O cientista político Antonio Lavareda participa dos principais programas sobre política do Brasil. Confira na íntegra todas as entrevistas.
SÃO PAULO – A dois dias do primeiro turno, a vantagem do líder Jair Bolsonaro (PSL) sobre o segundo colocado Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial dobrou. Segundo pesquisa XP/Ipespe, o deputado saltou 8 pontos percentuais em uma semana e agora tem 36% das intenções de voto. Já o ex-prefeito paulistano oscilou positivamente de 21% para 22%, patamar duas vezes superior ao do terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), estacionado em 11% há três semanas. Votos em branco, nulos e indecisos agora somam 12% do eleitorado. O levantamento foi feito nos dias 3 e 4 de outubro e foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-06509/2018.
No segundo pelotão da disputa, juntamente com Ciro, aparece Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano oscilou negativamente 1 ponto e está 3 p.p. abaixo de seu maior patamar registrado ao longo da corrida. Os ex-governadores estão em situação de empate técnico, no limite da margem de erro, de 2,2 p.p. para cima ou para baixo. Já Marina Silva (Rede) foi de 5% para 4%, menos de 1/3 do que teve em seu melhor momento na disputa. Logo atrás, aparecem o empresário João Amoêdo (Novo), com 3%; o senador Alvaro Dias (Podemos), com 2% – mesmo patamar do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB); e o deputado Cabo Daciolo (Patriota), excluído do último debate, com 1% das intenções de voto. Outros candidatos não pontuaram.
Quando são contabilizados apenas os votos válidos (desconsiderando votos em branco, nulos e eleitores indecisos), Bolsonaro tem 41% das intenções de voto, o que indica que ainda faltariam 9% para que se configure um quadro de vitória no primeiro turno. Isso significa que até o próximo domingo (7), o parlamentar teria que herdar 64% de todos os chamados "votos azuis" (apoio hoje dado a Alckmin, Amoêdo, Alvaro Dias e Meirelles) ou 50% ta soma do campo azul com as intenções de voto de Marina Silva. Neste caso, Haddad tem apoio de 25% dos que declaram voto em algum candidato, seguido por Ciro, com 13%.
No cenário espontâneo (quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados), Bolsonaro aparece com 33% das intenções de voto, enquanto Haddad tem 16%. Ciro Gomes vem logo atrás, com 9%, seguido de Alckmin, com 4%, Amoêdo e Marina Silva, ambos com 2%. Alvaro Dias, Meirelles e Daciolo têm 1% cada. Neste caso, Bolsonaro tem 48% dos votos válidos e precisaria de 25% dos "votos azuis" ou 20% da soma deste campo com as intenções de voto de Marina Silva. A pesquisa espontânea é útil como ferramenta que mostra o grau de cristalização de apoio dos eleitores a cada candidato.
O levantamento XP/Ipespe também mostrou que, a dois dias do primeiro turno, o nível de interesse pela eleição presidencial chegou a 64% do eleitorado. Agora, 43% dos entrevistados se dizem muito interessados, enquanto 23% afirmam estar mais ou menos interessados no processo. Há um mês, a soma desses grupos representava 52% do eleitorado. A faixa de eleitores que se diz desinteressada com o processo está em 20%, o que pode indicar uma ativação tardia e decisão de voto de parcela relevante durante o sprint final ou até uma tendência de abstenção, o que na prática elevaria as chances de Bolsonaro liquidar a disputa sem necessidade de segundo turno.
Confira os cenários de primeiro turno para a corrida presidencial testados pela pesquisa:
Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos aos entrevistados
Pesquisa estimulada: com a apresentação dos nomes dos candidatos aos entrevistados
Foram testados cinco cenários de segundo turno nesta pesquisa. Em eventual disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, o quadro ainda é de empate técnico, mas com o deputado numericamente à frente por 43% a 42%. Em relação ao último levantamento, o parlamentar cresceu 4 pontos percentuais, enquanto o petista oscilou 1 p.p. negativamente. O grupo dos "não voto" agora soma 15%. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 p.p., enquanto na semana passada Haddad apareceu pela primeira vez à frente, com vantagem de 4 p.p., no limite da soma das margens de erro dos candidatos.
Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o quadro seria de empate técnico, no limite da margem de erro, com o tucano numericamente à frente com 40% das intenções de voto contra 36% para o petista. Votos em branco, nulos e indecisos agora somam 24%. Em nenhum momento o ex-prefeito paulistano liderou as simulações.
No caso de enfrentamento entre Alckmin e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com o tucano voltando a aparecer mais forte numericamente, com 44% das intenções de voto contra 42% para o deputado. Brancos, nulos e indecisos somam 15% do eleitorado. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio.
Se o segundo turno fosse entre Ciro e Alckmin, o cenário também seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente por 36% a 33%. Brancos, nulos e indecisos somariam 31% do eleitorado. É a quarta vez que Ciro aparece numericamente à frente na disputa. Na semana passada, ele tinha 4 p.p. a mais que o ex-governador paulista. Em nenhum momento um dos candidatos teve vantagem superior ao limite da soma das respectivas margens de erro, mas na maior parte do tempo Alckmin liderou.
Caso Bolsonaro e Ciro se enfrentassem, o pedetista venceria com 44% das intenções de voto, contra 39% do parlamentar. Brancos, nulos e indecisos somariam 18%. Há cinco semanas, o ex-governador contava com vantagem de apenas 2 pontos percentuais. Ciro chegou a ficar 8 pontos à frente na semana passada. Bolsonaro esteve em vantagem numérica na maior parte do tempo, mas em quadro de empate técnico. Apenas nos dois primeiros levantamentos, realizados em maio, ele vencia com diferença superior à soma das margens de erro.
A pesquisa também perguntou aos entrevistados em quais candidatos não votariam em hipótese alguma. Marina Silva lidera o ranking da rejeição com taxa de 75%, em um salto de 7 pontos percentuais em comparação com a semana anterior. Em um mês, foi um salto de 13 p.p., a maior elevação em repúdio registrada entre os principais candidatos.
Logo atrás aparece Fernando Haddad, rejeitado por 65% do eleitorado – crescimento de 5 p.p. em relação aos percentuais registrados nas últimas duas semanas. O petista é seguido de perto por Geraldo Alckmin, que viu sua taxa subir de 61% para 64% em uma semana.
Já Bolsonaro viu sua rejeição oscilar negativamente em 1 p.p., ficando em 59%. Antes do ataque a facada sofrido em Juiz de Fora (MG) há um mês, o deputado havia alcançado seu maior nível de repúdio entre o eleitorado: 62%.
Ciro Gomes, por sua vez, é repudiado por 58% dos eleitores, contra 55% de Álvaro Dias. O senador, porém, é desconhecido por 22%, contra 5% registrados do lado do pedetista. A trajetória dos índices de rejeição dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:
FONTE: XP/IPESPE
José Luiz Ratton é sociólogo, consultor, pesquisador e escritor. Foi um dos formuladores do pacto pela vida, programa que fez sucesso na gestão de Eduardo Campos em PE. Ele é o entrevistado de Antonio Lavareda.
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
A menos de duas semanas da eleição, o STF (Supremo Tribunal Federal) vai decidir se 3,368 milhões de eleitores poderão ou não votar. Esse é o total de títulos cancelados porque os eleitores não compareceram no início do ano para realizar o cadastramento biométrico, que se tornou obrigatório para cerca de metade do eleitorado brasileiro.
No novo sistema, o eleitor será identificado pela digital ao comparecer no dia 7 de outubro à sua zona eleitoral, e não apenas pelo documento com foto. O sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) chegou a apontar que esse cancelamento atingia 5,5 milhões de eleitores, mas o tribunal reviu o número na noite desta segunda. O pedido para que os eleitores sem cadastro biométrico possam votar foi realizado pelo PSB, e o caso está sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso – ele já liberou a ação para que o presidente do STF, Dias Toffoli, marque o julgamento.
O PSB argumenta que o direito ao voto é um princípio fundamental da nossa Constituição e que a falta de cadastro biométrico não é razão suficiente para impedir um contingente tão grande de ir às urnas, ainda mais considerando que cerca de metade do total de eleitores ainda votará nesta eleição pelo método anterior (de identificação por documento com foto). A sigla sustenta ainda que a medida tende a afetar mais os eleitores demenor renda, que teriam mais dificuldade para se informar sobre a convocação para o cadastramento e para comparecer ao cartório eleitoral, muitas vezes distante das periferias das cidades.
"É uma questão de princípio. Você não pode achar que tudo bem milhões de pessoas não poderem votar porque não cumpriram uma burocracia que a maior parte das pessoas não ficou sabendo", defende o advogado e professor de direito constitucional da Uerj Daniel Sarmento, que representa o PSB na ação. Atendendo convocação de Barroso, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e a Advocacia Geral da União (AGU) se manifestaram contra o pedido do PSB, argumentando que o cadastro biométrico é mais uma medida para conter fraudes e que o alistamento do eleitor para regularizar sua situação quando convocado pela Justiça Eleitoral é obrigatório. Já o TSE sustenta que não há tempo hábil para reverter o cancelamento. "À luz das informações prestadas pelas áreas técnicas deste tribunal superior, eventual suspensão das normas autorizadoras do cancelamento dos títulos eleitorais implicará o comprometimento do calendário eleitoral, a par dos elevados custos exigidos para o refazimento das diversas etapas do pleito", disse a presidente do TSE, Rosa Weber, em manifestação ao Supremo.
O número elevado de títulos cancelados levanta questionamentos sobre se isso poderá prejudicar mais um ou outro candidato, afetando o resultado das eleições. Para se ter uma ideia da importância que podem ter 3,3 milhões de votos (2,3% dos 146,8 milhões de eleitores brasileiros), vale lembrar que no pleito de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) foi reeleita presidente, derrotando Aécio Neves (PSDB) no segundo turno, a diferença entre os dois candidatos foi de apenas 3,5 milhões votos. Especialistas em questões eleitorais ouvidos pela BBC News Brasil divergem sobre o real impacto que esse cancelamento pode ter na disputa deste ano, caso ele não seja revertido pelo STF. Há quem venha apontando um risco maior de o candidato presidencial do PT, Fernando Haddad, ser prejudicado, já que o Nordeste, onde ele lidera as pesquisas de intenção de voto com 26% segundo o último Datafolha, é a região em que houve mais cancelamentos. O PT, inclusive, solicitou ao STF nesta segunda para participar da ação movida pelo PSB como amicus curiae (amigo da corte, instrumento que permite a interessados na ação se manifestar).
Os dados do TSE mostram que 45% dos títulos cancelados (1,5 milhão) são de eleitores em sete Estados nordestinos, sendo 586 mil apenas na Bahia, onde Haddad aparece com 33% de preferência na pesquisa Datafolha. Jair Bolsonaro (PSL), que em todo o Brasil lidera as pesquisas, tem 14% de intenção de voto entre os baianos. No entanto, outras localidades do país, em que Bolsonaro tem apoio expressivo, também apresentam contingente significativo de títulos cancelados. São Paulo, por exemplo, é o segundo Estado com mais títulos cancelados (385 mil). Lá, Bolsonaro aparece com 30% das intenções de voto, contra 13% de Haddad. Quando se analisam as regiões, o Datafolha aponta Bolsonaro liderando no Sul (37%), Sudeste (30%), Centro-Oeste (36%) e Norte (32%). As quatro, somadas, têm 1,8 milhão de títulos anulados. Para o cientista político Antonio Lavareda, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é possível que os eleitores mais pobres e de menor escolaridade sejam a maioria dos que não realizaram o recadastramento, por ter mais dificuldade de acesso à informação. Não é possível checar a hipótese, já que o TSE informou não possuir dados de renda dos eleitores. "É possível imaginar que os candidatos que seriam mais prejudicados por essa exclusão são os dos partidos que têm mais voto na base da sociedade. No caso da eleição presidencial, nós estamos falando do PT: Haddad perde mais votos, e Bolsonaro perde menos", acredita.
NÚMERO DE TÍTULOS CANCELADOS Acre 13.564 Bahia 586.333 Ceará 234.487 Espírito Santo 48.807 Goiás 219.426 Maranhão 216.576 Minas Gerais 213.172 Mato Grosso do Sul 61.502 Mato Grosso 18.074 Pará 204.914 Paraíba 123.885 Pernambuco 150.260 Piauí 100.260 Paraná 257.941 Rio de Janeiro 71.598 Rio Grande do Norte 92.663 Rondônia 33.611 Roraima 12.614 Rio Grande do Sul 167.116 Santa Catarina 125.585 São Paulo 375.169 Tocantins 40.890 Brasil 3.368.447 Fonte: TSE
Lavareda ressalta que a ausência de 3,3 milhões de eleitores tem potencial de impacto maior no resultado eleitoral caso a disputa esteja muito acirrada.
"A média das últimas pesquisas eleitorais aponta para uma disputa super apertada num eventual segundo turno entre Haddad e Bolsonaro. Numa eleição assim, fica claro que milhões de votos podem fazer diferença", afirma. Já a jurista Roberta Gresta, professora de direito eleitoral da PUC Minas e consultora do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, minimiza esse risco. Na sua avaliação, não é possível especular quais serão os votos dos 3,3 milhões de eleitores com títulos cancelados e, estatisticamente, a tendência é que eles se distribuam de forma uniforme entre o eleitorado. Ela ressalta que parte desses títulos cancelados pertence a pessoas que já faleceram ou que mudaram de cidade e que costumam não comparecer para votar. Na eleição de 2016, as cidades que já estavam com cadastramento biométrico tiveram 12% de abstenção, contra 19% da média nacional. "Se a gente considerar esses 3,3 milhões uma amostra de pessoas em todo o Brasil, a gente pode dizer que a presunção é que haja uma diluição das preferências nessa mostra tal e qual haveria em todo o eleitorado", afirma. "Vamos supor que a diferença entre dois candidatos dê 3 milhões, então os 3 milhões (que tiveram título cancelado) teriam votado no que perdeu? Não temos como inferir essa matemática", reforça.
"O voto eletrônico é super seguro, mas a gente segue nesse alarde de a cada eleição levar a vitória ou derrota política a uma questão de segurança de urna. Por que justo numa resposta consistente (a biometria) a um problema real a gente diz 'deixa pra lá'?", questiona.
Já o advogado autor da ação rebate as críticas de Gresta. Para Sarmento, o ganho de segurança com a medida é pequeno se comparado ao impacto de proibir milhões de votar. Ele acredita que muitos eleitores, sem saber que estão impedidos, irão às urnas e podem ficar revoltados ao serem barrados, gerando confusão no dia da eleição. Ele critica o fato de que não houve notificação pessoal, com o envio de cartas aos eleitores. Segundo o TSE, a convocação para o recadastramento foi feito com anúncios em rádio, TV e mesmo carros de som em cidades menores.
"Como estamos num cenário político tão conturbado, o importante é que todo mundo possa participar da eleição. O cancelamento de milhões de títulos pode gerar suspeição. Qualquer resultado eleitoral com margem pequena as pessoas vão questionar a legitimidade", ressalta. Do total de 5.570 municípios do país, a identificação do votante será biométrica em 2.793 municípios. Por outro lado, em 1.415 cidades, os eleitores serão identificados por meio do método tradicional. Também há 1.533 cidades em que o sistema será híbrido, já que o cadastro biométrico não é obrigatório, mas parte dos eleitores já está no novo sistema.
Com a mais recente pesquisa do IBOPE o Índice Band foi atualizado. Fernando Mitre e Rafael Colombo entrevistam Antonio Lavareda, responsável pelo índice.
Um dos livros mais corajosos lançados em 2018 foi O voto do brasileiro, escrito pelo cientista político Alberto Carlos Almeida. Uso a palavra corajoso da mesma forma que o economista Samuel Pessoa o faz no prefácio da obra. Ele enaltece o autor por tentar acertar em maio quem iria para o segundo turno da corrida presidencial quatro meses depois.
Em 140 páginas, Almeida deixa claro que projetava um round final entre PT e PSDB nas urnas. Segundo a sua tese, o Nordeste despejaria votos em um candidato indicado por Lula e São Paulo priorizaria um tucano, seguindo a lógica das disputas ao Planalto desde 2006.
Nos últimos doze anos, aponta Almeida, o Brasil seguiu a tendência de democracias ocidentais como Espanha, Alemanha e França, onde as regiões mais pobres votam regularmente em partidos estruturados de centro-esquerda e as menos pobres nos de centro-direita.
Os resultados das últimas pesquisas eleitorais de Ibope e Datafolha fizeram Almeida rever parte dos seus palpites. Enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) segue patinando com índices abaixo dos dois dígitos, Jair Bolsonaro (PSL) se consolidou em primeiro nas pesquisas com 28% e Fernando Haddad (PT) isolou-se na vice-liderança, variando entre 18% e 16% dependendo do levantamento.
"Modifico minha previsão de segundo turno de PT x PSDB para PT x Bolsonaro. Mantida a disputa de vermelhos versus azuis. A distribuição de votos social e regional seguirá o padrão dos mapas de meu último livro", escreveu Almeida em seu Twitter na última quarta-feira. Para o cientista político, vermelho seria o PT (de forte penetração popular) e azul Bolsonaro (com entrada na classe média) – esta, uma posição ocupada pelos tucanos nas últimas eleições.
Almeida, ressalte-se, não foi o único a admitir que errou ao não detectar o silencioso crescimento de Bolsonaro em dois anos. Lembremos: em dezembro de 2016, o Datafolha apontava o deputado com apenas 9% das intenções de votos, atrás de Lula (25%), Marina Silva (15%) e Aécio Neves (11%). Durante o ano passado, Bolsonaro foi crescendo nas pesquisas, mas a verdade é que sempre foi subestimado de alguma forma.
Em 16 de outubro de 2017, o cientista político Antonio Lavareda cravou o seguinte em uma palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP): "Bolsonaro não tem condição de ganhar uma eleição de segundo turno", disse. Esse ano, em julho, Carlos Augusto Montenegro fez apostas semelhantes para o colunista de O GLOBO, Bernardo Mello Franco: “Ele (Bolsonaro) perde para qualquer um no segundo turno. O voto do Bolsonaro não é ideológico de direita. É como o voto nulo, no Enéas ou no Tiririca”, sentenciou.
No mesmo mês, também foi possível ler no jornal Valor Econômico uma entrevista do estatístico Paulo Guimarães, espécie de guru do DEM, com um papo de que Bolsonaro estava perdendo e ao mesmo tempo ganhando 20% de votos a cada mês (ou seja, estaria estagnado nas pesquisas).
A reta final do primeiro turno chegou e pelo menos Lavareda e Montenegro já voltaram atrás nos seus prognósticos. Ambos passaram a cogitar até uma vitória de Bolsonaro já no próximo dia 7. Ao jornalista Guilherme Amado, de O GLOBO, Lavareda disse considerar "concreta" a possibilidade: "Numa eleição com taxa de abstenção tão alta como esta, candidatos que têm 30, 32, 33% têm chances de ganhar no primeiro turno. Seja de direita, seja de esquerda, quem alcança esse patamar num pleito em que a alienação (abstenção) deve chegar a 30%, pode ter mais do que 50% dos votos válidos".
Também ao GLOBO, Montenegro ajustou seu discurso sobre o fim da eleição ocorrer já no próximo dia 7: “Vai depender do voto útil. Do jeito que a população está chateada, pode haver um movimento para decidir logo”. Não existe nenhuma notícia até o momento sobre revisões de conceitos de Paulo Guimarães.
A subida meteórica de Haddad nas pesquisas também não estava nos cálculos do mundo político. Lembro aqui de duas conversas de meados de agosto que tive com Carlos Lupi, presidente do PDT, e Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados.
Lupi era da tese de que a transferência de votos para Haddad não seria tão efetiva no Nordeste, região do seu candidato a presidente, Ciro Gomes. Pelo seu raciocínio, o nordestino não aceitaria tão automaticamente um 'dedaço' de Lula para um paulista com cara de tucano. Por ora, o palpite está errado: segundo o Ibope, Haddad já bateu 31% de intenções de votos em menos de duas semanas no Nordeste e a tendência é que cresça ainda mais na região.
Já Rodrigo Maia apostava que Lula erraria o timing para a transferência de votos se insistisse na sua candidatura de dentro da prisão mesmo com o início do programa eleitoral na TV, em 31 de agosto. O filho de Cesar Maia errou também. O petista só foi anunciado candidato dez dias depois e, rapidamente, passou a crescer um ponto percentual por dia.
Restam ainda duas semanas para o dia D da votação e as campanhas, especialmente a de Geraldo Alckmin, estão de olho em uma última cartada contra Bolsonaro: a tal confusão criada a partir da proposta do economista Paulo Guedes sobre a criação de um imposto nos moldes da antiga e impopular CPMF, além da unificação das alíquotas do Imposto de Renda.
Teriam estas ideias o poder de ser um tiro no pé que faria Bolsonaro despencar? Em 2012, por exemplo, Celso Russomano, candidato à prefeitura de São Paulo, deixou de ir para o segundo turno após defender que o passageiro de ônibus paulistano pagaria, em seu governo, uma tarifa proporcional ao trecho percorrido.
Outra dúvida para a reta final do primeiro turno: terá Ciro Gomes fôlego para resistir a Haddad ou as próximas pesquisas já trarão um quadro irreversível?
A rodada de novos palpites de analistas e integrantes do mundo político já começou.
Katia Guimarães para Jornal do Brasil
Com o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL, à frente das pesquisas de intenção de votos, e a alta do movimento #ELENÃO, que se manifesta contra o ex-capitão abertamente, as eleições de 2018 podem ganhar características de um plebiscito, que é a consulta popular em que o eleitor vota sim ou não sobre um determinado assunto. O cenário político também ganha outra dimensão quando o pleito se afunila e se dirige para a polarização com o rápido crescimento do candidato do PT, Fernando Haddad, apenas dois anos depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff. “A eleição esta caminhando para um plebiscito, uma eleição plebiscitária, o sim ou não, o nós ou eles”, diz o cientista político, André César, da Hold Assessoria Legislativa.
O “risco Bolsonaro é real” e há a chance de ele ganhar por uma margem apertada. O atentado sofrido pelo candidato que o tirou da campanha nas ruas teve impacto sobre o eleitor. O discurso pró-Bolsonaro e o tom raivoso antipetista nas redes sociais aumentaram. Mas o temor em vê-lo no comando do Brasil chegou à imprensa internacional e levou a influente revista britânica ‘The Economist’ a estampar o presidenciável em sua capa com a manchete “Jair Bolsonaro, a última ameaça da América Latina”.
Graças à transferência de votos do ex-presidente Lula, principalmente no Nordeste, Haddad tornou-se o principal adversário de Bolsonaro (Foto: Pedro de Paula/AE) Diante de um cenário eleitoral tão inusitado, as próximas pesquisas serão decisivas para apontar se o eleitor brasileiro lançará mão do chamado voto útil já no primeiro turno. Esse tipo de voto acontece quando os eleitores que não querem jogar seu voto fora votando em um candidato que não tem chances de vencer. Ou, como agora se desenha, para evitar que um certo candidato ganhe, o eleitor deixa de apoiar seu candidato para votar em quem tem mais chances de derrotar quem não quer ver eleito. Tanto no eleitorado de esquerda quanto na direita, há a discussão de fazer uso do voto útil para Haddad e Bolsonaro.
Segundo o cientista político, Antônio Lavareda, há uma expectativa com base teórica e vivenciada em outras eleições de que o voto útil será exercido. Guardadas as devidas proporções, as eleições deste ano fazem lembrar os pleitos de 1989, quando Fernando Collor se colocava como o outsider e ganhou do petista Luiz Inácio Lula da Silva, e de 2014, quando Dilma Rousseff venceu o senador Aécio Neves, do PSDB, por menos de 4% dos votos válidos. Naquele ano, a candidatura de Marina Silva desidratou quando havia uma perspectiva de vitória do PT. Segundo Lavareda, “vaticinar” que o voto útil vai acontecer é difícil pois, assim como nas eleições de 89, hoje há uma fragmentação de candidaturas, enquanto que no pleito passado a disputa foi basicamente entre três nomes.
“No primeiro turno você vai com a sua convicção e no segundo turno vai no menos pior. Polarizou tanto que os dois lados estão olhando um por outro. ‘Então vamos fazer um hedge, uma proteção já de cara pensando no menos pior para evitar que o outro lado
Vença’”, diz o cientista político André César ao comentar o comportamento do eleitor. “Não está comprovado porque tem o fator Ciro, mas está caminhando para isso, vamos ver as próximas pesquisas”, completa referindo-se ao candidato do PDT, Ciro Gomes, que na pesquisa Datafolha, foi o único a crescer e chegar mais perto de Fernando Haddad, enquanto Marina e o candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, viram seus votos caírem.
O desfecho das eleições depende ainda de alguns fatores para saber se o voto útil se dará entre Bolsonaro e Haddad. Um deles é se a trajetória de crescimento do petista vai continuar. Olhando para as pesquisas, segundo Lavareda, o teto de alta do ex-prefeito é ainda de cerca de 45%. Haddad tem que “fechar” o eleitorado do Norte e Nordeste e conquistar o eleitorado feminino, refratário a Bolsonaro e receoso em relação a Ciro, além de buscar o eleitor de baixa renda. O ex-prefeito conseguiu conquistar espaço na esquerda, principalmente no eleitorado de Ciro e da candidata Marina.
Géssica Brandino Gonçalves Paulo Passos para Folha de São Paulo
Seja nos blocos do horário eleitoral, veiculados de manhã e à tarde, ou nos comerciais que entram na programação, as campanhas aumentam o tom dos ataques em propagandas no rádio. O mesmo acontece nas publicações na internet. Na comparação com a televisão, que tem o maior alcance e audiência entre o eleitorado, há mais citações aos rivais, críticas e até ironia.
Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), houve até sexta-feira (21) 34 pedidos de direito de resposta na campanha presidencial. A maior parte —o número exato não é divulgado pelo tribunal —é para peças que foram veiculadas exclusivamente no rádio.
Com maior tempo nas propagandas, 44% do espaço, Geraldo Alckmin é quem mais cita e critica adversários. Sua campanha já teve 21 pedidos de direitos de resposta. O TSE aceitou um até agora.
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Alckmin teve que ceder 1 minuto de seu tempo de programa na terça-feira (18) para a resposta concedida pela Justiça eleitoral a Jair Bolsonaro (PSL). O direito veio após o tucano usar os primeiros programas para fazer referência ao trecho da entrevista de Bolsonaro ao Jornal Nacional em que ele diz que votou contra a PEC das Domésticas em dois turnos.
“Ei, Bolsonaro: o que você tem contra pobre?”, questiona o locutor do programa fictício de Alckmin no rádio.
Na resposta, a campanha justifica o voto do deputado, critica a velha política e diz que é hora de virar o jogo elegendo “um presidente patriota e que tem Deus no coração”.
“Bolsonaro votou contra a PEC dos empregados domésticos por entender que tal medida geraria desemprego, informalidade e redução de salários a uma classe de mais de sete milhões de pessoas, o que de fato ocorreu. Muitos perderam o emprego por conta da PEC”, afirma o capitão reformado, que lidera as pesquisas de intenção de voto.
A decisão não fez Alckmin baixar o tom. No rádio, aposta em jingles curtos e cita outros candidatos como Marina, Álvaro Dias e, principalmente, Fernando Haddad.
Na internet, o tucano estreou a onda de ataques mais duros e diretos ao líder das pesquisas. A primeira vez que comparou Bolsonaro a Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela, foi em uma propaganda veiculada apenas na página oficial do PSDB no Youtube, na primeira semana da campanha. Foi também em vídeo exclusivo para a web que, pela primeira vez, acusou o candidato do PSL de agredir mulheres verbalmente.
Sem ataques ou citações nos programas de televisão, PT e PDT rompem o pacto de não agressão nas redes sociais. Vice na chapa de Ciro Gomes, Kátia Abreu provocou o petista Fernando Haddad em postagem na sua conta do Twitter, na última semana.
Numa imagem que reproduz o livro “Onde está o Wally?” está escrito “procura-se o Haddad no impeachment da Dilma”. “Tenho que rir. Não resisto. Turma é criativa”, escreve a ex-ministra de Dilma Rousseff.
“Tem pessoas que criticam ataques, apontado como algo ruim. Eu encaro como algo importante para a democracia. É democrático falar sobre algo que o rival não queira falar ou expor” afirma o cientista político Antonio Lavareda. “Não é qualquer comercial crítico que consegue resultados. Tem o efeito bumerangue [quando o efeito do ataque se volta para que o fez]”, completa.
Na disputa pelo governo de São Paulo, a propaganda no rádio tem sido ainda mais bélica.
Infomoney
Com apenas 10 dias como candidato à presidência, petista chega a 16% das intenções de voto, mas sua rejeição já supera numericamente a de Bolsonaro. O deputado, por sua vez, dispara entre eleitorado evangélico e reforça bases.
SÃO PAULO – Duas semanas após ser vítima de um atentado a facada durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), o deputado Jair Bolsonaro (PSL) continua crescendo nas pesquisas para a corrida presidencial. A 16 dias do primeiro turno, o parlamentar chegou a 28% das intenções de voto no cenário estimulado, segundo pesquisa XP/Ipespe realizada entre 17 e 19 de setembro. O desempenho representa uma oscilação positiva de 2 pontos percentuais em comparação com a semana anterior, movimento correspondente à margem de erro máxima da pesquisa.
Só em setembro, o deputado cresceu 5 p.p.. No cenário espontâneo, quando eleitores indicam em quem pretendem votar sem que lhes sejam apresentados nomes de candidatos, o salto de Bolsonaro é de 8 p.p., para 24%, o que indica uma cristalização de apoio entre 1/4 do eleitorado. Nos dados estratificados, observa-se movimento positivo do parlamentar entre quase todas as faixas do eleitorado, mas é entre os domiciliados no Sudeste, evangélicos e renda superior a dois salários mínimos que o salto foi mais expressivo. Somente neste grupo religioso específico, Bolsonaro foi de 26% para 39% em uma semana.
Logo atrás do deputado aparece o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), que agora não mais divide a segunda posição com um adversário. A dez dias como candidato oficial do PT à presidência, em substituição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad viu suas intenções de voto dobrarem para 16% em duas semanas no cenário estimulado, sendo 6 p.p. de alta apenas entre o último levantamento e o atual. Pela primeira vez, não se observa significativa diferença no desempenho do petista quando seu nome é apresentado aos entrevistados acompanhado da informação de que é o nome apoiado por Lula na disputa.
Da semana passada para cá, Haddad saltou de 19% para 25% nas intenções de voto no Nordeste e agora lidera a disputa na região. O petista também apresentou crescimento significativo no Sudeste neste período: de 7% para 12%. O avanço se deu de forma equilibrada entre as faixas etárias, mas foi mais intenso entre eleitores com Ensino Médio (de 5% para 13%) e renda familiar mensal de até dois salários mínimos (de 10% para 17%), segmentos em que o lulismo se faz mais presente. Em paralelo ao avanço na disputa, Haddad também vê seu índice de rejeição crescer (dados completos abaixo dos cenários de segundo turno apresentados).
Com o forte avanço, Haddad conseguiu abrir uma vantagem de 5 pontos sobre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com quem aparecia tecnicamente empatado em levantamentos anteriores. O pedetista oscilou negativamente 1 p.p. e agora tem 11% das intenções de voto. Ele é o candidato mais bem visto pelos eleitores de adversários como segunda opção de voto ao longo deste processo eleitoral, embora também seja um dos que mais corre risco de ser negativamente afetado pelo chamado "voto útil". Segundo o levantamento, 54% dos apoiadores de Ciro admitem a possibilidade de votar em outro candidato para evitar a ida ao segundo turno de um candidato indesejado. A pesquisa também mostrou que Ciro é o único candidato que hoje supera Bolsonaro por diferença acima da margem de erro (veja os detalhes nos cenários de segundo turno).
Dono da maior fatia de tempo no horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) não consegue romper a resistência dos 10% de intenções de voto. Desta vez, o tucano aparece com 7%, em uma oscilação negativa de 2 p.p. em comparação com a última pesquisa, o que o mantém em condição de empate técnico com a ex-senadora Marina Silva (Rede), que tem 6% – menos da metade do que tinha há três semanas. A quase duas semanas do primeiro turno e com a viabilidade de suas candidaturas posta em questionamento, os dois candidatos correm riscos crescentes de sofrerem com os efeitos do 'voto útil'. Segundo o levantamento, 52% dos eleitores da ex-senadora e 42% dos apoiadores do tucano admitem a possibilidade de trocar de candidato para evitar uma disputa de segundo turno com um candidato indesejado.
O nome mais exposto a este efeito negativo do 'voto útil' seria o senador Álvaro Dias (Podemos), com 60% de seus eleitores admitindo essa possibilidade. Por um cruzamento de dados da pesquisa, os apoiadores do parlamentar se dividem entre Alckmin e Bolsonaro como segunda opção de voto. Dias tem 3% das intenções de voto, mesmo percentual do empresário João Amoêdo (Novo). O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) tem 2%, ao passo que o deputado Cabo Daciolo (Patriotas) aparece com 1%. Outros candidatos não pontuaram na pesquisa.
De acordo com o levantamento XP/Ipespe, o grupo dos "não voto" (composto por votos em branco, nulos e eleitores indecisos) soma 23% do eleitorado no cenário estimulado, mesmo patamar registrado na semana anterior. No cenário espontâneo, eles somam 39% dos eleitores – uma queda de 8 p.p. em comparação com a última pesquisa.
O levantamento também mostrou que, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno, o nível de interesse pela eleição presidencial oscilou positivamente de 59% para 60%. Agora, 37% dos eleitores se dizem muito interessados, enquanto 23% afirmam estar mais ou menos interessados no processo. Duas semanas atrás, a soma desses grupos representava 52% do eleitorado. A faixa de eleitores que se diz desinteressada com o processo está em 22%, o que pode indicar uma ativação tardia e decisão de voto de parcela relevante durante o sprint final.
Confira os cenários de primeiro turno para a corrida presidencial testados pela pesquisa:
Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos:
Cenário 1: pesquisa estimulada
Cenário 2: com Fernando Haddad, 'apoiado por Lula'*
*O cenário busca simular o potencial de transferência de votos de Lula a Haddad. Nesta situação, o nome de Haddad é apresentado pelo entrevistador juntamente com a informação de que é o candidato apoiado por Lula. O ex-presidente teve seu pedido de registro de candidatura indeferido pelo plenário do TSE, por 6 votos a 1, em 1º de setembro, o que fez com que o PT substituísse seu representante na disputa dez dias depois.
Foram testadas seis situações de segundo turno nesta pesquisa. Vale lembrar que, assim como nas últimas duas semanas, em função do aumento do número de entrevistas (de 1.000 para 2.000), a margem de erro máxima caiu de 3,2 p.p. para 2,2 p.p., o que pode modificar interpretações sobre alguns dos cenários apresentados em relação a levantamentos mais antigos.
Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria com 38% das intenções de voto, contra 31% para o petista, e 31% de brancos, nulos e indecisos. A diferença entre os dois candidatos chegou a ser de 16 pontos percentuais a favor do ex-governador em três pesquisas. Uma semana atrás, era de 10 pontos. Em nenhum momento Haddad esteve à frente.
No caso de enfrentamento entre Alckmin e Bolsonaro, o cenário é de empate, com 39% das intenções de voto para cada. Brancos, nulos e indecisos somam 22%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio. Nas últimas duas semanas, o tucano apareceu numericamente à frente, mas em situação de empate técnico. Na maior parte do tempo, Bolsonaro apresentou níveis de apoio mais elevados, mas a diferença, salvo em dois momentos, ficou dentro do limite da margem máxima de erro.
Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o parlamentar lidera a disputa com 40% das intenções de voto, contra 35% para a ex-senadora. Brancos, nulos e indecisos somam 25%. Com este resultado, o deputado interrompe uma sequência de 14 semanas numericamente atrás e em situação de empate técnico com Marina. Agora, a diferença entre ambos, favorável a Bolsonaro, supera o limite da soma das margens de erro dos candidatos.
Se o segundo turno fosse entre Ciro e Alckmin, o cenário seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente por 37% a 35%. Brancos, nulos e indecisos agora somam 29% do eleitorado. É a segunda vez que Ciro aparece numericamente à frente na disputa. Em nenhum momento um dos candidatos teve vantagem superior ao limite da soma das respectivas margens de erro, mas na maior parte do tempo Alckmin esteve numericamente à frente.
Caso Bolsonaro e Ciro se enfrentassem, o pedetista venceria com 40% das intenções de voto, contra 35% do parlamentar. Brancos, nulos e indecisos somariam 26%. O quadro é exatamente o mesmo do levantamento anterior e representa a quarta vez na série histórica que Ciro lidera a simulação. Há três semanas, o pedetista contava com vantagem de apenas 2 pontos percentuais. Nos dois primeiros levantamentos, realizados em maio, o deputado vencia com diferença superior à soma das margens de erro.
A pesquisa também simulou um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Neste caso, o quadro também é de empate técnico, com o deputado numericamente à frente por placar de 41% a 38%. O grupo dos "não voto" soma 21%. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 pontos percentuais. Na semana passada, a diferença passou para apenas 2 pontos. Em nenhum momento Haddad esteve à frente.
A pesquisa também perguntou aos entrevistados em quais candidatos não votariam em hipótese alguma. Marina Silva lidera o ranking da rejeição com taxa de 67%, em um crescimento de 3 pontos percentuais em comparação com a semana anterior e de 7 pontos em um intervalo de um mês. Foi a maior elevação em repúdio registrada entre os principais presidenciáveis.
No sentido oposto, Bolsonaro manteve os 57% apresentados na semana anterior, o que corresponde a um recuo de 5 pontos em relação ao seu maior patamar, registrado no início de setembro, antes do atentado sofrido em Juiz de Fora. O deputado encontra-se em condição de empate técnico neste quesito com Alckmin e Haddad, que hoje são rejeitados por 60% do eleitorado.
Já Ciro Gomes é repudiado por 54% dos eleitores, contra 51% de Álvaro Dias. O senador, porém, é desconhecido por 26%, contra 7% registrados do lado do pedetista. A trajetória dos índices de rejeição dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:
|
CANDIDATO |
DE 06 A 08/08 |
DE 13 A 15/08 |
DE 20 A 22/08 |
DE 27 A 29/08 |
DE 3 A 5/09 |
DE 10 A 12/09 |
DE 17 A 19/09 |
|
Jair Bolsonaro |
57% |
58% |
59% |
61% |
62% |
57% |
57% |
|
Marina Silva |
59% |
60% |
60% |
60% |
62% |
64% |
67% |
|
Ciro Gomes |
60% |
59% |
59% |
59% |
59% |
56% |
54% |
|
Geraldo Alckmin |
57% |
59% |
60% |
59% |
59% |
60% |
60% |
|
Álvaro Dias |
46% |
48% |
48% |
48% |
48% |
49% |
51% |
|
Fernando Haddad |
56% |
54% |
54% |
56% |
57% |
57% |
60% |
Fonte: XP/Ipespe
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