Eleição na França em 5 pontos

Com as pesquisas apontando para a provável reeleição de Emmanuel Macron, a participação pode ser baixa e isso pode surpreender o processo eleitoral.

Arte a partir de imagens do Wikipédia

Eleitores franceses vão às urnas para o primeiro turno de votação em 10 de abril 

Na evolução das intenções de voto nessa eleição presidencial francesa de 10 de abril, em 1º turno, eleitores franceses vão às urnas para decidir se dão a Emmanuel Macron um segundo mandato de 5 anos como presidente. Pesquisadores locais medem o humor do público diariamente, produzindo enormes quantidades de dados que, uma vez agregados, fornecem informações indispensáveis ​​sobre o resultado provável – e indicam se ainda existem curingas, ou cartas na manga em potencial que podem causar uma virada no atual cenário. Um desses agentes de análises de pesquisas eleitorais, o site  POLITICO (com sede em Bruxelas – Bélgica) rastreia todas as pesquisas e com base nestas análises destacou os cinco pontos que chamam a atenção na eleição francesa e que podem até reverter a atual liderança do presidente Macron.

1. Macron é o favorito, mas…

Os dados sobre as intenções de voto no primeiro (10 de abril) e no segundo (24 de abril) turnos da eleição fornecem linhas de tendência muito claras para os principais candidatos. Os dois candidatos mais bem classificados no primeiro turno avançam para uma rodada frente a frente quinze dias depois. Macron, o titular, lidera por ampla margem em todas as pesquisas para o primeiro turno. Mas, mas, mas… sua recuperação mais recente nas pesquisas está começando a desaparecer, e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen conquistou eleitores de seu rival Eric Zemmour, cuja campanha parece estar fazendo água. Portanto, a liderança geral de Macron diminuiu um pouco.

2. A Ucrânia é uma preocupação, mas outras questões também

Tentar determinar o que está na mente dos eleitores no período que antecede a eleição e quais são as principais questões que os levam a dizer que votarão em um determinado candidato pode ser difícil de medir. Muitas vezes, as respostas nas pesquisas dependerão muito da formulação das perguntas. Os eleitores franceses dão respostas muito diferentes quando solicitados a citar: a) o maior desafio que o país enfrenta e b) a questão mais importante para eles antes de seu voto

Existe uma preocupação geral de que a invasão da Ucrânia pela Rússia seja uma ameaça à segurança e à estabilidade e, portanto, recebe alta prioridade em termos dos desafios que a França enfrenta – e a história sugere que isso favoreceria o titular, particularmente aquele que tentou, embora em vão, convencer o presidente russo, Vladimir Putin, de não ir à guerra. Apesar da repercussão do conflito ucraniano-russo na política e economia global, o custo de vida é a primeira preocupação deles. A guerra é a segunda.  

3. A abstenção provavelmente atingirá um novo máximo

Embora o interesse pela campanha eleitoral em si não seja menor do que em anos anteriores, mais eleitores do que nunca dizem que planejam ficar em casa no dia da eleição. A menor participação no primeiro turno nos últimos anos foi de 71,6% em 2002 – o que ajudou o líder de extrema direita Jean-Marie Le Pen a fazer um avanço impressionante no segundo turno contra Jacques Chirac.

4. Poderia haver uma virada?

Embora os números da pesquisa sugiram que já está tudo b para bem difícil para os desafiantes de Macron, pode ser prematuro descartar totalmente uma virada em algum momento. Os partidários do candidato de esquerda Jean-Luc Mélenchon parecem inseguros em quem votariam no segundo turno se, como parece provável, seu candidato cair no primeiro turno. Um voto consolidado de conservadores e de extrema-direita, além de altas taxas de abstenção, pode ser uma receita para uma surpresa.

5. Cenário de escoamento: uma repetição de 2017?

Por enquanto, o segundo turno de 24 de abril provavelmente colocará Macron contra Le Pen, uma repetição da decisão eleitoral de 2017. E o resultado provavelmente será o mesmo também, mostram as pesquisas. Macron tem uma vantagem segura em todas as pesquisas que perguntam sobre as intenções de voto no segundo turno, independentemente de seu oponente.

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73% dos eleitores rejeitam os dois candidatos ao 2º turno na Costa Rica

Alta rejeição dos candidatos à presidência da Costa Rica

Rodrigo Chaves e José Maria Figueres disputam o segundo turno no domingo com expressiva rejeição, aponta pesquisa. A fragmentação partidária (25 candidatos no primeiro turno), crise econômica e denúncias de corrupção explicam o mau humor dos costarriquenhos com os políticos do País.

Imagem: Pixabay – arte antoniolavareda.com


De acordo com o levantamento do Centro de Investigación Y Estudos Políticos (CIEP), 73% dos eleitores não se indentificam com os dois candidatos a presidente. Daqueles que pretendem votar, a disputa está equilibrada: Chaves tem 43% e Figueres 38%. A eleição acontece no próximo domingo (3/4). A abstenção foi de 40% no primeiro turno em fevereiro.

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Pesquisa IPESPE divulgada hoje (25/mar)

MEDIÇÕES QUINZENAIS MOSTRAM QUE O MEDO DA INFLAÇÃO DISPARA E INTERROMPE A RECUPERAÇÃO DE BOLSONARO ESBOÇADA ENTRE JANEIRO E INÍCIO DE MARÇO.

1. OS PREÇOS “AUMENTARAM MUITO” PARA 77% DOS BRASILEIROS E “AUMENTARAM” PARA 20%. Apenas 1% disseram que ficaram “iguais” e outros 1% acharam que eles até “diminuíram. Acreditam que eles continuarão a “aumentar muito”nos próximos meses, 33% (eram 27% há uma quinzena) e crêem que eles “vão aumentar”, 46%. Como em qualquer sociedade, o aumento da inflação se sobrepõe à queda do dólar e mesmo à redução do desemprego. E faz a opinião de que a economia vai no “rumo errado” voltar ao patamar de fevereiro, 63%, versus 27% que afirmam que ela está no “rumo certo”.


2. QUEM TEM MAIS RESPONSABILIDADE PELO AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS? “GOVERNO BOLSONARO”, COM 45%, EMPATA COM “GUERRA NA UCRÂNIA”, TAMBÉM COM 45%. Vindo depois, nessa categoria (“muita responsabilidade”), refletindo o debate político, os “Governadores dos Estados”, com 39%, os “Governos anteriores de Dilma e Lula”, 35%, e o “Supremo Tribunal Federal”, com 29%.

3. VOLTA A SUBIR A “DESAPROVAÇÃO” AO GOVERNO, DE 63% PARA 65%. E A AVALIAÇÃO “RUIM/PÉSSIMO”, DE 52% PARA 54%. Enquanto a “Aprovação” recua de 32% para 31% e o “Ótimo/Bom”, de 27% para 26%. Interrompe-se, assim, o movimento de recuperação da imagem medido nas cinco pesquisas quinzenais nacionais anteriores,  que o IPESPE realizou este ano. Se cumprida a expectativada autoridade monetária de que o “pico” da inflação ainda ocorrerá em abril, com prováveis reflexos nos meses seguintes, isso poderá dificultar a recuperação da popularidade do Presidente antes do início da campanha eleitoral. A partir de junho também acaba a propaganda oficial, incluindo a utilização das redes de TV para anúncios de programas federais etc. Ou seja, encerra-se o período em que o Governo tem monopólio da propaganda, restando à Oposição fazer barulho apenas na imprensa e nas mídias sociais.

4. QUANTO À ELEIÇÃO, AUMENTA DE 15 PARA 18 PONTOS A DIFERENÇA LULA- BOLSONARO NO PRIMEIRO TURNO. Lula foi de 43% a 44%; Bolsonaro recuou de 28% para 26%; Moro avançou um, tem agora 9%, na terceira colocação; Ciro perdeu um e ficou com 7%. Doria diminuiu para 2%. Janones, Simone Tebet, Felipe D’Ávila e Eduardo Leite têm 1%, cada um deles.

5. NO SEGUNDO TURNO, LULA, DA MESMA FORMA, AUMENTA A VANTAGEM SOBRE BOLSONARO, PASSANDO DE 53% PARA 54%, E O PRESIDENTE DE 33% PARA 31%.Contra os demais adversários Lula tem: 52% X Moro, 30%; 51% X Ciro, 24%; 54% X Doria, 19%; 56% X Eduardo Leite, 19%.

6. OS NÚMEROS DA AVALIAÇÃO ATUAL DE BOLSONARO COMBINADOS AOS DA AVALIAÇÃO RETROSPECTIVA DOS PRINCIPAIS ADVERSÁRIOS FORNECEM A CHAVE PARA SE ENTENDER O RESULTADO DAS PESQUISAS. Em tempo de eleições “normais”, como as que teremos esse ano, tão diferentes das “eleições críticas” de 2018, onde a experiência político-administrativa dos postulantes é muito reclamada pela sociedade, uma vasta literatura da ciência política, inclusive a brasileira, aponta para a fecundidade interpretativa do modelo de voto “prospectivo- retrospectivo”, como principal chave para desvendar os resultados das intenções de voto. Muito sucintamente, o modelo nos diz que os eleitores, consciente ou inconscientemente, projetam um eventual futuro governo sob o mando dos candidatos baseados: a) nas propostas e promessas de difícil credibilidade que eles fazem; b) e, sobretudo, na avaliação  atual (do incumbente) ou “retrospectiva” no caso de ex-governantes, do seu desempenho anterior. Lógico que  a experiência no cargo em disputa é mais relevante do que em posições inferiores. O quadro abaixo hierarquiza por saldos cada um dos cinco primeiros colocados na pesquisa. A leiturapositiva dos governos de Lula (58%) desenha o mercado onde se situam seus atuais eleitores do primeiro ou segundo turnos. O mesmo se dando com os demais. Bolsonaro foi perguntadocomo presidente atual; Lula pelo recall de seus governos; Moro e Ciro, pelo dos respectivos ministérios; e Doria, pela sua atuação como governador. Essa avaliação é baseada no que as pessoas “sabem ou ouviram falar”. Segundo o paradigma teórico citado, essa variável, cujos números podem naturalmente melhorar ou piorar ao longo do tempo, será fundamental para ditar as chances dos concorrentes. É interessante notar que, no momento, muito da comunicação de alguns presidenciáveis passa bem longe dessa preocupação.

 ÓTIMO / BOMRUIM / PÉSSIMO 
   SALDO
Lula5825+33
Ciro2720+07
Moro3336-03
Doria2332-09
Bolsonaro2654-28
Avaliação (%)

                      IPESPE, 25/03/2022

Wall Street alerta para o fim da globalização


Repercute carta do Larry Fink aos acionistas da BlackRock, sobre as consequências da guerra da Ucrânia na ordem mundial

Imagem: Pixabay

O New York Times deu destaque para ele que é o CEO da BlackRock, gestora mundial de ativos. De acordo com o jornal, em carta aos acionistas, o empresário norte-americano afirma que a invasão da Ucrânia pela Rússia rompeu as relações entre países, empresas e pessoas, indicando o fim da globalização que define as relações internacionais.

Leia a íntegra do conteúdo do NY Times aqui.

Chapa Lula-Alckmin: ‘Tucano de carreira que deu uma carreira dos tucanos’

Por Alexa Meirelles 22/03/2022 – Reprodução do Money Times

Geraldo Alckmin – Foto: Wikipédia

O ex-governador Geraldo Alckmin se filiou oficialmente ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) nesta quarta-feira (23), em uma cerimônia na sede da Fundação João Mangabeira, em Brasília.

O evento contou com a presença do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, do presidente da Fundação João Mangabeira, Márcio França, dos governadores Flávio Dino, Paulo Câmara, Renato Casagrande e João Azevedo, além de outras lideranças do partido.

A ida de Alckmin ao PSB coloca oficialmente um ponto final na trajetória de mais de 30 anos no PSDB, partido pelo qual governou o Estado mais rico do país por quatro mandatos.

Quando anunciou a sua desfiliação em dezembro, o ex-governador afirmou que havia chegado a “hora da despedida” e de “traçar um novo caminho”.

Ainda que o ex-tucano tenha anunciado a sua saída da legenda há três meses, Alckmin estava sem partido desde então. O PSD de Gilberto Kassab era uma das possibilidades que acabaram não se concretizando.

A ida para o PSB, no entanto, é uma sinalização clara do que deve ser anunciado ainda em abril: uma aliança com o ex-presidente Lula (PT) nas eleições deste ano, assumindo a posição de vice na chapa do petista.

O inimigo do meu inimigo

O anúncio oficial da ida ao PSB veio na última sexta-feira (18) por meio das suas redes sociais. Alckmin declarou na ocasião que o trabalho “para ajudar a construir um país mais justo e pronto para o enfrentamento dos desafios que estão postos estava só começando”.

A ideia de uma chapa composta por dois antagonistas na política começou a ser ventilada no final do ano passado. O primeiro encontro público dos dois aconteceu durante um jantar na capital paulista aberto à imprensa pouco antes do Natal.

O evento foi organizado pelo Grupo Prerrogativas e contou com a presença de figuras como Renan Calheiros (MDB), Rodrigo Maia (PSDB), Baleia Rossi (MDB), Gilberto Kassab (PSD), Randolfe Rodrigues (Rede) e outros.

Desde então, Lula já falou algumas vezes sobre Alckmin como um possível companheiro de chapa, sempre tecendo elogios ao ex-tucano e dizendo confiar nele, ainda que historicamente PT e PSDB sejam partidos que fazem oposição um ao outro.

Para Antonio Lavareda, sociólogo e cientista político, a ida de Alckmin ao PSB é uma “carreira dos tucanos”, uma possível resposta às recentes decisões do PSDB, que ele avalia estar “em rota de declínio”.

“Eu acho que o PSDB fez escolhas que, provavelmente, no entendimento do ex-governador o alijaram na disputa eleitoral deste ano. Supõe-se que ele imaginava que seria o nome escolhido pelo partido para disputar a eleição de São Paulo, na condição de ser ex-governador e de liderar as pesquisas”, diz.

O partido, no entanto, deve ter outro nome na disputa por São Paulo — Rodrigo Garcia, hoje vice-governador do Estado. Eleito filiado ao Democratas (DEM) na chapa de João Doria, Garcia se filiou ao PSDB em maio do ano passado.

Nas pesquisas de intenção de voto, ele fica atrás de nomes como Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB) e Tarcísio de Freitas (sem partido).

Bolsonaro como alvo

Lula e Alckmin nunca foram aliados ou ao menos rivais que demonstravam cordialidade política publicamente, como é o caso da relação que o petista tem com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, figura mais importante do PSDB.

Lula já citou o que seria a “pequenez política” do ex-governador, além de tê-lo chamado de “picolé de chuchu” e “insosso”. Já chegou também a acusar o governo paulista, na época sob a gestão de Alckmin, de ter ligação com facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Isso sem contar os atritos entre as legendas e seus parlamentares, algo que transcende a figura de ambos.

A aliança seria um aceno ao centro político, indicando o que pode vir a ser uma maior moderação por parte do ex-presidente, tanto no seu discurso na corrida eleitoral, como em um possível terceiro governo.

Lavareda pontua que o papel do vice é, historicamente, de complementariedade. São raros os casos em que uma chapa Bolsonaro-Mourão é composta. É essa função que Alckmin passa a cumprir se a aliança for oficializada.

“Os vices são escolhidos basicamente em função da complementariedade de características e atributos do candidato à presidência. Essa complementariedade pode ser regional, de gênero, pode ser de idade, em alguns lugares pode ser étnico, como por exemplo é o caso de Joe Biden e Kamala Harris. A complementariedade básica que Alckmin traz para a chapa é de porte ideológico, já que Geraldo Alckmin é sabidamente um político de centro-direita. No Brasil, a centro-direita gosta de se chamar de centro, mas é centro-direita. Essa complementariedade, para Lula, tem uma função”.

A disputa com Jair Bolsonaro (PL) promete ser uma eleição bastante concorrida, mas Lavareda lembra que há 16 anos, foram Lula e Alckmin que protagonizaram a campanha que ele chama de “a mais polarizada eleitoralmente da história da Nova República”.

Na ocasião, o ex-presidente teve 58 milhões de votos no segundo turno, contra 37,5 milhões de votos do ex-governador de São Paulo. Lavareda lembra ainda que com exceção de FHC, Alckmin foi o tucano que mais conquistou votos em eleições presidenciais, estando à frente de figuras como José Serra e Aécio Neves.

“Somando as votações dos dois em 2006, ultrapassaram 90% dos votos válidos. Tem um forte fator simbólico, que é mais ou menos a narrativa de Lula, que é: ‘Se fomos capazes de nos juntarmos, é porque o Brasil enfrenta um risco bastante grande, que é o autoritarismo protagonizado pelo presidente Bolsonaro’. É essa narrativa que o Alckmin vem alimentar”.

Referendo no Uruguai

Cédulas do referendum no Uruguai
Cédulas que serão usadas em 27 de março no Uruguai

Consulta no próximo domingo, 27, decide se mantém ou revoga artigos de uma polêmica lei do governo de centro-direita de Lacalle Pou

De um lado está o Não (cédula Azul), da coalização de centro-direita do presidente Luis Lacalle Pou, e do outro, o Sim (cédula Rosa), da Frente Ampla e sindicatos. As duas cores simbolizam o referendo uruguaio, no domingo, sobre 135 artigos da Lei de Urgente Consideração (LUC). Habitação, segurança e educação estão entre os temas que os eleitores serão consultados.  

Eleito em 2019 com uma plataforma de reformas e pulso firme contra a criminalidade, Lacalle Pou implementou seu programa aprovando um projeto de 476 artigos, a LUC, com reprovação de enviados especiais da ONU e protestos de opositores nas ruas, segundo informações da mídia.  

Para revogar a LUC, a oposição se mobilizou no ano passado, organizando um abaixo-assinado com 800 mil assinaturas, e conseguiu viabilizar a convocação de um referendo sobre 135 artigos. A campanha então colocou novamente frente a frente as forças que disputaram a presidência em 2019.

Como na eleição daquele ano, a disputa está acirrada. Pesquisa da consultoria Cifra divulgada recentemente mostrou o Sim com 45%, a favor de Lacalle Pou,  contra 41% do Não, de oposição. Os indecisos somam 10%, nulo 2% e branco 2%.

Veja mais em O Estado de S. Paulo e no Brasil 247

Água que vale voto

Bolsonaro aposta em inaugurações e obras na região Nordeste – mas programas de cisternas e carros-pipa sofrem com seca de verbas

Monica Gugliano | para a Revista Piauí – reprodução do conteúdo

“Oooobrigado, meu querido presidente, pelas águas que o senhor mandou pra gente, meu Nordeste está feliz, está contente… oooobrigado, meu querido presidente…” O refrão do xote na sanfona, puxado pelo prefeito de Jardim do Seridó (RN), José Amazan Silva (PSD), e cantado pelo público que lotava um grande galpão no município, dava o tom da festa transmitida ao vivo pela TV Brasil – a emissora oficial do governo federal – e pelos canais bolsonaristas nas mídias sociais. No palanque, abarrotado de prefeitos, deputados e vereadores, o presidente Jair Bolsonaro e alguns dos seus ministros anunciavam naquele dia, 9 de fevereiro, a entrega de mais um trecho da obra de transposição do Rio São Francisco. Entre eles o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que aproveita seus últimos dias no cargo numa frenética agenda antes de deixar o posto, agora no fim de março, para assumir a candidatura ao Senado pelo Rio Grande do Norte.

Solenidades como essa no Rio Grande do Norte, e que podem ser vistas online em todo o país, são cada vez mais frequentes na agenda do presidente Jair Bolsonaro. A piauí pediu à Secretaria de Imprensa da Presidência da República que informasse o número de viagens e inaugurações relacionadas à transposição, mas não recebeu resposta. A agenda oficial, publicada no site do Planalto, mostra que, só em fevereiro, o presidente fez um mutirão de dois dias por quatro estados (Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba) e seis cidades nordestinas, sempre seguindo o mesmo roteiro: palanque, discursos com ataques quase sempre dirigidos ao PT, público vestido de verde e amarelo, bandeiras do Brasil, crianças e uma pose do presidente com os braços erguidos agradecendo aos céus pela água que corre pelos canais. Há pequenas variações no enredo. Em algumas visitas, o ministro do Turismo, o pernambucano Gilson Machado Neto e provável candidato a um lugar no Legislativo, assume o papel de sanfoneiro. Em outras, Bolsonaro usa um chapéu ao estilo cangaceiro.

Foto: Reprodução/TV Brasil

No semiárido brasileiro estão 1.262 municípios, dos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Norte de Minas Gerais. Na região do semiárido, vivem 28 milhões de pessoas, aproximadamente 12% da população, segundo o IBGE – dessas, dois terços (62%) na região urbana e um terço (38%) na região rural. Em todo o Nordeste há cerca de 40 milhões de eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representam 27% do eleitorado brasileiro, estimado em 150 milhões de pessoas.  “Se considerarmos que a região Nordeste tem sido o epicentro da fome e do desemprego, qualquer iniciativa que torne a vida dessas pessoas menos difícil, teoricamente, pode ter um potencial eleitoral”, explica o ex-diretor geral do DataFolha Mauro Paulino, um dos maiores especialistas em pesquisas eleitorais no país.

 Em 2018, o Nordeste foi a única região onde o PT se manteve no mesmo patamar das eleições anteriores. O candidato petista, o ex-ministro Fernando Haddad, recebeu mais que o dobro de votos de Bolsonaro – 20,3 milhões, contra 8,8 milhões. “A tendência crescente entre as classes mais pobres é a de votar naquele candidato que lhes dê alguma perspectiva de resolver seus problemas imediatos. É plausível que esse percentual diminua e isso apareça nas próximas pesquisas. Haverá o efeito do Auxílio Emergencial e Bolsonaro tem a caneta e a verba”, pondera Paulino.

As últimas pesquisas apontam uma diferença de oito a dez pontos percentuais entre Lula, que aparece em primeiro nas intenções de voto, e Bolsonaro, em segundo. No Nordeste, porém, essa diferença é de pelo menos o dobro – o petista oscila em torno de 60% das intenções de voto, e o presidente Bolsonaro tem em torno de 25%. 

Em campanha pela reeleição praticamente desde que assumiu o mandato, em janeiro de 2019, Bolsonaro sabe que, em outubro, os votos do semiárido poderão fazer a diferença entre voltar para casa ou ganhar o direito de morar por mais quatro anos no Palácio da Alvorada. “Como Bolsonaro tem muito pouco para mostrar e a água é vital para essa população, ele segue o mesmo caminho de governantes anteriores que usaram o recurso de forma indigna”, critica o cientista político e professor do Insper Carlos Melo.

Vender a transposição como obra sua, porém, pode acabar mais atrapalhando do que ajudando Bolsonaro. O projeto é cogitado desde o Império em muitas versões que foram sendo reformuladas de acordo com o governante da vez. Foi oficialmente lançado pelo então ministro da Integração Regional, Ciro Gomes, ainda no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o nome oficial de Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional. O governo de Lula começou a construção que consiste em dois grandes canais (um Eixo Norte e um Eixo Leste, em um total de 477 km), em 2007. A sucessora Dilma Rousseff fez mais alguns trechos e, por fim, Michel Temer levou a construção até o ponto em que foi encontrada por Bolsonaro. Isto é, com os canais avançados, mas com alguns trechos parados e outros esperando obras complementares (bombas, adutoras, canais e reservatórios). De acordo com o Projeto Comprova, em 2020, Bolsonaro deu início ao funcionamento de uma parte do Eixo Norte. A obra atualmente tem 97,58% concluídos. Quando Bolsonaro tomou posse, a execução física já estava acima de 90%.

“A transposição é um esforço de gerações e não um milagre feito por um mito”, afirma o professor Carlos Melo, acrescentando que a “boa política” reconheceria a participação dos governos anteriores. Com investimentos de 14,6 bilhões de reais – segundo o Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR) – a estimativa é que mais de 90% da transposição já esteja pronta e em funcionamento até o final do governo Bolsonaro. O valor total hoje é mais do que três vezes o calculado inicialmente em 4,5 bilhões de reais. “É preciso saber se é uma obra que admite a multiparentalidade. Se admitir, haverá vários pais para a transposição do São Francisco. Se não, os eleitores terão que escolher um pai”, diz o cientista político Antonio Lavareda.

Os eixos são o ponto de partida das águas que, desviadas do “Velho Chico”, um caudal com uma bacia de 641 mil km2, correm por aproximadamente 2,8 mil km desde sua nascente no Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), passando por seis estados e 504 municípios, até chegar à foz no Oceano Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe. A previsão, quando tudo estiver concluído, é abastecer 11,6 milhões de pessoas (4,5 milhões vão ser atendidas pelo Eixo Leste e 7,1 milhões pelo Eixo Norte), segundo o MDR. 

Os movimentos sociais estão se preparando para campanhas que tentem impedir o uso da água como moeda de troca eleitoral. Com o lema “Não troque seu voto por água”, a ASA (Articulação do Semiárido Brasileiro), rede formada por mais de 3 mil organizações sociais de diferentes naturezas, iniciará a campanha que pretende lembrar à população de que ter água é um direito dos cidadãos, não um favor dos governantes. “O semiárido tem historicamente uma relação de poder com a água. Basta lembrar que os açudes sempre foram construídos nas terras dos coronéis, bem como os carros-pipa, abundantes nas campanhas eleitorais, e que sumiam depois”, observa Rafael Neves, coordenador do programa de cisternas da ASA.

Dois programas fundamentais nas regiões semiáridas, o de construção de cisternas (reservatórios de água que abastecem a comunidade em época de seca) e o dos carros-pipa, são um dos calcanhares de aquiles na narrativa que tenta destacar a preocupação de Bolsonaro com o semiárido. O programa Um milhão de Cisternas surgiu em 2003, com o nome oficial de Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e Outras Tecnologias, inicialmente sob o controle do extinto Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. De acordo com a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), no primeiro ano do governo Bolsonaro, 2019, os valores pagos ao programa das cisternas foram os menores desde que ele foi lançado: 13,6 milhões, o equivalente a cerca de 14,7 milhões de reais em valores atualizados. Em 2020, somente 2,6 milhões foram empenhados. “E nem esse recurso chegou às famílias porque até agora não foi pago”, diz Neves. O mesmo aconteceu com a Operação Carro-pipa. Em 2017, recebeu 1 bilhão de reais do orçamento. No ano seguinte, sofreu um corte de 25% nas verbas, e o governo destinou 793 mil reais aos caminhões. Ambos os programas estão agora sob o comando do Ministério da Cidadania.

Radar Febraban: o impacto da inflação sobre as mulheres 

O estudo avalia trimestralmente a evolução da expectativa dos brasileiros sobre temas como:

  • Situação da economia e consumo
  • Bancos
  • Meios de informação
  • Golpes e fraudes

A crise econômica, agravada pelo conflito entre Ucrânia e Rússia, chegou aos lares brasileiros e as mulheres mostram que sentem seus efeitos no dia a dia das famílias. A inflação impacta 86% no consumo de alimentos e de outros produtos de abastecimento doméstico das mulheres nordestinas, segundo o estudo Radar Febraban da Federação Brasileira de Bancos (Febrebran).

A pesquisa avaliou a expectativa de mulheres brasileiras sobre o impacto da inflaçãoA pesquisa se soma ao Observatório FEBRABAN e à FEBRABAN News, criados em 2020, como instrumentos para estreitar o diálogo do setor bancário com os brasileiros, tornando-se polo de notícias, conteúdo e ponto de encontro de debate.

Realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) – instituição com 35 anos de atuação em estudos de mercado e de opinião.

Empresa de tecnologia mostra as ligações globais de Putin

Um grande mapa de influência sobre a rede de ligações do presidente russo, Wladimir Putin foi montado pela empresa TSC, gigante global em gerenciamento de crises, softwares e dados de IA (inteligência artificial) para ESG sigla em inglês para (Environmental – Ambiental, E, Social – Social, S e Governance – Governança, G). 

Em editorial, a TSC diz que como eles não podem pegar uma arma, servir uma refeição quente em uma cozinha de emergência de Mariupol ou transportar suprimentos de ajuda médica para os necessitados, no entanto, podem aplicar a tecnologia de que dispõem para conectar pontos, simplificando, segundo a empresa, visualmente a profunda teia de influência criada por Wladimir Putin e sua rede de oligarcas.

O rico infográfico contendo as ligações pessoais de Putin, na visão da empresa de tecnologia, mostra o alto grau dessa influência do líder Russo no globo. Eles ainda afirmam categoricamente que um mapa completo seria ilegível. A TSC diz que o mapa foi criado para mostrar conexões e nada mais. 

No gráfico há a menção de que muitas das empresas ocidentais apresentadas já começaram a desembaraçar suas posições russas.

Funcionamento e coleta de informações – Os comentários e conexões foram verificados em várias fontes. Rumores e declarações subjetivas também foram verificados, mas onde não for verificável (ou quando apenas Putin saberia), existe uma indicação dessa condição. A arte, contudo está em constante adição ou retirada de informações com novas coletas de informações.

A TSI diz que este tipo de Mapas de Influência constroem uma visão de rede de alto nível dos principais “influenciadores” e modelam vários pontos de entrada em um sistema de rede. As ligações entre atores ou grupos de atores são indicadas por localização, adjacência significativa ou linhas de conexão. O comentário contextual é fornecido quando relevante.

Ainda alertam: “inclusão de uma pessoa ou entidade neste mapa não pretende sugerir ou implicar que eles tenham se envolvido em conduta ilegal ou imprópria. 

Algumas informações podem ter mudado ao longo do tempo. 

Veja aqui o documento na integralidade.

Eleições na Colômbia

Nova configuração do Senado e Câmara para 2022/2026

As votações para o Congresso na Colômbia, realizadas neste domingo, 13 de março, confirmaram uma recomposição no mapa político do país para os próximos quatro anos.

Com mais de 96% das mesas contabilizadas, o Cartório (uma espécie de TSE colombiano) confirmou que o vencedor do dia foi o Pacto Histórico (esquerda). Esse partido, cujo candidato presidencial será o senador Gustavo Petro, alcançou 16 senadores, enquanto na legislatura anterior contava com três parlamentares. Enquanto isso, na Câmara o Pacto Histórico chegou a 17 deputados, consolidando-se como a segunda maior força.

Mapa da composição do Senado Colombiano

Por outro lado, o Partido Conservador conquistou 16 senadores, incluindo congressistas que já estiveram no Senado. Na Câmara, os conservadores empataram com o Pacto Histórico em 25 cadeiras.

Do lado do Partido Liberal, os liderados pelo ex-presidente César Gaviria alcançaram 15 senadores (um a mais que no período anterior) e 32 deputados à Câmara.

Verdes, Hope Center e Centro Democrático

As cinco principais forças políticas no Senado se completam pela Coalizão Alianza Verde e Centro Esperanza, e o Centro Democrático, cada um com 14 senadores. Do lado da Câmara, Alianza Verde e Centro Esperanza se apresentaram separadamente, mas juntos alcançaram 12 representantes.

Mapa da Câmara Colombiana

Enquanto isso, o Centro Democrático (partido do governo) perdeu, no total, 23 parlamentares em ambas as câmaras. O outro partido que sofreu mais perdas foi o Cambio Radical, liderado pelo ex-vice-presidente Germán Vargas Lleras. No total, passou de 16 para 11 senadores e de 30 para 16 deputados.O novo mapa político deixou Gustavo Petro com a maior representação no Congresso colombiano.

Com informações do site Valora Analitik da Colômbia.