“Dormir mal é um problema de saúde pública”, diz especialista

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Ao passar do tempo, o ser humano vai dormindo cada vez menos. O recém-nascido, por exemplo, contabiliza 18-20 horas de sono por dia. Na idade adulta, dorme-se por volta de 7-8 horas. Na terceira idade, há uma desregulação do sono. O idoso passa a dormir mais cedo e menos (5-6 horas) e desperta mais cedo. “A explicação biológica para essa mudança vem, talvez, de uma questão protetiva dos nossos ancestrais pela busca da sobrevivência. O ciclo sono-vigília era muito importante há 100 anos quando não se tinha luz elétrica. Era fundamental estar protegido à noite. Então, os idosos que tinham essa capacidade de dormir menos e se proteger no momento mais vulnerável foram os que desenvolveram mais”, disse o neurologista e especialista em Sono Fernando Morgadinho, que será o entrevistado do Ponto a Ponto inédito deste sábado (4), às 23h, na BandNewsTV, com a jornalista Mônica Bergamo e o sociólogo Antonio Lavareda.

Fernando Morgadinho, que participa do time de profissionais do Instituto do Sono, em São Paulo, diz que os descendentes irão se adaptar à nova realidade do sono, “mas será um processo lento”. Segundo ele, “as gerações mais novas vão sofrer muito mais do que a nossa geração. A gente vai dormir cada vez pior”. Os distúrbios do sono podem causar diversas doenças, porque quem dorme bem tem menos chances de desenvolver problemas relacionados à obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. O bom sono pode ajudar no fortalecimento da memória e melhorar o desempenho físico, no trabalho e até o humor. “Por isso que dormir mal é um problema de saúde pública”, argumenta.

“Na nossa sociedade, infelizmente, o sono não é valorizado como deveria. Os exames de sono não são disponibilizados no Sistema Único de Saúde”. Ao fim, Morgadinho apresenta algumas dicas de como ter um bom sono à noite. “Primeiro, ter uma vida saudável, é muito importante exercício físico. Devemos nos expor à luminosidade pela manhã, não se expor depois das 10 da noite, evitar usar álcool antes de dormir. Cafeína só até às 17h. E lembrar que o quarto deve ser usado para duas coisas: ou para namorar ou para dormir. Televisão, nunca!”, lembra. 

A entrevista do Ponto a Ponto ganha reprise no domingo (5), às 17h.

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Brasil é o país da América Latina onde mais se agride verbalmente homossexuais

Brasil é o país da América Latina onde mais se agride verbalmente homossexuais

 

adriana-galva%cc%83o-oabAdriana Galvão será a entrevistada do Ponto a Ponto deste sábado (21)

Em pesquisa realizada ano passado pela ABGT-Fundación Todo Mejora-GLSEN, o Brasil lidera o ranking de países pesquisados na América Latina que mais se agride verbalmente por causa da orientação sexual (72,6%). A Argentina vem em segundo lugar (72,1%), Peru (71,9%), Colômbia (70,1%), Chile (62,9%).

O assunto domina o Ponto a Ponto deste sábado (21), às 23h, na BandNewsTV, comandado pela jornalista Mônica Bergamo e sociólogo Antonio Lavareda. A convidada desta semana é a presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB, Adriana Galvão. A reprise do Ponto a Ponto vai ao ar no domingo (22), às 17h.

Revista Club Online – 18/01/2017

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Antonio Lavareda no Valor Econômico

Antonio Lavareda é destaque no Valor Econômico

O artigo “A agenda nacional, sob o signo do medo”, assinado pelo jornalista César Felício e publicado nesta sexta (13), transcorre sobre as incertezas do governo Temer ao tratar da crise das prisões no Brasil. 

O sociólogo Antonio Lavareda opinou sobre a “reação silenciosa” da elite brasileira sobre o assunto. De acordo com o estudioso, o problema nunca esteve no “topo das preocupações” da opinião pública. “Quando o tema assume a dimensão que assumiu, ele vai entrar na agenda e o problema é como”, alertou.

Blog do Robson Sampaio – 13/01/2017

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Governo Temer é assunto do Ponto a Ponto deste sábado

Antonio Lavareda no Valor Econômico

A agenda nacional, sob o signo do medo

Do ponto de vista da opinião pública, o presidente Michel Temer não tem como se sair bem da crise nos presídios, como nenhum governo conseguiria. Em momentos de colapso, ou “acidentes pavorosos”, como prefere chamar o presidente, a população cobra soluções, respostas imediatas, não um diagnóstico se a responsabilidade é deste governo, do anterior, dos governos estaduais, de empresários concessionários ou da maldade no coração dos homens. E nesse sentido nenhuma resposta será satisfatória.

Qualquer plano de ação será improvisado, qualquer gesto será pirotécnico. Entre outros motivos para o silêncio momentâneo, Temer demorou a se manifestar porque sabia que este era um contrato com a derrota. Não sem razão, cobra-se de Temer uma conta que há tempos não é saldada.

Não está no dano à imagem de Temer ou dos governadores a principal consequência da carnificina, contudo. A grande questão está em saber como esta crise, uma vez que se prolongue, repercutirá no humor da sociedade como um todo. É saber se, no longo prazo, prevalecerá como sentimento da maioria o consenso dos especialistas ou a maneira de ver o mundo do ex-secretário nacional da Juventude, Bruno Júlio, fora do governo pouco depois de declarar que o ideal seria a ocorrência de uma chacina por semana nas cadeias.

O conservadorismo do povo brasileiro é objeto de estudo há décadas e é cientificamente atestado. Mas por enquanto ainda encontra matizes. A última pesquisa desenvolvida pela “World Values Survey”, uma rede global de cientistas que ouviu 85 mil pessoas em 57 países, sendo 1.486 no Brasil em maio de 2014, atesta isso.

Crise pode reforçar tendência conservadora

O levantamento mostrou um povo com profundo desapreço pela democracia. Apenas um em cada quatro brasileiros concordou com a avaliação de que é muito bom viver em um sistema democrático, menos da metade do que os 53% de argentinos que marcaram esta opção. A radicalização ideológica estava em alta, com 25% dos pesquisados se situando como integralmente de direita ou de esquerda, o dobro do que havia sido registrado na pesquisa anterior, feita cinco anos antes.

A mesma pesquisa, entretanto, mostra um alto nível de tolerância a pessoas de religião e de orientação sexual diversa do entrevistado e surpreendentemente baixos teores de ufanismo, xenofobia e fervores patrióticos. Somente 34,2% dos brasileiros disseram se jactar da própria nacionalidade, ante 80% dos colombianos, por exemplo, isso em um ano em que se bombardeou o país com o canto de “sou brasileiro, com muito orgulho…”. O pendor autoritário no Brasil parece na pesquisa mais relacionado a uma profunda desconfiança interpessoal e baixos traços de solidariedade. Somente 9,5% dos brasileiros afirmaram confiar completamente nas pessoas com quem convive. Nos Estados Unidos o percentual é 30,2%.

O conservadorismo brasileiro na questão da segurança ganha contornos incongruentes, como mostrou a pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no ano passado. O levantamento mostrou 57% dos pesquisados afirmando concordar com a definição de que “bandido bom é bandido morto” e 70% sustentando que a polícia abusava da violência.

A balança agora pode pender para um lado. Consultor político e especialista em questões eleitorais, o sociólogo Antonio Lavareda teme a reação silenciosa ao consenso na elite brasileira de que é necessário desencarcerar, investir em inteligência e promover cidadania.

“A sociedade em relação aos presídios só quer controle, com punição e segregação. Prefere esquecer do tema, que nunca esteve no topo de preocupações da opinião pública. Quando o tema assume a dimensão que assumiu, ele vai entrar na agenda e o problema é como”, comentou.

Cabeças rolando nas cadeias transmitem a sensação de perigo e fazem crescer o apelo por soluções simples. A ordem será a busca por segurança, objetivo em relação ao qual a discussão sobre desencarceramento causa ruído, e que se sobrepõe a todos os outros em um momento de medo. Há o risco, conforme aponta Lavareda, de que a discussão do sistema prisional no primeiro plano do debate nacional abra espaço, sobretudo no Congresso, aos que pregam um endurecimento social.

Não há espaço hoje no grande cenário da política nacional para figuras de extrema-
direita porque estes setores, além de despossuídos de estrutura partidária, não conseguem entrar em sintonia com a agenda que a sociedade cobra.

O deputado Jair Bolsonaro, no momento, é candidato a se tornar um novo Enéas, um coadjuvante na eleição presidencial; e não o equivalente brasileiro a Marine Le Pen. Uma mudança de temas na sociedade retira um dos componentes que tornam o meio eleitoral insalubre aos extremistas, ainda que não os coloque no centro do tabuleiro.

João Doria Junior deve ter ponderado longamente qual a mensagem que passaria ao aparecer de vassoura em punho, na limpeza da Praça 14 Bis, em São Paulo. A associação com Jânio Quadros é inevitável.

Ninguém desconhece que o ex-presidente da República foi condenado no julgamento da história, sobretudo em razão das consequências nefastas de sua renúncia em 1961. O legado de Jânio, que leva o tucano a emulá-lo no centenário do nascimento do ex-
presidente, contudo, é outro.

Prefeito de São Paulo pela primeira vez quatro anos antes de Doria nascer, Jânio conseguiu uma votação até hoje não superada em termos proporcionais em São Paulo. Foi um fundador do marketing político no Brasil, ao criar uma estética para carregar de mensagens gestos irrelevantes em seu sentido prático.

Bilhetinhos, a vassoura na mão, o abandono do terno e gravata pelo uniforme de safari, incertas em repartições e repreensões públicas em subordinados construíram ao longo do tempo um personagem capaz de sobreviver aos seus defeitos. Era uma maneira de manter-se em campanha permanente.

César Felício (Valor Econômico) – 13/01/2017

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Confira a entrevista de Antonio Lavareda ao Diario de Pernambuco

“Estamos com o país de ponta-cabeça”, diz presidente da Abimaq

O convidado do Ponto a Ponto é o presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Carlos Marchesan. Ele será entrevistado pela jornalista Mônica Bergamo e o sociólogo Antonio Lavareda neste sábado (14), às 23h.

O tema do programa, na BandNewsTV, é a economia brasileira e as políticas adotadas pelo governo Temer. A reprise do programa será no domingo (15), às 17h.

“Estamos há três anos só afundando. Passamos pela maior e mais duradoura crise em 80 anos. Nós estamos com o país de ponta-cabeça. Estamos com os juros mais caros do mundo hoje. Nos últimos 3 anos, tivemos 60% de queda no faturamento nas indústrias de bens de capital. Máquinas rodoviárias (que têm muito para fazer nesse país), hoje, conta com 70% de ociosidade. As empresas associadas à Abimaq perderam 100 mil empregos”, declarou Marchesan.
O convidado ainda falou que as política monetária praticada com câmbio e os “juros elevadíssimos” só fragilizam a economia brasileira.

 

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Blog do Jamildo – 11/01/2017

Governo Temer é assunto do Ponto a Ponto deste sábado

Lavareda analisa a decisão do STF em manter Renan no cargo

Crise deixa cenário incerto para 2018

Apesar da rejeição à classe política, partidos já se articulam para a construção de candidaturas

SÃO PAULO – As delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato e a ação contra a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tornam o cenário para a eleição presidencial de 2018 um dos mais imponderáveis desde a redemocratização do Brasil.

Mas, apesar das incertezas e da crescente rejeição da população à classe política, sentimento evidenciado nas eleições municipais, os partidos já começaram o processo de construção de candidaturas que consideram viáveis – e deflagraram as inevitáveis disputas que antecedem o pleito.

Entre os líderes partidários há o temor de que um nome de fora da classe política surja com força e repita o “efeito Donald Trump”. Para especialistas, esse cenário, que foi visto em 2016 em São Paulo, com João Doria (PSDB), e Belo Horizonte, com Alexandre Kalil (PHS), dependerá da economia.

“O cenário atual favorece o surgimento de outsiders, como o apresentador do programa Aprendiz (o empresário Roberto Justus), que se colocou como candidato. Isso é um perigo para o País”, disse o consultor Gaudêncio Torquato, um dos mais próximos conselheiros do presidente Michel Temer.

Especialista em pesquisas de intenção de voto, o sociólogo Antonio Lavareda, que atuou em diversas campanhas do PSDB, avaliou que, entre os postulantes que já se apresentaram, o governador tucano Geraldo Alckmin é o que está mais bem posicionado para 2018.

“Ele foi o menos alvejado pela Lava Jato até agora. Além disso, saiu fortalecido da eleição municipal. Está com uma base muito sólida, enquanto (o senador) Aécio (Neves) sofreu uma derrota importante em Belo Horizonte”, afirmou.

O governador de São Paulo, no entanto, encontra dificuldades dentro do próprio partido, que ficaram ainda maiores com a recondução de Aécio, seu principal concorrente interno, à presidência nacional da legenda.

Alckmin tem a possibilidade de mudar de partido caso não consiga viabilizar sua candidatura pelo PSDB. A opção é o PSB, sigla do vice-governador de São Paulo, Márcio França.

Oposição. No campo da atual oposição, o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é apontado como o único capaz de reunir a esquerda, mas a situação dele, réu em cinco ações penais, é incerta. “A candidatura do ex-presidente dependerá de questões judiciais. Nesse contexto de terra arrasada, o (ex-ministro) Ciro Gomes (PDT) entra preservado”, disse o cientista político Aldo Fornazieri. Diretor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (ESP), ele atuou em campanhas petistas.

Ciro já corre o País fazendo palestras, principalmente em universidades, onde seu discurso incisivo e crítico é bem recebido entre os estudantes. O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que, após o recesso de fim de ano, as visitas ao circuito universitário serão intensificadas. Além disso, Ciro também deve buscar o setor produtivo, com foco no empresariado do agronegócio. “Já estamos elaborando plano de governo”, disse Lupi.

Pedro Venceslau e Valmar Hupsel Filho (O Estado de S. Paulo) – 02/01/2017

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Lavareda participa de debate na UFPE

Procurador do INSS explica as mudanças no sistema previdenciário

As novas regras da Previdência Social no Brasil fixam uma idade mínima de 65 anos para a aposentadoria, como proposta do Governo Federal. Essas mudanças vêm sendo criticadas pelo longo período de contribuição do trabalhador nos setores público e privado. Para debater o assunto, o doutor e mestre em Direito Previdenciário e procurador federal do INSS, Daniel Pulino, é o entrevistado do Ponto a Ponto deste sábado, às 23h, na BandNewsTV. A entrevista é conduzida pela jornalista Mônica Bergamo e o cientista político Antonio Lavareda.
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Em recente pesquisa realizada pela Ipsos, dos 1.500 entrevistados, 62% responderam que as possíveis mudanças na Previdência Social irão dificultar muito/ dificultar um pouco; 23%, facilitar um pouco/ facilitar muito; 11% disseram não sabem ou não responderam e, por último, 5% afirmaram que não irão alterar.

Lavareda analisa a decisão do STF em manter Renan no cargo

STF decide manter Renan no comando do Senado e esfria crise

Após dois dias de alta tensão, a temperatura da crise em Brasília recuou alguns graus nesta quarta-feira depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu manter Renan Calheiros na presidência do Senado.

Por 6 votos a 3, foi derrubada a liminar do ministro Marco Aurélio que na segunda-feira determinou o afastamento de Renan do cargo – decisão que foi descumprida, com apoio da mesa diretora do Senado.

Prevaleceu no STF o entendimento de que Renan, sendo réu em ação penal, fica proibido de assumir a Presidência da República no caso de eventual ausência ou impedimento do presidente Michel Temer e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, hoje o segundo na linha sucessória.

Se isso ocorrer, quem assumirá o comando do país temporariamente será a presidente do STF, Carmén Lúcia.

Apesar dessa proibição, a maioria entendeu que Renan poderia continuar a comandar o Senado – seu mandato à frente da Casa acaba no início de fevereiro.

O resultado é um alívio para o presidente Michel Temer, já que sem Renan havia o risco de seu vice, o senador de oposição Jorge Viana (PT-AC), impedir que projetos considerados importantes para o governo fossem votados. É o caso da PEC do teto, que cria um limite de vinte anos para o aumento dos gastos públicos e deve ser votada na terça que vem.

“Essa decisão é boa para o governo, pois tranquiliza o cronograma de votações de reformas no Congresso”, observa Antonio Lavareda, professor de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Segundo ele, houve “um decisão orquestrada entre mesa diretora do Senado e STF para reduzir o potencial de alavancagem da crise”.

Notícias vinculadas na imprensa brasileira indicam que ontem Carmén Lúcia consultou diversos ministros do STF sobre a questão, como Roberto Barroso, Luiz Fux, Teori Zavascki e Dias Toffoli, e que inclusive o senador Jorge Viana participou de parte das conversas.

Apesar disso, Celso de Mello, ministro que liderou a decisão de não afastar Renan, disse após o julgamento que não participou de qualquer reunião e que “é um absurdo” sugerir que houve acordo.

Mello é o decano do STF, ou seja, o ministro mais antigo, e por isso costuma ser sempre o penúltimo dos onze ministros a votar, antes apenas do presidente da Corte.

Dessa vez, porém, ele foi o primeiro a se manifestar logo após o relator do caso, Marco Aurélio. A mudança da ordem de votação é incomum e evidenciou a gravidade do assunto.

Seguiram seu posicionamento os ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e Carmén Lúcia. Já Edson Fachin e Rosa Weber acompanham Marco Aurélio. Gilmar Mendes e Roberto Barroso, por sua vez, não participaram do julgamento desta quarta.

“É com humildade que o Senado Federal recebe e aplaude a patriótica decisão do Supremo Tribunal Federal. A confiança na Justiça Brasileira e na separação dos poderes continua inabalada”, declarou Renan, por meio de nota, na noite desta quarta.

“O que passou não volta mais. Ultrapassamos, todos nós, Legislativo, Executivo e Judiciário, outra etapa da democracia com equilíbrio, responsabilidade e determinação para conquista de melhores dias para sociedade brasileira”, disse ainda.

Correção do voto

Apesar de ter antecipado seu voto, Mello insistiu com jornalistas que não havia acordo e que antecipou sua manifestação porque queria fazer uma correção em relação ao seu voto de novembro, em ação que julga se réu em ação penal pode ocupar cargo na linha sucessória.

Essa ação está suspensa por pedido de vista do ministro Dias Toffoli, mas antes seis ministros já haviam se manifestado no sentido de proibir que réu ocupe cargo na linha sucessória da Presidência da República, inclusive o decano.

Mello, porém, disse que havia se expressado mal naquele julgamento e que, na verdade, estava votando apenas para que réu não possa assumir a Presidência, mas sem precisar ser afastado do cargo que o coloca na linha sucessória.

Essa a ação foi movida em maio pela Rede, partido de Marina Silva, diante da iminência do afastamento de Dilma Rousseff.

O objetivo principal era remover Eduardo Cunha do comando da Câmara e evitar que ele ocupasse a Presidência no caso, por exemplo, de uma viagem internacional de Michel Temer. Mas o então deputado acabou afastado por outra decisão do Supremo e depois cassado por seus pares.

No entanto, como Renan virou réu na semana passada, acusado de ter desviado recurso do seu gabinete de senador em 2005 para pagar pensão de uma filha, o caso ganhou relevância novamente.

STF desmoralizado?

Apesar da maioria do STF ter mantido Renan no comando do Senado, muitos ministros criticaram o fato do peemedebista ter desrespeitado a liminar de Marco Aurélio.

“Ordem judicial há de ser cumprida para ter a ordem jurídica prevalecendo e não o voluntarismo de quem quer que seja”, disse Carmén Lúcia

Questionado se o ministro Marco Aurélio saía desmoralizado do episódio, Celso de Mello disse que não e indiciou que quem ficava desmoralizado era quem não cumpria de decisão judicial.

Mas e o fato de não ter havido consequências negativas para Renan, apesar do desrespeito à liminar?

“Será?”, respondeu Mello. “Vamos aguardar porque o ministro Marco Aurélio pediu que se expedisse uma cópia do voto dele ao Procurador-Geral de República (Rodrigo Janot)”, acrescentou.

Janot é quem tem poder de investigar e eventualmente denunciar Renan pelo crime de descumprimento de decisão judicial.

Em sua fala no julgamento, em que recomendou afastamento de Renan, ele fez duras críticas ao desrespeito da liminar. “Muito preocupante”, afirmou.

Para o professor da UFPE Lavareda, o desrespeito à decisão de Marco Aurélio é um “mau exemplo”, mas que “não deve ter consequências amplas, nem enfraquece o Estado Democrático de Direito”.

Já o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) criticou a decisão do STF de não afastar Renan.

“O sinal que a decisão passa é ruim, porque de alguma maneira permite que situações como essa (de desrespeito à decisão judicial) se repitam”.

Futuro da ação da Rede

Após a decisão desta quarta, é provável que, quando a ação movida pela Rede volte a ser julgada, o STF decida que réu em ação penal não deve ser afastado do cargo, mas fica impedido de ocupar a Presidência.

Dessa forma, deve ser firmado o entendimento de que, quando isso ocorrer, a linha sucessória “pule” para a autoridade seguinte.

Caso o presidente eleito se ausente do país em viagem ao exterior ou fique impedido por algum motivo de exercer o cargo, a Constituição prevê que ele deve ser substituído na seguinte ordem: vice presidente, presidente da Câmara, presidente do Senado e presidente do STF.

Mas por que está se discutindo se réu pode ocupar cargo na linha sucessória?

A Constituição prevê, no artigo 86, que o presidente da República deve ser afastado temporariamente de seu cargo se o STF receber uma denúncia contra ele. Nesse caso, o presidente fica suspenso de suas funções por até 180 dias, enquanto responde ao processo.

Com base nisso, a Rede argumenta: se o presidente não pode exercer seu cargo caso seja réu no Supremo, igualmente não poderiam estar na sua linha sucessória outras autoridades que respondam a processos criminais na mesma corte.

Argumentos contra ação da Rede

Opositores do pedido de Rede consideram que o partido de Marina Silva propõe uma leitura limitada da Constituição.

Chamada a se manifestar na ação inicial, a Câmara, por meio de seus advogados, sustentou que uma decisão do STF no sentido de proibir réu de ocupar a presidência da Casa iria contra a os princípios da separação de Poderes e da presunção da inocência.

Além disso, a Câmara ressaltou que o presidente da República, enquanto estiver exercendo seu mandato, só pode ser processado por atos relacionados ao exercício do seu cargo. É o que diz o parágrafo quarto do artigo 86 da Constituição.

Já no caso dos presidentes da Câmara e do Senado, nada impede que o Supremo os torne réus por denúncias de crimes anteriores aos seus mandatos e sem relação com seu cargo político, por exemplo um suposto homicídio em um acidente de trânsito.

Dessa forma, dizem os advogados da Câmara na manifestação ao STF, o presidente da Casa não deveria estar impedido de ocupar a Presidência da República caso tenha virado réu em um processo sem relação com exercício dessa função.