Assista ao 20 minutos com o ministro Raul Jungmann

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, é o entrevistado do programa 20 minutos, com o cientista político Antonio Lavareda. Jungmann faz um mergulho profundo nas questões envolvendo as Forças Armadas no Rio de Janeiro e o aumento da violência no país, em especial em Pernambuco.

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Antonio Lavareda entrevista Raul Henry no 20 minutos

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A crise no PMDB de Pernambuco e os problemas enfrentados pelo Governo Paulo Câmara são alguns dos assuntos da conversa do cientista político Antonio Lavareda com o vice-governador Raul Henry, no programa 20 minutos, do Sistema Jornal do Commercio.

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Assista ao Ponto a Ponto, da jornalista Mônica Bergamo e do sociólogo Antonio Lavareda, que foi ao ar nesse sábado (23), na BandNewsTV. A convidada foi a advogada, consultora e pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Direito e Gênero da FGV/SP Angela Donaggio.

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Estudo contesta crença de que empresário se sai melhor na gestão pública

Por Fernanda Odilla – BBC Brasil

Um estudo realizado na London School of Economics (LSE) – uma das mais renomadas universidades do Reino Unido – contesta o argumento de que empresários são melhores administradores públicos.

Instigados pelo anúncio, feito em meados de 2015 pelo então megaempresário do setor imobiliário Donald Trump de que pretendia concorrer à Presidência dos Estados Unidos, dois pesquisadores da universidade londrina resolveram averiguar empiricamente se a experiência na direção de empresas se revertia em boas gestões públicas.

"Na época, muita gente se perguntou se um empresário estaria apto a ser um político melhor. Fomos tentar responder a essa pergunta", diz Eduardo Mello, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas que concluiu este ano o doutorado na LSE.

A pesquisa, ainda em andamento, foca em prefeitos de cidades brasileiras, segundo os autores, por causa do fácil acesso a dados que permitissem comparações adequadas.

Os primeiros achados do estudo indicam que prefeitos que se declararam empresários, comerciantes, vendedores e os que têm quotas ou participam da administração de empresas não são nem mais nem menos eficientes que seus colegas que vieram de outras áreas.

A análise de indicadores de gastos públicos sugere que a performance dos empresários é muito parecida com a dos demais ao executar o orçamento e ao investir em saúde e educação. Homens e mulheres de negócios não são melhores em reduzir o deficit fiscal nem na execução do orçamento, tampouco são melhores em conseguir mais verbas do governo federal.

"Não achamos o efeito Trump (a crença de que empresários seriam melhores administradores). Analisamos todos os indicadores (que medem a performance de empresários como prefeitos) e nada apareceu como estatisticamente significante", assinala Mello.

"Empresários não produzem indicadores melhores. A princípio, se comportam como todos os políticos."

Mello, que assina o estudo com Nelson Ruiz-Guarin, também da LSE, cruzou dados de fontes diversas, como Tribunal Superior Eleitoral, Receita Federal, DataSus, e Censo Escolar.

Os pesquisadores analisaram dados de candidatos eleitos prefeitos em cinco eleições, entre 2000 e 2016. Por meio de regressões estatísticas, eles selecionaram municípios com cenários de disputa acirrada entre um empresário e outro candidato e depois compararam o desempenho dos prefeitos – levando em conta diferentes variáveis.

Assim, selecionaram cerca de 200 a 300 municípios por eleição. Em nenhum dos cruzamentos, contudo, foram identificados sinais de que empresários no comando de prefeituras melhoraram as contas públicas.

Mello disse à BBC Brasil ter se surpreendido com os resultados, pois acreditava que a experiência pregressa em administração poderia fazer uma diferença.

"É uma premissa na qual os eleitores acreditam tanto", afirmou o pesquisador. "Mas parece que é um mito. Precisamos repensar quais são as habilidades que formam um bom prefeito."

Mello disse que ainda quer averiguar se há diferença significativa entre a performance dos empresários de primeiro mandato e a dos que estão na política há mais tempo. Ainda assim, ele considera que dificilmente os resultados principais do estudo vão mudar.

Comentando a pesquisa, o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda observa que a aposta eleitoral em um candidato que não se parece com um político tradicional é um fenômeno mundial que normalmente surge como resposta à uma crise política ou de representatividade.

Ele cita o caso do italiano Silvio Berlusconi, magnata da mídia e dono de time de futebol que foi eleito premiê depois que a Operação Mãos Limpas investigou e prendeu políticos de diferentes partidos na Itália por corrupção.

Lavareda atribui a vitória de Trump nos EUA ao fato de que boa parte do eleitorado não se via representada por nenhum político de carreira.

"Toda vez que há uma crise política, é comum a busca por alternativas. Empresários e técnicos são beneficiados com esse discurso de não ser político e de saber administrar", observa Lavareda.

Segundo o sociólogo, há ainda a crença, "no imaginário do eleitor, de que um empresário rico não roubaria os cofres públicos porque já fez fortuna no mundo dos negócios", e lembra que muitos empresários se deram bem nas urnas e moldaram carreiras na política.

Lavareda cita os nomes do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), um dos donos da Duratex, e dos senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), da família que controla uma rede de shoppings e uma empresa de telefonia, e Blairo Maggi (PP-MT), magnata da soja. Maggi atualmente é ministro da Agricultura do governo de Michel Temer.

Por outro lado, dinheiro e experiência não são garantia de votos, lembra Lavareda, citando o caso do empresário Antônio Ermírio de Moraes, que foi um dos homens mais ricos do Brasil, mas perdeu a eleição para o governo do Estado de São Paulo em 1986.

"Ter empresários e técnicos na política não é um fenômeno tão singular, é natural e esperado", salienta Lavareda.

Eduardo Mello, o coautor do estudo da LSE que avalia o desempenho de empresários no Executivo municipal, salienta que "o Estado não é uma empresa". "O objetivo do Estado não é gerar lucro. Não tem clientes, mas precisa cuidar de cidadãos. E negociar com o Legislativo não é o mesmo que tratar com fornecedores", avalia Mello.

De fato, administrar uma prefeitura, por exemplo, pode estar longe de ser uma tarefa fácil para um empresário experiente.

Em julho deste ano, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), entrou ao vivo no Facebook para fazer um balanço do início de seu governo. Dono de construtora e ex-presidente do Atlético Mineiro, Kalil disse que "tá f*da" cumprir as promessas feitas na campanha.

"Estamos aqui trabalhando para burro. Não somos o melhor do mundo, não somos o pior do mundo. A única coisa que aqui não tem é que ninguém está delatado, ninguém vai ser delatado", disse, admitindo as dificuldades e salientando que na sua equipe ninguém teve o nome associado à corrupção.

Kalil foi um dos empresários que se elegeu em 2016 com o discurso de que não era político. A estratégia também funcionou em São Paulo, onde João Doria, que é dono de empresa, usou a mesma retórica para conquistar a cadeira de prefeito pela primeira vez.

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Especialista fala sobre ética e juventude no Ponto a Ponto

O presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Edson Luiz Vismona, foi o convidado do Ponto a Ponto do último sábado (16), à 0h, na BandNewsTV, com tema "A juventude cobra ética". O semanal é ancorado pela jornalista Mônica Bergamo e o sociólogo Antonio Lavareda. 

Em pesquisa realizada pelo ETCO-Datafolha, entre os dias 7 a 13 de março de 2017, dos 1.048 entrevistados, 73% disseram que a sociedade brasileira é pouco ética; enquanto, 17% afirmaram "nada"; 5% "não souberam" e 4% responderam "muito".

A mesma pesquisa pediu para os entrevistados darem nota, de zero a dez, para os profissionais que consideravam ético. O mais bem votado foi o bombeiro (8,7); o professor (8,5); militar (8,0); jornalista (7,1); juiz (7,0).

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A ameaça norte-coreana é tema do Ponto a Ponto

O cientista político e professor de relações internacionais da ESPM Heni Ozi Cukier foi o entrevistado do Ponto a Ponto, da BandNewsTV, do sábado (9). O semanal tem apresentação da jornalista Mônica Bergamo e o sociólogo Antonio Lavareda. Na pauta, o governo Trump e a política internacional, com foco na Coreia do Norte. 

Em pesquisa realizada pela CNN-SSRS, em 3 de agosto de 2017, com 1.018 americanos, 77% disseram que a Coreia de Norte é capaz de lançar um míssil que poderia atingir os EUA, incluindo o Havaí; 20% responderam que não é capaz e 7% não souberam/ estão indecisos ou se recusaram a replicar o questionamento.

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Confira o Canal Livre do último domingo com Antonio Lavareda

Divisão no centro favorece extremos, diz Lavareda

Por Cristian Klein – Valor Econômico (19/09/2017)

A disputa pela candidatura presidencial no PSDB entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e – A disputa pela candidatura presidencial no PSDB entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital, João Doria, se acirrou a ponto de se cogitar um cenário em que os dois concorram entre si. Numa eleição que se desenha pulverizada, Doria declarou ter recebido convites para se mudar para três partidos, entre eles o DEM, o que o colocaria em colisão com o padrinho político. Mas quem levaria vantagem num choque entre criador e criatura e quais as consequências para a corrida ao Planalto?

Para o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, o efeito mais marcante de uma eventual candidatura de Doria fora do PSDB seria a fragmentação do campo de centro. "Quando o centro se fragmenta, os extremos se beneficiam", diz. Foi o que aconteceu, lembra, na superpulverizada eleição à Prefeitura do Rio, no ano passado, que teve oito candidaturas de destaque, levando ao segundo turno Marcelo Crivella (PRB), "de um partido evangélico", e Marcelo Freixo (Psol), de uma legenda para além da centro-esquerda.

"Bolsonaro assistiria de dentes expostos. Pode haver um segundo turno de azarões", resume, numa referência ao deputado federal da extrema-direita, que aparece em segundo lugar nas pesquisas, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, cuja candidatura é uma incógnita. O julgamento dos processos em que é réu, em segunda instância, pode torná-lo inelegível.

Os pretensos votos centristas de Alckmin e Doria, observa Lavareda, seriam disputados, por exemplo, por Marina Silva (Rede) – sobretudo se a ex-senadora for fortalecida por um vice que venha do Poder Judiciário – e até pelo senador Alvaro Dias (Podemos-PR), que é "um frequentador de carteirinha dos telejornais". Para o sociólogo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, olhando-se nos detalhes da última pesquisa do instituto, João Doria teria uma ligeira vantagem sobre Alckmin, no momento. O prefeito é conhecido por apenas 59% dos brasileiros, enquanto o percentual do governador – que já concorreu à Presidência em 2006 – é de 87%. No entanto, apesar desse conhecimento 47% menor, Doria apresenta uma preferência maior em relação a Alckmin, 10% contra 8%, num cenário estimulado em que os concorrentes seriam Lula (PT), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSC), Ciro Gomes (PDT), Luciana Genro (Psol), Ronaldo Caiado (DEM) e Eduardo Jorge (PV).

A diferença entre os tucanos está dentro da margem de erro, mas Doria também aparece numericamente à frente na espontânea: 1% contra zero de Alckmin. Outro indicador sempre crucial para as chances de uma candidatura, a taxa de rejeição do prefeito é de 20% enquanto a do governador é de 34%. A rejeição de Alckmin só é menor do que a de Lula (46%) e está mais concentrada nos segmentos do eleitorado que são o reduto tradicional do PSDB, os mais ricos e escolarizados. "Mas isso tem que ser muito relativizado, pois a candidatura Doria não está apresentada", diz Paulino.

No balanço das variáveis renda e escolaridade, o perfil de Doria é mais elitista e o de Alckmin tem viés um pouco mais popular. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, o prefeito mais que dobra sua média nacional e alcança 23%. Se a eleição fosse decidida pelo estrato mais alto de renda, Doria venceria o primeiro turno, à frente de Bolsonaro (19%) e Lula (14%). No entanto, entre os mais pobres, que ganham até dois salários mínimos, Doria é o preferido de apenas 6%, pouco mais da metade de sua média nacional.

No mesmo segmento, Alckmin tem 7% e dobra para 14% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, crescimento que no caso de Doria é quase o quádruplo. Com 14%, o governador não venceria a eleição entre os mais ricos. "Com Alckmin, se a elite decidisse, daria Bolsonaro, com 20%", destaca Paulino.

O pesquisador, porém, lembra que candidatos mais competitivos costumam ser os que têm um perfil mais homogêneo entre as faixas de cada segmento do eleitorado. "Um exemplo clássico é o do Lula, nas primeiras eleições. Enquanto ele era o preferido das classes mais altas não conseguia vencer. Ganhou quando conquistou os mais pobres", diz.

O perfil de Doria é mais heterogêneo do que o de Alckmin também no quesito escolaridade. O prefeito amealha 18% dos que têm nível superior e cai para 7%, abaixo da média geral de 10%, entre os eleitores com nível fundamental. Alckmin tem menos preferência entre o eleitorado com nível superior, 7%, do que sua média de 8%, e um pouco mais (10%) entre os que têm ensino fundamental – percentuais semelhantes entre as faixas. "A imagem que Doria passa para o resto do país, no começo de seu mandato, agrada mais à elite, que tem escolaridade e renda mais alta", afirma Paulino.

A preferência se reproduz quando o recorte é pelo tamanho das cidades. O político nascido em Pindamonhangaba, onde foi prefeito, tem preferência de 7% dos eleitores nos municípios de até 50 mil e acima de 500 mil habitantes. Vai melhor, com 11%, nos municípios de 200 mil a 500 mil habitantes. A faixa de cidades de porte intermediário também é a melhor para Doria, que chega a 14% nelas. Mas as maiores cidades dão ao prefeito o dobro (12%) das preferências que ele obtêm nos municípios menores (6%).

Nas regiões metropolitanas, Doria alcança 12%, mas no interior, 9%. Alckmin, de novo, oscila menos e tem, respectivamente, 7% e 8%. Pelas regiões do país, prefeito e governador estão iguais no Norte (5%) e Centro-Oeste (4%), e Doria é um ponto percentual melhor no Sul (9% a 8%) e Nordeste (5% x 4%). No Sudeste, o prefeito eleva sua preferência média de 10% para 15%, e Alckmin de 8% para 12%. Para Paulino, sendo candidato ou não, Lula será o personagem central para a campanha de ambos. "Eles precisam conquistar o pobre que não rejeita o Lula, sem
ofender esses pobres que veem o petista literalmente como um salvador da pátria", diz.

Nas categorias idade e sexo, Doria tem um perfil mais homogêneo na primeira, com poucas oscilações entre as faixas etárias, enquanto Alckmin ganha mais preferência quanto mais velho é o eleitor. Por gênero, é o inverso: o governador é preferido de modo mais uniforme por homens e mulheres, enquanto Doria agrada mais ao eleitorado masculino (12%) do que o feminino (8%).

Para Lavareda, a chance de Doria sair do PSDB para concorrer é muito remota. "Os dois estão condenados a continuarem juntos. A classe média de São Paulo é muito tucana", diz. Se a eleição presidencial fosse solteira, como em 1989, o cenário seria mais provável. "Mas é uma eleição geral, de operação muito complexa, entrecruzada, em que as candidaturas de dezenas de milhares de candidatos são amarradas", argumenta, chamando atenção para a altíssima correlação entre votação e tempo de TV, que por sua vez reflete o arco de alianças. "Ninguém troca o PSDB por uma coisa
reduzida. O DEM vai crescer, mas modestamente. O Doria vai para o PMDB?", duvida Lavareda.

O filósofo político Marcos Nobre, da Unicamp e do Cebrap, concorda. Em sua opinião, uma candidatura fora do PSDB "pode acabar" com Doria, que tem a chance de concorrer a governador. "E a fatura que ele vai ter que pagar perante a elite a qual pertence, por dividir o campo conservador, é muito alta", diz.

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“Atento aos cantos de sereia”

Leia, na íntegra, a entrevista de Antonio Lavareda à IstoÉ

Fernando Filho é entrevistado no “20 minutos”

O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, foi o primeiro entrevistado do programa 20 minutos do Sistema Jornal do Commercio deste sábado (16). A atração é comandada pelo cientista político Antonio Lavareda.

Assista ao programa abaixo.

 

 

 

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“Atento aos cantos de sereia”

Jornal do Commercio – 15/09/2017

Num momento em que o Brasil vive uma das mais profundas crises da Nova República, o cientista político Antonio Lavareda estreia amanhã um programa de entrevistas na TV Jornal, sempre aos sábados às 19h30. Ele conversou com o JC sobre a sua nova empreitada, o cenário atual e alertou sobre os riscos das tentações populistas em 2018.

JC – Os sucessivos casos de corrupção dão ideia de poço sem fundo. O caminho para o fim ainda está longe?

LAVAREDA – Essa, sem dúvida, é a crise mais profunda da Nova República, nosso período histórico pós-autoritarismo, iniciado em 1985. Crises políticas tivemos outras, mas esta é a que mais se aproxima do modelo de “crise geral”, algo que raríssimas vezes ocorre na vida de um País. Nela, vemos o aguçamento da crise de representação combinada com a perplexidade de conflitos generalizados entre os poderes. Do Executivo com o Legislativo, que levou ao impeachment de Dilma, seguido pela contenda entre o Judiciário de um lado e Executivo e Legislativo de outro, e agora incluindo um enfrentamento interno, autofágico, no próprio Judiciário. Esse processo é permeado pela crise moral despertada pela Lava Jato e turbinado pela maior recessão de todos os tempos que atirou ao desemprego mais de 14 milhões de pessoas.

JC – Mas o que será necessário para romper esse momento?

LAVAREDA – Exigirá um reexame profundo das instituições, além da adoção de novos paradigmas de comportamento dos agentes públicos. Do lado da sociedade, do cidadão, será bom lembrar que nesses tempos de vertigem dos valores o eleitor ano que vem terá que ficar muito atento aos cantos de sereia. Já assistimos a esse filme outras vezes. Quando aqui ou lá fora a política, seja por que motivo for, é satanizada, logo aparecem as tentações populistas e messiânicas, os salvadores da pátria. O Brasil experimentou algo assim em 1989. Na democracia isso nunca dá certo.

JC – O programa 20 Minutos, na TV Jornal, chega com o propósito de apresentar um panorama sobre o poder. Vivemos a época dos “fatos alternativos” de Donald Trump. Como chega o seu projeto neste cenário atual?

LAVAREDA – Infelizmente é em meio a situações como a que atravessamos hoje que muitos de nós terminamos por nos dar conta de como o poder interfere fortemente em nossas vidas. Emprego, salário, oportunidades, quase tudo depende dele. Percebemos como as ações dos governantes, mas também o que fazem e o que deixam de fazer os parlamentares e os magistrados nas várias instâncias do sistema judicial, afetam diretamente as condições de vida dos cidadãos. Refletir sobre o poder exige uma visão 360 graus, a mais aberta possível e desprovida de preconceitos. É o que eu e toda a equipe das várias plataformas do SJCC procuraremos fazer no 20 Minutos, com um estilo objetivo e ritmo dinâmico, ajudando quem nos assiste a se informar sobre o que é de fato relevante em cada um dos temas abordados.


JC – A um ano da eleição presidencial, os principais candidatos têm reprovação superior a 50%. Pode surgir um outsider, como na França?


LAVAREDA – A campanha eleitoral serve a dois fins: alavancar a preferência pelo candidato e diminuir a desaprovação inicial. Numa eleição com segundo turno, a rejeição será decisiva apenas na segunda etapa. E ela muda na campanha. Todos lembramos que Dilma ganhou o segundo turno porque inverteu a ordem. Em alguns contextos, mesmo os vencedores têm elevada rejeição. Quanto a Macron, nosso sistema político é diferente. Não haveria tempo agora para a fundação de um partido como o dele. Um eventual candidato outsider típico, como Luciano Huck que a pesquisa Ipsos mostrou mais benquisto, imbatível diante de qualquer político antigo ou novo, teria que se filiar a um partido existente, de preferência grande, por conta do tempo de TV e rádio, porque apenas redes sociais não pavimentarão uma candidatura vitoriosa.


JC – E o senhor avalia que Lula será candidato? Caso não, acredita que o PT terá fôlego para uma candidatura?

LAVAREDA – O TRF da 4a Região não terá como não julgá-lo antes do período de inscrição das chapas. O próprio presidente daquele tribunal já confirmou isso em entrevista na qual também disse que a sentença condenatória do juiz Sergio Moro era “irretocável”. Condenado em segunda instância, Lula se tornará inelegível. O partido concorrerá com outro candidato. Haddad é o mais provável. O PT, embora com muito menos força, ainda é o partido mais enraizado na sociedade. Não ganhará a eleição presidencial e diminuirá bastante sua bancada no congresso, mas seguirá existindo como grande sigla da esquerda.

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A “corrupção no governo” é uma das notícias mais lembradas pela população sobre o governo Temer

País pode ter expansão fiscal maior este ano, diz economista

Por Manoel de Castro Pires – Valor Ecônomico 

A contração das despesas públicas da União no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff foi seguida de forte expansão fiscal no ano passado, com crescimento dos gastos federais equivalente a 1,59% do Produto Interno Bruto. A maior parte da pressão financeira sobre o governo Michel Temer em 2016 veio das áreas de previdência social (0,84%) e de custeio e investimento (0,69%), indica levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.

"A tendência é de que esse percentual [de expansão, de 1,59%,] seja maior no 2º ano do governo Temer", diz Manoel Carlos de Castro Pires, economista responsável pela compilação e análise dos dados e ex-secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda. "Temer assumiu o país após um período de repressão financeira insustentável". O ajuste fiscal empreendido por Dilma em seu segundo mandato resultou numa retração da despesa pública equivalente a 0,04% do PIB. Pode parecer pouco, mas essa foi a diminuição mais expressiva desde a administração de Fernando Collor de Mello, no início dos anos 90. Na época de Collor, esclarece Pires, a inflação alta contribuía para diminuir o valor real da despesa do governo.

Aos efeitos da inflação somavam-se também fatores como repressão financeira e ajuste por meio de privatizações – as estatais deficitárias recebiam aportes frequentes de capital. No mandato de Dilma iniciado em 2015, o ajuste dos gastos se deu na rubrica de custeio e investimento, que retrocedeu 0,91%.

Os números compilados pelo Ibre mostram que, para cada período de contração fiscal desde 1985, houve uma posterior expansão de gastos, compensando pelo menos em parte os efeitos dos cortes de despesa. "Parte do corte de gastos é permanente, mas outra parte é resultado de repressão financeira", esclarece Pires, economista à frente do projeto Observatório de Finanças Públicas, previsto para estrear em outubro. Ao avaliar o governo Temer, Pires considerou apenas o ano fechado de 2016, apesar de Dilma ter sido afastada da presidência em maio. "As decisões relevantes de expansão fiscal foram tomadas na gestão dele", diz.

Na comparação entre Temer e seus antecessores, o pemedebista foi o presidente que mais ampliou a despesa pública desde Itamar Franco, segundo os dados compilados. "Existe uma pressão do mercado para que Temer faça o ajuste fiscal. E, ao mesmo tempo, há uma brutal pressão da base política para que o Estado faça rodar a máquina e atenda as demandas de parlamentares, governadores e prefeitos", resume o cientista político Antonio Lavareda. A comparação entre Temer e os seis presidentes que o antecederam desde 1985 é prejudicada – admite Pires – pela queda acentuada no PIB registrada no ano passado (-3,6%).

"O fato de o PIB ter caído é importante, mas não decisivo nessa análise", argumenta ele. Como a análise do Ibre se resumiu, no caso de Temer, apenas a 2016, a tendência é de que os efeitos da expansão fiscal possam ser diluídos até o fim do mandato. Especialista em finanças públicas, a economista Selene Peres ressalta que a combinação dos efeitos resultantes das variações do PIB e das despesas públicas pode produzir distorções. Como exemplo, Selene cita a "diminuição" (como proporção do PIB) na despesa com pessoal durante os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro de Dilma.

As sucessivas quedas medidas pelo Ibre – equivalentes a 0,40%, 0,09% e 0,49% do PIB, respectivamente – são na verdade efeitos da expansão da economia, sustenta Selene. "Essas quedas passam a ideia de que a política fiscal foi restritiva nos governos de Lula e no primeiro mandato de Dilma, quando foi exatamente o contrário que ocorreu", diz, acrescentando que o efeito cumulativo dos recentes ciclos de expansão da despesa pública gera reflexos na gestão Temer. "Estamos pagando a conta da Copa do Mundo e da Olimpíada até hoje."

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