangelicals backed Alckmin and Marina Silva and 7 favored Ciro Gomes. Trailing behind so far was Fernando Haddad, who has taken over da Silva's spot for the left-leaning Workers' Party, though the poll was conducted before he received da Silva's formal endorsement for the presidential run.

The poll interviewed 2,002 people Sept. 8-10 and had a margin of error of two percentage points.

"Today the candidates most in line with our values are Alckmin and Bolsonaro, but we still need to talk to them to know what each is proposing," said Bishop Robson Rodovalho, a founder of Sara Nossa Terra, a network of evangelical churches across Brazil.

 

Brasil: el voto evangélico cobra protagonismo en la elección

Por MARCELO SILVA DE SOUSA Associated Press San Diego Tribune

En un panorama permeado por la incertidumbre, una certeza emerge en la carrera por la presidencia de Brasil: el voto evangélico tendrá un fuerte impacto en la elección del próximo mandatario.

En las últimas semanas, algunos de los principales candidatos al palacio del Planalto salieron a cortejar al electorado religioso.

Antes de ser apuñalado, el militar nostálgico de la dictadura, Jair Bolsonaro, subió al púlpito de una iglesia evangélica en Río de Janeiro y entre lágrimas recibió la oración; el exgobernador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fue invitado especial de un encuentro de pastores paulistas con representación internacional; y en Belo

Horizonte la ecologista Marina Silva prometió a evangélicos mineros que si resulta electa cualquier cambio en la legislación del aborto será decidido en un plebiscito.

Bolsonaro y Alckmin se declaran católicos, de cuño conservador, mientras que Silva es la única evangélica entre los principales candidatos. No obstante, para ellos y los otros diez presidenciales por igual, el intento de estrechar vínculos con las iglesias es estratégico.

Aunque la campaña de Bolsonaro quedó circunscripta a las redes sociales tras el ataque del jueves pasado, que posiblemente puso fin anticipado a sus actividades públicas proselitistas, el diputado de ultraderecha se consolida en la cima de las preferencias. Según la última encuesta de la consultora privada Ibope publicada el martes, Bolsonaro tiene un 26% de intención de voto y lo siguen Silva; Alckmin; Ciro Gomes y Fernando Haddad, el candidato bendecido por expresidente Luiz Inacio Lula da Silva , los cuatro en un virtual empate técnico, con entre un 11 y 8%.

En Brasil, donde la tradición religiosa es muy fuerte, los evangélicos representaban unos 42 millones de personas en 2010, cuando el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística realizó el último censo. De acuerdo con proyecciones de la consultora privada Ibope de este año, la población evangélica adulta habilitada para votar ronda los 40 millones –casi un tercio del total del electorado–. En una disputa electoral de final abierto como la del próximo 7 de octubre, esta porción de votos podría inclinar la balanza.

Según dijo el politólogo y especialista en marketing político Antonio Lavareda a The Associated Press, el voto evangélico cobrará un protagonismo inédito debido a la reglamentación electoral que, por primera vez en una campaña presidencial, luego de que fuera revelada la trama del escándalo de corrupción del Lava Jato, prohíbe donaciones de empresas a los candidatos para hacer campaña.

"Ante la escasez de recursos, todos los partidos necesitan del apoyo de corporaciones para garantizar votos, y el caso de las iglesias evangélicas es especial", asegura Lavareda.

Si bien el evangelismo tiene menos fieles que el catolicismo en Brasil, considerado el país con más católicos en el mundo con 123 millones según el censo de 2010, el voto suele dispersarse menos. Orientada por el mensaje de los pastores –osados para hablar de política–, la mayor parte de la comunidad acaba inclinándose por un mismo candidato, explican los especialistas.

Silas Malafaia, de 59 años, es uno de los pastores más influyentes del país, líder de la red de más de 50 iglesias "Asamblea de Dios Victoria en Cristo", y visceral a la hora de opinar. Acostumbrado a fijar posición política y a orientar a sus fieles en las vísperas de cada elección, el pastor se jacta de haber ayudado a elegir a "unos 25 diputados federales y unos cinco senadores". Varios miembros de su iglesia están en la política y su hermano irá por el cuarto mandato como legislador de Río de Janeiro, pero Malafaia no planea convertirse en candidato próximamente.

"Yo fui llamado para influenciar, es mi vocación. Envío mi imagen y mi discurso a los candidatos y los ayudo ser electos. Si quisiera podría ser diputado, pero soy más importante en este lugar", dice a la AP.

En el púlpito y en sus redes sociales, donde tiene más de un millón y medio de seguidores, Malafaia ha comenzado a alertar sobre los candidatos de izquierda que apoyan una "basura moral", es decir, posturas a favor del matrimonio homosexual y el aborto. En esta elección, el pastor apoyará a Bolsonaro.

"En Brasil necesitamos a un macho como él, que con su vida limpia lidere el país para enfrentar al sistema corrupto", dice.

Malafaia está convencido de que el militar conseguirá reunir la mayor parte del voto evangélico porque "defiende todos los valores y principios de la familia cristiana". Albanita Alves, 47 años, ama de casa y seguidora de Malafaia, dice que Bolsonaro tiene la propuesta que más le llega a los evangélicos por su "ideología" y por eso votará por él.

La influencia del pastor es determinante para Alves. "Nosotros tenemos la libertad de escoger nuestro candidato, pero como hombre de Dios él tiene una visión más amplia que nosotros, es muy importante que traiga su posicionamiento", asegura.

"Cuando un pastor lleva a un candidato a su iglesia o lo patrocina envía un mensaje muy fuerte a los fieles, que tienden a ser poco escolarizados y construyen su opinión muy influenciados por lo que escuchan en el templo. La iglesia se convierte en un corral electoral", explicó a la AP María das Dores Machado, socióloga especializada en estudios de la religión y profesora de la Universidad Federal de Río de Janeiro.

El crecimiento de las iglesias pentecostales en Brasil comenzó a partir de los años 70 y una década después el evangelismo empezó a hacer pie en la política eligiendo candidatos propios y fortaleciéndose en el Congreso hasta llegar a lo que hoy se conoce como "bancada evangélica", con 87 diputados y tres senadores.

"No hay una ideología evangélica. Se construyen alianzas y apoyos en base a puro pragmatismo. Sí existe un punto de encuentro sobre algunas cuestiones morales como el aborto y el matrimonio homosexual, pero en el Congreso el bloque es muy diverso y actúan como un grupo de presión", dice Machado.

La bancada evangélica, por ejemplo, tuvo un papel decisivo en el proceso de juicio político de Dilma Rousseff , en 2016, cuando decidieron dar luz verde al proceso de apartamiento del cargo de la expresidenta.

En el atomizado mundo de las iglesias pentecostales, la Iglesia Universal y la Asamblea de Dios son los dos bloques de agrupaciones más grandes e influyentes del país. La primera, incluso, tiene un partido político, y como proyecto de poder más conspicuo ha logrado ocupar la alcaldía de Río de Janeiro con el pastor Marcelo Crivella.

Sin embargo, lejos de responder a una directiva nacional, la socióloga señala que las organizaciones dividirán apoyos y tampoco aparece en el escenario un candidato que aglutine a todo el evangelismo. "Una parte importante va a apoyar a Bolsonaro. Está claro por su perfil conservador, pero Alckmin y Marina también son candidatos fuertes que muestran acompañamiento".

La última encuesta de Ibope muestra que, por encima de su media total nacional, entre los evangélicos Bolsonaro reúne el 33% de intención de voto, arriba de Silva y Alckmin con 10% cada uno.

"Hoy los candidatos que más encajan con nuestros valores son Alckmin y Bolsonaro, pero todavía tenemos que conversar para saber qué propone cada uno", aseguró a la AP el obispo Robson Rodovalho, presidente de la comunidad Sara Nossa Terra.No importa qué credo o religión sigan. No es una cuestión de fe. Los candidatos brasileños recurren al templo para buscar el apoyo que les permita llegar a la presidencia en octubre.

 

Com Bolsonaro ainda mais limitado, bate-cabeça se aprofunda em sua campanha

 

 BEATRIZ JUCÁ e GIL ALESSI para El País Brasil

Sem poder se comunicar de forma adequada no hospital, candidato pode ter sua força questionada. Nos bastidores, organizadores se atrapalham sobre os rumos a seguir

A cirurgia de emergência do candidato Jair Bolsonaro (PSL) na noite desta quarta-feira (12), após a detecção de uma aderência obstruindo o intestino delgado, impõe novos desafios para sua campanha ao Palácio do Planalto. A estratégia de gravar vídeos diários para as redes sociais, prevista para começar esta semana, foi adiada em função do grave estado de saúde do presidenciável, que voltou para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein, onde se recupera “sem intercorrências” e com visitas restritas a familiares para reduzir o risco de infecção. Sem prognóstico de alta do candidato nem mesmo da UTI, alguns correligionários já admitem que ele não retomará a campanha ou participará de debates até o primeiro turno, no dia 7 de outubro, o que abre espaço para que políticos de seu círculo íntimo comecem a se movimentar —e entrar em atrito.

Com o candidato fora de cena, seus filhos e o candidato a vice na chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), começaram a assumir o protagonismo da campanha, de forma aparentemente desordenada. O ato mais ousado veio do militar, cujo partido entrou com um pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que possa representar Bolsonaro nos debates. A ação, entretanto, não contou com o aval da cúpula do PSL, que não foi consultada antes de o general ter se voluntariado para ocupar o púlpito destinado ao capitão da reserva. Na terça-feira Mourão foi além, e afirmou que "este troço já deu o que tinha que dar", referindo-se à facada levada pelo companheiro de chapa, e disse ainda que era preciso acabar com a "vitimização" do capitão. As declarações foram consideradas insensíveis por partidários de Bolsonaro.

O presidente do PSL paulista, Major Olímpio, tratou de colocar panos quentes no assunto, e negou que haja mal-estar entre o vice e os líderes do PSL após o pedido feito ao TSE. “Nós não demos muita importância a esse tipo de coisa. A intenção foi 100% positiva, pra quem conhece o general Mourão”, afirmou nesta quinta-feira ao visitar Bolsonaro no hospital Albert Einstein. Segundo Olímpio, é positivo ter o candidato a vice nos debates para falar das propostas do militar reformado e defendê-lo de possíveis "ataques" dos demais presidenciáveis. “Agora isso não depende de nós. Depende do TSE”.

Segundo Olímpio, o PSL está tentando unir as agendas dos líderes partidários com a dos filhos de Bolsonaro e do general Mourão para tentar passar uma imagem de coesão dentro da chapa, que lidera as intenções de voto até o momento. Nos próximos dias estão marcados atos de campanha em Assis, Marília, Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo, Bauru e Itupeva, no interior do Estado de São Paulo. “Quanto mais eu puder ter o general Mourão em São Paulo, mais isso fortalece o Jair Bolsonaro”, afirma, fazendo a ressalva de que o general “tem um perfil diferente, não é homem de estar nas massas”. Para Olímpio, os 33 milhões de eleitores paulistas podem ajudar a definir a eleição "no primeiro turno". Para o partido isso seria importante, tendo em vista que até o momento nas simulações de segundo turno da mais recente pesquisa, o Datafolha, o máximo que o capitão obtém é um empate com o petista Fernando Haddad (PT).

Apesar do esforço de Olímpio para amarrar um agenda conjunta, o general parece ter outros planos. "Já estou no Paraná desde terça-feira, e nos próximo dias irei até o Rio de Janeiro e Manaus", afirmou Mourão em conversa por telefone com o EL PAÍS. "O Brasil é enorme, temos que nos mover", disse. O candidato a vice negou que tenha agido de forma desleal com o partido de Bolsonaro ao propor sua participação nos debates: "Eu apenas estou fazendo minha parte como segundo na campanha. Não posso substituí-lo, ele é insubstituível. Apenas o que posso fazer é aumentar a minha circulação pelo país para difundir nossas ideias".

Outra peça importante no xadrez da campanha bolsonarista é o candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável, um dos coordenadores da ponta fluminense da campanha. Ele também nega qualquer mal-estar entre seu partido e Mourão. "O general é um cara 100% fechado com a gente, confiamos plenamente nele, e ele mostra que está disposto a ajudar onde for necessário", afirma. No entanto, Flávio diz que a participação do vice ou de qualquer um dos filhos do capitão em eventos ou agendas da chapa depende da decisão do candidato à presidência. "A participação dele depende da anuência do Jair, é dele a decisão final. Se ele entender que o Mourão tem que ir [aos debates], ele é super qualificado, não será uma peça decorativa", explica. "Somos todos soldados do capitão, a palavra final é sempre dele". Seja como for, Bolsonaro foi aconselhado pela equipe do Einstein a falar o menos possível para evitar qualquer complicação extra na recuperação. "Quando ele estiver em condições de tomar decisões, irá tomá-las", disse Flávio.

Do leito do hospital, o próprio Bolsonaro usou o Twitter para tentar conter os rumores de bate-cabeça. "Muita coisa vem sendo falada na tentativa de nos dividir e consequentemente nos enfraquecer. Não caiam nessa! Desde o início sabíamos que a caminhada não seria fácil, por isso formamos um time sólido e preparado para a missão de mudar o Brasil! Não há divisão!", escreveu.

"Forte como um cavalo"

Hospitalizado há sete dias, desde que levou uma facada no abdômen durante ato em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro não deve voltar tão cedo para a campanha. E as perspectivas de retorno são ainda piores desde esta quarta-feira. O professor de cirurgia intestinal do Hospital das Clínicas, Carlos Sobrado, explica que uma complicação tida pelo capitão da reserva é comum neste tipo de trauma, mas é grave. “Nessas condições, o pós-operatório é complicado. O candidato tem mais de 60 anos, já passou por duas cirurgias em pouco tempo e está há uma semana sem se alimentar. Com certeza vai passar outra semana em jejum para depois retomar a dieta de forma muito gradativa”, analisa. Segundo ele, se o presidenciável evoluir positivamente, deverá receber alta em dez ou doze dias. “Acredito que no dia 7 [de outubro, quando acontece o primeiro turno] ele já estará em casa, mas não vai voltar a fazer campanha. Talvez para um segundo turno, se ele passar, ele tenha condições de participar de alguma atividade, mas com muito cuidado e restrição”, afirma.

O contraste entre o capitão da reserva que construiu sua carreira política alicerçada em um discurso conservador —e viril— e o candidato acamado com saúde fragilizada desempenha um duplo papel na campanha. "O drama pessoal humaniza o Bolsonaro, sempre há lugar no imaginário coletivo para os heróis feridos, que enfrentam situações adversas", explica o cientista político Antônio Lavareda, da Universidade Federal do Pernambuco. "Mas suponha que isso se estenda até o segundo turno, que ele continue fora da campanha caso avance para a reta final do pleito: aí é impossível prever o efeito que a ausência e fragilidade da saúde de Bolsonaro terão na cabeça das pessoas", diz. Para o professor, até o momento o fato de que o candidato não poderá ir a debates e sabatinas é positivo para ele, que não terá que se expor. "Mas enquanto ele fica no hospital outros personagens de seu círculo próximo ganham protagonismo, e eventualmente entram em conflito. Isso tudo deixa a opinião publica desconcertada, sem saber exatamente qual o estado de saúde do capitão", afirma, lembrando também o "trauma coletivo" que foi a morte do então presidente Tancredo Neves em 1985, que foi eleito, mas morreu antes de ser empossado, dando lugar a seu vice, José Sarney.

Flávio Bolsonaro afirma mesmo que o pai esteja em situação delicada no momento, sua imagem não será prejudicada. "Se ele não fosse forte já estava morto. É incrível como ele se recupera muito rápido de todas as cirurgias, operação após operação", diz. O vereador Carlos Bolsonaro, irmão mais novo de Flávio, também endossa o discurso familiar de que o capitão é "forte como um cavalo". No Twitter ele escreveu que apesar da "noite delicada (…) o velho é forte como um cavalo, não é à toa que seu apelido de Exército é 'cavalão!". Resta saber quanto vigor pode ter Bolsonaro para liderar uma corrida eleitoral da cama do hospital.