Após tragédia, comandante analisa aviação brasileira

O diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, o comandante Tiago Rosa, é o convidado do Ponto a Ponto deste sábado (3), à meia-noite, na BandNewsTV, sobre a condição de trabalho dos aeronautas no Brasil. A temática ganha espaço depois do acidente, na Colômbia, que matou 71 pessoas, entre elas a tripulação, jogadores do time da Chapecoense e jornalistas, na última terça.

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O comandante Tiago Rosa será entrevistado por Antonio Lavareda no Ponto a Ponto

 

A atração, comandada pela jornalista Mônica Bergamo e pelo sociólogo Antonio Lavareda, ainda trata da percepção dos brasileiros sobre a aviação e os aeroportos do país: indicadores de satisfação, leis e políticas públicas.

De acordo com recente pesquisa realizada para o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, os entrevistados (13.721), nos 15 principais aeroportos do País, melhor avaliaram, em uma escala de notas de 1 a 5, o tempo de fila na inspeção de segurança (nota 4,48). Logo após, aparece a disponibilidade de assentos na sala de embarque (4,47); a cordialidade e prestatividade dos funcionários de segurança (4,46); limpeza geral do aeroporto (4,43); e por último, a confiabilidade da inspeção de segurança (nota 4,42).

Blog do Magno – 02/12/2016

Leia mais: Confira a entrevista de Antonio Lavareda ao Diario de Pernambuco

ANTONIO LAVAREDA PARTICIPA DO CANAL LIVRE SOBRE VOTO OBRIGATÓRIO

Especialista fala sobre emprego para a geração Y no Ponto a Ponto

“Vão encarar vários problemas ao tentar se empregar de novo (na crise financeira). Muitos não temem e pedem demissão porque não gostam do trabalho ou quando o chefe fala alto ou quando querem viajar. Se essa geração não se empregar agora, pode ser que, quando ela retorne ao mercado de trabalho, várias carreiras ou funções tenham acabado e várias novas funções tenham surgido”, prevê Eline Kullock, especialista em RH, no Ponto a Ponto (BandNewsTV, sábado, 23h). A atração é apresentada pela jornalista Mônica Bergamo e pelo sociólogo Antonio Lavareda.

A direita vem aí?

O que diz a história do voto Nas últimas 11 eleições diretas para presidente, de 1945 até hoje, a direita só foi vitoriosa em uma delas

Primeiro foi o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda. Agora, é o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Semana passada Lavareda disse que, se a centro-direita lançar uma candidatura única, entra como grande favorita para vencer as eleições presidenciais de 2018. Ontem, em entrevista à Folha de S. Paulo, Haddad afirmou que em 2018 a disputa será entre direita e extrema-direita. “O desafio da esquerda é maior do que nunca. A gente nunca conviveu com uma situação tão adversa”, disse o prefeito.

São avaliações de dois destacados profissionais do ramo, que têm o trunfo de acompanhar a política por dentro e por fora. Tratei do assunto no Em Foco de 15 de novembro passado (“2018: qual o perfil do próximo presidente?”), e torno a abordá-lo agora. Creio haver aí pelo menos três incógnitas a serem levadas em consideração: a primeira é o fator Temer – o governo dele trará a recuperação econômica ou insatisfação popular, com medidas como a anunciada este fim de semana, de fechamento de agências do Banco do Brasil? Se o governo dele chegar impopular em 2018, que força será a beneficiária da insatisfação? A segunda incógnita é o efeito de uma eventual candidatura de Lula.

Já a terceira é de natureza histórica – a direita é historicamente frágil nas disputas presidenciais no Brasil. E carrega a pecha de ser mau perdedora: inconformada com a derrota nas urnas, às vezes descamba para o golpismo. Dois exemplos consensuais na história: agiu assim contra Juscelino Kubitschek, em 1955, e contra João Goulart – contra este, acabou obtendo sucesso, com o golpe civil-militar de 1964. Juscelino venceu as eleições, porém logo após o resultado a UDN (partido que representava a direita) ingressou na Justiça para tentar anular o pleito. Os argumentos iam desde a prática de corrupção até o fato de que JK recebera “votos dos comunistas” e que não obtivera a maioria absoluta dos votos (na época não havia segundo turno). Contra Goulart, os fatos são conhecidos.

Em relação à fragilidade eleitoral, destaque-se que na votação do plebiscito, em 1963, para decidir entre presidencialismo (que daria plenos poderes a Goulart) e parlamentarismo (que praticamente encerraria seu governo), o presidencialismo pró-Goulart saiu vitorioso com 82% dos votos – apesar de o país estar sob forte crise econômica. O que a história mostra é que nas últimas 11 eleições diretas para presidente, de 1945 até hoje, a direita venceu apenas uma – em 1960, com Jânio Quadros. A disputa de 1945 foi atípica porque ocorreu no clima do pós-guerra. Tivemos então dois militares de alta patente concorrendo: o brigadeiro Eduardo Gomes e o general Eurico Gaspar Dutra (este foi o vitorioso). E Fernando Collor, em 1989, foi uma bala perdida.

A leitura desses dados permite a interpretação de que, neste período mencionado, a direita não teve agenda nem candidatos para seduzir a maioria do povo brasileiro. Em um país como o Brasil, qualquer discurso que minimize (ou não enfatize) a necessidade de medidas sociais e de combate às desigualdades, enfrenta grandes dificuldades para ser aceito pela maioria do povo.

Discurso aqui entendido não apenas como a retórica, mas como a prática – qualquer pessoa sempre pode dizer que é contrária às desigualdades e que pretende combatê-las, mas para dar respaldo a essa afirmação é preciso que ela tenha uma prática demonstrando isso. O melhor ambiente para uma vitória da direita é quando o debate sobre igualdade e justiça social é sobrepujado por outros como a corrupção (que deu a vitória a Jânio Quadros e catapultou a candidatura da “bala perdida” Fernando Collor) e a moral.

Nos dias atuais, creio que calam fundo sobre a alma do brasileiro as discussões sobre determinados temas ligados à religião e à sexualidade – um terreno fértil para a disseminação de notícias falsas, como a de que o partido X ou Y tem projeto para tornar as crianças gays.

Esse quadro histórico que apresentamos aqui não demonstra que a vitória da direita em 2018 seja improvável. A tendência do momento mostra o contrário: que é provável. Porém, como “provável” não é sinônimo de “garantido”, é prudente aguardar a nitidez que só a proximidade das eleições é capaz de oferecer.

Vandeck Santiago (Diario de Pernambuco) – 22/11/2016

Leia mais: Confira a entrevista de Antonio Lavareda para o JC

Lavareda participa de debate na UFPE

Confira a entrevista de Antonio Lavareda ao Diario de Pernambuco

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Leia a entrevista completa:

2018: quem tem o perfil ideal para presidente?

Um candidato de centro-direita é favorito? Quem, pela centro-esquerda, ocupará o vácuo do PT?

Qual o atributo que você, eleitor, definiria como fundamental para o candidato a presidente nas próximas eleições? A cada disputa majoritária, a resposta a esta pergunta tem forte impacto sobre o resultado, muitas vezes sendo fator decisivo para a vitória. Daí que para muitos partidos a escolha do candidato tem como ponto de partida identificar qual a principal característica que os eleitores esperam do próximo governante. Sabendo qual, lança-se o candidato que supostamente tem o perfil que o eleitor deseja para aquela eleição.

O atributo considerado fundamental pelo eleitor não é sempre o mesmo; depende das circunstâncias. Pode ser honestidade. Competência. Disposição para trabalhar. “Não ser político”. Coragem para enfrentar “poderosos”. Preocupação com os mais pobres. Sinceridade. Etc. etc. Que atributo o eleitor preferirá em 2018, não sabemos. Mas uma avaliação que toma corpo na política nacional é que um candidato com o perfil de centro-direita, encabeçando uma aliança de grandes partidos, entraria na disputa com fortes chances de ser o eleito.

O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, especialista em eleições, defendeu essa tese, semana passada, durante debate na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). A ressalva que ele faz é que o nome com tal perfil deveria ser o candidato único das forças afinadas com tal espectro ideológico. Um nome feito sob medida para este figurino de centro-direita é o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, partido que nas últimas eleições passou por uma mudança de perfil: as tinturas social-democráticas de Fernando Henrique, José Serra e Mário Covas, estão hoje esmaecidas, com o aparecimento de novas tonalidades, de feito conservador, que têm Alckmin e Aécio Neves como seus nomes de maior projeção. Por mais crédito que se dê à avaliação de que um candidato de centro-direita partiria na frente na corrida da sucessão, é preciso considerar que estamos aí no terreno das projeções – sujeitas a variáveis decorrentes dos acontecimentos futuros.

Por exemplo: caso saia não um, mas vários candidatos com este perfil, o caminho já ficaria embolado, causando dificuldades a todos (o próprio Lavareda alerta para esta hipótese). Outro exemplo: não se sabe se Lula terá condições de ser candidato; e, em sendo, o efeito que isso terá na disputa.

É plausível supor, no entanto, que o PT ainda não pagou todo o preço pelo desgaste do governo Dilma Rousseff e sobretudo pelas implicações da Operação Lava-Jato. Chegará em 2018 ainda com faturas a pagar – ou seja, eleitoralmente debilitado (o que não quer dizer extinto). Processo semelhante já aconteceu com o PMDB: embalados pelo sucesso do Plano Cruzado, os peemedebistas elegeram 22 dos 23 governadores em 1986, e obtiveram vitórias esmagadoras também no Senado e na Câmara Federal. Logo em seguida o Plano Cruzado começou a fazer água, até o fracasso.

Resultado: nas eleições seguintes, em 1988, o partido manteve apenas 4 das 19 prefeituras que tinha; viu a esquerda sair vitoriosa em 10 capitais e não teve como evitar o avanço de Lula e Leonel Brizola. Na disputa presidencial de 1989, o PMDB foi apenas uma pálida sombra do que fora três anos antes: seu candidato, Ulysses Guimarães, teve menos de 5% dos votos…

A sangria dos votos do PT deixa um vácuo que pode ser ocupado por um candidato de centro-esquerda, área onde hoje estão Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade). Na hipótese de Lula não ser candidato, imaginemos como os palanques de Ciro e Marina podem de repente tornar-se polos de atração para as forças contrárias a um (ou mais) candidato(s) de centro-direita…

Por diversas razões, o cenário atual lembra o de 1989, quando tivemos 22 candidatos à Presidência (todos os grandes partidos lançaram o seu). Naquele ano, enquanto as forças políticas tradicionais se engalfinhavam, cresceu a candidatura do novato Fernando Collor, que acabou sendo o eleito. A história não se repete, sabemos nós. Mas não custa nada ficarmos atentos.

Vandeck Santiago (Diario de Pernambuco) – 15/11/2016

Leia mais: Workshop do TSE terá participação de Antonio Lavareda

Antonio Lavareda é entrevistado no Diálogo Nacional

Confira a entrevista de Antonio Lavareda para o JC

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Leia a entrevista completa:

Lavareda aponta rumos para 2018

Ao avaliar eleições deste ano, sociólogo faz prognósticos para o próximo pleito

Os partidos de centro-direita do Brasil poderão sair vitoriosos da eleição presidencial de 2018 se optarem pela união e lançarem um candidato único. Essa é a opinião do sociólogo e doutor em ciência política Antonio Lavareda, exposta na tarde de ontem em uma mesa de debates sobre as eleições municipais deste ano, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Também participaram do debate analistas políticos do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

“É muito difícil esse grupo não eleger um candidato no primeiro turno nas eleições nacionais. Imagina, com a nova regra, o que isso gerará em tempo de televisão, será um strike (referindo-se à jogada de boliche em que todos os pinos são derrubados de uma única vez). Agora, se o centro-direita se dividir, se fragmentar, acompanhar a fragmentação da esquerda, nós vamos ter um padrão parecido com o de 1989”, disse Lavareda, lembrando o resultado do primeiro turno do pleito daquele ano. Como havia muitos candidatos, eles conseguiram pouca porcentagem de votos, levando a disputa para o segundo turno entre Fernando Collor e Lula.

Ainda na opinião de Lavareda, a fragmentação do bloco de centro-direita poderá acelerar a recuperação dos partidos de esquerda, especialmente do PT, de se reerguerem após o baque eleitoral e do encolhimento do partido observado após o resultado da eleição deste ano. Ainda na visão do cientista político, a esquerda deve seguir fragmentada.

Lavareda avaliou, ainda, que as novas regras eleitorais aplicadas este ano, como a redução do período de campanha, fortaleceram o guia eleitoral, principalmente na televisão. “A televisão passou a ser praticamente o meio largamente predominante de comunicação. O papel das redes sociais nas grandes cidades foi absolutamente secundário. Foram poucas as grandes cidades em que as redes sociais foram importantes como fator de audiovisual. Nos pequenos e médios municípios, sem televisão, elas foram importantes”, opinou.

Para Lavareda, uma das consequências das mudanças na propaganda foi a reeleição de 75% dos prefeitos de capitais que disputaram o cargo novamente. Como exemplo, foi citada a vitória de João Dória (PSDB) no primeiro turno em São Paulo. “Sem essa estrutura de TV e sem o governador Alckmin e o PSDB terem montado a maior coligação eleitoral que já houve na história de São Paulo, e com o maior tempo de televisão na história da política paulistana, não haveria vitória no primeiro turno”, exemplificou.

Jornal do Commercio – 11/11/2016

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Lavareda fala sobre seu novo livro à BandNewsTV

Pesquisas erraram nos EUA também. Por que isso tem sido mais comum?

 

Mais uma eleição ocorreu, e mais uma vez as pesquisas se mostraram bastante enganadas. Dessa vez, Donald Trump contrariou previsões que davam de 71 a  99% de chance de vitória para Hillary Clinton e conquistou a presidência dos Estados Unidos após uma grande recuperação na reta final. Foi um cenário parecido em várias corridas eleitorais do Brasil e mesmo na decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Mesmo com margem de erro, os institutos de pesquisas não estão conseguindo rastrear o comportamento dos eleitores nos últimos dias antes da votação.

Em 5 de outubro, após João Doria Jr. ser eleito prefeito de São Paulo no primeiro turno (uma possibilidade ignorada pelas pesquisas), entrevistamos o cientista político Antônio Lavareda para falar sobre o aumento de casos de arrancadas eleitorais repentinas. Veja abaixo a reportagem completa:

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Eleitorado mais volátil exige que pesquisas sejam mais imediatas

João Doria Jr estava subindo, e bastante. As pesquisas de Datafolha e Ibope mostravam como o candidato do PSDB crescia na última semana. No entanto, a possibilidade de o empresário ser eleito ainda no primeiro turno só pareceu real na pesquisa de boca de urna, quando ele atingiu 48%. Ainda assim, seus 53% finais foram acima da margem de erro de qualquer levantamento realizado, inclusive os publicados no fim de semana da votação.

Não foi algo inédito, sobretudo em primeiro turno. Em 2012, também na eleição municipal de São Paulo, Celso Russomanno caiu e Fernando Haddad subiu em curvas acima da margem de erro das pesquisas apresentadas nos jornais do dia do pleito. Dois anos depois, Aécio Neves e Marina Silva estavam em empate técnico na briga por um lugar no segundo turno da eleição presidencial até o último levantamento, mas a apuração mostrou o candidato do PSDB 11 pontos à frente da candidata do PSB.

Para ilustrar isso, fizemos um gráfico com as pesquisas do último mês dessas três corridas eleitorais. Pegamos apenas do Datafolha, por questão de padronização. O penúltimo número de cada gráfico é sempre o do levantamento publicado no dia da eleição e o último é o resultado final em votos totais (não votos válidos).

 

É nítido como a pesquisa não antecipou até onde subiriam ou cairiam alguns candidatos, mas, nos dias anteriores, elas já indicavam suas trajetórias ascendentes ou descendentes. Para entender por que os eleitores têm mudado tanto de comportamento de última hora, entrevistamos o cientista político Antônio Lavareda, especialista em análise do comportamento do eleitorado e presidente do conselho científico do Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas (Ipespe).

Para Lavareda, o principal motivo dessas distorções não é erro da pesquisa, mas uma volatilidade maior do eleitor devido à mudança das corridas eleitorais nos últimos anos. O tempo de campanha é menor, e o volume de informação jogado nas mídias (e agora ainda há as redes sociais para reforçar) é muito grande e leva o público a mudar muito de opinião. Uma realidade que poderia até levar os institutos a mudaram um pouco o fluxo de trabalho entre entrevistas e publicação.

Tem sido cada vez mais comum o resultado das eleições fugirem bastante das pesquisas, mesmo a que é publicada no dia da votação. O que tem ocorrido?

Nesse ano a campanha foi muito curta, com muita ênfase em propaganda em TV, rádio e redes sociais. O volume de informação é muito grande e concentrado em pouco tempo, as mudanças acabam ocorrendo de forma mais rápidas. O público fica mais volátil.

Campanhas mais longas mudariam de que forma o cenário?

Não mudariam o resultado final, mas as curvas de subidas e descidas de cada candidato seriam mais alongadas, teriam ângulos menos acentuados no gráfico. As informações que chegariam aos eleitores seriam as mesmas, mas elas apareceriam gradualmente e o efeito dela na opinião do eleitorado também seria gradual.

Diante dessa realidade, de público volátil devido a campanhas curtas com muita informação, os institutos de pesquisa deveriam mudar sua abordagem?

Em um eleitorado mais volátil, a pesquisa precisa ser feita em um período de tempo mais estreito para representar um retrato mais fiel de um determinado momento. Se possível, realizar as entrevistas na véspera da divulgação dos números. Caso contrário, os resultados podem ser relativos ao cenário anterior, e não ao do presente.

Já dá para dizer que essa volatilidade é uma tendência?

Sim. Os eleitores estão decidindo seu voto de última hora e os últimos dias têm variações grandes. É esperado isso para uma democracia com as características do Brasil. O voto é mais enraizado quando está vinculado a partidos, mas a ligação do eleitor com os partidos não é forte. Nos Estados Unidos, simplificando um pouco, um terço dos eleitores é democrata e um terço é republicano. Esses sempre votam no mesmo partido. O terço restante é de eleitores independentes, que acabam variando e decidindo as eleições. Aqui no Brasil, é como se quase todo mundo fosse eleitor independente.

 

MSN Brasil – 09/11/2016

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Entrevista ao Valor Econômico

Marketing político derrotado?

Entre os instrumentos usados pelos atores políticos para obter vitórias, um é típico da civiliza­ção do consumo e abriga o campo do simbolismo. É conhecido como marketing político. Tem origem na liturgia do poder, fazendo-se presente na História da humanidade como sistema de camuflagem para lapidar a imagem de governantes, imperadores, reis, príncipes, presidentes, políticos e celebridades. Quinto Túlio já o experimentava em 64 A.C. quando aconselhava o irmão Marco Cícero, famoso tribuno romano, candidato ao consulado, a se apresentar como um “homem novo bem preparado para conseguir a adesão entusiasmada do povo”. César cal­culava os gestos públicos.

Já Maquiavel ensinava o Príncipe a divertir o povo com festas e jogos. Luís XIV desfilava nos espetáculos que pro­movia. Napoleão era um pavão vestido de púrpura quando se coroou para receber a benção do papa em Notre-Dame. Hitler foi treinado em aulas de declamação (por um professor de oratória chamado Basil) para agitar as massas, usou a cruz gamada para propagar o nazismo, podendo-se dizer que o marketing político ganha status profissional sob o comando de Joseph Goebbels, o “mar­queteiro” hitlerista.

Pois bem, essa engenharia de encantamento das massas aportou há mais de cinco décadas no Brasil para criar uma cultura de elevação do Estado-Espetáculo. Em 60, tivemos as primeiras campanhas marque­teiras. Começou com a mobilização das massas nas ruas. Passou pela adoção de símbolos, cores e cantos até ganhar, nos tempos atuais, uma dimensão piro­técnica, principalmente ao privilegiar a forma sobre o conteúdo. Nesse caso, políticos costumam ser transformados em figuras mais artificiais. Esse é um desvio do bom marketing. Slogans se antecipam a programas (quem não se lembra do Fome Zero e do PAC?). Implanta-se a telecracia, em que atores canhestros são ensinados a engabelar a fé dos tele-eleitores. Não é de admirar que a representação política, plasmada pela cosmética mercadológica, acabe criando imenso vácuo no meio social. Na eleição desse ano, os eleitores não entraram muito no jogo do marketing.

A transformação da política em extensão do show business tem sido o ofício de uma classe treinada para ampliar os limites do Esta­do-Espetáculo a fim de garantir o sucesso de seus clientes. Os nossos profissionais, alguns muito bons como Chico Santa Rita ou o guru das pesquisas e da neurociência aplicada à propaganda, Lavareda (no livro Neuropropaganda de A a Z, o cientista social Antonio Lavareda e o jornalista João Paulo Castro selecionam e explicam conhecimentos básicos da neurociência na Propaganda) são referências de qualidade. Ocorre que os eleitores, mais racio­nais, desconfiam do discurso eleitoral, na esteira da lama que escorre nos vãos e desvãos da política. Temem se deixar enganar facilmente. Ou seja, comprar gato por lebre.

O fato é que a varinha de condão é usada para empetecar atores pelo País afo­ra. Nessa eleição, este bordão não teve muito sucesso: “Fulano fez, fulano faz e fará melhor”. O eleitor está mais atento. Isso é oba-oba de candidato. Como as tais obras não aparecem, o que há é uma reversão de expec­tativas. Os geniais “feitores” desmoronam. Prefeituras e governos, ao se encostarem no monumental paredão de pasteurização construído com a argamassa do marketing de má qualidade, acabam soterrados. A grande distância entre a imagem dos entes governativos e a realidade social transforma o instrumento do marketing em arma mortal contra ele próprio.

A degradação da política, sabe-se, é um processo em curso e resulta da antinomia entre o interesse individual e os interesses coletivos. Essa pertinente observação de Maurice Duverger, quando estabelece comparação entre o liberalismo e o socialismo, explica bem nossa crise. A democracia liberal abriu imensas comportas para a corrupção e o socialismo revolucionário se arrebentou sob os destroços do Muro de Berlim. Daí a procura por um novo paradigma capaz de resgatar a velha utopia expressa por Aristóteles, em sua Política: a de que o homem, como animal político, deve participar ativamente da vida da polis (cidade) para servir ao bem comum. A polis, portanto, não pode ser um negócio particular. E o marketing político, por sua vez, não deve e não pode ser instrumento para mudar o conceito de política, de missão para profissão.

Notas

Antipolítica tradicional

O eleitor deu um conjunto de recados no pleito encerrado domingo passado. O primeiro foi um puxão de orelhas na velha política, nas práticas predatórias da politicagem e de politiqueiros. Foi um aviso de BASTA às falsas promessas, aos dribles que candidatos costumam dar nos eleitores nos ciclos eleitorais. Portanto, o repúdio à antipolítica tradicional ficou evidente nos números de abstenção,  votos nulos e brancos. Dos cerca de 25,8 milhões de eleitores que comparecerem ao segundo turno, 14,3% invalidaram o voto. No Rio, abstenções, votos nulos e brancos somaram quase 47% no segundo turno. Dos 32,9 milhões de eleitores aptos a votar no país,  21,6% não compareceram às urnas, crescimento de 13% em relação ao pleito de 2012.

Rumo ao centro

A segunda leitura que se pode extrair é a de que o eleitor deu um NÃO aos extremismos e radicalismos, optando por um ponto no meio do arco ideológico. Essa opção pode ser aferida não apenas pelos votos conferidos ao PSDB, com seu escopo social-democrata (um braço no centro-direita, outro braço no centro-esquerda), mas pela votação dada a quase 30 siglas, a maioria delas sendo de médias e pequenas, quase todos integrantes da base governista. Alguns falam de guinada conservadora, à direita. Mais adequado é apontar para uma fixação eleitoral no espaço central do arco ideológico.

Crivella

A administração de Marcelo Crivella, no Rio, deverá ser uma das mais monitoradas pela mídia. O senador é bispo licenciado da Igreja Universal. E sobre ele recaem muitas suspeitas, entre as quais a de que sua eleição faz parte de um projeto hegemônico do Grupo evangélico sob o comando de Edir Macedo para tomar conta dos Poderes. O projeto incluiria o adensamento das estruturas dos Poderes com quadros evangélicos. A evangelização do país, sob a infiltração da religião nos vãos e desvãos da política, puxaria uma onda de conservadorismo.

Marketing (Foto: Arquivo Google)
Gaudêncio Torquato (Blog do Noblat) – 06/11/2016

Workshop do TSE terá participação de Antonio Lavareda

A convite do ministro Gilmar Mendes, Antonio Lavareda, integrante da lista dos notáveis do TSE, participará do esperado workshop “Avaliação das Regras Aplicadas às Eleições de 2016” em Brasília.

Folha de Pernambuco (Persona) – 03/11/2016

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Assista a entrevista completa de Antonio Lavareda no programa Roda Viva