A ameaça norte-coreana é tema do Ponto a Ponto

O cientista político e professor de relações internacionais da ESPM Heni Ozi Cukier foi o entrevistado do Ponto a Ponto, da BandNewsTV, do sábado (9). O semanal tem apresentação da jornalista Mônica Bergamo e o sociólogo Antonio Lavareda. Na pauta, o governo Trump e a política internacional, com foco na Coreia do Norte. 

Em pesquisa realizada pela CNN-SSRS, em 3 de agosto de 2017, com 1.018 americanos, 77% disseram que a Coreia de Norte é capaz de lançar um míssil que poderia atingir os EUA, incluindo o Havaí; 20% responderam que não é capaz e 7% não souberam/ estão indecisos ou se recusaram a replicar o questionamento.

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Divisão no centro favorece extremos, diz Lavareda

Por Cristian Klein – Valor Econômico (19/09/2017)

A disputa pela candidatura presidencial no PSDB entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e – A disputa pela candidatura presidencial no PSDB entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital, João Doria, se acirrou a ponto de se cogitar um cenário em que os dois concorram entre si. Numa eleição que se desenha pulverizada, Doria declarou ter recebido convites para se mudar para três partidos, entre eles o DEM, o que o colocaria em colisão com o padrinho político. Mas quem levaria vantagem num choque entre criador e criatura e quais as consequências para a corrida ao Planalto?

Para o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, o efeito mais marcante de uma eventual candidatura de Doria fora do PSDB seria a fragmentação do campo de centro. "Quando o centro se fragmenta, os extremos se beneficiam", diz. Foi o que aconteceu, lembra, na superpulverizada eleição à Prefeitura do Rio, no ano passado, que teve oito candidaturas de destaque, levando ao segundo turno Marcelo Crivella (PRB), "de um partido evangélico", e Marcelo Freixo (Psol), de uma legenda para além da centro-esquerda.

"Bolsonaro assistiria de dentes expostos. Pode haver um segundo turno de azarões", resume, numa referência ao deputado federal da extrema-direita, que aparece em segundo lugar nas pesquisas, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, cuja candidatura é uma incógnita. O julgamento dos processos em que é réu, em segunda instância, pode torná-lo inelegível.

Os pretensos votos centristas de Alckmin e Doria, observa Lavareda, seriam disputados, por exemplo, por Marina Silva (Rede) – sobretudo se a ex-senadora for fortalecida por um vice que venha do Poder Judiciário – e até pelo senador Alvaro Dias (Podemos-PR), que é "um frequentador de carteirinha dos telejornais". Para o sociólogo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, olhando-se nos detalhes da última pesquisa do instituto, João Doria teria uma ligeira vantagem sobre Alckmin, no momento. O prefeito é conhecido por apenas 59% dos brasileiros, enquanto o percentual do governador – que já concorreu à Presidência em 2006 – é de 87%. No entanto, apesar desse conhecimento 47% menor, Doria apresenta uma preferência maior em relação a Alckmin, 10% contra 8%, num cenário estimulado em que os concorrentes seriam Lula (PT), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSC), Ciro Gomes (PDT), Luciana Genro (Psol), Ronaldo Caiado (DEM) e Eduardo Jorge (PV).

A diferença entre os tucanos está dentro da margem de erro, mas Doria também aparece numericamente à frente na espontânea: 1% contra zero de Alckmin. Outro indicador sempre crucial para as chances de uma candidatura, a taxa de rejeição do prefeito é de 20% enquanto a do governador é de 34%. A rejeição de Alckmin só é menor do que a de Lula (46%) e está mais concentrada nos segmentos do eleitorado que são o reduto tradicional do PSDB, os mais ricos e escolarizados. "Mas isso tem que ser muito relativizado, pois a candidatura Doria não está apresentada", diz Paulino.

No balanço das variáveis renda e escolaridade, o perfil de Doria é mais elitista e o de Alckmin tem viés um pouco mais popular. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, o prefeito mais que dobra sua média nacional e alcança 23%. Se a eleição fosse decidida pelo estrato mais alto de renda, Doria venceria o primeiro turno, à frente de Bolsonaro (19%) e Lula (14%). No entanto, entre os mais pobres, que ganham até dois salários mínimos, Doria é o preferido de apenas 6%, pouco mais da metade de sua média nacional.

No mesmo segmento, Alckmin tem 7% e dobra para 14% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, crescimento que no caso de Doria é quase o quádruplo. Com 14%, o governador não venceria a eleição entre os mais ricos. "Com Alckmin, se a elite decidisse, daria Bolsonaro, com 20%", destaca Paulino.

O pesquisador, porém, lembra que candidatos mais competitivos costumam ser os que têm um perfil mais homogêneo entre as faixas de cada segmento do eleitorado. "Um exemplo clássico é o do Lula, nas primeiras eleições. Enquanto ele era o preferido das classes mais altas não conseguia vencer. Ganhou quando conquistou os mais pobres", diz.

O perfil de Doria é mais heterogêneo do que o de Alckmin também no quesito escolaridade. O prefeito amealha 18% dos que têm nível superior e cai para 7%, abaixo da média geral de 10%, entre os eleitores com nível fundamental. Alckmin tem menos preferência entre o eleitorado com nível superior, 7%, do que sua média de 8%, e um pouco mais (10%) entre os que têm ensino fundamental – percentuais semelhantes entre as faixas. "A imagem que Doria passa para o resto do país, no começo de seu mandato, agrada mais à elite, que tem escolaridade e renda mais alta", afirma Paulino.

A preferência se reproduz quando o recorte é pelo tamanho das cidades. O político nascido em Pindamonhangaba, onde foi prefeito, tem preferência de 7% dos eleitores nos municípios de até 50 mil e acima de 500 mil habitantes. Vai melhor, com 11%, nos municípios de 200 mil a 500 mil habitantes. A faixa de cidades de porte intermediário também é a melhor para Doria, que chega a 14% nelas. Mas as maiores cidades dão ao prefeito o dobro (12%) das preferências que ele obtêm nos municípios menores (6%).

Nas regiões metropolitanas, Doria alcança 12%, mas no interior, 9%. Alckmin, de novo, oscila menos e tem, respectivamente, 7% e 8%. Pelas regiões do país, prefeito e governador estão iguais no Norte (5%) e Centro-Oeste (4%), e Doria é um ponto percentual melhor no Sul (9% a 8%) e Nordeste (5% x 4%). No Sudeste, o prefeito eleva sua preferência média de 10% para 15%, e Alckmin de 8% para 12%. Para Paulino, sendo candidato ou não, Lula será o personagem central para a campanha de ambos. "Eles precisam conquistar o pobre que não rejeita o Lula, sem
ofender esses pobres que veem o petista literalmente como um salvador da pátria", diz.

Nas categorias idade e sexo, Doria tem um perfil mais homogêneo na primeira, com poucas oscilações entre as faixas etárias, enquanto Alckmin ganha mais preferência quanto mais velho é o eleitor. Por gênero, é o inverso: o governador é preferido de modo mais uniforme por homens e mulheres, enquanto Doria agrada mais ao eleitorado masculino (12%) do que o feminino (8%).

Para Lavareda, a chance de Doria sair do PSDB para concorrer é muito remota. "Os dois estão condenados a continuarem juntos. A classe média de São Paulo é muito tucana", diz. Se a eleição presidencial fosse solteira, como em 1989, o cenário seria mais provável. "Mas é uma eleição geral, de operação muito complexa, entrecruzada, em que as candidaturas de dezenas de milhares de candidatos são amarradas", argumenta, chamando atenção para a altíssima correlação entre votação e tempo de TV, que por sua vez reflete o arco de alianças. "Ninguém troca o PSDB por uma coisa
reduzida. O DEM vai crescer, mas modestamente. O Doria vai para o PMDB?", duvida Lavareda.

O filósofo político Marcos Nobre, da Unicamp e do Cebrap, concorda. Em sua opinião, uma candidatura fora do PSDB "pode acabar" com Doria, que tem a chance de concorrer a governador. "E a fatura que ele vai ter que pagar perante a elite a qual pertence, por dividir o campo conservador, é muito alta", diz.

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“Atento aos cantos de sereia”

Leia, na íntegra, a entrevista de Antonio Lavareda à IstoÉ

Fernando Filho é entrevistado no “20 minutos”

O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, foi o primeiro entrevistado do programa 20 minutos do Sistema Jornal do Commercio deste sábado (16). A atração é comandada pelo cientista político Antonio Lavareda.

Assista ao programa abaixo.

 

 

 

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País pode ter expansão fiscal maior este ano, diz economista

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“Atento aos cantos de sereia”

Jornal do Commercio – 15/09/2017

Num momento em que o Brasil vive uma das mais profundas crises da Nova República, o cientista político Antonio Lavareda estreia amanhã um programa de entrevistas na TV Jornal, sempre aos sábados às 19h30. Ele conversou com o JC sobre a sua nova empreitada, o cenário atual e alertou sobre os riscos das tentações populistas em 2018.

JC – Os sucessivos casos de corrupção dão ideia de poço sem fundo. O caminho para o fim ainda está longe?

LAVAREDA – Essa, sem dúvida, é a crise mais profunda da Nova República, nosso período histórico pós-autoritarismo, iniciado em 1985. Crises políticas tivemos outras, mas esta é a que mais se aproxima do modelo de “crise geral”, algo que raríssimas vezes ocorre na vida de um País. Nela, vemos o aguçamento da crise de representação combinada com a perplexidade de conflitos generalizados entre os poderes. Do Executivo com o Legislativo, que levou ao impeachment de Dilma, seguido pela contenda entre o Judiciário de um lado e Executivo e Legislativo de outro, e agora incluindo um enfrentamento interno, autofágico, no próprio Judiciário. Esse processo é permeado pela crise moral despertada pela Lava Jato e turbinado pela maior recessão de todos os tempos que atirou ao desemprego mais de 14 milhões de pessoas.

JC – Mas o que será necessário para romper esse momento?

LAVAREDA – Exigirá um reexame profundo das instituições, além da adoção de novos paradigmas de comportamento dos agentes públicos. Do lado da sociedade, do cidadão, será bom lembrar que nesses tempos de vertigem dos valores o eleitor ano que vem terá que ficar muito atento aos cantos de sereia. Já assistimos a esse filme outras vezes. Quando aqui ou lá fora a política, seja por que motivo for, é satanizada, logo aparecem as tentações populistas e messiânicas, os salvadores da pátria. O Brasil experimentou algo assim em 1989. Na democracia isso nunca dá certo.

JC – O programa 20 Minutos, na TV Jornal, chega com o propósito de apresentar um panorama sobre o poder. Vivemos a época dos “fatos alternativos” de Donald Trump. Como chega o seu projeto neste cenário atual?

LAVAREDA – Infelizmente é em meio a situações como a que atravessamos hoje que muitos de nós terminamos por nos dar conta de como o poder interfere fortemente em nossas vidas. Emprego, salário, oportunidades, quase tudo depende dele. Percebemos como as ações dos governantes, mas também o que fazem e o que deixam de fazer os parlamentares e os magistrados nas várias instâncias do sistema judicial, afetam diretamente as condições de vida dos cidadãos. Refletir sobre o poder exige uma visão 360 graus, a mais aberta possível e desprovida de preconceitos. É o que eu e toda a equipe das várias plataformas do SJCC procuraremos fazer no 20 Minutos, com um estilo objetivo e ritmo dinâmico, ajudando quem nos assiste a se informar sobre o que é de fato relevante em cada um dos temas abordados.


JC – A um ano da eleição presidencial, os principais candidatos têm reprovação superior a 50%. Pode surgir um outsider, como na França?


LAVAREDA – A campanha eleitoral serve a dois fins: alavancar a preferência pelo candidato e diminuir a desaprovação inicial. Numa eleição com segundo turno, a rejeição será decisiva apenas na segunda etapa. E ela muda na campanha. Todos lembramos que Dilma ganhou o segundo turno porque inverteu a ordem. Em alguns contextos, mesmo os vencedores têm elevada rejeição. Quanto a Macron, nosso sistema político é diferente. Não haveria tempo agora para a fundação de um partido como o dele. Um eventual candidato outsider típico, como Luciano Huck que a pesquisa Ipsos mostrou mais benquisto, imbatível diante de qualquer político antigo ou novo, teria que se filiar a um partido existente, de preferência grande, por conta do tempo de TV e rádio, porque apenas redes sociais não pavimentarão uma candidatura vitoriosa.


JC – E o senhor avalia que Lula será candidato? Caso não, acredita que o PT terá fôlego para uma candidatura?

LAVAREDA – O TRF da 4a Região não terá como não julgá-lo antes do período de inscrição das chapas. O próprio presidente daquele tribunal já confirmou isso em entrevista na qual também disse que a sentença condenatória do juiz Sergio Moro era “irretocável”. Condenado em segunda instância, Lula se tornará inelegível. O partido concorrerá com outro candidato. Haddad é o mais provável. O PT, embora com muito menos força, ainda é o partido mais enraizado na sociedade. Não ganhará a eleição presidencial e diminuirá bastante sua bancada no congresso, mas seguirá existindo como grande sigla da esquerda.

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A “corrupção no governo” é uma das notícias mais lembradas pela população sobre o governo Temer

País pode ter expansão fiscal maior este ano, diz economista

Por Manoel de Castro Pires – Valor Ecônomico 

A contração das despesas públicas da União no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff foi seguida de forte expansão fiscal no ano passado, com crescimento dos gastos federais equivalente a 1,59% do Produto Interno Bruto. A maior parte da pressão financeira sobre o governo Michel Temer em 2016 veio das áreas de previdência social (0,84%) e de custeio e investimento (0,69%), indica levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.

"A tendência é de que esse percentual [de expansão, de 1,59%,] seja maior no 2º ano do governo Temer", diz Manoel Carlos de Castro Pires, economista responsável pela compilação e análise dos dados e ex-secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda. "Temer assumiu o país após um período de repressão financeira insustentável". O ajuste fiscal empreendido por Dilma em seu segundo mandato resultou numa retração da despesa pública equivalente a 0,04% do PIB. Pode parecer pouco, mas essa foi a diminuição mais expressiva desde a administração de Fernando Collor de Mello, no início dos anos 90. Na época de Collor, esclarece Pires, a inflação alta contribuía para diminuir o valor real da despesa do governo.

Aos efeitos da inflação somavam-se também fatores como repressão financeira e ajuste por meio de privatizações – as estatais deficitárias recebiam aportes frequentes de capital. No mandato de Dilma iniciado em 2015, o ajuste dos gastos se deu na rubrica de custeio e investimento, que retrocedeu 0,91%.

Os números compilados pelo Ibre mostram que, para cada período de contração fiscal desde 1985, houve uma posterior expansão de gastos, compensando pelo menos em parte os efeitos dos cortes de despesa. "Parte do corte de gastos é permanente, mas outra parte é resultado de repressão financeira", esclarece Pires, economista à frente do projeto Observatório de Finanças Públicas, previsto para estrear em outubro. Ao avaliar o governo Temer, Pires considerou apenas o ano fechado de 2016, apesar de Dilma ter sido afastada da presidência em maio. "As decisões relevantes de expansão fiscal foram tomadas na gestão dele", diz.

Na comparação entre Temer e seus antecessores, o pemedebista foi o presidente que mais ampliou a despesa pública desde Itamar Franco, segundo os dados compilados. "Existe uma pressão do mercado para que Temer faça o ajuste fiscal. E, ao mesmo tempo, há uma brutal pressão da base política para que o Estado faça rodar a máquina e atenda as demandas de parlamentares, governadores e prefeitos", resume o cientista político Antonio Lavareda. A comparação entre Temer e os seis presidentes que o antecederam desde 1985 é prejudicada – admite Pires – pela queda acentuada no PIB registrada no ano passado (-3,6%).

"O fato de o PIB ter caído é importante, mas não decisivo nessa análise", argumenta ele. Como a análise do Ibre se resumiu, no caso de Temer, apenas a 2016, a tendência é de que os efeitos da expansão fiscal possam ser diluídos até o fim do mandato. Especialista em finanças públicas, a economista Selene Peres ressalta que a combinação dos efeitos resultantes das variações do PIB e das despesas públicas pode produzir distorções. Como exemplo, Selene cita a "diminuição" (como proporção do PIB) na despesa com pessoal durante os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro de Dilma.

As sucessivas quedas medidas pelo Ibre – equivalentes a 0,40%, 0,09% e 0,49% do PIB, respectivamente – são na verdade efeitos da expansão da economia, sustenta Selene. "Essas quedas passam a ideia de que a política fiscal foi restritiva nos governos de Lula e no primeiro mandato de Dilma, quando foi exatamente o contrário que ocorreu", diz, acrescentando que o efeito cumulativo dos recentes ciclos de expansão da despesa pública gera reflexos na gestão Temer. "Estamos pagando a conta da Copa do Mundo e da Olimpíada até hoje."

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Após acusações de ex-braço direito, candidatura de Lula pode virar apenas ‘estratégia de defesa’

Leia, na íntegra, a entrevista de Antonio Lavareda à IstoÉ

Após acusações de ex-braço direito, candidatura de Lula pode virar apenas ‘estratégia de defesa’

Por Leandro Machado, Mariana Schreiber, Paula Adamo Idoeta e Renata Mendonça

Da BBC Brasil em São Paulo e em Brasília

As acusações de corrupção contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT ganharam um novo capítulo na quarta-feira com o endosso de um nome forte do partido, o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci.

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, em que foi ouvido como réu em um processo criminal da Operação Lava Jato enquanto tenta fechar um acordo de delação premiada, Palocci mencionou presentes da Odebrecht a Lula, entre eles o sítio de Atibaia, além de R$ 300 milhões da empreiteira para o partido – acusações negadas pela legenda e seu líder.

Apesar do peso de Palocci nos governos petistas, os analistas políticos divergem sobre o impacto que seu depoimento terá sobre a disputa eleitoral de 2018.

Para alguns, acusações vindas de uma figura tão importante no partido dificultam ainda mais as condições de disputa de Lula e do PT. Já outros consideram que, devido ao acúmulo já grande de denúncias contra o ex-presidente e a legenda, os efeitos de novas acusações já não são relevantes.

Em uma coisa, porém, eles concordam: enquanto o Tribunal Regional Federal da 4ª Região não decide se confirma ou não a condenação de Lula por Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá – o que poderia impedi-lo de concorrer à Presidência devido à lei da Ficha Limpa-, sua candidatura deve ser mantida, até porque interessa como estratégia de defesa sua e do partido, notam os analistas.

"Um bom motivo para manter a candidatura é a defesa da vida pública do ex-presidente contra uma narrativa de que existe um longo movimento entre as elites contra ele e o PT, que começa com o impeachment da presidente Dilma, segue com um governo que estaria desenvolvendo um desmanche do estado do bem estar social construído pelo partido e se encerra com a perseguição judicial", observa Rafael Cortez, cientista político da consultoria Tendências.

"Em boa medida essa narrativa fica mais forte enquanto Lula sinaliza a condição de candidato, pois o capítulo final dessa perseguição é a proibição da candidatura do ex-presidente por meio da condenação judicial", reforça.

Lula e Palocci

Palocci foi um dos homens-fortes do governo Lula | Foto: Ag. Brasil

Para Cortez, no entanto, Lula só teria condições de ganhar se disputar o segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSC-RJ), um candidato de rejeição ainda maior do que a do petista hoje.

O cientista político Ricardo Ismael, da PUC-RJ, tem leitura semelhante: "Acho que o PT não tem saída, porque o PT fez uma aposta em relação ao Lula. Ele vai manter a narrativa de que não há provas, é uma perseguição política e que isso acontece porque Lula melhorou a vida das pessoas. Mas é um discurso que provavelmente será insuficiente pra levá-lo à Presidência", pontua Ismael.

"A campanha presidencial serve como blindagem ao próprio presidente Lula. Se ele abandonasse agora a candidatura, o que não vai fazer, porque Lula controla o PT, isso acabaria com a defesa do Lula. Ele (PT) vai perder a eleição se mantiver o Lula, mas sem Lula provavelmente também. Tirar o Lula agora geraria mais problemas", acrescenta.

Efeitos minimizados

A análise dos cientistas políticos encontra eco na fala dos petistas. À BBC Brasil, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) minimizou o impacto do depoimento de Palocci e reforçou a candidatura de Lula.

"Não temos plano B. Não aceitaremos de maneira alguma a legitimidade de uma eleição que o Lula não participe", afirmou, repetindo um discurso recorrente dentro do partido hoje.

Para desqualificar o depoimento de Palocci, Pimenta ressaltou que ele falou na condição de réu, o que o desobriga a dizer a verdade. Além disso, disse que a alongada prisão preventiva imposta ao ex-ministro é como "uma tortura" para "forçar" uma delação.

Para Carlos Melo, cientista político e professor do Insper, esse discurso não deve ser suficiente para convencer a opinião pública e o depoimento de Palocci deve complicar as situações política e jurídica de Lula e de seu partido.

"Lula e o PT vão tentar desqualificar a fala do ex-ministro, mas a relação entre eles era muito estreita. Palocci foi ministro de Lula, coordenador da campanha da Dilma e depois chefe da Casa Civil. Palocci fazia caminhada matinal com Lula", diz.

"Como Lula vai responder na TV quando citarem esse depoimento? É difícil a resposta."

O juiz Sergio Moro

Tribunal Regional Federal da 4ª Região pode confirmar ou não condenação de Lula por Sérgio Moro | Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP

Mais do que o conteúdo da fala de Palocci no depoimento, para os especialistas ouvidos pela BBC Brasil o que pesa mais nele é o fato de vir de uma pessoa extremamente próxima ao ex-presidente e que faz parte do "núcleo duro" do PT.

"É uma pessoa que fazia parte do estafe, do núcleo duro da campanha de 2010. Não só no primeiro governo Lula, como também no de Dilma. Ele era um dos homens fortes. Ele partilhava da intimidade do poder", aponta Ismael.

O professor da PUC-Rio lembra que o depoimento de Palocci foi gravado em vídeo e isso poderá ser usado pelos adversários na campanha presidencial. "Esse depoimento é contundente, não é coisa escrita, é vídeo. Pode ser usado até pelos adversários numa campanha. Essa questão consolida a rejeição ao Lula principalmente na classe média, torna ainda mais difícil recuperá-la. Então, o Lula se consolida como um candidato que tem uma oposição muito forte, que pode até atacá-lo pela condenação que ele já tem."

Para Carlos Melo, do Insper, não só a situação política do petista se complica, mas também a defesa de Lula no âmbito da Lava Jato. "A defesa fica mais frágil. Já era complicado com a delação de Marcelo [Odebrecht]. Acredito que Sérgio Moro levará em conta o depoimento de Palocci quando for formar sua opinião."

Acumulo de denúncias

Já o professor de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Antonio Lavareda considera que o acúmulo de denúncias contra Lula e o PT reduz o impacto do depoimento de Palocci.

Na sua avaliação, Lula não deve conseguir sobreviver a uma condenação e disputar a eleição de 2018. Já o PT deve continuar como principal partido de esquerda, embora sem chances reais de vencer a próxima disputa presidencial, devido à memória popular sobre o desempenho ruim do governo de Dilma Rousseff.

"Não tem alteração substancial nenhuma (no cenário de 2018 com o depoimento de Palocci). É uma coisa que já está precificada na opinião pública. Já vêm desde 2005 essas notícias envolvendo ministros do PT, dirigentes do PT. Há um processo de habituação da sociedade", ressalta.

"Os eleitores que colocam Lula num patamar próximo a 30% nas pesquisas ou são eleitores beneficiários dos programas sociais que o PT desenvolveu ou são eleitores ideologicamente à esquerda. Então, esses eleitores estão sujeitos a esse efeito de 'habitualidade' e, por conta disso, as denúncias afetam menos o PT do que outros partidos", acrescenta.

O Palácio do Planalto

Para analistas, candidatura de Lula ao Planalto interessa como estratégia de defesa | Foto: Marcos Corrêa/PR

Para Rafael Cortez, da Tendências, os números altos de rejeição a Lula captados nas pesquisas mostram que o desgaste pelas denúncias de corrupção já levou à perda do eleitorado menos fiel, restando o apoio mais cativo.

"Mesmo com o desgaste gerado pelo depoimento do Palocci, Lula teria condições de ter um desempenho melhor que os demais concorrentes da esquerda, por seu histórico e carisma."

Se Lula não puder se candidatar, Cortez acredita que as denúncias reduzem seu peso como puxador de votos para outros candidatos petistas. Na sua visão, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad aparece como uma opção que poderia dar um verniz renovador ao partido, pensando não tanto no resultado da eleição de 2018, mas para reconstruir a legenda para as disputas futuras.

Já o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, diz, poderia ser uma "opção mais emergencial", com foco em 2018, se o partido quiser priorizar a mobilização dos votos do Nordeste.

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Leia, na íntegra, a entrevista de Antonio Lavareda à IstoÉ

Por Germano Oliveira – IstoÉ

O cientista político Antonio Lavareda, de 66 anos, já foi consultor de 91 campanhas eleitorais. Presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), do Recife, Lavareda escreveu também dezenas de livros sobre marketing eleitoral. Em entrevista à ISTOÉ, ele diz que, faltando um ano para as eleições, ainda é prematuro definir o quadro, mas de uma coisa tem certeza: Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto, nem deverá ser candidato. “A probabilidade disso acontecer é próxima de zero”. Sem o ex-presidente no páreo, a esquerda se dividirá entre vários candidatos, como o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT). Marina Silva (Rede) pode crescer, enquanto que o deputado Jair Bolsonaro, atualmente em segundo nas pesquisas,“vai se desidratar”. Resta, então, saber se os partidos de centro, como PSDB, PMDB e DEM, vão se unir ou se seguirão divididos. Unidos, podem chegar ao segundo turno e ganhar. O problema é que o prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin travam uma luta fraticida pela vaga do PSDB. Lavareda acha que a melhor solução seria a realização de prévias entre os dois.


Como o senhor vê o grande descrédito da população em relação aos políticos? É tudo por conta da Lava Jato?

A Lava Jato, na verdade, é apenas o acelerador moral específico no nosso processo de crise de representação. Além de afetar os partidos, agora fatores como a globalização e a tecnologia produzem, a cada dia, maior distanciamento entre os cidadãos e as instituições em todos os níveis, enfraquecendo a arquitetura democrática no seu pilar básico que é a confiança.

Pesquisa feita recentemente pelo Instituto Ipsos mostra que a desaprovação às autoridades atinge indiscriminadamente os políticos que estão no poder, como o presidente Michel Temer, mas também os principais candidatos a presidente. Isso mostra que falta esperança também em relação ao futuro?

Nós, brasileiros, queremos identificar uma lanterna na proa e um timoneiro seguro e confiável para nos levar adiante, ao menos para além da zona do redemoinho. Predominam na sociedade sentimentos de ansiedade, incerteza e até desânimo. Descrédito e desesperança elevados, alimentando um certo rancor amplamente disseminado. E algumas benquerenças da bagagem afetiva dos entrevistados, adquiridas pelo filtro da mídia. Nada nos diz sobre o futuro, nem poderia dizer com uma única questão. A cartomancia das pesquisas está longe de poder ser tão resumida.

Além dos políticos, também os membros do Poder Judiciário são rejeitados pela população, como o ministro Gilmar Mendes. Isso se deve ao fato dele ter mandado soltar empresários corruptos do Rio de Janeiro?

Que o Judiciário e seus atores também façam parte da linha de tiro do rancor da sociedade é bastante positivo. Porque convoca a todos a construir escadas que permitam aos membros dos três poderes saírem do poço do descrédito. Decisões polêmicas, seja no âmbito da Lava Jato e congêneres, seja do juiz que libera o estuprador, funcionam apenas como estopim do processo. Como afirmei antes, a crise é de confiança. Sem restaurarmos esse vínculo psicológico coletivo entre Estado e sociedade, e uma harmonia razoável entre os três poderes – que no Brasil são quatro por conta da autonomia absoluta do Mininstério Público – , não iremos muito longe. Uma revisão da Constituição de 1988 nos seus capítulos sobre a organização e os poderes do Estado poderia ser um bom caminho.

Lula hoje é o político com o maior número de intenções de votos, mas com uma rejeição muito grande. O senhor acha que ele acabará nem sendo candidato?


Ao refletirmos sobre eleições, devemos trabalhar com cenários plausíveis. Sem fazernenhuma avaliação sobre a pertinência das decisões judiciais, acredito que a probabilidade de Lula vir a ser candidato é próxima de zero. Terá com certeza a sentença condenatória do tríplex confirmada na segunda instância antes do prazo de inscrição das chapas e, talvez, já uma próxima condenação em primeira instância no
processo relativo ao sítio.

Se ele não puder ser candidato por uma condenação em segunda instância, o senhor acha que o PT terá fôlego eleitoral para lançar um outro nome, como o ex-prefeito Haddad?

Com certeza. O PT segue sendo o partido com maior enraizamento social no País. Na última avaliação publicada, o partido surgiu com 17% de preferências, o dobro do segundo e terceiro colocados. Mas está às voltas com uma grave crise de identidade, associada até mais ao malogro do governo Dilma do que à Lava Jato, que tem se revelado isonômica na distribuição dos prejuízos de imagem. Sofreu um recuo de 60% nas prefeituras no ano passado. Foi empurrado para fora das capitais e dos grandes centros. Deverá recuar algo parecido nas eleições parlamentares do próximo ano. Não ganhará a eleição presidencial, mas poderá continuar a ser a principal força de esquerda no Congresso.

O PSDB sempre surge como uma via importante, que tem polarizado as últimas seis eleições presidenciais com o PT. O senhor acha que em 2018 teremos novo embate entre PT e PSDB?


Tudo vai depender do grau de fragmentação na oferta de candidatos. Esses dois partidos continuam a ser os principais polos da política nacional. Porém, já se pode antever a esquerda, sem Lula, fracionada entre Haddad, Ciro Gomes, uma candidatura do PSOL, o que poderá aumentar o peso no primeiro turno de Marina, no centro esquerda, em especial se ela atrair, como tem tentado, um nome da magistratura para sua chapa. Do outro lado, já há candidaturas postas como de Álvaro Dias, que começará nas pesquisas com um bom registro na região Sul e, na extrema direita, a candidatura de Bolsonaro, que deve desidratar. Resta aberto então o que farão as forças do centro (PSDB, PMDB, DEM, PSD, PP e outros). Vão se unir em torno de um candidato que terá amplas chances de ir ao segundo turno e ganhar a eleição, ou se dividirão? É bom que pensem nisso.

Pelo PSDB, está se desenhando uma luta fraticida pela candidatura a presidente. O senhor acha que Alckmin e Doria não abrirão mão de suas candidaturas? Como deve ser a disputa entre os dois?

Temos um problema cultural, porém em algum momento iremos constatar que a existência de diferentes posições dentro de um mesmo partido é algo positivo, porque ajuda a vitalizá-lo e amplifica seu alcance na sociedade. E não o contrário. Imagina o que diria a imprensa se uma das nossas legendas estivesse em algum momento “dividida” entre 17 pré-candidatos? Pois bem, foi o que ocorreu nas primárias republicanas em 2015. Em 2016, os americanos elegeram Trump presidente. Qualquer partido que se pretenda moderno não tem caminho melhor do que prévias ou primárias para definição de seus candidatos.


Hoje, Doria está melhor posicionado nas pesquisas do que Alckmin. O senhor acha que os caciques tucanos levarão índices de pesquisa em consideração ou prevalecerá o critério de que Alckmin está há mais tempo na fila?


Nenhuma das duas. Definição de candidaturas presidenciais é algo muito estratégico e de grande responsabilidade. No cálculo do comando partidário ou das bases ouvidas em prévias, um elemento central é a compreensão dos desafios a serem enfrentados pelo próximo presidente, porque isso rebaterá no perfil do candidato ideal. Quanto a adotar intenções de voto a um ano da eleição como critério, seria demasiada ingenuidade. Recordemos as recentes disputas em eleições presidenciais abertas. A esta altura, todos os prognósticos fracassariam: Lula seria o eleito de 1994; Roseana a vitoriosa de 2002; e Serra o presidente em 2010. E antes da campanha de 2016, em São Paulo, João Doria aparecia em quarto lugar na mesma questão.


Doria tem se lançado como o anti-Lula. O senhor acha que Doria só poderia ser candidato se for para enfrentar Lula?


Ao que parece, o posicionamento da grande maioria de suas declarações e discursos vai nessa direção, antagonizando de forma sempre contundente com o ex-presidente, e, dessa forma, cultivando o reconhecimento daqueles que o rejeitam. O problema é exatamente esse. Sem Lula no ringue, esse pugilato pode perder o sentido. Mas o prefeito não é tolo, e, agora, dá sinais visíveis de correção desse rumo.

Se Lula for candidato e se vier a ser eleito, será um retrocesso para o País?

Dificilmente assistiremos esse retorno de Lula em 2018. Dois fatores me permitem ser categórico nesse ponto. O primeiro deles foi o desastre representado pelo último governo petista, do qual um componente importante foi o estelionato eleitoral. Até hoje, vemos algumas manifestações pregando o “Fora Temer”, mas quantas faixas foram levantadas bradando pelo “Volta Dilma”? Nenhuma. O desastre daquele governo é consenso até entre os petistas. Em segundo lugar, já vinha ocorrendo um realinhamento do eleitorado que iria fatalmente desalojar o PT do governo. Embora
vitoriosos, a cada eleição o partido minguava sua vantagem e deixava de ser majoritário em um estrato social. Ganhou em todos em 2002. Na eleição seguinte, já perdeu no segundo turno entre os de renda mais alta. Em 2010, só ganhou entre os eleitores de até cinco salários mínimos e na reeleição de Dilma só ganhou na base da sociedade, até dois salários, o que se traduziu na sua votação do Nordeste. Esse realinhamento, por si só, já derrotaria o partido na eleição seguinte.

Temer já mostrou grande capacidade de articulação no Congresso, livrando-se da primeira acusação feita pela PGR por corrupção. O senhor acha que ele vai conseguir derrubar também a nova denúncia que o procurador Rodrigo Janot encaminhará contra ele?


Quanto mais nos aproximamos do ano eleitoral, menos sentido assume para a sociedade repetir uma experiência traumática de substituição do governo. Parece sem propósito. O presidente conta com um estado maior que tem grande intimidade com a sua base parlamentar e ele próprio, duas vezes presidente da Câmara, conhece como ninguém os caminhos que lhe possibilitarão superar mais essa denúncia. O que só não ocorreria se nela houvesse um fato extraordinário e desestabilizador.


O senhor acha que a reviravolta na delação de Joesley põe em risco todo o processo de delações?


Decerto o instituto de colaboração premiada sofreu um abalo. Mas não acredito que todas serão invalidadas. Contudo, vai ganhar corpo na Justiça a tese de que não é possível pronunciar um a acusado com base exclusivamente na declaração do delator.

 

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A “corrupção no governo” é uma das notícias mais lembradas pela população sobre o governo Temer

O Ponto a Ponto do último sábado (2) discutiu o tema “O que vai acontecer ano que vem?”, com a presença do jornalista, professor titular da USP e consultor político Gaudêncio Torquato.

A pesquisa CNI-Ibope, realizada pelo Instituto Ipsos, concluiu que 16% dos 2.002 entrevistados disseram que a “corrupção” é a notícia mais lembrada do noticiário sobre o governo Temer. Enquanto 10% responderam reforma trabalhista; 9%, “Operação Lava Jato”; 8%, “Rodrigo Janot denuncia Temer por crime de corrupção passiva” e, por último, 4% disseram “reforma previdenciária”.

Assista aqui: 

 

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Distritão e financiamento público dominam seminário no Ipespe

Formadores de opinião estiveram presentes na segunda edição do “Seminários IPESPE”, que aconteceu na manhã desta segunda (28), na sede do instituto, na Ilha do Leite. O cientista político Marcus André Melo, professor titular da UFPE, palestrou sobre reforma política. O tema também contou com o advogado Carlos Neves Filho e o sociólogo Antonio Lavareda como debatedores.

De acordo com Marcus André, a reforma eleitoral acontece devido a uma “resposta a choques", pois o principal fato foi que, desde setembro de 2015, o STF proibiu a contribuição das empresas às campanhas eleitorais. 

O advogado Carlos Neves Filho acredita que, com a limitação do valor advindo do financiamento público de campanha, “o processo ficará dependente da ilegalidade”.

Já segundo o sociólogo Antonio Lavareda, seria um “feito da nossa democracia” se conseguisse atender os anseios das campanhas com R$ 3,6 bilhões. “Esse valor é pouco e razoável”. Para se ter ideia, a última eleição americana custou mais de US$ 2,6 bilhões (Centro de Políticas Responsáveis – CPR). Lavareda disse que mais de 90% do dinheiro usado em campanha no Brasil já é público. “Obtido por meio de obras públicas e ‘doações empresariais’”. Sobre o distritão, Lavareda disse que “se o país tiver que pagar um preço, esse seria um bom preço”.

 

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