Bolsonaro tem 58% dos votos válidos e mantém vantagem de 16 pontos sobre Haddad, mostra XP/Ipespe

Pesquisa reforça favoritismo de Bolsonaro para a eleição presidencial a dois dias do segundo turno; Haddad depende de virada inédita para vencer a disputa

Infomoney

Bolsonaro (PSL) mantém inalterada a vantagem que tinha há uma semana sobre o exprefeito paulistano Fernando Haddad (PT) na eleição presidencial. Segundo pesquisa XP/Ipespe realizada nos dias 23 e 24 de outubro, o militar reformado tem 58% dos votos válidos, contra 42% do petista. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-08283/2018 e tem margem máxima de erro de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo. Os números são os mesmos da pesquisa divulgada pelo instituto na última sexta-feira (19), o que reforça o favoritismo do parlamentar para o próximo domingo (28), já que seu adversário teria que reduzir a distância diariamente em mais de 8 pontos percentuais para virar o jogo, movimento inédito nesta corrida presidencial. Considerando o total de votos válidos no primeiro turno da eleição, Haddad precisaria "converter" mais de 8,5 milhões de eleitores – o equivalente aos votos válidos do Rio de Janeiro no último 7 de outubro – em apenas dois dias e sem horário de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A atual vantagem de Bolsonaro é a mesma de quando essa simulação de segundo turno começou a ser feita pela pesquisa XP/Ipespe, em meados de julho. Naquela época, Haddad era apenas um nome cotado para substituir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso após condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na disputa e era desconhecido por 27% do eleitorado. Hoje 10% dizem não conhecê-lo sucientemente, o que, somado à falta de tempo, diculta ainda mais qualquer poder de reação. O gráco abaixo mostra a evolução do quadro de julho pra cá:

1) Cenário de segundo turno em votos válidos (desconsiderando brancos, nulos e indecisos)

O maior salto de Haddad nesta corrida eleitoral foi vericado uma semana após a conrmação de sua candidatura no lugar de Lula, em meados de setembro. Naquela situação, o ex-prefeito subiu 7,6 pontos percentuais em votos válidos no cenário de primeiro turno em um intervalo de uma semana, e foi alçado à segunda posição na disputa. Na semana seguinte, em 26 de setembro, houve outro salto de 5,2 p.p. em votos válidos. Desta vez, o petista precisa crescer em 48 horas mais do que a soma daquele período, missão ainda mais complexa quando se nota que Haddad conta com índice de rejeição 11 p.p. superior ao de seu adversário (47% a 36%) e, nos dados por segmentação, lidera somente entre os eleitores menos escolarizados, mais pobres e do Nordeste. Em outras regiões, como Sul e Centro-oeste, o ex-prefeito paulistano chega a ter menos da metade do percentual de votos de Bolsonaro. Considerando o quadro geral em votos totais, a última pesquisa XP/Ipespe mostra Bolsonaro com apoio de 51% dos eleitores, ao passo que Haddad conta com 37%. Votos em branco, nulos e eleitores indecisos somam 12%. A atual diferença é apenas 1 ponto percentual menor do que a maior já registrada no levantamento, há duas semanas. Em nenhum momento da disputa o petista liderou por diferença superior à margem de erro.

Neste momento, a contagem por votos totais também traz informações relevantes sobre a disputa eleitoral, já que mostra o contingente de eleitores que não apoiam nenhum dos candidatos e que poderiam fazer a diferença se convencidos a escolher alguém, e permite comparações com as intenções de voto em cada um. No caso de uma disputa tão polarizada, uma das estratégias possíveis ao candidato que aparece atrás nas pesquisas é tentar avançar sobre este grupo. Contudo, os resultados da pesquisa indicam que tal movimento, mesmo se exitoso, teria efeitos limitados, dada a comparação entre o atual patamar desta faixa do eleitorado e o histórico de pleitos anteriores. Ou seja, para reverter o quadro atual Haddad teria que roubar votos do próprio Bolsonaro. O gráco abaixo mostra a evolução da disputa em votos totais: 2) Cenário de segundo turno em votos totais (incluindo brancos, nulos e indecisos)

Apesar da inalteração no quadro geral, a nova pesquisa mostrou uma oscilação positiva no percentual de eleitores que dizem não votar em Bolsonaro de jeito nenhum. Em uma semana, tal grupo foi de 34% para 36% do eleitorado em uma semana. Mesmo assim, ele é 23 p.p. menor do que o percentual registrado três semanas antes. No caso de Haddad, observou-se uma queda de 52% na última pesquisa para atuais 47%. Este é o índice mais baixo do petista na série histórica, mas ainda é 11 p.p. superior ao de seu adversário. Movimentações também foram vistas no quadro por segmentação. Neste caso, chama atenção o fato de Bolsonaro ter alcançado 34% dos votos totais no Nordeste, 18 p.p. atrás de seu adversário. É a melhor pontuação do deputado na região – a única em que ele hoje perde. No Sudeste, sua vantagem é de 23 p.p. O militar reformado também aparece numericamente atrás os eleitores que não concluíram o Ensino Fundamental (45% a 41%). A diferença congura empate técnico neste recorte. Na semana passada, a vantagem de Haddad entre esses eleitores era de 11 p.p. Entre eleitores das classes D e E (com renda familiar mensal inferior a dois salários mínimos), a vantagem também é do petista, mas por diferença dentro da margem de erro: 44% a 41%. Entre os desempregados, os dois aparecem com 44% dos votos válidos. O eleitorado feminino também mostra uma disputa mais apertada, com Bolsonaro numericamente à frente por 46% a 42%, diferença dentro do limite da margem de erro da pesquisa. Nas demais faixas do eleitorado, o deputado leva vantagem. As maiores diferenças são vistas nas regiões Sul (62% a 28%) e Centro-oeste (68% a 26%); entre os homens (57% a 33%); com Ensino Médio (57% a 32%); e de classe C, com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos (61% a 30%). Mais detalhes estão no quadro comparativo abaixo:

 

 

 

Eleição só comparada à de 1989

lulacerda.ig.com.br

Perguntado ao cientista político Antonio Lavareda o que caracteriza as eleições de 2018, ele esclarece: “São totalmente diferentes das seis anteriores. Eleições que, na ciência política, são chamadas de “eleições críticas”, que ocorrem em cenários de grave crise econômica, polarização ideológica e emergência de terceiras vias. Nesse caso, um cenário agravado ainda mais pela Lava Jato e pelo impeachment. Nelas, o sistema partidário eleitoral vigente desde 1994 foi, em larga medida, dissolvido, abrindo-se espaço para um sistema novo, mas que demandará algum tempo para ver consolidada sua própria dinâmica. A eleição presidencial deste ano só pode ser comparada à de 1989 (quando disputou Lula X Collor), que também, a seu modo, foi uma “eleição crítica”. E por que pessoas estão tão bélicas? “Está ocorrendo, juntamente, a maior recessão da história, e a eclosão dos escândalos deu lugar a uma atmosfera tomada pela raiva e pelo medo – sentimentos negativos, reforçados e amplificados pelas redes sociais.”

Bolsonaro ganhou a disputa das redes sociais

Por Monica Guglian/Valor 

Nem tempo de TV, nem carreata, nem comício. O primeiro turno da mais eletrizante campanha eleitoral desde a redemocratização foi vencido por um candidato "praticamente virtual". Vítima de uma facada no abdômen em 6 de setembro, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) passou os restantes 30 dias que faltavam da cruzada no hospital e em casa. Mas não deixou um segundo de estar longe dos seus eleitores. "O envolvimento emocional e a fidelidade a Bolsonaro se dá nas redes sociais. Para os apoiadores não importa onde ele está ou que é dito fora delas. A verdade é o que está ali no mundo virtual", diz Fabio Malic, um dos coordenadores do Laboratórios de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic). Bolsonaro soube usar e explorar as redes sociais, dizem especialistas. Elas mantiveram, fidelizaram e ampliaram seu eleitorado, que, segundo estimativas de especialistas, pode garantir a vitória no segundo turno, independentemente do seu desempenho em entrevistas ou debates. "Não há racionalidade nesta eleição. Só amor e ódio. E foi nas redes sociais que esses sentimentos moveram os votos", diz o professor da USP Gaudêncio Torquato.

Ao fim do primeiro turno, Bolsonaro voltou às redes para comentar a sua vitória. Enquanto seus opositores davam entrevistas ao vivo para as emissoras de rádio e TV, ele surgiu em casa e fez uma transmissão pelo Facebook sentado à uma mesa improvisada em frente a dois ventiladores, cujos fios apareciam no meio da tela. Ao lado do economista Paulo Guedes – que não pronunciou uma palavra e nem se mexeu – e de uma jovem que interpretava a linguagem de sinais, ele agradeceu os votos que recebeu. Quem esperava uma mensagem de pacificação, decepcionou-se. Era uma resposta aos eleitores que ao longo do domingo espalharam fotos, vídeos e mensagens, a maioria dando como certa a vitória do capitão reformado no primeiro turno. Embaladas na onda direitista e conservadora e alimentada pela revolta contra a corrupção debitada principalmente na conta do PT, as redes sociais catalisaram e espalharam sentimentos e preferências como nunca antes tinha sido visto. Estrategistas de Marina Silva (Rede), que começou a campanha com 11% das intenções de voto, constataram que ela foi desidratada a ponto de terminar o pleito com a estatura dos nanicos, em oitavo lugar e 1% dos votos. Mensagens em grupos de WhatsApp e Facebook, segundo esses analistas, pediam sem cessar o voto útil contra Haddad e o apoio a Ciro Gomes, levando embora votos de Marina. O decano deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) foi atropelado pelo mesmo fenômeno. Completando seu 11º mandato consecutivo, ele tentou uma vaga no Senado. Não teve nem chance diante dos mais de 4 milhões de votos para o deputado estadual Flavio Bolsonaro (PSL) e dos quase 2,4 milhões de votos para o deputado Arolde de Oliveira (PSD), que ficou em segundo lugar. A dupla deixou para trás o veterano César Maia (DEM) e Lindbergh Farias (PT). "Aqui, além do voto útil pregado pelas redes, enfrentamos a família Bolsonaro em seu território. Fora isso, os eleitores queriam renovação", diz Teixeira. Não foi diferente o que ocorreu com o ex-governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin. Com a maior coligação e um tempo recorde na propaganda eleitoral gratuita, Alckmin se preparou para alçar voo, mas não decolou. Aliados que atuaram na campanha dizem que, entre todos os candidatos, Alckmin fez o pior uso das redes. "Foi um erro nosso muito grande. Nossa campanha não percebeu a importância das redes sociais e investiu em soluções analógicas. Ignorou que essa é a comunicação", diz José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela. As redes sociais, segundo o cientista político Antônio Lavareda, foram essenciais para que Bolsonaro mantivesse a fidelidade dos seus eleitores e a imagem anti-PT. "E é essa imensa bolha que se retroalimenta que lhe dá grandes chances de vencer a eleição", diz Lavareda. De acordo com levantamento do Datafolha divulgado na semana passada, a maioria dos eleitores brasileiros (68%) tem conta em alguma rede social – 66% especificamente no WhatsApp. Neste ano de campanha mais curta, o dinheiro foi pouco e o tempo de televisão, breve. O aplicativo de conversa substituiu os demais meios e se tornou uma das plataformas mais importantes do pleito. "Não vivo sem o WhatsApp", diz o vendedor Jurandir Oliveira, baiano radicado em São Paulo e eleitor de Bolsonaro. Entre o eleitorado do deputado, a utilização do WhatsApp é maior do que a registrada pelos seus principais adversários. Segundo o Datafolha, 81% afirmaram usar o aplicativo, contra 59% de Fernando Haddad (PT), 72% de Ciro Gomes (PDT) e 53% de Geraldo Alckmin (PSDB). "A rede social, ainda que em alguns momentos não aumente o número de eleitores dispostos a votar em X ou Y, ela, sem dúvida, se encarrega de manter fiéis os que já decidiram o voto", diz Malic, do Labic. Nas 48 horas que antecederam o dia da votação, especialistas constataram uma espécie de corrida maluca de informações. Valeu tudo. Notícias verdadeiras, invenções e um absoluto descontrole. No Brasil, entre todas as mídias sociais, o WhatsApp é a mais complicada de lidar, diz Malic. Muitos o chamam de "buraco negro" porque é praticamente impossível controlar a disseminação de informação e desinformação que passam pelo sistema, por muitos chamados simplesmente de "Zap". Enquanto em países como a Índia uma informação pode ser compartilhada por cinco grupos, no máximo, no Brasil 20 grupos podem ser usados. "Há muito tempo que alertamos para a necessidade de uma regulamentação mínima que seja. Mas sem sucesso." Com esses ingredientes é muito fácil confundir eleitores principalmente porque, segundo estudos nos EUA, é imenso o componente emocional despejado em cada voto. Dessa forma, à medida em que aumenta o número de informações e mensagens, verdadeiras ou falsas, cresce na mesma proporção a angústia e a ansiedade do desconhecido que acabam por fomentar a desinformação. "No primeiro turno, debates, entrevistas, nada disso teve peso. As estruturas tradicionais dos partidos não funcionaram", afirma o cientista político e presidente da Arko Advice, Murilo Aragão.

Eleições 2018 – Troca de guarda a direita e fim de fidelidades partidárias

Veículo: bbc.com

O primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras sinaliza a dissolução das atuais lealdades partidárias-eleitorais e mostra uma "troca de guarda" na representação da direita brasileira. E a disputa do segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) ainda está em aberto, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Bolsonaro teve 46% dos votos válidos e Haddad, 29% – o petista venceu em 8 dos 9 Estados do Nordeste (Ciro foi o mais votado no Ceará) e no Pará.

"De acordo com a literatura da licença política, isso é o que se chama de 'eleição crítica', onde as lealdades partidárias-eleitorais são dissolvidas. E em sistemas miltipartidários como o nosso,

frequentemente há uma substituição na representação dos campos ideológicos", disse o cientista político Antonio Lavareda.

Na prática, segundo o pesquisador, isso significa que houve uma "troca de guarda" no campo da centro-direita, com Bolsonaro ocupando o espaço deixado pelo PSDB.

"Duas coisas explicam isso: a Lava Jato, que atingiu várias lideranças do PSDB e, em segundo e importante lugar, o fato de que o PSDB aderiu ao impeachment e, depois, apoiou o governo Temer, que se tornaria bastante impopular. Foi a conjunção desses fatores que subtraiu ao PSDB a condição de continuar ocupando esse espaço."

O PT, por outro lado, se manteve a duras penas na liderança do campo de esquerda, evitando a substituição pretendida pela candidatura de Ciro Gomes.

"O PT conseguiu se manter, em grande medida, por causa do impeachment, que o reposicionou como oposição. Aí ele conseguiu enfrentar os desgastes que o governo Dilma e a Lava Jato vinham causando. Então, teve um desempenho parecido com 1994."

A atual eleição "rompeu a polarização entre PT e PSDB que já durava 20 anos", e é comparável ao que ocorreu nas eleições de 1989, as primeiras após a redemocratização, segundo a avaliação de Lavareda.

"Em 1989, o PT substituiu Leonel Brizola e o (seu) PDT como principal representante da esquerda, e Fernando Collor de Mello substituiu os partidos mais representativos da direita como PFL e PDS. No centro você teve Mário Covas substituindo a candidatura de Ulysses Guimarães. Foi uma troca de guarda completa."

PT poderia virar no segundo turno?

A possibilidade de vitória de Haddad no segundo turno existe, mas é bastante reduzida, na opinião de Lavareda. Ele relembra que nunca houve virada desse tipo em eleições presidenciais no Brasil, e que "nunca um candidato que teve 47% dos votos no primeiro turno perdeu a eleição".

"O fato de que Bolsonaro empolgou boa parte do eleitorado de maior escolaridade e renda mostra que se ele não tivesse rejeição elevada entre população de até dois salários mínimos e as mulheres, ele ganhava. O pouco que faltou para que ele ganhasse em primeiro turno lhe foi subtraído pelos mais pobres. Mas será um segundo turno disputado."

Segundo o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, tanto Haddad quanto Bolsonaro precisarão "caminhar para o centro" na tentativa de vencer. Mas a eleição ainda está em aberto.

"Essa eleição foi muito marcada por violência política e notícias falsas. Mas ela ainda não está encerrada", disse à BBC News Brasil.

Cortez também vê a "troca de guarda no campo antipetista", mas ressalta que ainda não se sabe como o novo campo da direita irá se organizar politicamente.

"Percebemos que o PSL fez bancadas com números expressivos para o partido, o que mostra que o peso do Bolsonaro se transferiu para diferentes competições. Mas veremos se Bolsonaro vai institucionalizar por via partidária esse apoio obtido nas urnas ou se vai preferir uma construção mais personalista desse antipetismo."

O candidato afirmou, durante a campanha, que não faria alianças políticas que contrariasse seus princípios e que não precisaria fazer "loteamento de cargos" caso se tornasse presidente. O cientista político, no entanto, diz que isso vai ser difícil.

"Vamos ter o teste se de fato essa retórica contra as alianças políticas via se sustentar. Se tem algo que não mudou na política foi a necessidade de gerar apoio qualificado no Congresso para aprovar as reformas constitucionais."

O PSL elegeu mais de 50 deputados federais neste domingo, segundo dados preliminares. Em 2014, apenas um representante havia sido eleito pela sigla. O PT, que havia conseguido 70 assentos na Câmara dos Deputados em 2014, terá uma bancada também superior a 50 deputados – pelas projeções, continuará sendo a maior da Casa. E o PSDB, que teve 53 deputados eleitos nas últimas eleições, teria obtido cerca de 30 assentos.

Bolsonaro chega a 41% dos votos válidos e vantagem sobre Haddad sobe para 16 pontos

Para liquidar disputa no primeiro turno, Bolsonaro precisaria herdar 64% de todos os chamados "votos azuis" (apoio hoje dado a Alckmin, Amoêdo, Alvaro Dias e Meirelles). No segundo turno contra Haddad, situação é de empate técnico.

SÃO PAULO – A dois dias do primeiro turno, a vantagem do líder Jair Bolsonaro (PSL) sobre o segundo colocado Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial dobrou. Segundo pesquisa XP/Ipespe, o deputado saltou 8 pontos percentuais em uma semana e agora tem 36% das intenções de voto. Já o ex-prefeito paulistano oscilou positivamente de 21% para 22%, patamar duas vezes superior ao do terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), estacionado em 11% há três semanas. Votos em branco, nulos e indecisos agora somam 12% do eleitorado. O levantamento foi feito nos dias 3 e 4 de outubro e foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-06509/2018.

No segundo pelotão da disputa, juntamente com Ciro, aparece Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano oscilou negativamente 1 ponto e está 3 p.p. abaixo de seu maior patamar registrado ao longo da corrida. Os ex-governadores estão em situação de empate técnico, no limite da margem de erro, de 2,2 p.p. para cima ou para baixo. Já Marina Silva (Rede) foi de 5% para 4%, menos de 1/3 do que teve em seu melhor momento na disputa. Logo atrás, aparecem o empresário João Amoêdo (Novo), com 3%; o senador Alvaro Dias (Podemos), com 2% – mesmo patamar do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB); e o deputado Cabo Daciolo (Patriota), excluído do último debate, com 1% das intenções de voto. Outros candidatos não pontuaram.

Quando são contabilizados apenas os votos válidos (desconsiderando votos em branco, nulos e eleitores indecisos), Bolsonaro tem 41% das intenções de voto, o que indica que ainda faltariam 9% para que se configure um quadro de vitória no primeiro turno. Isso significa que até o próximo domingo (7), o parlamentar teria que herdar 64% de todos os chamados "votos azuis" (apoio hoje dado a Alckmin, Amoêdo, Alvaro Dias e Meirelles) ou 50% ta soma do campo azul com as intenções de voto de Marina Silva. Neste caso, Haddad tem apoio de 25% dos que declaram voto em algum candidato, seguido por Ciro, com 13%.

No cenário espontâneo (quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados), Bolsonaro aparece com 33% das intenções de voto, enquanto Haddad tem 16%. Ciro Gomes vem logo atrás, com 9%, seguido de Alckmin, com 4%, Amoêdo e Marina Silva, ambos com 2%. Alvaro Dias, Meirelles e Daciolo têm 1% cada. Neste caso, Bolsonaro tem 48% dos votos válidos e precisaria de 25% dos "votos azuis" ou 20% da soma deste campo com as intenções de voto de Marina Silva. A pesquisa espontânea é útil como ferramenta que mostra o grau de cristalização de apoio dos eleitores a cada candidato.

O levantamento XP/Ipespe também mostrou que, a dois dias do primeiro turno, o nível de interesse pela eleição presidencial chegou a 64% do eleitorado. Agora, 43% dos entrevistados se dizem muito interessados, enquanto 23% afirmam estar mais ou menos interessados no processo. Há um mês, a soma desses grupos representava 52% do eleitorado. A faixa de eleitores que se diz desinteressada com o processo está em 20%, o que pode indicar uma ativação tardia e decisão de voto de parcela relevante durante o sprint final ou até uma tendência de abstenção, o que na prática elevaria as chances de Bolsonaro liquidar a disputa sem necessidade de segundo turno.

Confira os cenários de primeiro turno para a corrida presidencial testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos aos entrevistados

Pesquisa estimulada: com a apresentação dos nomes dos candidatos aos entrevistados

 

Segundo turno

Foram testados cinco cenários de segundo turno nesta pesquisa. Em eventual disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, o quadro ainda é de empate técnico, mas com o deputado numericamente à frente por 43% a 42%. Em relação ao último levantamento, o parlamentar cresceu 4 pontos percentuais, enquanto o petista oscilou 1 p.p. negativamente. O grupo dos "não voto" agora soma 15%. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 p.p., enquanto na semana passada Haddad apareceu pela primeira vez à frente, com vantagem de 4 p.p., no limite da soma das margens de erro dos candidatos.

Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o quadro seria de empate técnico, no limite da margem de erro, com o tucano numericamente à frente com 40% das intenções de voto contra 36% para o petista. Votos em branco, nulos e indecisos agora somam 24%. Em nenhum momento o ex-prefeito paulistano liderou as simulações.

No caso de enfrentamento entre Alckmin e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com o tucano voltando a aparecer mais forte numericamente, com 44% das intenções de voto contra 42% para o deputado. Brancos, nulos e indecisos somam 15% do eleitorado. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio.

Se o segundo turno fosse entre Ciro e Alckmin, o cenário também seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente por 36% a 33%. Brancos, nulos e indecisos somariam 31% do eleitorado. É a quarta vez que Ciro aparece numericamente à frente na disputa. Na semana passada, ele tinha 4 p.p. a mais que o ex-governador paulista. Em nenhum momento um dos candidatos teve vantagem superior ao limite da soma das respectivas margens de erro, mas na maior parte do tempo Alckmin liderou.

Caso Bolsonaro e Ciro se enfrentassem, o pedetista venceria com 44% das intenções de voto, contra 39% do parlamentar. Brancos, nulos e indecisos somariam 18%. Há cinco semanas, o ex-governador contava com vantagem de apenas 2 pontos percentuais. Ciro chegou a ficar 8 pontos à frente na semana passada. Bolsonaro esteve em vantagem numérica na maior parte do tempo, mas em quadro de empate técnico. Apenas nos dois primeiros levantamentos, realizados em maio, ele vencia com diferença superior à soma das margens de erro.

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados em quais candidatos não votariam em hipótese alguma. Marina Silva lidera o ranking da rejeição com taxa de 75%, em um salto de 7 pontos percentuais em comparação com a semana anterior. Em um mês, foi um salto de 13 p.p., a maior elevação em repúdio registrada entre os principais candidatos.

Logo atrás aparece Fernando Haddad, rejeitado por 65% do eleitorado – crescimento de 5 p.p. em relação aos percentuais registrados nas últimas duas semanas. O petista é seguido de perto por Geraldo Alckmin, que viu sua taxa subir de 61% para 64% em uma semana.

Já Bolsonaro viu sua rejeição oscilar negativamente em 1 p.p., ficando em 59%. Antes do ataque a facada sofrido em Juiz de Fora (MG) há um mês, o deputado havia alcançado seu maior nível de repúdio entre o eleitorado: 62%.

Ciro Gomes, por sua vez, é repudiado por 58% dos eleitores, contra 55% de Álvaro Dias. O senador, porém, é desconhecido por 22%, contra 5% registrados do lado do pedetista. A trajetória dos índices de rejeição dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

FONTE: XP/IPESPE

 

 

Com a liderança de Bolsonaro e o crescimento de Haddad, pleito caminha para a polarização

Katia Guimarães para Jornal do Brasil

Com o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL, à frente das pesquisas de intenção de votos, e a alta do movimento #ELENÃO, que se manifesta contra o ex-capitão abertamente, as eleições de 2018 podem ganhar características de um plebiscito, que é a consulta popular em que o eleitor vota sim ou não sobre um determinado assunto. O cenário político também ganha outra dimensão quando o pleito se afunila e se dirige para a polarização com o rápido crescimento do candidato do PT, Fernando Haddad, apenas dois anos depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff. “A eleição esta caminhando para um plebiscito, uma eleição plebiscitária, o sim ou não, o nós ou eles”, diz o cientista político, André César, da Hold Assessoria Legislativa.

O “risco Bolsonaro é real” e há a chance de ele ganhar por uma margem apertada. O atentado sofrido pelo candidato que o tirou da campanha nas ruas teve impacto sobre o eleitor. O discurso pró-Bolsonaro e o tom raivoso antipetista nas redes sociais aumentaram. Mas o temor em vê-lo no comando do Brasil chegou à imprensa internacional e levou a influente revista britânica ‘The Economist’ a estampar o presidenciável em sua capa com a manchete “Jair Bolsonaro, a última ameaça da América Latina”.

Graças à transferência de votos do ex-presidente Lula, principalmente no Nordeste, Haddad tornou-se o principal adversário de Bolsonaro (Foto: Pedro de Paula/AE) Diante de um cenário eleitoral tão inusitado, as próximas pesquisas serão decisivas para apontar se o eleitor brasileiro lançará mão do chamado voto útil já no primeiro turno. Esse tipo de voto acontece quando os eleitores que não querem jogar seu voto fora votando em um candidato que não tem chances de vencer. Ou, como agora se desenha, para evitar que um certo candidato ganhe, o eleitor deixa de apoiar seu candidato para votar em quem tem mais chances de derrotar quem não quer ver eleito. Tanto no eleitorado de esquerda quanto na direita, há a discussão de fazer uso do voto útil para Haddad e Bolsonaro.

Segundo o cientista político, Antônio Lavareda, há uma expectativa com base teórica e vivenciada em outras eleições de que o voto útil será exercido. Guardadas as devidas proporções, as eleições deste ano fazem lembrar os pleitos de 1989, quando Fernando Collor se colocava como o outsider e ganhou do petista Luiz Inácio Lula da Silva, e de 2014, quando Dilma Rousseff venceu o senador Aécio Neves, do PSDB, por menos de 4% dos votos válidos. Naquele ano, a candidatura de Marina Silva desidratou quando havia uma perspectiva de vitória do PT. Segundo Lavareda, “vaticinar” que o voto útil vai acontecer é difícil pois, assim como nas eleições de 89, hoje há uma fragmentação de candidaturas, enquanto que no pleito passado a disputa foi basicamente entre três nomes.

No primeiro turno você vai com a sua convicção e no segundo turno vai no menos pior. Polarizou tanto que os dois lados estão olhando um por outro. ‘Então vamos fazer um hedge, uma proteção já de cara pensando no menos pior para evitar que o outro lado

Vença’”, diz o cientista político André César ao comentar o comportamento do eleitor. “Não está comprovado porque tem o fator Ciro, mas está caminhando para isso, vamos ver as próximas pesquisas”, completa referindo-se ao candidato do PDT, Ciro Gomes, que na pesquisa Datafolha, foi o único a crescer e chegar mais perto de Fernando Haddad, enquanto Marina e o candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, viram seus votos caírem.

O desfecho das eleições depende ainda de alguns fatores para saber se o voto útil se dará entre Bolsonaro e Haddad. Um deles é se a trajetória de crescimento do petista vai continuar. Olhando para as pesquisas, segundo Lavareda, o teto de alta do ex-prefeito é ainda de cerca de 45%. Haddad tem que “fechar” o eleitorado do Norte e Nordeste e conquistar o eleitorado feminino, refratário a Bolsonaro e receoso em relação a Ciro, além de buscar o eleitor de baixa renda. O ex-prefeito conseguiu conquistar espaço na esquerda, principalmente no eleitorado de Ciro e da candidata Marina.

Com Bolsonaro ainda mais limitado, bate-cabeça se aprofunda em sua campanha

 

  e  para El País Brasil

Sem poder se comunicar de forma adequada no hospital, candidato pode ter sua força questionada. Nos bastidores, organizadores se atrapalham sobre os rumos a seguir

A cirurgia de emergência do candidato Jair Bolsonaro (PSL) na noite desta quarta-feira (12), após a detecção de uma aderência obstruindo o intestino delgado, impõe novos desafios para sua campanha ao Palácio do Planalto. A estratégia de gravar vídeos diários para as redes sociais, prevista para começar esta semana, foi adiada em função do grave estado de saúde do presidenciável, que voltou para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein, onde se recupera “sem intercorrências” e com visitas restritas a familiares para reduzir o risco de infecção. Sem prognóstico de alta do candidato nem mesmo da UTI, alguns correligionários já admitem que ele não retomará a campanha ou participará de debates até o primeiro turno, no dia 7 de outubro, o que abre espaço para que políticos de seu círculo íntimo comecem a se movimentar —e entrar em atrito.

Com o candidato fora de cena, seus filhos e o candidato a vice na chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), começaram a assumir o protagonismo da campanha, de forma aparentemente desordenada. O ato mais ousado veio do militar, cujo partido entrou com um pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que possa representar Bolsonaro nos debates. A ação, entretanto, não contou com o aval da cúpula do PSL, que não foi consultada antes de o general ter se voluntariado para ocupar o púlpito destinado ao capitão da reserva. Na terça-feira Mourão foi além, e afirmou que "este troço já deu o que tinha que dar", referindo-se à facada levada pelo companheiro de chapa, e disse ainda que era preciso acabar com a "vitimização" do capitão. As declarações foram consideradas insensíveis por partidários de Bolsonaro.

O presidente do PSL paulista, Major Olímpio, tratou de colocar panos quentes no assunto, e negou que haja mal-estar entre o vice e os líderes do PSL após o pedido feito ao TSE. “Nós não demos muita importância a esse tipo de coisa. A intenção foi 100% positiva, pra quem conhece o general Mourão”, afirmou nesta quinta-feira ao visitar Bolsonaro no hospital Albert Einstein. Segundo Olímpio, é positivo ter o candidato a vice nos debates para falar das propostas do militar reformado e defendê-lo de possíveis "ataques" dos demais presidenciáveis. “Agora isso não depende de nós. Depende do TSE”.

Segundo Olímpio, o PSL está tentando unir as agendas dos líderes partidários com a dos filhos de Bolsonaro e do general Mourão para tentar passar uma imagem de coesão dentro da chapa, que lidera as intenções de voto até o momento. Nos próximos dias estão marcados atos de campanha em Assis, Marília, Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo, Bauru e Itupeva, no interior do Estado de São Paulo. “Quanto mais eu puder ter o general Mourão em São Paulo, mais isso fortalece o Jair Bolsonaro”, afirma, fazendo a ressalva de que o general “tem um perfil diferente, não é homem de estar nas massas”. Para Olímpio, os 33 milhões de eleitores paulistas podem ajudar a definir a eleição "no primeiro turno". Para o partido isso seria importante, tendo em vista que até o momento nas simulações de segundo turno da mais recente pesquisa, o Datafolha, o máximo que o capitão obtém é um empate com o petista Fernando Haddad (PT).

Apesar do esforço de Olímpio para amarrar um agenda conjunta, o general parece ter outros planos. "Já estou no Paraná desde terça-feira, e nos próximo dias irei até o Rio de Janeiro e Manaus", afirmou Mourão em conversa por telefone com o EL PAÍS. "O Brasil é enorme, temos que nos mover", disse. O candidato a vice negou que tenha agido de forma desleal com o partido de Bolsonaro ao propor sua participação nos debates: "Eu apenas estou fazendo minha parte como segundo na campanha. Não posso substituí-lo, ele é insubstituível. Apenas o que posso fazer é aumentar a minha circulação pelo país para difundir nossas ideias".

Outra peça importante no xadrez da campanha bolsonarista é o candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável, um dos coordenadores da ponta fluminense da campanha. Ele também nega qualquer mal-estar entre seu partido e Mourão. "O general é um cara 100% fechado com a gente, confiamos plenamente nele, e ele mostra que está disposto a ajudar onde for necessário", afirma. No entanto, Flávio diz que a participação do vice ou de qualquer um dos filhos do capitão em eventos ou agendas da chapa depende da decisão do candidato à presidência. "A participação dele depende da anuência do Jair, é dele a decisão final. Se ele entender que o Mourão tem que ir [aos debates], ele é super qualificado, não será uma peça decorativa", explica. "Somos todos soldados do capitão, a palavra final é sempre dele". Seja como for, Bolsonaro foi aconselhado pela equipe do Einstein a falar o menos possível para evitar qualquer complicação extra na recuperação. "Quando ele estiver em condições de tomar decisões, irá tomá-las", disse Flávio.

Do leito do hospital, o próprio Bolsonaro usou o Twitter para tentar conter os rumores de bate-cabeça. "Muita coisa vem sendo falada na tentativa de nos dividir e consequentemente nos enfraquecer. Não caiam nessa! Desde o início sabíamos que a caminhada não seria fácil, por isso formamos um time sólido e preparado para a missão de mudar o Brasil! Não há divisão!", escreveu.

"Forte como um cavalo"

Hospitalizado há sete dias, desde que levou uma facada no abdômen durante ato em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro não deve voltar tão cedo para a campanha. E as perspectivas de retorno são ainda piores desde esta quarta-feira. O professor de cirurgia intestinal do Hospital das Clínicas, Carlos Sobrado, explica que uma complicação tida pelo capitão da reserva é comum neste tipo de trauma, mas é grave. “Nessas condições, o pós-operatório é complicado. O candidato tem mais de 60 anos, já passou por duas cirurgias em pouco tempo e está há uma semana sem se alimentar. Com certeza vai passar outra semana em jejum para depois retomar a dieta de forma muito gradativa”, analisa. Segundo ele, se o presidenciável evoluir positivamente, deverá receber alta em dez ou doze dias. “Acredito que no dia 7 [de outubro, quando acontece o primeiro turno] ele já estará em casa, mas não vai voltar a fazer campanha. Talvez para um segundo turno, se ele passar, ele tenha condições de participar de alguma atividade, mas com muito cuidado e restrição”, afirma.

O contraste entre o capitão da reserva que construiu sua carreira política alicerçada em um discurso conservador —e viril— e o candidato acamado com saúde fragilizada desempenha um duplo papel na campanha. "O drama pessoal humaniza o Bolsonaro, sempre há lugar no imaginário coletivo para os heróis feridos, que enfrentam situações adversas", explica o cientista político Antônio Lavareda, da Universidade Federal do Pernambuco. "Mas suponha que isso se estenda até o segundo turno, que ele continue fora da campanha caso avance para a reta final do pleito: aí é impossível prever o efeito que a ausência e fragilidade da saúde de Bolsonaro terão na cabeça das pessoas", diz. Para o professor, até o momento o fato de que o candidato não poderá ir a debates e sabatinas é positivo para ele, que não terá que se expor. "Mas enquanto ele fica no hospital outros personagens de seu círculo próximo ganham protagonismo, e eventualmente entram em conflito. Isso tudo deixa a opinião publica desconcertada, sem saber exatamente qual o estado de saúde do capitão", afirma, lembrando também o "trauma coletivo" que foi a morte do então presidente Tancredo Neves em 1985, que foi eleito, mas morreu antes de ser empossado, dando lugar a seu vice, José Sarney.

Flávio Bolsonaro afirma mesmo que o pai esteja em situação delicada no momento, sua imagem não será prejudicada. "Se ele não fosse forte já estava morto. É incrível como ele se recupera muito rápido de todas as cirurgias, operação após operação", diz. O vereador Carlos Bolsonaro, irmão mais novo de Flávio, também endossa o discurso familiar de que o capitão é "forte como um cavalo". No Twitter ele escreveu que apesar da "noite delicada (…) o velho é forte como um cavalo, não é à toa que seu apelido de Exército é 'cavalão!". Resta saber quanto vigor pode ter Bolsonaro para liderar uma corrida eleitoral da cama do hospital.

Se esperava que rejeição a Bolsonaro caísse após facada, diz Lavareda

O cientista político analisou os números da pesquisa Datafolha onde o candidato Jair Bolsonaro aparece com 24% das intenções de voto. Quatro candidatos estão empatados em segundo lugar, no limite da margem de erro

Apesar de Jair Bolsonaro ter crescido dois pontos e chagado a 24% na última pesquisa de intenções de voto, divulgada pelo Datafolha na noite dessa segunda-feira (10), a rejeição a ele impressiona. Entre os pesquisados, 43% rejeitam o candidato, mesmo após ele ter sido atacado com uma facada na última quinta-feira (6). De acordo com o cientista político Antônio Lavareda, se esperava que a rejeição a ele caísse. "Isso mostra que a rejeição a Bolsonaro está consolidada entre as mulheres e os leitores mais pobres", diz. "Eu esperava que ele crescesse uns 3 pontos percentuais e queda na rejeição, mas a rejeição a ele se mostrou surpreendente", completa.

O cientista político ainda analisou o discurso de Marina Silva e a dificuldade de crescimento da candidata nestas eleições. "Há duas forças que tracionam e começam a subtrair o eleitorado da ex-senadora:  o voto de classe, quando vai perdendo voto para Haddad, e o voto evangélico, onde ele disputa eleitorado com Bolsonaro, basicamente", diz. Ouça a entrevista completa:

A pesquisa, com margem de erro de 2%, apresenta quatro candidatos empatados em segundo lugar, no limite da margem de erro. Para o cientista político, o brasileiro dá muito valor à margem de erro, coisa que não acontece nos Estados Unidos, por exemplo. Lavareda afirma ainda que os crescimentos ou queda de cada candidato precisam ser avaliados em relação ao momento político e comparando instituto por instituto, candidato com candidato.

Pesquisa

O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) atingiu 24% das intenções de voto em pesquisa divulgada hoje (10) pelo Instituto Datafolha. Ciro Gomes (PDT) teve 13% das preferências; Marina Silva (Rede), 11%; Geraldo Alckmin (PSDB), 11% e Fernando Haddad (PT), 9%.

De acordo com a pesquisa, Ciro tem 13%, Marina, 11%; Alckmin, 10%; e Haddad, 9%. Eles estão tecnicamente empatados, conforme margem de erro de dois pontos percentuais que pode oscilar para baixo ou para cima. A margem de pesquisa divulgada pelo Datafolha é de 95%.

Álvaro Dias (Pode) foi indicado por 3% dos eleitores entrevistados, o mesmo percentual de João Amoêdo (Novo) e de Henrique Meirelles (PMDB). Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU) e Cabo Daciolo (Patri) pontuaram com 1%. João Goulart Filho (PPL) e José Maria Eymael (DC) não pontuaram. Os brancos e nulos somaram 15% e não responderam ou não quiseram responder 7%. 

Essa foi a primeira pesquisa do Datafolha após o ataque a faca contra Jair Bolsonaro, ocorrido na última quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG). É o primeiro levantamento que exclui o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR) desde abril. Não foram divulgados resultados de intenção espontânea de voto.

Na comparação com a pesquisa de opinião realizada pelo Datafolha em 20 e 21 de agosto, Bolsonaro cresceu 2 pontos percentuais (p.p); Ciro, 3 p.p; Alckmin, 1 p.p. e Haddad 5 p.p. Marina Silva caiu 5 p.p. As oscilações de Bolsonaro e Alckmin estão dentro da margem de erro.

Entre os dois levantamentos, caiu em 7 p.p o número de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo. Subiu em 1 p.p o número de entrevistarados que não quiseram ou não souberam responder.

A pesquisa atual ouviu nesta segunda-feira 2.804 pessoas em 197 municípios. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e o jornal Folha de S.Paulo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR 02376/2018.

Rejeição

O candidato Jair Bolsonaro tem a maior taxa de rejeição, 43%. Marina Silva tem 29%; Geraldo Alckmin, 24%; Fernando Haddad, 22%; e Ciro, 20%.

Os demais resultados são: Cabo Daciolo, 19%; Vera Lúcia, 19%; Eymael, 18%; Guilherme Boulos, 17%; Henrique Meirelles, 17%; João Goulart Filho, 15%; João Amôedo, 15%; e Alvaro Dias, 14%. 

Cinco por cento dos eleitores entrevistados admitem que não votam em nenhum dos candidatos e dois por cento dizem que não votariam em ninguém. Seis por cento declararam não saber.

2º Turno

O Datafolha fez simulações de 2º turno entre os candidatos.  Nos cenários em que Jair Bolsonaro aparece disputando com outro candidato, Bolsonaro perde em todas as simulações: 39% para Haddad e 38% para Bolsonaro (20% branco e 3% nulo), 43% para Marina e 37% para Bolsonaro (18% branco e 2% nulo), 43% para Alckmin e 34% para Bolsonaro (20% branco e 3% nulo), 45% para Ciro e 35% para Bolsonaro (17% branco e 3% nulo).

O Datafolha ainda testou cenários de 2º turno sem o candidato do PSL. Ciro (39%) venceria Alckmin (35%), tendo 23% branco e 3% nulo; Marina (38%) superaria Alckmin (37%) tendo 23% branco e 2% nulo; Ciro (41%) ganharia de Marina (35%) tendo 22% branco e 2% nulo; Marina (38%) superaria Alckmin (37%); assim como venceria disputa com Haddad, 42% contra 31% (25% branco e 3% nulo). Geraldo Alckmin (42%) venceria disputa com Fernando Haddad (29%), tendo 25% branco e 3% nulo.

 

Ouça a entrevista em: http://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2018/09/11/se-esperava-que-rejeicao-a-bolsonaro-caisse-apos-facada-diz-lavareda-60731